JOAQUIN SOROLLA Y BASTIDA - Maria pintando ao ar livre
Óleo sobre tela - 80 x 106 - Coleção particular
A prática da pintura ao ar
livre, que no termo francês recebe a designação de plein air, é relativamente
antiga. Alguns apontamentos são identificados desde meados do século XVIII, mas
é só na metade do século XIX em diante que a prática ganha força e vários
adeptos. Essa popularização nesse período deve-se principalmente às primeiras
confecções dos tubos de tinta à óleo, que já traziam o pigmento manipulado de
fábrica, com várias opções de cores. Isso foi um feito inédito, pois antes cada
artista tinha que moer e manipular o seu próprio pigmento e confeccionar a sua
própria tinta. A criação do cavalete de campo, pelos franceses, foi outro
importante passo para que o movimento ganhasse ainda mais força. Portáteis, com
pernas telescópicas e compartimentos para alojar tintas e pincéis, eram ideais
para trilhas em campos e montanhas. Também na cidade eram muito versáteis,
podendo ser alojados em qualquer canto da casa, sem que ocupassem os grandes
espaços dos cavaletes tradicionais de ateliê.
JOHN SINGER SARGENT - O artista pintando - Óleo sobre tela - 1922
Deve-se principalmente aos
integrantes da Escola de Barbizon, na França, o gosto por essa atividade que
extrapolava os limites do ateliê, indo buscar as fontes de inspiração
diretamente da natureza. Essa escola naturalista e realista também apontava em
seus esboços a rotina diária dos moradores de áreas rurais. Tais estudos
influenciaram, e muito, um outro grupo que ficaria intimamente ligado à prática
da pintura ao ar livre, os impressionistas. É praticamente impossível
desvincular os impressionistas da pintura em ambiente aberto. E não ficavam
restritos apenas às paisagens rurais, captavam também as cenas urbanas, com
todo o seu movimento e dinamismo. Outra escola que utilizava bastante do
recurso era a Escola de Newlyn, na Inglaterra, com importantes aquarelistas.
ALFRED SMITH - A aquarelista - Óleo sobre tela - 100 x 73 - 1890
Na prática da pintura ao ar
livre o artista tenta capturar uma impressão imediata daquilo que o olho vê, e
não aquilo que ele sabe pelos conceitos que adquiriu nos estudos em locais
fechados. Ali, no ambiente externo, é possível ver como a luz se alterna em momentos
diferentes do dia, e como essa alternância influi diretamente no resultado de
suas observações. A luz, o principal elemento perseguido nessa prática, é quem
dita as normas, quem mostra ao artista as tantas variações brilhantes e todos
os efeitos que ela proporciona. Por isso, pintar externamente é uma prática
completamente especial em relação a todas as outras, ela desafia os artistas a
se concentrarem unicamente naquilo que está a sua frente. Visão, audição e até
mesmo o olfato criam todo o clima que deixarão o artista em sintonia com aquilo
que irá representar em sua obra. John Constable, um pintor inglês, afirmava que
cada artista deve esquecer as fórmulas que aprendeu e confiar mais em seus
sentidos. Entrar em sintonia com a natureza e deixar que sua obra seja um fruto
dessa comunhão. Ele ainda afirmou: “O paisagista deve andar pelos campos com
uma mente humilde. A nenhum homem arrogante jamais foi permitido ver a Natureza
em toda a sua beleza”.
JOSÉ MALHOA - Os colegas - Óleo sobre tela - 43 x 52,5 - 1905
Nomes como dos
impressionistas franceses Monet, Pisarro e Renoir, eram defensores irrestritos
da prática do plein air. Conseguiram adeptos em diversas outras partes do
mundo, como os russos Vasily Polenov, Isaac Levitan, Valentin Serov e
Konstantin Korovin, além de nomes importantes como os americanos Guy Rose, John
Singer Sargent, Childe Hassam, William Merrit Chase, Winslow Homer e Edmund
Tarbell. Não esquecer de nome importante como o espanhol Sorolla.
ALFREDO KEIL - Paisagem de Colares - Óleo sobre madeira
No início do século XX, a
prática da pintura ao ar livre ainda teria muitos adeptos. Porém, com o grande
advento de movimentos modernistas, que utilizavam cada vez mais da produção de
obras em grandes dimensões, geralmente produzidas e elaboradas em ateliê, a
prática do plein air foi perdendo forças até voltar a tomar novo impulso à
partir da década de 1980, principalmente entre os pintores americanos. Hoje, é
uma prática amplamente difundida, com um número de adeptos que não para de crescer
em todas as partes. Certamente continuará a desafiar os melhores artistas do
mundo.
Juliana Limeira e Vinícius pintando na Serra do Luar, em Dionísio/MG.
Kenn Errol Backhaus em Veneza.
Ernandes Silva em São Pedro/SP.


























