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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

IMPRESSIONISTAS DA AUSTRÁLIA

TOM ROBERTS - A debandada - Óleo sobre tela - 137,3 x 167,8 - 1891

ARTHUR STREETON - Próximo a Heidelberg - Óleo sobre tela - 53,7 x 43,3

CHARLES CONDER - Ricketts Point - Óleo sobre tela - 30,9 x 76,9 - 1890

JOHN RUSSEL - Cruach en Mahr, Matin, Belle-Île en Mer - Óleo sobre tela - 60,4 x 73,5 - 1905

Engana-se quem acha que o Impressionismo ficou restrito somente à cena francesa, com Monet e seus amigos. Certamente que o movimento teve sua gênese em terras francesas, mas Paris era uma cidade do mundo naquela época, e muitos outros artistas, mesmo que não tenham participado diretamente do movimento, acabaram se influenciando bastante com ele. Muitos artistas estrangeiros eram amigos particulares dos impressionistas propriamente ditos ou conheciam artistas que lidavam diretamente com integrantes do grupo, e isso teve um peso muito importante nessa disseminação do Impressionismo em diversas partes do mundo.


ARTHUR STREETON - Verão dourado, Eaglemont - Óleo sobre tela - 81,3 x 152,6 - 1889

CHARLES CONDER - Feriado em Mentone - Óleo sobre tela - 46,2 x 60,8

TOM ROBERTS - Um dia tranquilo no Córrego Darebin - Óleo sobre painel - 26,4 x 34,8 - 1885

JOHN RUSSEL - Madame Sisley nas margens do Loing, em Moret
Óleo sobre tela - 45,7 x 60,9 - 1887

Nesse próximo dia 7, dará início uma exposição antológica na Galeria Nacional, em Londres. Impressionistas da Austrália: artistas dignos de um lugar ao sol é uma clara demonstração de como o Impressionismo teve representantes de peso em terras tão distantes de seu berço. Mesmo que haja quem considere impróprio o termo Impressionista para artistas que não eram integrantes do movimento, o termo é o mais apropriado para designar os diversos outros artistas, daquele mesmo período e de diversas partes do mundo, que observavam atentamente o que acontecia em Paris e Londres, e que de uma certa forma deixaram se influenciar por tais novas experimentações. Estados Unidos, Rússia, Espanha, Itália, e até países mais distantes como Japão e Austrália deram sua cota de contribuição com artistas que rompiam com as normas impostas pelas academias e começavam a mostrar seus mundos da forma como viam e interpretavam.


CHARLES CONDER - Praia em Swanage - Óleo sobre tela - 50,8 x 60,9 - 1900

ATHUR STREETON - Pastoral - Óleo sobre tela - 112,1 x 76

Com curadoria de Christopher Riopelle, a presente exposição mostra os trabalhos de 4 representantes da pintura australiana daquele período: Tom Roberts, Arthur Streeton, Charles Conder e John Russell. Não deve ter sido tarefa fácil escolher 4 entre tantos outros bons representantes da cena australiana dos anos finais do século XIX e início do século XX. Adotando a prática revolucionária dos artistas europeus, principalmente os franceses, esse grupo de artistas australianos não deve em nada à qualidade técnica e pictórica das referências europeias. E fizeram algo inédito para a arte australiana de até então: mostraram a Austrália como ela nunca havia sido mostrada. Pelos seus trabalhos, é possível ver retratada uma terra em descoberta, captada em pequenos esboços realizados em plein air, ou elaboradas cuidadosamente em ateliê, mas que sempre preservavam o frescor e o improviso das cenas externas. A terra vermelha de um país naturalmente tórrido e a paisagem única são o ponto alto das obras que irão encantar os visitantes dessa próxima exposição.


TOM ROBERTS - Allegro com brio, Bourke St. West
Óleo sobre tela - 51,2 x 76,7 - Entre 1885 e 1890

JOHN RUSSEL - Garotos na praia - Óleo sobre tela - 80 x 63,5 - 1900

Esse pequeno grupo de artistas australianos era muito intimamente ligado. Os integrantes eram muito amigos entre si e tudo que aprendiam era logo compartilhado entre eles. Eles viviam juntos, pintavam juntos e iam a campo, juntos, captar tudo aquilo que viam. O sucesso que cada um obtinha tecnicamente era rapidamente partilhado com os outros e assim formavam um grupo coeso e com um estilo inconfundível e muito respeitado nos tempos atuais.


ARTHUR STREETON - Cremorne pastoral - Óleo sobre tela - 91,5 x 137,2 - 1895

TOM ROBERTS - Carvoerios - Óleo sobre tela - 61,4 x 92,3 - 1886

Dos quatro componentes dessa mostra, apenas John Russel passou a maior parte de sua carreira artística na Europa e nem é considerado um componente específico do grupo, mas, pelo contato constante que manteve com os distantes amigos, principalmente Tom Roberts, acabou sendo um integrante meio que honorário do movimento australiano. Russel era quem informava aos amigos das terras distantes australianas sobre tudo de novo que surgia nos cenários de Paris e Londres. Muitos outros artistas australianos, anteriores a esse pequeno grupo, foram maravilhosos em suas composições e representações das terras daquele país, mas ainda mantinham uma paleta e estilo que ainda lembravam pinturas alemãs ou suíças. Foram os impressionistas australianos que souberam, como ninguém anteriormente, capturar o brilho do céu australiano e o calor único daquelas terras. E fizeram muito bem!


JOHN RUSSEL - Peôniuas e cabeça de uma mulher - Óleo sobre tela - 40,7 x 65

CHARLES CONDER - Cerejeira em flor
Óleo sobre tela - 46,1 x 34,9 - 1893

Todos os artistas do chamado Impressionismo australiano receberam algum tipo de treinamento da Escola da Galeria Nacional, em Melbourne, que foi inaugurada em 1870. Mc Cubbin foi um dos mestres da escola que deu um grande incentivo às novas manifestações da arte australiana. Ele foi professor de Arthur Streeton e Charles Conder, que integraram mais adiante a Tom Roberts. Roberts, por sua vez, passou quatro anos na Europa. Instalado em Londres, teve passagens por diversas partes da Europa e fez contatos importantes, que acabaram influenciando seu trabalho e direcionando para uma leitura mais naturalista inicialmente, e depois mais impressionista. Foi na Europa que aprofundou amizade com John Russel, outro australiano que acabou se estabelecendo em definitivo pelas terras europeias, mas que nunca perderia suas raízes com sua origem e voltaria para terras australianas no final de sua vida. O ponto mais importante dos integrantes do movimento australiano era a auto-consciência de que precisavam fazer algo que valorizasse realmente o país em que viviam e do qual sentiam o maior orgulho. Várias colônias de artistas, de diversos pontos daquela grande ilha já haviam entendido isso, mas ainda não haviam achado um meio expressivo tão contundente quanto os experimentos impressionistas.


TOM ROBERTS - Uma manhã de verão
Óleo sobre tela - 76,5 x 51,2 - 1886

ARTHUR STREETON - Tarde de junho, Box Hill - Óleo sobre tela - 55,9 x 76,3

Aclamado atualmente como o pai da pintura australiana, Tom Roberts tinha princípios dos quais não abria mão. Representar na tela aquilo que via na natureza, tal como ela se mostrava, assegurava ao trabalho uma validade permanente e universal. De posse desse princípio fundamental, suas obras e de todos aqueles que o seguiam foram adquirindo personalidade. As pinturas paisagísticas que todos eles se propunham captaram a terra vermelha e dourada e os céus azuis australianos como jamais fora feito em outras épocas.

CHARLES CONDER - Cena no quintal - Óleo sobre tela - 20,5 x 40,6 - 1889

JOHN RUSSEL - Uma clareira na floresta - Óleo sobre tela - 61 x 55,9 - 1891

É mais que justo voltar um pouquinho mais na história e dar justa referência a um outro pintor inglês, John Glover. Embora nunca tenha sido aceito pela Real Academia de Londres, tinha sua tradição pictórica alicerçada na tradição acadêmica de pintura e foi exatamente ele quem alimentou nos artistas australianos a necessidade de mostrar uma arte própria deles, que falasse a sua linguagem. Maturidade de identidade que só foi conquistada nas décadas de 1880 e 1890 e que revelou ao mundo os ditos “impressionistas australianos” que conhecemos hoje.


TOM ROBERTS - Flores de natal - Óleo sobre tela - 52,1 x 36,2 - 1899

CHARLES CONDER - Estudos em Littlehaptom Beach - Óleo sobre tela - 30,7 x 76,5 - 1902

A presente mostra, organizada pela National Gallery, é uma justa homenagem a todos aqueles artistas que lutaram pelas suas ideias e que as colocaram em prática, isolados de tudo e de todos, num mundo tão distante e tão particular. Criaram obras fantásticas e deixaram para as futuras gerações de artistas daquele país, uma forte referência e deram um impulso enorme a arte em suas terras. Artistas dignos de um lugar ao sol não poderia ser um título mais apropriado para todos aqueles que acreditaram e fizeram da Austrália uma referência num momento tão importante da arte mundial. A exposição terá início no dia 7 de dezembro de 2016 e terminará no dia 26 de março de 2017. Uma oportunidade imperdível para todos aqueles que puderem passar por Londres nesse período.


