Mostrando postagens com marcador Barcelona. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Barcelona. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

MUSEU EUROPEU DE ARTE MODERNA


É sempre bom encontrar artistas e organizações dispostos a resgatar arte de conteúdo. Conteúdo que prioriza o mais essencial no fazer artístico: o domínio do desenho, todos os seus conceitos e a aplicação disso numa proposta que fale a linguagem desse tempo. O Museu Europeu de Arte Moderna, localizado em Barcelona, é uma das primeiras instituições antenadas para essa nova proposta. Não nega a linguagem contemporânea, que é visceral em sua ideologia como instituição, mas abre os caminhos para uma arte que ainda comungue de valores perdidos há tempos no mundo da arte. É uma instituição que abre uma nova janela para os muitos excelentes artistas figurativistas desse tempo.


         


Pertencente à Fundació de les Arts i els Artistes, seu maior objetivo é a promoção e divulgação da arte figurativa dos séculos XX e XXI. O museu funciona no Palau Gomis, numa zona de becos da Cidade Velha de Barcelona, uma área onde a cultura está sempre presente e que soube muito bem casar tradição e modernidade, sem que um venha ferir o espaço do outro. É um local que tem se tornado ponto obrigatório para o turista que vem até a cidade.


ANDRÉ CASTELLANOS GARCÍA / Espanha - Árvore azul
Óleo sobre madeira - 146 x 110

LUCIANO VENTRONE / Itália - Nu - Óleo sobre linho - 80 x 100

JUAN MANUEL JAIMES ROY / Argentina
Baco conquista a Índia
Óleo sobre linho - 197 x 148

O Museu Europeu de Arte Moderna é diferente de qualquer instituição de arte contemporânea que existe. Ali é possível ver os trabalhos desse tempo que geralmente não são mostrados em mais nenhum outro lugar. Infelizmente, as grandes e principais instituições da atualidade fecharam os olhos para a produção figurativa, ficando muito mais focadas numa arte que promova o conceito do que necessariamente a obra em si.


LUÍS FELIPE ALONSO XOUBANOVA / Espanha - Lola
Óleo sobre linho - 146 x 144

JUAN MORENO AGUADO / Espanha - A cozinha - Óleo sobre tela - 195 x 110 - 1993

PAUL BEEL / Estados Unidos - Carne Sissi
Óleo sobre tela - 100 x 100 - 2008

O edifício que abriga o museu é um antigo palácio do século XVIII, que foi construído pelo comerciante Gomis, quando o local ainda se chamava Princess Street. Durante a invasão de Napoleão, tropas francesas fizeram do local uma espécie de residência habitual. No início do século XX, quando novas propostas arquitetônicas e paisagísticas para a cidade de Barcelona foram feitas, o antigo edifício foi dividido em duas partes. Passou-se muito tempo até que, em 2000, a casa foi comprada por um rico artista holandês, que remodelou seu piso e deu-lhe um ar contemporâneo. Em 2006, quando passa a integrar a Fundació de les Arts i els Artists, a construção recebe mais uma renovada, agora sob os cuidados do arquiteto José Manuel Infiesta, juntamente com Jordi Garcés, o mesmo arquiteto autor de projetos como a reforma do Museu Picasso e Fundación Godia. Finalmente, em 2011, o museu é inaugurado com uma extensa coleção de pinturas figurativas, tendo em sua abertura cerca de 230 obras de artistas ainda produzindo no século XXI.


DINO VALLS - Tríptico / Espanha - Dissectio
Óleo e folha de ouro sobre madeira - 55 x 135

JUAN GUILLERMO GARCÉS SIGAS / Cuba - Sur - Óleo sobre tela

MONIQUE VAN STEEN VAN STEEN / Holanda - Retrato
 Acrílica sobre linho - 100 x 81

São quatro, as principais coleções do museu: Arte Contemporânea Figurativa, Escultura Moderna do século XX, Escultura Catalã do século XX e Art-Deco. As propostas do espaço não se encerram apenas em abrigar trabalhos dessa época. Além de um museu de belas artes, o espaço também é disponível para atividades como shows, visitas escolares e encontros, quer sejam de cidadãos, empresas ou agências. É uma instituição comprometida com a construção de um mundo melhor.


BEGNINI / Itália - Amantes - Escultura - 60 cm de altura

PARA SABER MAIS:

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

POR DENTRO DE UMA OBRA - Mariano Fortuny

MARIANO FORTUNY - La Vicaría
Óleo sobre madeira - 60 x 93,5 - 1870 - Museu Nacional de Arte da Catalunha

Uma grande obra de arte não precisa ser necessariamente grande. Evidentemente que o impacto produzido por um trabalho de grandes dimensões é algo que não se pode desprezar, mas certos trabalhos fazem confirmar aquela velha máxima de que “os melhores perfumes estão em pequenos frascos”. Quando deixamos o Museu Nacional de Arte da Catalunha, em Barcelona, é esta a impressão que nos marca mais forte: há o impacto e o deslumbramento com trabalhos de dimensões enormes, mas o que nos aprisiona mesmo não é um trabalho de grandes dimensões. La Vicaría é a pequena grande obra que nos arrebata logo na primeira olhada. A imagem que guardamos dela nos acompanhará sempre.


É, sem dúvida, a obra-prima da carreira do artista espanhol Mariano Fortuny, e um dos mais importantes trabalhos europeus do século XIX. Uma verdadeira preciosidade do Realismo de todos os tempos.


Muitos fatores tornam uma obra algo inestimável, referência ou simplesmente adorada. Não só a beleza plástica, a precisão da técnica ou o histórico do artista. No caso de La Vicaría, há todos esses indicadores e ainda o fato de o artista ter condensado em seu trabalho todos os símbolos de seu país. Nessa cena, que representa a assinatura de um contrato de casamento, há espaço para todas as classes sociais mais comuns em sua época. A burguesia, tão bem representada na suntuosidade das indumentárias; o grupo familiar e os amigos, mais próximos do casal; manola e toureiro, representando as classes mais baixas do povo, mas também integrados numa mesma confraternização. Em todos os personagens, há uma acurada representação de detalhes para cada tipo de traje, onde é possível visualizar texturas de tecidos, brilhos e movimentos. Ele capta as expressões com tanta naturalidade, que cada personagem ali contido parece uma figura viva.


Conta-se que a origem do quadro se deu quando, no dia de seu próprio casamento, Mariano Fortuny havia visitado a sacristia da Igreja de San Sebastian, em Madri, e se encantou pelo lugar. À partir daí, começou a fazer vários estudos que acabaram levando à composição dessa obra. Diversos amigos foram modelos que ele acabou utilizando para a composição final, como por exemplo o toureiro, cuja pose foi extraída de outro artista espanhol, Eduardo Zamacois y Zabala.


Fortuny era fascinado pela pintura de Goya e essa composição é uma declarada admiração por ele. Vários elementos remetem à influência de seu admirado conterrâneo. Impossível ficar indiferente à qualidade pictórica da grade, do lustre pendurado do teto, da biblioteca ao fundo e do braseiro, tão bem localizado como equilíbrio de um espaço vazio importante no primeiro plano. Todo o trabalho faz jus ao ditado de que “tamanho nem sempre é documento”. O quadro, pintado em óleo sobre madeira, mede não mais que 60 x 93,5 cm. O trabalho foi iniciado em 1863, quando o artista tinha 25 anos de idade, e concluído em 1870.




Essa pintura foi adquirida do artista por 25.000 francos pelo marchand Goupil, que logo a vendeu por 70.000 francos.