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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

POR DENTRO DE UMA OBRA: Gilberto Geraldo

GILBERTO GERALDO - Vida e pesca - Óleo sobre tela - 150 x 190 - 2003

“Na imensidão do mar, cabem todas as esperanças!”

Não sei exatamente onde ouvi ou tenha lido essa frase, certo é que nunca a esqueci. Para um morador do interior como eu, o mar e todos os seus mistérios podem parecer um pouco distantes, mas para quem vive no litoral, o mar é tudo. Dele se extrai a sobrevivência e a sua importância é incalculável. Sobre o mar e a sua estreita relação com o homem já se produziram obras-primas da literatura e do cinema. Todas as principais passagens da história da humanidade estão envoltas pelo contato direto do homem com o mar. Na pintura não é diferente. É um tema sempre visitado por artistas de todas as escolas e estilos.




“Vida e pesca”, a obra de Gilberto Geraldo detalhada nessa matéria, resgata um pouco disso, a relação entre o homem e o mar. Ainda que o mar não esteja diretamente representado na pintura, a composição privilegiou as cores que nos reportam imediatamente ao litoral. Estão lá todas as variantes de azuis, verdes, cinzas e areias. Estão lá também alguns de seus produtos, que o homem extraiu para a sua própria sobrevivência e também com os quais mantém o seu trabalho. Muitos pescadores vivem de forma amadora e artesanal e movimentam uma significativa parte dos negócios de pesca feita em litorais de todo o mundo.




É uma pessoa simples, em sua cabana bem rudimentar. Mas o tratamento dado à pintura tornou a cena em si de uma suntuosidade incomparável. Há uma luminosidade especial que define e valoriza todos os objetos e especialmente a figura. A figura também divide a cena em duas naturezas mortas. À sua esquerda, estão os produtos de seu trabalho e à sua direita uma mesa posta com caldo de peixe quente e vinho, propositadamente colocados para fazer uma alusão singela e direta à referências bíblicas, conforme informação do próprio Gilberto.





A composição foi montada no próprio ateliê do artista, em Santa Isabel, utilizando um modelo vivo. Essa obra foi vencedora do 54º Salão Paulista de Belas Artes (o último aliás) e foi contemplada com a Grande Medalha de Ouro. Hoje faz parte de um acervo particular.




sábado, 16 de novembro de 2013

ALFREDO VIEIRA



 ALFREDO VIEIRA - Frescor - Óleo sobre tela

Muito bom, encontrar por esses dias, mesmo que ainda virtualmente, com o artista mineiro Alfredo Vieira. Ele é um representante contemporâneo do novo realismo mineiro, explorando a velha temática paisagística que fez escola por aqui, mas com um frescor e técnicas inusitadas. Adepto também do Hiperrealismo, uma tendência muito comum aos artistas realistas contemporâneos mais virtuosos.

 ALFREDO VIEIRA - Fazendinha - Óleo sobre tela

Nascido em Belo Horizonte, no ano de 1969, é filho de um outro artista, Afrânio, que foi um dos fundadores da antiga Feira Hippie, naqueles saudosos tempos onde funcionava ainda na Praça da Liberdade, e tinha um glamour que perdeu há tempos. Afrânio ficou conhecido por retratar casarios, uma identidade própria da temática mineira.

 ALFREDO VIEIRA - Ladeira - Óleo sobre tela

Alfredo Vieira também começou a expor na feira, bem cedo aliás, quando tinha apenas 10 anos. Expôs por lá em longos 32 anos e se firmou como um pintor de cenas mineiras, conquistando um público cativo não só no estado, mas de outras regiões do país. Após um estágio com um antigo professor da Guinard, Pedro Augusto, no ano de 2000, Alfredo monta seu próprio curso, priorizando bastante o desenho e aprimorando, juntamente com seus alunos, experimentos em novas técnicas e efeitos.

 ALFREDO VIEIRA - Gemas - Óleo sobre tela

Em 2002, a convite de uma aluna italiana, fica um período de 6 meses naquele país. Uma exposição hiperrealista bem sucedida lhe abre as portas para poder explorar ainda mais o país. Viaja pelo norte da Itália, sempre pintando ao vivo em praças e feiras. Um curso em Florença só veio realçar ainda mais a sua veia hiperrealista, tendência que nunca pretende deixar de explorar.