GEORGE W. LAMBERT
Retrato do pintor australiano Arthur Streeton
Óleo sobre tela - 1917

Arthur Ernest Streeton nasceu a 8 de abril de 1867, em Duneed, Victoria, Austrália e faleceu a 1 de setembro de 1943.

TOM ROBERTS

Thomas William Roberts nasceu em Dorchester, Inglaterra, a 8 de março de 1856 e faleceu em Kallista, Victoria, Austrália, a 14 de setembro de 1931.

CHARLES CONDER - Autorretrato
Óleo sobre painel - 47,5 x 35 - 1902

Charles Edward Conder nasceu em Tottenham, Inglaterra, a 24 de outubro de 1868 e faleceu em Londres, a 9 de fevereiro de 1909.

JOHN RUSSEL

John Peter Russel nasceu em Sidney, Austrália, a 16 de junho de 1858 e faleceu na mesma cidade, a 22 de abril de 1930.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

TOM ROBERTS

TOM ROBERTS - Allegro con brio, Bourke Street
Óleo sobre tela

Todos os continentes possuíram seus desbravadores. Artistas que acreditaram em suas visões e que conseguiram transmitir tal ideal a seus seguidores e companheiros. Muito mais que colocar na história da Arte as suas propostas, convictas para si mesmos, deixaram um legado de luta e perseverança, diante dos tempos difíceis pelos quais passaram.
William Thomas Roberts, mais conhecido no meio artístico como Tom Roberts, foi uma dessas peças fundamentais para a consolidação da pintura propriamente dita australiana. Não sendo nenhum exagero considerá-lo, juntamente com Arthur Streeton, como os pais do paisagismo impressionista daquele país. Ele nasceu em Dorchester, Inglaterra, a 9 de março de 1856, e era o filho mais velho do jornalista Richard Roberts e Matilda Agnes Cela. Já órfão de pai em 1869, muda-se com sua mãe e dois irmãos para Melbourne, Austrália.

TOM ROBERTS - A debandada
Óleo sobre tela - 1891

TOM ROBERTS - Tosqueando as ovelhas
Óleo sobre tela - 122,4 x 183,3 - 1888 a 1890
National Gallery of Victoria, Melbourne

TOM ROBERTS - O estúdio do escultor
Óleo sobre tela - 61 x 91,8 - 1885

Alguns cursos na Collingwood e na Escola para Artesãos Carlton, foram suas bases no caminho das artes, tendo conseguido nessa última, um prêmio por uma de suas paisagens, concedido por Louis Bouvelot e Eugen Von Gerard. Já em 1874, ingressa na Escola da Galeria Nacional, onde faz desenho com Thomas Clark.

                                               
À esquerda: TOM ROBERTS - Reconciliação - 1888
À direita: TOM ROBERTS - Uma manhã de verão - 1886

Também naquela época, Roberts já procurava defender uma linguagem mais regional na representação pictórica de seu país. E encoraja outros artistas a defenderem tal visão. Mc Cubbin foi um de seus primeiros aliados, encantado com a flora única da região onde moravam.
Aos olhos de Roberts, a pintura com forte influência européia que ainda era praticada em seu país, não valorizava o caráter especial da paisagem australiana: terras vermelhas, céus brilhantes e de azuis tórridos, e um relevo especialmente peculiar. Mas antes de aventurar-se pela prática de um estilo mais próprio com o que via, aceita uma bolsa na Academia de Artes Vitoriana, e parte para adquirir mais experiência, principalmente técnica, em Londres. Também foi selecionado para estudar na Real Academia de Artes, onde freqüentou, de 1881 a 1884. Desse período, são notáveis os seus progressos nos trabalhos de anatomia e perspectiva.

TOM ROBERTS - Acampamento - 1886

TOM ROBERTS - Tarde
Óleo obre tela

Como não era diferente a vários centros acadêmicos da Europa, Londres também possuía seus nichos de artistas que já se rebelavam contra a massificação do tema histórico na Arte, financiado por reis e monarcas. O New English Arts Club, formado em 1886, por artistas que residiam principalmente nos centros de Newlyn e Glasgow, foi o movimento inglês que mais se opôs aos velhos costumes e permitiu abrir a uma nova linguagem. Também influenciaram muito a esse grupo, trabalhos de Whistler e pintores com práticas de plein air como Bastien Lepage, com suas veias evidentemente ligadas à Escola de Barbizon.


TOM ROBERTS - Corroboree, Murray Island
Óleo sobre tela - 36,83 x 54,61 - 1892

TOM ROBERTS - Barco na praia em Queenscliff - 1887
Óleo sobre tela - 35,4 x 45,9

TOM ROBERTS - Rosas
Óleo sobre tela colada em painel de madeira - 51,4 x 76,9

Mesmo que o curto período passado na Espanha, coisa de poucas semanas, tenha parecido reduzido demais, o contato com alguns artistas daquele país incrementou ricos desdobramentos naturalistas aos trabalhos de Roberts. Talvez pela influência do ambiente, mais quente e iluminado do mediterrâneo, que lembrava um pouco a Austrália. Foi com Lorreano Barrau e Ramon Casas que ele fixou certas noções até então não muito compreendidas do Impressionismo e todos os princípios da pintura em plein air, que conduziam invariavelmente para esse novo estilo. Assim, continuou por todo o ano de 1884, captando os efeitos momentâneos de trabalhos feitos ao ar livre, treinados com figuras em marinhas, e acrescentou a essa nova fase, vários outros exercícios captados por uma passagem rápida que fez a Veneza.


TOM ROBERTS - Mentone
Óleo sobre tela montada em painel - 50,8 x 76,7 - 1887

TOM ROBERTS - Dia cinzento na primavera, Veneza
Óleo sobre painel de madeira - 11,3 x 20,2 - 1884

Em 1885, Roberts retorna à Austrália e já chega com um desafio, mesmo que não planejado, mas logo muito bem assimilado: iniciar por ali uma nova escola de pintura, baseada na prática do plein air, mas que desse uma valorização à temática e costumes locais, resgatando o regionalismo e o nacionalismo, algo nunca visto pelos artistas contemporâneos seus. As andanças de Roberts em terras européias foram fundamentais para tal fase. Ele parecia ter regressado com um senso de missão e entusiasmo, que foram importantes, tanto para pintores e escritores, que estavam buscando um novo caminho que os definisse como movimento. Tão dedicado parecia em seus novos caminhos, que logo foi colocado à frente de um grupo de pintores que ficou conhecido com a Escola de Hidelberg.


TOM ROBERTS - O sol do sul
Óleo sobre tela - 31 x 61,5 - 1887

TOM ROBERTS - Um dia tranquilo em Darebian Creek
Óleo sobre painel de madeira - 26,4 x 34,8 - 1885

TOM ROBERTS - Galpão em Newstead
Óleo sobre painel de madeira - 22 x 33 - 1893-94

Entre 1886 e 1889, montaram acampamentos em diversas regiões, costeiras ou interiores. Foi em 1887, mais precisamente no início do ano, que conheceu Arthur Streeton e produziu imagens imortalizadas naquele longo e quente verão. Tom Roberts, Arthur Streeton e Charles Conder exibiram uma série de pequenas impressões, coletadas nas muitas andanças que fizeram. Os painéis, um total de 182, dos quais 62 de Roberts, foram todos pintados sobre tampas de caixas de charutos e moldurados uniformemente para a mostra. Prepararam um vernissage muito bem decorado e divulgado, para fazerem a apresentação. Alguns críticos torceram o nariz dizendo que a arte era demasiada naturalista e que as propostas eram datadas demais. Roberts respondeu a esses comentários com uma frase que ficou célebre: “Fazendo da Arte a perfeita expressão de um tempo e de um lugar, torna-se de todos os tempos e de todos os lugares”. Mesmo com alguns apoios, o público não se impressionou e a National Gallery não correspondeu com o incentivo que eles esperavam. Para complicar, em 1891 Melbourne caiu numa forte depressão econômica, frustrando ainda mais as expectativas do grupo.


TOM ROBERTS - Floresta com lenhadores - 1886

TOM ROBERTS - Retrato de uma dama
Óleo sobre tela - 127 x 76,2 - 1888

É incrível como as dificuldades e as Artes caminham de mãos dadas. Mas, assim como a seleção natural de Darwin, tais obstáculos parecem fortalecer os mais aptos. Aqueles que fixam os olhos em seus objetivos, e aprendem que as quedas também ensinam, sempre conseguem deixar para as gerações futuras às suas, um pouco do combustível que os manteve em tais caminhos.


TOM ROBERTS - Indo pra casa
Óleo sobre painel de madeira - 23,4 x 13,6 - 1889

TOM ROBERTS - Mulher ao piano
Óleo sobre painel de madeira - 26 x 13,1

Um tanto frustrado, mas ainda convicto do que queria, Roberts parte para Sidney, onde fica sabendo que a Galeria Nacional de New South Wales tinha uma política de aquisição de obras produzidas sobre a Austrália. Foi quando lhe passou pela cabeça, utilizar dos aprendizados adquiridos com o Naturalismo visto na Europa, e desenvolver uma obra que narrasse os processos históricos que formaram sua nação, principalmente os métodos agrícolas e pastoris, que utilizavam o forte trabalho manual para subsistência, e que não era reconhecido como algo tão louvável. Arthur Streeton se juntou mais uma vez a ele e montaram um novo acampamento em Sirius Cove, Mosman Bay. Durante três anos seguidos, ele visitou a estação Brocklesly, no Riverina, onde pintou a célebre “Tosqueando as ovelhas”, que passou a ser a imagem definitiva de uma nova identidade artística que emergia.


TOM ROBERTS - Vindo para o sul - 1886
Óleo sobre tela - 63,5 x 52,2

TOM ROBERTS - Uma tarde de domingo
Óleo sobre tela - 41 x 30,8 - 1886

TOM ROBERTS - Olhos azuis e marrons
Óleo sobre tela - 126,8 x 76 - 1888

Além de pintor dedicado, Roberts era um leitor que tinha amor declarado para os poetas românticos ingleses, e isso refletiu, e muito, em sua obra. Seu envolvimento com a literatura é sentido nas abordagens que narra em suas telas em quase tudo que produziu. Mais da metade do trabalho produzido entre os anos de 1885 e 1900 foram retratos, um meio paralelo que arrumou para ganhar a vida.
Em 1896, casou-se com Elizabeth (Lillie) Williamson, em Melbourne, e com ela teve um filho, Caleb, em 1898.


                                                      
À esquerda: TOM ROBERTS - Portão mourisco
Óleo sobre tela - 48,3 x 33,3
À direita: TOM ROBERTS - Um canto em Alhambra
Óleo sobre painel - 21,6 x 16,2 - 1883

Roberts tinha uma liderança nata nas veias. Influenciava os jovens pintores apenas pela sua presença, participando de vários comitês e organizações de artistas em várias regiões de seu país. Em Sidney, se tornou o fundador e presidente da Sociedade dos Artistas. Batalhador no sentido de regularizar a condição artística como uma profissão, não pensava apenas em si, mas queria dividir com todos aqueles que estavam na sua mesma batalha, um pouco dos frutos que a sua perseverança lhe permitia colher. Sua proeminência social não fez esquecer os dias difíceis nos acampamentos sem conforto. Ele afirmou mais tarde: “Convenci a todos pelos meus argumentos, pela minha pintura e acima de tudo, pela minha presença”. Não era uma afirmação inflada de ego, mas consciente de que realmente acrescentara algo ao meio onde vivia.


TOM ROBERTS - A abertura do Parlamento da Austrália - 1903

Sua obra mais monumental ainda estava por vir: pintar a abertura do Parlamento Commonwealth. Depois de dois anos e meio, num trabalho que lhe ofereceu uma boa estabilidade financeira, nova crise econômica abalaria o país, e para se manter, volta a fazer retratos, vai a Londres, fica por lá uns tempos e novamente retorna à Austrália, isso depois de trabalhar numa frente hospitalar na Primeira Guerra Mundial.


TOM ROBERTS - Pedreira, Mary Island
Óleo sobre tela - 61 x 50,5 - 1926

TOM ROBERTS - Pela calçada
Óleo sobre painel de madeira - 23,6 x 14,2


Morreu na cidade de Talismã, a 14 de setembro de 1931. Por um grande período, sua obra caiu no esquecimento, vindo a ressurgir na metade do século passado. Será sempre lembrado como o bravo lutador que absorvia grandes novidades do cenário artístico mundial, e as adequava à sua realidade de nação. Impulsionou com sua mais profunda força, o desenvolvimento de um movimento nacional na pintura australiana, que jamais será esquecido. Um amigo de infância, escreveu sobre ele: “Era um grande conversador, divertido e cheio de caprichos e sabedoria, mas não era egoísta... Ele não permitia que um ouvinte se tornasse silencioso. Em cada momento, ofereceu sua camaradagem ativa, a participação na passagem da vida e a fruição da beleza. Ele não poderia ter vivido sem esse intercâmbio ativo de afeto e amizade”.


TOM ROBERTS - Autorretrato
Óleo sobre tela