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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

ARTE REALISTA E O INTERIOR DE SÃO PAULO - Parte 4

Reinaldo Mendes, Ernandes Silva, Rodrigo Zaniboni, José Rosário, Álvaro Jara, Jesser Valzacchi, JB Oliveira e Matheus Cruz.

Tempos atrás, o imprevisível era algo que me amedrontava. Queria ter sempre o controle e a certeza sobre algo, como se isso fosse realmente possível. Não há fórmulas para a vida e o controle não está em nossas mãos. Todos os dias começam mergulhados em um mistério e com o tempo a gente aprende que isso é o que há de mais valioso. Comentei com o amigo Waiderson, logo no início dessa viagem pelo interior de São Paulo: “Estava chegando sem a menor certeza do roteiro. Sabia apenas o dia e horário da abertura da exposição, o resto ficaria por conta do imprevisível”. E como foi bom não ter o leme nas mãos, deixar que o acaso desse um rumo próprio para cada momento!...
A manhã de terça (10 de setembro) começou exatamente assim: imprevisível. Sem os medos do passado, felizmente.


JESSER VALZACCHI - O banho de Júlia - Óleo sobre tela - 120 x 140

Jesser Valzacchi, artista da cidade de Catanduva, convidou-nos para um café da manhã em sua casa. Foi um momento especial porque reuniu outros artistas da cidade: além de Rodrigo Zaniboni, Ernandes Silva, Matheus Cruz e eu, apareceram também por lá o JB Oliveira, Reinaldo Mendes e Álvaro Jara. Todos moradores e artistas de Catanduva, fazendo confirmar que a cidade se tornou mesmo um celeiro da arte realista. Alguns, como o Jesser, acompanho os trabalhos há um bom tempo. Muito bom o bate-papo daquela manhã e o entrosamento com artistas que estão numa procura cada vez mais constante pelo aperfeiçoamento da técnica. O encontro se estendeu pelo almoço em um restaurante e assim ficamos até o início da tarde. Já deixamos programados um novo encontro à noite, em um bar, e uma sessão de anatomia para a manhã do dia seguinte.

Ernandes Silva, Morgilli, Rodrigo Zaniboni e José Rosário.

MORGILLI - Paraty - Óleo sobre tela

A tarde teria mais algumas boas surpresas e a primeira delas foi a visita à Morgilli. Tenho uma admiração especial pelo Morgilli e seu trabalho. Não só porque me identifico imensamente com eles, mas principalmente pelo que eles representam. Já ouvia muito sobre esse artista nas conversas que fiz há tempos com o João Bosco Campos. Nasceu daí minha admiração, tanto pelo artista como pela sua obra. Passaria horas ali, apenas ouvindo e vendo os frutos de tantos anos de experiência. Impossível esquecer sua conversa pausada, centrada naquilo que foi a dedicação de toda uma vida: a pintura. Falou-nos do período na Itália e do começo que não foi fácil. A dificuldade dos contatos, colocar os trabalhos debaixo do braço e procurar alguma galeria, num tempo onde internet ainda nem era coisa de ficção. Bom que os tempos mudaram! Foi graças à facilidade da comunicação nos tempos atuais que nos reunimos tão facilmente. Ele nos recebeu e nos levou até o portão, com a amabilidade e o sorriso de sempre. Saí de lá com a proposta de que retornarei um dia.

Rodrigo Zaniboni, Reinaldo Jeron, José Rosário, Ernandes Silva e Matheus Cruz.

REINALDO JERON - Marina em Portugal - Óleo sobre tela - 150 x 200

A segunda surpresa daquela tarde, tão imprevisível como improvável foi o encontro com Reinaldo Jeron, outro grande nome da arte realista da cidade de Catanduva. Agradável acima de tudo, que gosta de dividir suas histórias com entusiasmo e saudosismo. Deixou-me emocionado ao comentar sobre a dura trajetória do início de carreira, por vencer preconceitos e conseguir impor seu trabalho pela excelência que ele contém. Um fato curioso é o seu gosto pelos trabalhos de grandes dimensões. No dia de nossa visita, estava, segundo ele, “divertindo com uma telinha”. Uma enorme cena marítima de 1,50 x 2,00m. Foi praticamente o pano de fundo da foto que fizemos. Também levarei muitas boas lembranças de nossas conversas e o desejo de nos encontrarmos mais um dia.




