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segunda-feira, 19 de maio de 2014

UM OLHAR SOBRE O REALISMO CONTEMPORÂNEO

ANNA MARINOVA - Morning freshness - Óleo sobre tela - 100 x 90

Uma linguagem artística nunca extingue a outra, apenas a sucede num ciclo que não fecha, e que certamente sempre retorna. Os renascentistas ressuscitaram o classicismo grego, injetando um novo fôlego na arte mundial daquele tempo, tendência que retornou mais tarde com as ideias neoclassicistas, confirmando que estilos não são eternos e que também nunca morrem. Vão e voltam ao gosto das gerações sequentes. Quando parecia que os movimentos modernistas perdurariam onipotentes e sem a menor ameaça de concorrência, eis que surge uma nova corrente ressuscitando mais uma vez os ideais clássicos para inspirarem seu tempo. O Realismo Contemporâneo nasceu assim, não suportando mais os estilos que imperaram por quase todo o século passado. Muitos artistas, de diversas partes do mundo, se viram cansados de uma arte que precisava de longas explicações e que procurasse justificativas em intermináveis discursos e fórmulas. O Movimento Realista Contemporâneo nasceu com a intenção de reagir aos modernistas e pós-modernistas, que ainda dominam o mercado das artes. Esse movimento já conseguiu um alto grau de respeito, tanto por parte de críticos e principalmente de público.

VICTOR WANG - Chapéu de girassóis - Óleo sobre tela - 122 x 117

MAURÍCIO TAKIGUTCHI
Retrato de Eduardo de Amorim
Carvão e lápis pastel branco sobre papel - 2014

Definimos Arte Contemporânea principalmente aquela praticada por artistas que ainda estão produzindo. Pra ser contemporâneo é preciso primeiramente estar vivo. Falar a linguagem de seu tempo é essencial para que o período artístico vivido por todo artista não passe em branco. Portanto, é possível sim, fazer arte realista e ser contemporâneo. É mais que viável fazer a arte desse tempo, mesmo que inspirando em ideais experimentados no passado, como aconteceu em outras épocas. A nova onda de artistas realistas tomou força na década de 1970 e não parou mais de crescer. Já havia conseguido muitos adeptos até a virada do século, mas a força maior para o movimento só se concretizou mesmo com a internet, uma ferramenta de extrema eficiência que consegue ligar pensamentos com a mesma sintonia em diversas partes do mundo. Estilos e tendências já não são mais impostos por uma minoria que antes controlava mídias e galerias especializadas. A internet é a vitrine mundial e seu alcance é irrestrito.

T. ALLEN LAWSON - Os primeiros sinais da primavera - Óleo sobre tela - 86,36 x 91,44

VINÍCIUS SILVA - Luz na mata - Óleo sobre tela - 40 x 50

Uma das intenções principais dos realistas contemporâneos é produzir um estilo natural, quase sempre bem objetivo. Há quem diga que procuram o real e não o ideal. Muitos artistas do início do movimento realista começaram suas carreiras como pintores abstratos treinados e chegaram mesmo a se tornar professores e teóricos de desprezo das pinturas representacionais. Porém, muitos deles não se viam realizados em suas propostas. Mais uma vez, inspirados pela antiga arte clássica grega, começaram a representar o seu tempo de uma nova maneira. Agradeçam especialmente a Peter Hurd e Andrew Wyeth, protagonistas desse movimento que deu um novo ânimo ao cenário artístico mundial. Não deixem confundir realistas contemporâneos com foto-realistas ou hiper-realistas, são correntes com propostas bem diferentes.