 ALFREDO VIEIRA - O Vendedor - Óleo sobre tela

 ALFREDO VIEIRA - Leiteiro - Óleo sobre tela - 50 x 60


Depois dessa temporada, retorna ao Brasil e se dedica principalmente aos cursos de desenho e pintura, suas principais atividades até hoje. Considera-se um pintor hiperrealista por excelência, gosta dos mínimos detalhes, captados com precisão e muita paciência. Não foi de frequentar escolas, muito do que aprendeu veio de leituras e muitas pesquisas, experimentadas em horas a fio, no refúgio de seu ateliê.

 ALFREDO VIEIRA - Marinha - Óleo sobre tela

Marinha, detalhe

Alfredo é metódico, tem toda uma trilha planejada para sua carreira, com planos bem audaciosos para o futuro, onde pretende explorar o hiperrealismo numa esfera que ainda não faz com tanta predominância. Ele se diz completamente apaixonado pelo que faz, não se cansa de passar no mínimo 10 horas por dia em seu ateliê, produzindo tudo aquilo que lhe fascina. Curte tudo, desde a preparação da tela, do tema, dos esboços, a primeira mancha, a pintura propriamente dita, veladuras, luzes finais... Faz tudo isso com muita entrega.

 ALFREDO VIEIRA - Solitude - Óleo sobre tela

Mestres como referência, considera muitos: Vermeer (seu preferido), Caravaggio, Bouguereau, Van Gogh, Richard Estes, Ralph Goings, Royo, Volegov e mais recentemente a artista Alissa Monks.
É por gratas surpresas como esta, que a arte realista sempre irá se reciclar e apresentar ao mundo novos nomes. Ainda que as temáticas se repitam, haverá sempre uma nova linguagem para falar do mundo de hoje.

PARA SABER MAIS:


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

RODRIGO ZANIBONI

RODRIGO ZANIBONI - A Pelada - Óleo sobre tela - 110 x 170 - 2013

Há bem no fundo de todos nós, espaços guardados que jamais sofrem a ameaça do esquecimento. Espaços que contém cenas, pessoas, aromas, sabores... Que quase sempre nos ressuscitam boas lembranças do passado e nos fazem ficar por lá, por um breve intervalo de tempo, no aconchego de nossas memórias. Nessas lembranças, há sempre a presença prazerosa das pessoas que mais nos significam, que fazem confirmar que somos seres de saudades e que nos fazem gostar muito disso. Quase toda a produção artística de Rodrigo Zaniboni está repleta desses espaços revisitados, herança da infância que passou no sítio dos avós e do estreito convívio com familiares e amigos.

RODRIGO ZANIBONI - O Olhar de Elisa
Óleo sobre tela - 120 x 100 - 2012

RODRIGO ZANIBONI - O Criador e a Criação
Óleo sobre tela - 120 x 100 - 2012

Rodrigo Zaniboni nasceu em Fernando Prestes, cidade do interior de São Paulo. Até a sua adolescência, a vida no campo serviu como um estímulo nato para impulsionar seu desejo pelo desenho. Começou a potencializar o seu talento em 1998, quando toma suas primeiras aulas de desenho com Luís Dotto. A paixão pela pintura viria a se firmar logo adiante, quando recebe aulas de Celso Bayo e se confirmar ainda mais em alguns ensinamentos com Reinaldo Jeron. Foi com Washington Maguetas, em 2001, que traria a prática da pintura ao vivo como atividade, e que muda radicalmente sua paleta e sua percepção da luz. Morgilli viria logo a seguir, servindo como suporte amigo e com dicas sempre valiosas. Atualmente, a parceria com Ernandes Silva abriu um novo leque de opções em sua produção, com a prática da pintura em plein air, reafirmando ainda mais esses ensinamentos iniciados com Maguetas.

RODRIGO ZANIBONI - A Canção de Joanna
Óleo sobre tela - 50 x 40 - 2013

RODRIGO ZANIBONI - Vó Zenaide e suas abóboras - Óleo sobre tela  - 84 x 90 - 2005

Há uma evolução latente nos trabalhos desse artista paulista, desde o início de sua produção. Experimentos técnicos também não faltam, e são sempre conduzidos por um mestre ou uma referência que ele não abre mão. E, no entanto, lá continuam suas memórias, visitadas e incansavelmente perseguidas, revelando o quanto o aconchego do lar e das boas lembranças fazem tão bem à sua obra. Uma dessas memórias, que se eternizou em obra é a tela “Vó Zenaide e suas abóboras” (ilustração acima), que foi premiada no Salão Brasileiro de Belas Artes de Ribeirão Preto, em 2005 e que também obteve o 1° lugar no 1° Salão de Artes Plásticas em Homenagem a Luís Dotto, em Catanduva, no ano de 2007. Essa obra também ilustrou o Calendário Internacional da Acrilex, em 2006, percorrendo cerca de 30 países.

