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domingo, 16 de fevereiro de 2014

W. JASON SITU

W. JASON SITU - Luz dourada - Óleo sobre tela - 60,96 x 91,44

W. JASON SITU - Manhã em Sedona - Óleo sobre tela - 27,94 x 35,56

É admirável como certos artistas conseguem se tornar diferentes mesmo em propostas já solidificadas e concorridas. A pintura ao ar livre, praticada principalmente na costa oeste dos Estados Unidos, produziu nas últimas décadas uma legião de novos adeptos dessa prática de execução. Fazer algo inédito dentro dessa proposta não é uma tarefa fácil, até porque pintar diretamente no local é muito semelhante em termos práticos, por todos que assim se exercitam. Inovar efeitos, ou mesmo conseguir resultados que fujam do já “habitual” modo de fazer em plein air tem sido perseguido até a exaustão pelos artistas mais experientes.

W. JASON SITU - Palos Verde no outono
Óleo sobre tela - 76,2 x 101,6

W. JASON SITU - Debaixo da Ponte do Colorado - Óleo sobre tela - 22,86 x 30,48

W. JASON SITU - Joshua tree
Óleo sobre tela - 35,56 x 45,72

W. Jason Situ encaixa-se perfeitamente no time dos artistas que nos oferece uma pintura realizada em plein air e com propostas sempre renovadas. Sua pintura é limpa e as pinceladas bem precisas. Composições simples, mas muito bem estruturadas também são o que mais chama atenção em seus trabalhos. Certamente é a cumplicidade com o ambiente que escolheu para viver que comprova o quanto é revestido de naturalidade tudo aquilo que produz.

W. JASON SITU - Tarde de sol - Óleo sobre tela - 60,96 x 91,44

W. JASON SITU - Atmosfera do Canyon
Óleo sobre tela - 40,64 x 50,8

W. JASON SITU - Luz da manhã da Missão São José - Óleo sobre tela - 45,72 x 60,96

Em 1989 ele imigrou para os Estados Unidos, juntamente com sua família, e imediatamente se sentiu fascinado pela paisagem da Califórnia. Tal entrosamento nos faz acreditar que parece ter nascido ali. Adotou a região como a sua mais nova casa e quase tudo que produz está relacionado às paisagens costeiras ou algumas regiões do interior do estado. Desde 1997, expõe e comercializa tudo aquilo que produz ali. Produz bastante, com uma dedicação que vemos em poucos artistas de sua geração. Consequência disso são os vários prêmios e honrarias que já lhe são habituais.

W. JASON SITU - Tarde em Sacred Cove - Óleo sobre tela - 50,8 x 60,96

W. JASON SITU - Vale de Yosemite - Óleo sobre tela

Wei Jason Situ nasceu em Guang Dong, na China, no ano de 1949. Pegou o severo período da Revolução Cultural Chinesa, quando se propôs aos estudos das artes, vindo a concluir os ensinamentos básicos no Instituto de Belas Artes de Guangzhou, uma das mais prestigiadas e concorridas academias de arte da China. A boa formação lhe proporcionou realmente um sólido começo.

W. JASON SITU - Manhã em Laguna Beach - Óleo sobre tela - 60,96 x 76,2 - 2008

W. JASON SITU - Dia de verão em Shell Beach
Óleo sobre tela - 35,56 x 45,72


Membro de várias agremiações artísticas, clubes de pinturas ao ar livre e diversas vezes premiado em concursos e salões, Jason Situ é uma figura de respeito da Califórnia. Como ele próprio afirma, “se esforça ao máximo para continuar a contribuir com a sua parcela pessoal para a beleza do mundo da arte”. Somos convictos que sua parcela é bem generosa.


PARA SABER MAIS:

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PINTURA AO AR LIVRE

JOAQUIN SOROLLA Y BASTIDA - Maria pintando ao ar livre
Óleo sobre tela - 80 x 106 - Coleção particular

A prática da pintura ao ar livre, que no termo francês recebe a designação de plein air, é relativamente antiga. Alguns apontamentos são identificados desde meados do século XVIII, mas é só na metade do século XIX em diante que a prática ganha força e vários adeptos. Essa popularização nesse período deve-se principalmente às primeiras confecções dos tubos de tinta à óleo, que já traziam o pigmento manipulado de fábrica, com várias opções de cores. Isso foi um feito inédito, pois antes cada artista tinha que moer e manipular o seu próprio pigmento e confeccionar a sua própria tinta. A criação do cavalete de campo, pelos franceses, foi outro importante passo para que o movimento ganhasse ainda mais força. Portáteis, com pernas telescópicas e compartimentos para alojar tintas e pincéis, eram ideais para trilhas em campos e montanhas. Também na cidade eram muito versáteis, podendo ser alojados em qualquer canto da casa, sem que ocupassem os grandes espaços dos cavaletes tradicionais de ateliê.