DANIEL SPRICK - Amaryllis - Óleo sobre tela - 66,04 x 71,12

RENATO MEZIAT - Vários potes - Óleo sobre tela - 81,28 x 127

As escolas-ateliers são a base do movimento realista. Elas são a fonte de educação adequada e necessária para todo artista que pretende ser realista. Todos os ensinos superiores de arte haviam se tornado teóricos demais. Os artistas formados em universidades no século passado precisavam quase que obrigatoriamente ter um conhecimento de filosofia e história da arte, porque o que produziam era quase sempre conceitual e muitas vezes nem confeccionado por eles mesmos. De prática, sabiam muito pouco quando formavam. Atualmente, adotou-se nas escolas-ateliers o hábito dos workshops. O aprendiz não precisa necessariamente se matricular em um curso de longa duração, mas se especializar em minicursos, com diversos professores, sem a obrigatoriedade de uma matrícula em cadeira universitária. Essa prática é muito interessante, pois se estuda aquilo que mais interessa. Para quem deseja prática experimental é essencial.

JEREMY LIPKING - Folhas de outubro - Óleo sobre tela - 50,8 x 76,2

VIRGÍLIO DIAS - Pescadores do Arraial de Cabo Frio
Óleo sobre tela - 90 x 120

Uma prova de que o novo realismo tem atingido diversas pessoas em diversas partes do mundo está nos preços de leilões praticados para obras que seguem essa tendência. Artistas como William Bouguereau, do século XIX, um dos inspiradores do Realismo Contemporâneo, tiveram suas cotações crescidas em mais de mil vezes nos últimos 35 anos. Muitas galerias, que até a década passada só trabalhavam com artistas modernistas e abstratos, também já inseriram realistas contemporâneos em sua oferta de obras. Sem falar de vários museus que passaram novamente a adquirir obras realistas, inclusive de artistas vivos.

MICHAEL LUKASIEWICS - Trance - Acrílica sobre tela - 64,77 x 62,86

RODRIGO ZANIBONI - Elisa
Óleo sobre tela - 50 x 40

Outra reação muito curiosa, que diz respeito à aceitação da arte tradicional, é que as pessoas já não tem mais medo de dizer que não gostam de modernismo. Até bem pouco tempo atrás, consentir que não se entendia uma obra era um sinônimo de pouca cultura. Muitos se calavam e fingiam gostar de algo que no fundo não lhes dizia nada. Como a grande maioria das pessoas não tem tempo ou oportunidade de dedicar ao estudo das artes, era sempre manipulada por “conhecedores” que intimidavam a todos com discursos que nada diziam, sobre obras quase sempre vazias. Mas, isso já pertence ao passado, novamente as pessoas se dão ao direito de escolher aquilo que querem ver e principalmente, aquilo que querem levar para compor as suas residências.

MORGAN WEISTLING - Alimentando os gansos
Óleo sobre tela

SÉRGIO HELLE - Acqua - Infogravura - 90 x 130

No Realismo Contemporâneo cabem todos os temas: paisagem, natureza-morta, marinha, figura humana... Novas tecnologias tem sido aplicadas na elaboração das obras, mas uma coisa é essencial, o artista realiza suas obras por ele mesmo. O desenho voltou a ser a ferramenta fundamental do artista que se propõe realizar arte realista contemporânea, por isso a prática constante do exercício com modelo vivo é de fundamental importância. A pintura em plein air, para os adeptos do paisagismo, também é uma das fortes ferramentas usadas por artistas que pretendem se esmerar em seus aprendizados. Os estudos ou sketches são referências para trabalhos que serão elaborados em ateliês, ou até mesmo se tornam a obra principal, provas de que quem os elaborou está numa procura constante de aperfeiçoamento.