A manhã do meu último dia de viagem ainda teria uma sessão de anatomia, marcada para o ateliê de Júlio César, que assina JB Oliveira. O Matheus Cruz já havia retornado para compromissos em Piracicaba, mas a sessão ainda ficou bem frequentada, com as presenças de Ernandes Silva, Rodrigo Zaniboni, JB Oliveira, Reinaldo Mendes, Cassiano Pereira, Jesser Valzacchi, Álvaro Jara e minha. Foi um momento bem divertido, com alguns artistas se revezando como modelo e assim passamos toda aquela manhã, entre desenhos e lanches. Todos, artistas já de longa data. Alguns com atividades paralelas à pintura e na procura constante pelo aperfeiçoamento, coisa que nunca finda, para aqueles que não cansam de aprender.

JB OLIBEIRA - Maracujás
Óleo sobre tela

Reinaldo Mendes

CASSIANO PEREIRA - Paisagem
Óleo sobre tela

ÁLVAO JARA - Pedreiro
Óleo sobre tela - 90 x 70

Bons momentos não deveriam acabar, mas isso é impossível. A eternidade sobrevive apenas na lembrança desses bons momentos. E para quem chegou a vivê-los, nada mais importa. Vou guardar para sempre, a lembrança do carinho que recebi nessa minha curta passagem pelo interior de São Paulo. Fiz vários amigos e desafio a qualquer um, dizer se há algo mais importante que isso nessa vida.
Essa viagem começou a se idealizar há cerca de seis meses, no agendamento da exposição entre o Ernandes e o Patacho (membro da ESALQ), dos quais serei eternamente grato.

Voltei para Dionísio com uma certeza: o imprevisível é a minha mais nova morada!

domingo, 15 de setembro de 2013

ARTE REALISTA E O INTERIOR DE SÃO PAULO - Parte 3

Casa de Cultura Luiz Antônio Martinez Correa, em Araraquara/SP.

Na segunda-feira (9 de setembro) fomos até Catanduva, cidade localizada a mais de 300 km de Piracicaba, um grande reduto da arte realista no estado. Matheus Cruz (um artista de horas vagas, como ele mesmo gosta de afirmar) juntou-se a nós (Rodrigo Zaniboni, Ernandes Silva e eu) nessa caminhada. Interessante como a velocidade dos dias, naquela semana, fez com que o calendário não parecesse algo tão importante. Eu já não tinha mais a noção exata em qual dia do mês estava e isso é, às vezes, algo bem confortável.

MATHEUS CRUZ - Estrada - Óleo sobre tela - 30 x 40

Não partimos sem antes fazer uma rápida visita à Maria José Rodrigues (Masé), que nos recebeu muito carinhosamente em sua galeria, mostrando o acervo variado e apresentando seu espaço, que também abriga uma escola de cursos diversos.
O dia estava ainda mais quente que o anterior. Não era apenas uma percepção minha, era uma constatação. À medida que avançávamos para o interior do estado, o ar se tornava bem mais quente e seco. Uma parada ligeira para almoçar, em Rio Claro e seguimos novamente viagem até Araraquara.

José Rosário e a obra Descanso.

Rodrigo Zaniboni e a obra Dança.

Ernandes Silva e as obras Bifurcação e Litoral.