JOHN SINGER SARGENT - O artista pintando - Óleo sobre tela - 1922

Deve-se principalmente aos integrantes da Escola de Barbizon, na França, o gosto por essa atividade que extrapolava os limites do ateliê, indo buscar as fontes de inspiração diretamente da natureza. Essa escola naturalista e realista também apontava em seus esboços a rotina diária dos moradores de áreas rurais. Tais estudos influenciaram, e muito, um outro grupo que ficaria intimamente ligado à prática da pintura ao ar livre, os impressionistas. É praticamente impossível desvincular os impressionistas da pintura em ambiente aberto. E não ficavam restritos apenas às paisagens rurais, captavam também as cenas urbanas, com todo o seu movimento e dinamismo. Outra escola que utilizava bastante do recurso era a Escola de Newlyn, na Inglaterra, com importantes aquarelistas.

ALFRED SMITH - A aquarelista - Óleo sobre tela - 100 x 73 - 1890

Na prática da pintura ao ar livre o artista tenta capturar uma impressão imediata daquilo que o olho vê, e não aquilo que ele sabe pelos conceitos que adquiriu nos estudos em locais fechados. Ali, no ambiente externo, é possível ver como a luz se alterna em momentos diferentes do dia, e como essa alternância influi diretamente no resultado de suas observações. A luz, o principal elemento perseguido nessa prática, é quem dita as normas, quem mostra ao artista as tantas variações brilhantes e todos os efeitos que ela proporciona. Por isso, pintar externamente é uma prática completamente especial em relação a todas as outras, ela desafia os artistas a se concentrarem unicamente naquilo que está a sua frente. Visão, audição e até mesmo o olfato criam todo o clima que deixarão o artista em sintonia com aquilo que irá representar em sua obra. John Constable, um pintor inglês, afirmava que cada artista deve esquecer as fórmulas que aprendeu e confiar mais em seus sentidos. Entrar em sintonia com a natureza e deixar que sua obra seja um fruto dessa comunhão. Ele ainda afirmou: “O paisagista deve andar pelos campos com uma mente humilde. A nenhum homem arrogante jamais foi permitido ver a Natureza em toda a sua beleza”.

JOSÉ MALHOA - Os colegas - Óleo sobre tela - 43 x 52,5 - 1905

Nomes como dos impressionistas franceses Monet, Pisarro e Renoir, eram defensores irrestritos da prática do plein air. Conseguiram adeptos em diversas outras partes do mundo, como os russos Vasily Polenov, Isaac Levitan, Valentin Serov e Konstantin Korovin, além de nomes importantes como os americanos Guy Rose, John Singer Sargent, Childe Hassam, William Merrit Chase, Winslow Homer e Edmund Tarbell. Não esquecer de nome importante como o espanhol Sorolla.

ALFREDO KEIL - Paisagem de Colares - Óleo sobre madeira


No início do século XX, a prática da pintura ao ar livre ainda teria muitos adeptos. Porém, com o grande advento de movimentos modernistas, que utilizavam cada vez mais da produção de obras em grandes dimensões, geralmente produzidas e elaboradas em ateliê, a prática do plein air foi perdendo forças até voltar a tomar novo impulso à partir da década de 1980, principalmente entre os pintores americanos. Hoje, é uma prática amplamente difundida, com um número de adeptos que não para de crescer em todas as partes. Certamente continuará a desafiar os melhores artistas do mundo.

Juliana Limeira e Vinícius pintando na Serra do Luar, em Dionísio/MG.

Kenn Errol Backhaus em Veneza.

Ernandes Silva em São Pedro/SP.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

JOHN POTOTSCHNIK

JOHN POTOTSCHNIK - Beijado pelo sol - Óleo sobre tela - 30,48 x 40,64

JOHN POTOTSCHNIK - Estrada do Texas
Óleo sobre tela - 40,64 x 50,8

A preferência por uma arte simples, que fale diretamente do coração, sem “frescuras”, como ele mesmo costuma afirmar, é o que objetiva primeiramente em seu trabalho o artista John Pototschnik, que nasceu em St. Ives, na Inglaterra, mas que ainda bem jovem se mudou para Wichita, no estado norte-americano do Kansas. Essa busca pela simplicidade está mesmo confirmada nos mestres que considera como referência: os pintores da Escola de Barbizon, em especial Corot, Millet e Daubiny; e também um artista norte-americano tonalista, George Inness, que também teve uma forte influência do naturalismo francês de Barbizon.