JÉSUS RAMOS - Ribeirão Mumbaça, Dionísio/MG
Óleo sobre tela - 54 x 73

CLYDE ASPEVIG - Rosas à luz da tarde - Óleo sobre linho - 60,96 x 66,04

Sites como o http://www.artrenewal.com, elaborado pelo Art Renewal Center se transformaram num verdadeiro museu virtual da arte realista. Em matéria recente do site, brilhantemente escrita por Frederick Ross, temos uma explanação precisa e muito importante sobre o Realismo Contemporâneo e os caminhos que o esperam. É imperdível e pode ser conferida no link abaixo:

Felizmente, o Realismo Contemporâneo encontrou raízes sólidas em todo o mundo e continua crescendo como nunca. Os adeptos dessa tendência são todos aqueles que nunca deixaram de estar comprometidos com o verdadeiro espírito da arte. Gostaria de terminar a matéria com uma citação extraída do artigo de referência citado acima: “Realismo é uma linguagem universal que permite a comunicação com todas as pessoas e para as pessoas de todos os tempos: passado ... presente ... e futuro”.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

MARK LAGUË

MARK LAGUË - Ponto de ônibus em Londres - Óleo sobre tela - 45,72 x 60,96

O Impressionismo surgiu um pouco depois de serem realizadas as primeiras fotografias. Elas ainda eram muito rudimentares, mas indicavam que a pintura teria um sério concorrente. Talvez até por esse desafio, o Impressionismo se propunha como uma maneira de fazer aquilo que as máquinas não faziam, interpretar a realidade sob óticas diferentes. Criticado e rejeitado no início, o estilo se impôs, e não é nenhum exagero dizer, que talvez seja o estilo mais cobiçado pelas mais sofisticadas coleções e museus do mundo.

MARK LAGUË - Inverno na Rua St Catherine
Óleo sobre tela - 76,2 x 76,2

MARK LAGUË - Central Park - Óleo sobre tela

MARK LAGUË - St Anne em chuva
Óleo sobre tela - 60,96 x 76,2

Inaugurando; por assim dizer; um período moderno na história da arte, herdamos do Impressionismo um olhar mais seletivo quanto ao quesito pintura. Afinal, o Impressionismo foi a primeira porta a nos mostrar uma considerável diferença da realidade que vemos e que as máquinas fotográficas nunca aprenderam a captar: grossas camadas de tintas, impastos generosos, a forma cedendo lugar à distorções que dançam sob a luz, nuances sutis e também exageradas, temperaturas e contrastes que os olhos aprenderam a enxergar.

MARK LAGUË - Varandas romanas - Óleo sobre tela - 60,96 x 45,72

MARK LAGUË - Andando pelas ruas de Paris - Óleo sobre tela - 40,64 x 40,64

Apesar de ser datado a um período do final do século XIX, o estilo se mostrou atemporal, e até hoje produz suas vertentes nas mais variadas escolas e nacionalidades. Mark Laguë desenvolve um realismo contemporâneo, com completa influência do período impressionista. E já se impõe como uma das gratas promessas na perpetuação do estilo.

MARK LAGUË - Golden Gate Park - Óleo sobre tela

MARK LAGUË - Amsterdã - Óleo sobre tela

Nascido em Lachine, província de Quebec, no Canadá, no ano de 1964, esse dedicado pintor tem um fascínio pelo desenho desde pequeno. Habilidade que se aprimora pela prática diária de exercícios. Graduado em design, por uma escola de Montreal, trabalhou durante 13 anos na indústria de animação, principalmente como diretor de arte e designer. Concomitante a esse emprego, já expunha seus trabalhos, inicialmente feitos em aquarela. À partir de 2000 adota o óleo como médio e em 2002 passa a trabalhar exclusivamente com pinturas.

                                               

Acima, esquerda: MARK LAGUË - Garçonete ao sol - Óleo sobre tela - 60,96 x 30,48
Acima, direita: MARK LAGUË - Sobre os ombros do pai - Óleo sobre painel - 30,48 x 15,24
Abaixo: MARK LAGUË - Desamarrado- Óleo sobre tela - 40,64 x 40,64


Suas imagens nos dizem tudo em entrelinhas, simplificadas ao extremo, enxutas do excesso desnecessário de detalhes, perseguidoras da essência que se mostra diante dos seus olhos e que ele permite dividir conosco.

Não há dúvidas, o Impressionismo está em ótimas mãos.

PARA SABER MAIS: