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domingo, 19 de maio de 2013

CACHOEIRÃO: SEMPRE UMA NOVA INSPIRAÇÃO!

JOSÉ ROSÁRIO - Juliana Limeira pintando no Cachoeirão, Dionísio
Óleo sobre tela - 80 x 80 - 2013

Não me canso de representar o Cachoeirão em telas. Esse local já me proporcionou diversas imagens sob diversos ângulos. Não poderia de deixar de representá-la sob essa nova ótica, sendo captada por uma artista. É uma composição inédita que faço do lugar, e ao mesmo tempo uma homenagem a todos os artistas que se propõe a fazer uma representação da natureza sempre próximos dela.
Essa tela também fará parte da exposição OLHARES DIVERSOS, que acontecerá na Fundação Aperam Acesita, com abertura marcada para o dia 7 de junho.






Mas, infelizmente nem tudo é festa. Na última visita que fiz ao Cachoeirão, com o Rubens(São Paulo), a Sílvia(Belo Horizonte) e a Juliana(Belo Horizonte), que passaram por Dionísio na última semana, recolhemos uma quantidade enorme de lixo, que turistas deixaram em sua passada por lá. Como é um local privado, fica difícil a  sua manutenção. Fica aqui, então, uma dica para que todos que forem até lá, usufruírem de um dia de descanso, que levem um recipiente e tragam todo seu lixo que produzir. Com certeza, a natureza agradecerá!

Sílvia não desperdiçou a oportunidade de
um bom banho.

Rubens na coleta de lixo.

Lixo recolhido nas águas do Cachoeirão
em apenas uma única hora.

sábado, 24 de novembro de 2012

NOVOS OLHARES SOBRE DIONÍSIO


Nunca escondi a admiração que tenho pela minha terra natal. Não é bairrismo, é amor mesmo. Dionísio, uma pequena cidade de Minas Gerais, não tem tantos recursos econômicos, tem muitos desafios pela frente; como qualquer cidade; mas tem uma beleza natural incrível. Quando outros artistas colocam em seus trabalhos, um pouco daquilo que compartilho todos os dias, é imensamente gratificante. Os trabalhos a seguir são as mais recentes produções de um grupo de amigos meus. Belas obras!


CLÁUDIO VINÍCIUS - Estrada para Areias, Dionísio - Óleo sobre tela - 30 x 50 - 2012


Não é todos os dias que se tem a honra de ver o Cláudio Vinícius concluindo um trabalho, pelo fato de que sua produção é muito criteriosa e fica um longo período na conclusão de um único trabalho. Tive o privilégio de ver concluir um pequeno quadro sobre a minha região. É um artista que capta todos os detalhes de uma paisagem com tanta perfeição, que por vezes ficamos desconfiados se são realmente pinturas. Fiquei muito feliz ao visitá-lo por esses dias, e ver que está se recuperando muito bem dos transtornos com a saúde, que teve recentemente. Tenho certeza que iremos nos brindar com muitas de suas belas imagens, por longos anos.

TÚLIO DIAS - Um trecho de estrada com animais em Brejaúba - Óleo sobre tela - 70 x 100 - 2011


TÚLIO DIAS - Estrada do Apaga-pito
Óleo sobre tela - 120 x 180 - 2011

O recente ano marca uma fase em que o Túlio Dias produziu um grande número de obras com temas de Dionísio. Grandes e pequenos formatos, foram frutos de sua passagem por aqui no ano passado. Certamente irá produzir mais, pois a sua fonte ainda é vasta. Um artista que vai e volta em suas origens pictóricas, e que tira proveito de todas as suas experiências nesse percurso.


VINÍCIUS SILVA - Rio com pedras na Serra das Laranjeiras - Óleo sobre tela - 60 x 90 - 2012


VINÍCIUS SILVA - Uma curva do Mumbaça
Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2012

VINÍCIUS SILVA - Final de tarde,  Dionísio, MG
Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2012

Vinícius Silva também passou por aqui esse ano e continua produzindo diversas obras das imagens que colheu, tanto nos ensaios fotográficos, como dos estudos em plein air. A versatilidade de seus temas é incrível e sempre se encarrega de arranjar um enquadramento inusitado e uma visão diferenciada daquilo que foge aos olhares comuns. Um jovem artista com uma longa estrada, que está apenas começando.


ERNANDES SILVA - Um cantinho na Serra do Luar - Óleo sobre tela - 30 x 40 - 2012


Ernandes Silva é a mais grata surpresa na produção de paisagens. Cada dia se especializando mais na produção em plein air, parece incansável. Sempre o estamos vendo num local diferente, cavaletes às costas e pincéis em punho. Não esteve ainda em Dionísio, mas está produzindo uma série de obras à partir de imagens que lhe enviei. Muito bom ver essa nova geração conquistando seu espaço com muita honra...

JOSÉ RICARDO - Trecho do Mumbaça - Óleo sobre tela - 60 x 80 - 2012


Um outro artista que sempre explorou as paisagens de Dionísio foi José Ricardo, que já vem por esses lados já faz um bom tempo. Saímos para alguns exercícios ao vivo e para algumas seções de fotografias. Já dividimos algumas atividades e também fizemos algumas exposições em conjunto. A temporada dele por aqui, juntamente com o Cláudio Vinícius e o Túlio Dias, rendeu bons frutos.

Acho que já está na hora de pensar num livro com temáticas da região. A ideia me parece muito boa...

terça-feira, 6 de março de 2012

O TEATRO EM DIONÍSIO

Manter acesa a chama da cultura não é tarefa fácil. Ora falta estrutura, ora falta mão de obra, ora faltam recursos... Preservar a memória do local onde se vive é preservar sua história. Sem conhecer o passado é impossível dar passos seguros em direção ao futuro.
A história de minha cidade se parece com as de muitas outras, mundo afora. No relato de José Geraldo de Araújo Castro, uma parte dessa história que se perdeu, ou que pelo menos não teve continuação.


O TEATRO EM DIONÍSIO
(José Geraldo de Araújo Castro)

A tradição do teatro em Dionísio era muito antiga. Amador, mas sempre de qualidade.
Dionísio sempre foi um município pequeno territorialmente e demograficamente desde sua fundação. No passado, o distrito de Dionísio possuía uma população minúscula com problemas maiúsculos. A pequena população não desfrutava de água encanada, rede de esgoto, luz elétrica, rua calçada. Tudo isso era uma aspiração distante e desconhecida para a maioria. Estrada? Somente havia o trilho das tropas e dos animais de sela que ligava as pequenas comunidades no seu entorno. Entretanto, por razões totalmente atípicas, um fato extraordinário surgiu aqui. A instalação de uma das primeiras escolas estaduais no distrito mudou radicalmente o cenário desolado e pobre de seus esquecidos habitantes. A comunidade totalmente ignorante e analfabeta foi seduzida pelo poder da luz inebriante do saber. Com as primeiras letras, outros horizontes começaram a ser conhecidos. Uma banda de música foi criada para trazer alegria à população cuja vida consistia na árdua labuta diária.

 

A escola, além de ensinar sua grade curricular, começou com candeeiros e lampiões encenar com seus alunos inúmeras peças teatrais, nos finais de semana, para deleite de uma comunidade carente de qualquer diversão.
Bem mais tarde, depois do advento da luz elétrica, um grupo de pessoas comprou uma velha casa na praça, ao lado da igreja, onde foi instalado oficialmente, o teatro da cidade. Nessa casa, as artes cênicas reinaram soberanas, entretendo todos por longo período.
Entretanto, quando o distrito foi emancipado, generosamente o grupo teatral doou o local para ser instalada a sede administrativa do novo município.
O tempo passou, o teatro encontrou uma nova morada no salão paroquial da cidade. Ali grandes peças foram encenadas do drama a comédia para alegria geral. Nessa época, não havia TV, e o rádio estava disponível apenas para aqueles privilegiados que podiam comprar e desfrutar de um prazer sofisticado e caro. Depois de várias utilizações dadas ao velho salão, ficou este abandonado por um longo período.Todavia, essa cultura enraizada no DNA de nossa gente, floresceu novamente com o grupo Elo de Teatro com o objetivo único de continuar com esta tradição tão arraigada. Nessa época, esse grupo de abnegados dionisianos reformou o velho salão com recursos próprios e com a ajuda do trabalho incondicional de muitos. Foram encenadas várias peças relembrando os tempos áureos da arte de Sófocles e Eurípedes. O grupo não dispunha de recursos materiais. As cadeiras da platéia eram emprestadas pela escola. No sábado pela manhã buscavam-nas de caminhão emprestado para devolvê-las à escola no domingo à noite, depois do espetáculo.


No cenário era encontrado um verdadeiro caleidoscópio comunitário. Móveis, roupas, enfeites, bibelôs, quadros, chapéus eram emprestados pela comunidade. Como o espetáculo não podia parar nada detinha a intrépida trupe. Cada peça era ensaiada durante três meses, de segunda a quinta, de 19 às 22 horas. O grupo não ensaiava todos os dias porque alguns do elenco faziam faculdade no fim de semana. Tudo isso para ao cabo deste esforço o grupo realizar duas apresentações para a comunidade. E aí começava tudo de novo. Valia pena. Era uma convivência amiga, intensa e alegre. O mais difícil era a escolha do espetáculo seguinte. Tudo era discutido e decidido democraticamente com o elenco. Havia a preocupação permanente de escolher uma peça que agradasse plenamente. O elenco sabia que não podia errar na escolha. Dentro da limitação imposta pelas circunstâncias, o perfeccionismo haveria sempre de prevalecer para o sucesso final.


Entretanto, tempos depois o salão foi vendido. A falta desse espaço junto à inércia e visão desfocada do poder público em perceber esse interesse cultural da população, contribuíram enfaticamente para o ocaso dessa arte em nosso meio. O espaço físico do teatro é de inestimável importância para qualquer comunidade. É sempre um espaço multi-uso. Serve para teatro, cinema, palestra, reuniões comunitárias, formaturas, recitais, shows, etc. Todavia devido a falta de sensibilidade dos administradores estes não perceberam a polivalência desse lugar.  Não conheceram sua magia e importância. O teatro é diversão, disciplina e cultura. Nossa comunidade tinha a consciência cristalina do seu autêntico valor. Os nossos administradores, não.
Pois bem, esta peça anunciou, sem que ninguém soubesse, o último ato do teatro em Dionísio

Com ela, as cortinas fecharam. As luzes apagaram. A tradição acabou. O teatro melancolicamente e definitivamente saiu de cena.  Neste dia a platéia não aplaudiu, nem riu. Chorou.

José Geraldo de Araújo Castro
é mineiro de Dionísio.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CACHOEIRÃO

JOSÉ ROSÁRIO - Cachoeirão
Óleo sobre tela - 140 x 90 - 2007

Mais uma cena retirada em outro trecho do Ribeirão Mumbaça, agora num dos pontos mais visitados do município de Dionísio, o Cachoeirão. Uma bela formação rochosa, com uma queda livre de cerca de 12 metros, localizada a uns 2 km do centro da cidade. O lugar é cercado por densa mata nativa e parece mesmo um santuário.
Sinto que a visitação sem controle e sem conscientização esteja comprometendo um pouco o local. Nas últimas vezes que estive por lá, juntei algumas latas de refrigerante e garrafas que já começam a se amontar nas margens.



É ainda um local completamente selvagem, sem a menor interferência humana em sua estrutura. Bom seria que pudesse ser desenvolvido por lá um turismo consciente e que não deixasse perder as suas características.
Quando visitar Dionísio, coloque o Cachoeirão como ponto obrigatório em seu roteiro.