JOHN POTOTSCHNIK - O tempo voa
Óleo sobre tela - 40,64 x 60,96

JOHN POTOTSCHNIK - Ao sul do México - Óleo sobre tela - 60,96 x 91,44

Primeiramente se formou em desenho publicitário, pela Universidade Estadual de Wichita e especializou em desenho de ilustração no Art Center College, em Los Angeles. A sua formação não parou por aí e logo em seguida concluiu uma importante etapa de sua carreira, formando-se em Anatomia na Academia de Belas Artes de Lyme, em Old Lyme, no estado de Connecticut. De posse dessa boa formação, iniciou-se profissionalmente no mundo das artes no ano de 1982.

JOHN POTOTSCHNIK - Mistérios da noite
Óleo sobre tela - 30,48 x 40,64

JOHN POTOTSCHNIK - Moinho Wenston Grist
Óleo sobre tela - 40,64 x 68,58

Não diferente dos muitos artistas em início de carreira, John Pototschnik galgou com dificuldade os seus primeiros degraus, ora trabalhando como ilustrador freelancer em muitas agências da região de Dallas, ora participando ativamente de eventos que o promoveram, seja como orador e até mesmo jurado em salões e exposições. O envolvimento com associações e grupos especializados em arte também sempre foram atividades das quais não abriu mão.

JOHN POTOTSCHNIK - Verdes pastagens
Óleo sobre tela - 76,2 x 101,6

JOHN POTOTSCHNIK - Morador de Boston
Óleo sobre tela - 27,94 x 22,86

Os vários anos de dedicação e insistência naquilo que perseguia, renderam as participações em diversas revistas e livros especializados em arte, bem como o convite pra integrar movimentos importantes como o Oil Painters of América e o Outdoor Painters Society. É um artista que não abre mão de uma boa seção ao ar livre, confirmando ainda mais o seu interesse por aquilo que sempre o moveu desde o início de carreira, a admiração pelos artistas de Barbizon.

JOHN POTOTSCHNIK - Lanchonete ao longo do rio 
Óleo sobre tela - 40,64 x 76,2

JOHN POTOTSCHNIK - Cair da tarde
Óleo sobre tela - 30,48 x 45,72

É um artista que persegue, acima de tudo, a verdade sobre a vida, sobre as coisas que vê e sente, procurando ao máximo, fazer uma arte direta e que dispense grandes discursos e explicações. Uma meta que confirmamos, certamente, em todos os seus trabalhos.


PARA SABER MAIS:


terça-feira, 3 de maio de 2011

AS ETAPAS DE UMA OBRA (José Rosário)

JOSÉ ROSÁRIO - Estrada com cargueiros - Detalhe

Tenho recebido um número de e-mails solicitando detalhar como executo meu trabalho. Considero meu método de execução da pintura bem básico, simples até. Uso a alla-prima como referência, pois atende no momento, os efeitos que desejo. Tenho sempre experimentado outros métodos e procurado incorporar algo novo na minha maneira de fazer. Penso que o mais importante seja realmente isso, encontrar a sua maneira pessoal de fazer, e não perder sua característica particular, mesmo incorporando métodos novos aprendidos das experiências de outros artistas.
Um desejo comum a todos nós, quando começamos a enveredar pelo mundo das artes, principalmente a pintura, é querer encontrar respostas rápidas para alguns dilemas que parecem ser só nossos. Alguns exercícios, que de início parecem ser complexos, encontram suas respostas naturalmente. Elas nos chegam pela insistência da procura e pela dedicação incondicional.
Bom realçar que as respostas de hoje são melhores que as de ontem e serão melhores ainda num tempo futuro. “Impossível é tudo aquilo que vemos quando tiramos os olhos de nossos objetivos”. Não sei quem escreveu essa frase, mas a li em algum lugar, e ela se veste de realidade para todas as pessoas em qualquer situação.

Pintando ao ar livre em Dionísio.

