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sábado, 13 de abril de 2013

TRÊS ITALIANOS DO "OTTOCENTO"


GAETANO CHIERICI - Alegrias da infância - Óleo sobre tela - 69,9 x 52

GAETANO CHIERICI - Instinto de lutador - Óleo sobre tela - 72 x 107 - 1868

Não é novidade dizer que a Itália seja um dos locais mais importantes para a história da arte, nem tão pouco que essa importância tenha se estendido a todo o mundo ocidental. Grande parte dos movimentos artísticos surgiu lá e por lá aconteceram em sua maior intensidade. Muito antes da era cristã; que começou a contar nossos dias; a Itália já exercia uma influência enorme na formação artística de toda a região mediterrânea. O Renascimento apenas veio confirmar o grande espírito artístico que já reinava em terras italianas desde as mais distantes datas, e que ficou adormecido por um longo período, conseqüência de grandes pestes que assolaram todo o território europeu. No Renascimento, o homem assume a vontade de evoluir espiritualmente e exprime isso com toda intensidade, nas inúmeras obras de arte criadas nesse período. A centralização da Igreja Católica em Roma foi, sem dúvida, um fator de suma importância para que as coisas desenrolassem dessa maneira. Com poderes de estado; inigualáveis para o período; ela mantinha a sobrevivência de grande parte dos artistas da época.

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - Uma família feliz
Óleo sobre tela

EUGENIO ZAMPIGHI - Meu passarinho morreu
Óleo sobre tela

GAETANO CHIERICI - Amigos da fazenda
Óleo sobre tela

Sucedendo ao Renascimento, vieram o Maneirismo, Barroco, Rococó, Neoclassicismo e Romantismo. A Itália sempre esteve na vanguarda de todos esses movimentos. A entrada dos anos de 1800 assistia o deslocamento do centro cultural de Roma para Paris, com uma força ainda mais evidente. Quando parecia que em solo italiano não haveria mais novidades, eis que, como uma carta na manga, o Realismo e o Naturalismo se impõe por quase todo o século. Os “Ottocento”, como ficaram conhecidos os anos em que esses estilos se consolidaram, estiveram esquecidos por muitos anos, depois do advento de vários movimentos modernistas, mas, retornaram à mesa das conversas sobre a produção artística italiana, principalmente porque as obras desse período são o desejo de consumo em muitas casas de leilões por todo o mundo.

EUGENIO ZAMPIGHI - Brincando com o bebê
Óleo sobre tela - 61 x 45,7

GAETANO CHIERICI - Hora do banho - Óleo sobre tela

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - Gastando o tempo
Óleo sobre tela

Precisaria de uma matéria especialmente dedicada aos “Ottocento” italianos, por se tratar não somente de uma farta e rica quantidade de informações e imagens, mas principalmente porque grande parte da arte realista que se espalhou pelo mundo, teve sua gênese nesse movimento italiano. Ficarei restrito, nesse momento, a três artistas que se consagraram no movimento realista dos “Ottocento” italianos: Gaetano Chierici, Giovanni Battista Torriglia e Eugenio Zampighi. A pintura de cenas de interiores é uma particularidade entre os três, por isso nada mais justo e sensato do que reuni-los numa mesma matéria.

GAETANO CHIERICI - Amor de mãe
Óleo sobre tela - 43,1 x 33 - Coleção particular

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - Jogos em família - Óleo sobre tela 74 x 109

EUGENIO ZAMPIGHI - A visita mais bem vinda
Óleo sobre tela

Assumo de antemão, que sou um admirador inveterado de todos os três e estou me policiando para que minha narrativa não se torne deveras piegas, típica dos fãs incondicionais. Não é muito difícil falar daquilo que é bom, que emociona e que por vezes são o motivo para nunca querer parar. Os trabalhos dos citados artistas provocam tudo isso, um misto de admiração, respeito e um alento para seguir caminhada.

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - O fio do amor
Óleo sobre tela - 63,5 x 91,44 - 1895

EUGENIO ZAMPIGHI - O favorito - Óleo sobre tela - 55,9 x 76,2

GAETANO CHIERICI - Patatrach
Óleo sobre tela - 32,4 x 47

Gaetano Chierici nasceu em Reggio Emilia, em 13 de julho de 1838 e lá faleceu em 16 de janeiro de 1920. Foi aluno de Minghetti, mas se aperfeiçoou em Modena e Florença, antes de completar sua formação em Bolonha, sob a orientação de Giulio Cesare Ferrari. Teve os primeiros trabalhos influenciados pelo tio Alfonso Chierici e também Adeodato Malatesta e se encantou, posteriormente, pelos trabalhos de um grupo denominado Macchiaioli. Só a partir de 1860 que adota as cenas de gênero como carro-chefe de sua produção. Em 1869, quando participa da Exposição de Belas Artes de Brera, conquista grande aceitação por críticos e colecionadores. Foi um pintor altamente escrupuloso, dono de uma veracidade fotográfica objetiva e surpreendente. Era dono também de uma técnica impecável e se inspirava principalmente na rotina diária de Montecalvo, onde buscava suas muitas cenas de gênero, principalmente com animais domésticos e personagens locais. Talvez pela alta qualidade técnica e grande detalhamento, produziu relativamente pouco, cerca de 150 obras completamente concluídas e alguns outros estudos e obras inacabadas. Ficava dias em uma única composição, em intermináveis horas à procura do melhor colorido, com sua precisão miniaturista e uma acuradíssima trama desenhística. Pela repetição mecânica de seus temas, foi perdendo o interesse pelos colecionadores. Atuante socialmente, foi diretor da Escola dos Trabalhadores de Desenho em Reggio Emilia e também o primeiro prefeito socialista da cidade. Seus trabalhos são hoje muito raros, e os poucos leilões onde existem suas ofertas, conseguem altíssimos valores.

EUGENIO ZAMPIGHI - Hora da refeição
Óleo sobre tela

GAETANO CHIERICI - Força irresistível - Óleo sobre painel - 34,5 x 46 - 1920

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - No estúdio do escultor
Óleo sobre tela

Eugenio Battista Torriglia nasceu em Modena, em 1859 e faleceu em Maranello, em 1944. Entre os anos de 1875 e 1882, foi aluno da Academia Ligústica e já em 1886 foi o vencedor da Pensão Durazzo, estudando com essa ajuda até 1891 em estúdios de Florença, sendo aluno principalmente de N. Barabino. Especializou em diversas temáticas, passeando muito bem desde cenas históricas e religiosas ao retrato, até cenas de gênero com moderado realismo. Tinha uma enorme preferência pela vida comum e doméstica. Suas composições são sempre envolventes e com forte elemento narrativo.

GAETANO CHIERICI - A máscara
Óleo sobre tela - 73 x 93,3

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - A pomba - Óleo sobre tela

EUGENIO ZAMPIGHI - Fugindo do banho
Óleo sobre tela

Eugenio Zampighi nasceu em Gênova, a 30 de agosto de 1857 e aí também faleceu em 12 de janeiro de 1937. Matriculou-se na Academia de Belas Artes de Modena em idade muito jovem. Depois de ganhar o Prêmio Polleti, em 1880, continuou seus estudos em Roma e Florença, onde se estabeleceu definitivamente em 1884. Tinha uma facilidade enorme para a ilustração, a qual sempre realizava com muita precisão. Teve uma produção bem montada em cima de uma temática que explorou exaustivamente: velhos, crianças, pais afetuosos, cenas domésticas... Tornou-se um dos artistas preferidos por colecionadores americanos, que sempre viram em seu trabalho, uma grande identidade com a vida doméstica italiana dos anos oitocentos. Também era fotógrafo e utilizou do recurso da fotografia para elaborar seus trabalhos. Usava modelos tipicamente trajados em seu estúdio e explorou essa temática por várias décadas, vindo a obter bastante sucesso com elas.

EUGENIO ZAMPIGHI - Reunião de família
Óleo sobre tela

GAETANO CHIERICI - A papa - Óleo sobre tela - 46,3 x 58,4

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - A teia da vida
Óleo sobre tela

Todos os três artistas tinham um fascínio pela vida familiar, pela representação que a rotina do convívio entre os familiares podia proporcionar e por tudo que isso significava em suas sociedades. Suas obras são um culto ao que há de mais simples e ao mesmo tempo o que se torna mais valioso. São retratos fiéis de uma época e que influenciarão ainda muitas gerações.

GIOVANNI BATTISTA TORRIGLIA - Uma família feliz
Óleo sobre tela

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

POR DENTRO DE UMA OBRA - Richard Franz Unterberger

RICHARD FRANZ UNTERBERGER - Costa de Amalfi
Óleo sobre painel de mogno - 57,5 x 36 - 1888

Já estou devendo uma matéria especial sobre a costa Amalfitana, essa região da Itália com uma beleza única e por onde passaram inúmeros artistas, em diversas épocas da história, retratando-a.
No século XIX, era o reduto preferido dos paisagistas e pintores de marinhas, em especial. Ainda continua sendo explorada por muitos realistas contemporâneos e é um dos locais mais exóticos da Europa.
Enquanto a matéria mais abrangente não fica concluída, deixo um pouco de como ela se mostrará, com essa excelente obra do artista austríaco Richard Franz Unterberger, que pintou diversas cenas do litoral italiano.








A obra emoldurada.