A visita à Araraquara tinha como endereço principal a exposição acadêmica que acontecia na Casa de Cultura Luiz Antônio Martinez Correa. Ernandes Silva, Douglas Okada, Rodrigo Zaniboni e eu estávamos com trabalhos expostos nesse espaço. Fomos muito bem recebidos por Milton Najm, que nos levou também até o Palacete das Rosas, onde acontecia a Mostra dos Cartunistas Convidados, nacionais e internacionais. Num outro espaço, no Teatro Municipal, estavam as obras de caricaturas e cartuns, cedidas pelo Salão Internacional do Humor de Piracicaba, bem como as obras modernas e contemporâneas.

OUTRAS OBRAS DA EXPOSIÇÃO:


DOUGLAS OKADA - Cozinhando no quintal
Óleo sobre tela - 60 x 80 - 2013

EDUARDO BORGES - Oficina do Sr Eugênio Nardin
Óleo sobre duratex

MARCOS SABBADIN - Leitura
Óleo sobre tela

JESSER VALZACCHI - Comerciante marroquino
Óleo sobre tela

Terá um grande desafio, a Prefeitura de Araraquara, para resgatar o salão de belas artes para o próximo ano. Interrompido em algumas temporadas, a mostra desse ano, com artistas convidados, visa exatamente incentivar o público regional para edições futuras.

José Rosário, Washington Maguetas, Ernandes Silva e Matheus Cruz.

Washington Maguetas em seu ateliê.

WASHINGTON MAGUETAS - A família e o cãozinho
Óleo sobre tela - 12 x 30

WASHINGTON MAGUETAS - Gisele na ponte do meu jardim
Óleo sobre tela - 80 x 110

WASHINGTON MAGUETAS - No jardim
Óleo sobre tela

Na próxima parada, na cidade de Taguaritinga, estivemos no ateliê de Washington Maguetas, o artista mais ilustre da cidade. Conheço o trabalho de Maguetas há anos e a sua produção tem uma fatia de grande importância no cenário da pintura nacional. Sempre tive um fascínio pelo seu colorido e a proposta impressionista que é o carro-chefe de sua produção. Fomos recebidos com uma hospitalidade rara e convidados por ele a conhecer o jardim que ele mesmo concebeu, nos fundos da residência. Conversamos por um longo tempo, ele sempre solícito, nos apresentando e explicando alguns de seus novos trabalhos, garimpando nos cantos do ateliê, algumas obras começadas e outras concluídas. Trabalhos antigos e alguns experimentos atuais que vem realizando. Não saímos sem antes fazer uma tradicional foto em frente à ponte japonesa, que já proporcionou inspiração para tantos trabalhos.

Em pé: Ernandes Silva e José Rosário.
Sentados: Clodoaldo Martins e Rodrigo Zaniboni.

Agulha é um pequeno povoado, distrito pertencente ao município de Fernando Prestes. Local onde mora a família do artista Clodoaldo Martins e também onde fica seu ateliê. Tivemos a sorte de ainda encontrá-lo por lá, já que passa toda a semana na cidade de São Paulo. Depois de um dia de aula inaugural em Monte Alto, ele nos recebeu para uma ligeira visita. É um jovem artista, de fala macia e olhar seguro, já consciente do grande potencial que tem em mãos. Dono de um realismo acadêmico refinado, cada vez mais sólido em suas propostas. Saímos dali com uma vontade de ficar mais, o sol já exibindo suas últimas luzes e a noite chegando mansa.

CLODOALDO MARTINS - No sítio da vovó
Óleo sobre tela

CLODOALDO MARTINS - A refeição da pequena Mariana
Óleo sobre tela - 60 x 80

Terminamos o dia com um jantar especialmente oferecido pelo Sr José e Sra. Edna Zaniboni, pais de Rodrigo. Quero deixar a eles um agradecimento especial pelo calor da acolhida. É tão bom quando nos sentimos em casa... Ainda guardo o sabor dos pães caseiros, feitos pela Sra. Edna, e que nos acompanhou por todos aqueles dias.
Chegamos finalmente à Catanduva. Se havia cansaço já nem me lembro. O dia havia trazido muitas emoções e a noite preparava outras tantas para o próximo dia.