Não há uma regra exata a seguir, mas, certas atividades, todos hão de concordar, devem estar na pauta de todos os planos para qualquer artista. Já mencionei sobre elas em matéria anteriormente, mas, não custa recordar.

1 . Observar.
O exercício da observação nos treina o olhar. Muitas vezes vemos sem realmente enxergar. Há que se ter um olhar curioso, indagador, que questione a razão daquilo que se vê, para que ele possa sempre nos acrescentar algo novo. Como reagem certas cores próximas umas das outras? As sombras são realmente tão escuras quanto imaginamos? O que, numa paisagem diante de mim, aumenta ou diminui a sensação de profundidade? Que trecho da composição é o melhor parâmetro para guiar a proporção em minha obra? Estas são algumas perguntas que se abrem a todos aqueles que, com coragem e disciplina, se propõe evoluir dentro do caminho da arte. Costumo dizer que uma obra é feita com 50% de observação e outros 50% de execução.

2 . Praticar o desenho.
Qualquer que seja o segmento escolhido dentro das artes plásticas, de uma forma geral, terá êxito apenas com a prática constante do desenho. Um jogador de basquete treina exaustivamente a melhor trajetória para a cesta, um músico repete até à exaustão a harmonia ideal de suas notas, um chef de cozinha apura o melhor sabor de seus pratos, com experimentos que os tornem a receita perfeita... Não há evolução sem treino. Desenhe o máximo que puder e quando cansar, desenhe ainda mais.

3 . Orientar-se pelo passado.
Não se pode desprezar, nunca, tudo que fizeram aqueles que vieram antes de nós. Referenciar pelo que de melhor existe no passado é garantia de longa jornada para o futuro.


JOSÉ ROSÁRIO - Estudo em plein air para Estrada com cargueiros
Óleo sobre tela - 22 x 35 - 2011

Com base nesses três parâmetros, separei uma obra para explicar um pouco o meu método de execução. Costumo utiliza-lo em quase todas os meus trabalhos. Ela é: “Estrada com cargueiros”, um óleo sobre tela com medida de 70 x 100 cm.
A idéia da tela nasceu de uma das nossas saídas para pintar ao ar livre. José Ricardo e eu pintamos ao ar livre de vez em quando. Minas tem uma variedade muita rica de ambientes. Essas saídas já criaram situações hilárias, como em uma vez que fomos para a beira do Rio Piracicaba, em João Monlevade. Era inverno e o tempo seco deixa a estação perfeita para os pastos ficarem infestados de carrapatos. Só quem já esbarrou em um “cacho de carrapatos”, entende a agonia que passamos naquele dia.

JOSÉ ROSÁRIO - Primeiro estudo em ateliê para
Estrada com cargueiros
Óleo sobre tela - 30 x 40 - 2011
A obra final, mais abaixo, teve a estrutura da paisagem
modificada, ganhando mais profundidade.

A pintura ao ar livre (plein air painting) é uma prática que os primeiros impressionistas levavam à sério. Orientar pelo passado é isso, trazer para nossa realidade, algo bom que já foi experimentado. E quanto nos ensina!... Nesses exercícios, a prática da observação nos torna mais seletivos.

JOSÉ ROSÁRIO - Um dos muitos estudos para
Estrada com cargueiros
Lápis sobre papel - 30 x 20 - 2011

Fiz vários estudos para a obra idealizada e depois pratiquei alguns exercícios com as figuras que iriam compor a cena. Há uma riqueza muito grande de modelos vivos por aqui. Uma simples mudança de ângulo em cavalos, vacas e cavaleiros podem oferecer um número sem fim de situações. Tenho condicionado o tempo para que a prática desses exercícios os torne cada vez mais expressivos. Tenho gostado de alguns resultados, mas, sempre há o que se melhorar.

Detalhe 

Caso não seja muito fácil o acesso a modelos vivos, recorra ao uso de fotos. Elas congelam um momento e, quando bem utilizadas, são sempre uma referência alternativa.
A obra foi concluída em ateliê.

JOSÉ ROSÁRIO - Estrada com cargueiros
Óleo sobre tela - 70 x 100 - 2011

Essas são algumas dicas que orientam o que fazer, farei uma outra matéria para orientar como fazer. Algo como o passo a passo de uma obra. Vale a pena lembrar que a minha maneira de como fazer não é uma regra fixa universal. O mais legal é que possamos sempre acrescentar algo novo ao nosso trabalho, mas que ele não perca a nossa cara. Há quem chame isso de originalidade, prefiro apelidar de particularidade.