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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ABE TOSHIYUKI

ABE TOSHIYUKI - Fluxo de rio - Aquarela - 30 x 44

ABE TOSHIYUKI - Luz da manhã - Aquarela

Poucos artistas conseguem dominar a insustentável leveza de uma técnica com tanta habilidade quanto Abe Toshiyuki, quando pinta aquarelas. Todo o respeito e admiração que o povo japonês tem pela natureza estão completamente representados nos trabalhos desse artista, nascido na cidade de Sakata City, em 1959. Admiração evidente para os pontos mais delicados da natureza que o cerca.


ABE TOSHIYUKI - Manhã de maio - Aquarela

ABE TOSHIYUKI - Luz da nova primavera - Aquarela

Toshiyuki estudou arte-educação numa universidade nacional, e por cerca de 20 anos trabalhou como professor de arte. Muita dedicação ao ensino lhe privava daquilo que era seu maior sonho: ter um tempo integral para a produção de suas obras. Somente em 2008, passou a focar seu trabalho na pintura de aquarelas e a viver exclusivamente disso. Já está colhendo os frutos merecidos, tendo o reconhecimento vindo em diversas exposições realizadas pelo país e com prêmios recebidos em várias delas.


ABE TOSHIYUKI - Arbustos ao sol - Aquarela - 32 x 45

ABE TOSHIYUKI - Luz incidindo sobre uma neve - Aquarela

ABE TOSHIYUKI - Reflexos - Aquarela

Segundo o próprio Toshiyuki, concentra naquilo que de mais sublime lhe rodeia, “a transitoriedade de um rio, a fragilidade das pétalas de uma cerejeira...” Conseguimos identificar em suas obras toda a filosofia de vida que o povo japonês persegue. Também para ele, “a arte é um espelho da alma de quem vê”. Ele comunga da ideia de que aquilo que vemos depende de nosso estado de espírito.


ABE TOSHIYUKI - Ao sol - Aquarela

ABE TOSHIYUKI - Luz de inverno - Aquarela

Uma das características básicas da obra de Toshiyuki é não pintar cenas de locais famosos, consagrados, que já se tornaram locais que os olhos acostumaram a ver. Ele prefere uma composição mais subjetiva, que traduza o estado interior de cada pessoa que observa os seus trabalhos, e que pode ser representada por qualquer curva de rio, de folhas caídas no outono ou até mesmo da neve em momento de degelo.


ABE TOSHIYUKI - Na luz suave - Aquarela

ABE TOSHIYUKI - No campo - Aquarela

Uma das maiores catástrofes dos últimos tempos no Japão, acontecida em março de 2011, acabou propiciando um trabalho coletivo de cerca de 30 artistas do nordeste japonês (entre eles Toshiyuki), gerando uma exposição e a publicação de um livro com imagens posteriores dos locais onde tudo aconteceu. A reconstrução de tudo que foi perdido começa no gesto voluntário e aparentemente pequeno de cada pessoa. Diante da magnitude dos danos naturais que ocorreram, a pequenez humana ganha dimensão na solidariedade de um povo que aprendeu, desde sempre, a se superar.

A arte de Toshiyuki sempre será um alento para qualquer momento!



PARA SABER MAIS:

terça-feira, 11 de setembro de 2012

POR DENTRO DE UMA OBRA - Anders Zorn


ANDERS ZORN - Verão - Aquarela com cobertura branca - 67 x 38 - 1887

Esta obra, pintada por Anders Zorn em 1887, foi adquirida diretamente do artista, pela primeira vez, por Jacques Lamm e já foi patrimônio transferido como herança por diversas gerações.
É uma cena costeira de Dalarö, onde Zorn passou alguns verões na companhia de sua esposa Emma. Dos verões que passou por lá, deixou a seguinte anotação: “Comecei a me soltar mais na natureza, para resolver novos problemas. O que mais me atrai aqui, particularmente, é a água e seu jogo de reflexos e movimentos. A colocação das ondas em uma correta perspectiva e aplicação científica disso tudo numa clareza meticulosa. Algumas moitas de abetos e arbustos espinhentos, personagens e suas cores, também ajudam a interromper a monotonia da composição”.
De fato, a estadia em Dalarö trouxe bastante consistência aos trabalhos de Zorn. Ampliou sua paleta, trouxe movimentos novos para suas composições e lhe permitiu empregar a figura humana diretamente na paisagem, em especial os nus, que tanto lhe atraíam. São essas composições, aliás, a maior inovação em seus trabalhos até então. São complexas, com figuras em tons quentes sendo colocadas contra penhascos cinzas escuros ou contra a água em movimento. Há também a influência de gravuras japonesas nesse período, sempre evidenciada pela presença de algum arbusto assimétrico em primeiro plano, de preferência pequenos pinheiros e abetos.
Mais à distância seus trabalhos nos parecem feitos em óleo. Um pouco mais próximos, percebemos suas sutis pinceladas em aquarela, trabalhadas com precisão. A pintura de Zorn nunca mais seria a mesma, depois das estadias em Dalarö.