RODRIGO ZANIBONI - Frutas e objetos - Óleo sobre tela - 30 x 40 - 2013

RODRIGO ZANIBONI - A Dança
Óleo sobre tela - 100 x 60 - 2013

Já possui obras em diversos países, a citar especialmente Estados Unidos, Itália e Colômbia.
A trajetória rápida e tão bem construída vai demonstrando que raízes e boas lembranças se transformaram num forte alicerce para esse artista. Que elas persistam e venham nos brindar ainda mais com suas futuras produções.


PARA FALAR COM O ARTISTA:


segunda-feira, 22 de julho de 2013

PAULO TOSTA

PAULO TOSTA - Contemplação (Mãe do Artista)
Óleo sobre tela - 70 x 50
Medalha de Bronze no Salão de Belas Artes de Piracicaba - 2012

No final do ano passado, um amigo me presenteou com um catálogo de 2012 do Salão de Artes de Piracicaba. Esse respeitado salão do interior do estado de São Paulo é um dos mais tradicionais do país e já conta com uma longa existência, sempre pautando em revelar excelentes nomes da arte figurativa brasileira. O trabalho que ilustra o início da matéria foi premiado com medalha de bronze naquele ano e muito me chamou a atenção pela sua qualidade técnica e pela serenidade da cena. O artista que realizou o trabalho é o Paulo Tosta.

PAULO TOSTA - Gustavo
Óleo sobre tela

PAULO TOSTA - Rosas - Óleo sobre tela

PAULO TOSTA - Cozinha mineira
Óleo sobre tela

Paulo Antônio Tosta nasceu em Orindiúva, no estado de São Paulo, em 1960. Aos sete anos de idade ele se muda para outra cidade paulista, Jaboticabal, que adota como terra natal e onde conclui os seus estudos. Começou cedo na arte, e também bem cedo vieram os primeiros prêmios em desenho e pintura.

PAULO TOSTA - Escalda-pés
Óleo sobre tela

PAULO TOSTA - Paisagem Mineira (Rio do Quebra Azol)
Óleo sobre tela

PAULO TOSTA - VELHO DE ASSIS
Óleo sobre tela - 60 x 80

A necessidade de ampliar o conhecimento e ver de perto os trabalhos de outros artistas, com os quais se identificava, levou Paulo Tosta a visitar vários museus e galerias, nacionais e internacionais. Dessas visitas veio a decisão de dedicar-se mais profundamente à pintura a óleo, quando então recebe os ensinamentos de vários mestres: Phillip Halawell, Zeni Sbile, Ary Salles, Ronaldo Boner Júnior, Clodoaldo Martins e Dante Veloni.

PAULO TOSTA - Conhecimento e Pesquisa
Óleo sobre tela - 80 x 100
Prêmio aquisitivo em Araras

PAULO TOSTA - copos de leite amarelos
Óleo sobre tela

Considera como principal fonte de inspiração e meta a perseguir, os trabalhos do holandês Rembrandt. Formado pela Faculdade São Luís de Jaboticabal, em Matemática e Desenho, Paulo Tosta ainda concluiu mestrado em Desenho Industrial na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp de Bauru. Além de pintar, atua como professor universitário no curso de Artes da Faculdade São Luís de Jaboticabal e na FCAV, ele é Assistente de Suporte Acadêmico III do Departamento de Zootecnia.

PAULO TOSTA - Natureza Morta
Óleo sobre tela

PAULO TOSTA - Pêssegos e uvas
Óleo sobre tela

O artista vem colecionando, há anos, vários prêmios e diversas medalhas em muitos salões dos quais participa. Suas obras podem ser encontradas em diversos países: Argentina, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Itália e Peru. 

PAULO TOSTA - Autorretrato
Óleo sobre tela - 70 x 90

PARA SABER MAIS:


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CHARLES OAK


CHARLES OAK - Joana - Óleo sobre tela - 30 x 60

Tenho frisado, em matérias anteriores, sobre a versatilidade que é inerente à carreira de muitos artistas. Essa espécie de inquietude, que é um dom para muitos e que também se transforma num doce tormento, torna-se a gênese do que há de mais cobiçado no mundo da arte, a criatividade. É das adversidades e dos desafios do dia a dia, que nasce o artista irreverente e que se propõe estar sempre criando e buscando novas linguagens. Não é fácil conviver com mil ideias na cabeça, “trocando socos e pontapés” para ganhar vida em pincéis, canetas, lápis e toda forma de expressão. Uma inquietude que é nata dos jovens, que ainda não se deram ao conforto perigoso da maturidade de expressão, porque, como disse Picasso, “é na juventude que acontecem todas as revoluções”.
Charles Carvalho, que assina Charles Oak (muito próprio, por sinal), é um desses jovens talentos brasileiros que dá gosto de acompanhar. Fala a linguagem de seu tempo e a expressa com técnicas e sentimentos também de sua época. Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, reside atualmente na cidade de São Paulo. Deixo abaixo, um relato emocionante de sua carreira, narrado pelo próprio artista. Uma bela história sobre como tudo começou.

CHARLES OAK - Sem título - da Série Geisha Pop
Óleo sobre tela - 30 x 60

CHARLES OAK - Sem título
Óleo sobre tela - 30 x 60

Eu sou um artista autodidata, comecei a desenhar muito cedo, graças ao incentivo da minha mãe a essa prática. Pessoa maravilhosa, a quem devo tudo que consegui com a arte até hoje. Como ela não queria que eu e meu irmão ficássemos na rua, para evitar qualquer tipo de problema, trazia folhas e mais folhas, junto com canetinhas e réguas, para desenharmos. Então colávamos as folhas e desenhávamos, montando uma sequência com as folhas coladas, que atravessavam a casa toda. Era uma bagunça, mas ela adorava chegar e ver os desenhos. Por isso, tudo que tenho conquistado até hoje, com a arte, devo a ela.

CHARLES OAK - Entre azul - Óleo sobre tela - 60 x 30

Com o tempo, fui crescendo e aprendendo a necessidade e importância do estudo. Estive em algumas bibliotecas, onde conheci as obras de Stephen Rogers Peck e Andrew Loomis e fiquei maravilhado com o nível destes artistas. Esse foi o momento onde eu percebi que a arte tinha realmente entrado na minha vida. Decidi que seria dessa forma que passaria a viver, produzindo arte, já que na minha cabeça, eu precisava fazer algo que causasse aquele mesmo sentimento que tive quando abri os livros do Rogers Peck e Loomis. Daí veio a decisão de estudar mais a fundo, sempre por conta própria, pois não tinha uma condição financeira que me propiciava estudar arte.

CHARLES OAK - Tigrada - Óleo sobre tela - 40 x 20

Aos 16 anos fiz meu primeiro trabalho de publicidade, na época ganhei menos de 50 reais, voltei supercontente com o dinheiro no bolso. Lembro que meu  irmão gostava muito de Fliperama, cheguei em casa e o levei para jogar. Ao longo do tempo foram aparecendo mais e mais trabalhos de ilustrações para publicidade e comecei a trabalhar bastante com isso, consequentemente meu cachê aumentou também (rs).

CHARLES OAK - green lantern
HQ

CHARLES OAK - Sword and magic
HG

Depois de algum tempo, eu conheci um desenhista que estava tentando trabalhar com histórias em quadrinhos para aos Estados Unidos, Rodrigo Pereira, ele é um dos meus melhores amigos até hoje. Achei a ideia de trabalhar no mercado de HQs Americano muito louca e coloquei na minha cabeça que queria fazer isso também. Então conversando com o Rodrigo, ele disse que precisava ter um agente, alguém que falaria com as editoras. Era uma época que não tínhamos a Internet como hoje, as referências vinham pelo correio e, quando faltava alguma coisa, era enviada através do Fax.
O Rodrigo arranjou o tal agente e então decidi trabalhar com o mesmo que o Rodrigo trabalhava, fiz os testes que ele pediu e não demorou muito comecei a pegar alguns trabalhos no mercado americano. Ao mesmo tempo surgiram boas propostas aqui no mercado nacional de HQs e acabei saindo por um tempo do mercado internacional.

CHARLES OAK - Buffy Sample
HQ

CHARLES OAK - Sword and magic
HQ

Passados os trabalhos para o mercado nacional, voltei para o mercado americano, desta vez fiquei mais tempo, fazendo com que eu trabalhasse com grandes franquias, como: Wolverine, X-men, Batman, Red Sonja, entre outras. Fiquei mais de 10 anos trabalhando no mercado americano, através de um agente, aqui do Brasil.
Mas uma coisa me incomodava, toda vez que olhava minha carreira, eu sempre sentia que faltava alguma coisa, eu não sabia bem ao certo o que era... Até que comecei a pintar com tinta guache, para fazer alguns trabalhos pessoais.  Mesmo ficando horríveis, o ato de pintar me trazia paz e eu adorava fazer aquilo.

CHARLES OAK - Estudo em plein air
Óleo sobre tela - 30 x 40

CHARLES OAK - Estudo
Óleo sobre tela - 50 x 70

Eu queria pintar da forma tradicional. Então resolvi procurar uma escola, um lugar onde sentisse que pudesse atender as minhas necessidades. Foi muito tempo procurando, eu não achava ninguém que eu olhasse o trabalho e pensasse: “esse cara é muito bom!”. Fui deixando isso meio de lado, estava cansando de procurar e fui seguindo com o meu trabalho. Até que um dia encontrei um amigo, que mencionou uma professora, Petra, com quem aprendi muito do básico de cor... Acabei arrumando um trabalho onde tive de interromper as aulas, isso me fez parar de pintar de novo e durante um bom tempo!
Mas sempre estava lendo e estudando a respeito e li muito sobre as técnicas de tinta à óleo, então voltei depois de muitos meses na Petra . Ela me disse que não mexia com tinta óleo, mas indicou um artista, disse que o cara era bom, entendia muito de pintura.
Fui conhecer o tal artista que era, nada mais nada menos, que Alexandre Reider. Eu me lembro muito bem deste dia, porque minha forma de ver a pintura à óleo mudou. No dia em que fui visitar o estúdio, ele estava pintando um painel de mais de 7 metros de largura, por 3 metros de altura e eu pensei: “Esse cara não é bom, ele é um mestre!”
Neste dia tive o mesmo sentimento da biblioteca, fiquei super emocionado ao ver seu trabalho, afinal Reider é um artista fenomenal, mas de uma simplicidade e honestidade com as pessoas.
Saí do estúdio dizendo que faria pinturas em óleo e comecei a pintar. Com o início do curso, em pouco tempo, como não poderia ser diferente, eu percebi o potencial monstruoso que o Reider tem, aprendi muita coisa útil e fundamental sobre o óleo e tudo foi ficando muito claro pra mim, eu estava no lugar certo.

Abaixo: Série de trabalhos feitos em caneta esferográfica.

 

 

Hoje sou apaixonado por pintura a óleo, acho uma técnica fascinante... Só usando entendemos porque todos os grandes mestres a usavam com tanto afinco. Atualmente faço parte do Plein Air Studio, a convite do próprio Reider (dono e fundador do estúdio), lá dou aulas de desenho básico e também tenho meu espaço de trabalho, onde executo minhas pinturas.



Eu olho muita coisa, desde desenhos em HQs a obras de mestres renomados da pintura como Michelangelo, mas sem dúvida dois artistas me influenciaram muito: Norman Rockwell e Drew Struzan.
Sempre fui e sou apaixonado pela obra deles, apesar do meu trabalho não se parecer em nada à primeira vista. Mas sinto que tem algumas coisas semelhante sim. Um exemplo são as cores que o Drew usa, que eu tento sempre algo parecido no meu trabalho. 
Atualmente eu estou vendo muitos artistas que são totalmente diferentes entre sim, como: Jenny Saville, Jeremy Lipking.

CHARLES OAK - Sem título - Óleo sobre tela - 20 x 40

Leciono em dois espaços, um deles é o próprio Plein Air Studio e também na ArtAcademia que é uma escola especializada em animação 2D e 3D. Como é necessário um bom conhecimento de anatomia para uma boa animação, é aí que eu atuo, passando meus conhecimentos sobre essa área.
Eu adoro lecionar, porque ao mesmo tempo que ensino, aprendo muito também. A faixa etária  é em torno dos 15 a 25 anos, eles sempre estão atualizados com as novidades... Essa geração é muito mais ágil e voraz por informação. Assim acabo aprendendo muito com eles.
Estou sempre tentando dar um olhar mais contemporâneo em meus trabalhos. Gosto e “tento” usar o óleo de forma diferente. Como? Levando as pinturas mais para o lado das HQs, Ilustrações. Procuro cair para o lado mais vibrante das cores, gosto muito disso, de trabalhar o sentimento através das cores.
Eu gosto muito desta forma mais estilizada da figura humana, não gosto do trabalho muito hiper-realista ou fotográfico, eu respeito as regras de anatomia, mas sempre quero quebrar uma pontinha ali na imagem, para diferenciar da foto.


Vejo a Arte Figurativa hoje como um retorno dos verdadeiros artistas, afinal temos a capacidade de enxergar, interferir e brincar com a realidade.
Sempre estou testando misturas, materiais, formas de construção, para tentar conseguir um trabalho diferenciado e atual.
Eu ainda tenho um caminho muito grande a percorrer com a fine art, isso me move e me dá mais garra para executar e mostrar minhas obras.

PARA ACOMPANHAR: