sábado, 20 de agosto de 2011

GILBERTO GERALDO

GILBERTO GERALDO - Retorno do campo - 1998

Uma das características mais louváveis de qualquer artista é a busca constante pelo aprendizado e evolução. Tais méritos chegam naturalmente pela busca objetiva e inatingível da perfeição, e são o combustível principal daqueles que fazem da Arte, o plano maior de suas vidas. A influência que tal artista exerce sobre aqueles que o seguem, torna-se uma referência, um farol numa rota segura entre difíceis caminhos. E, inconscientemente, vão praticando pela vida, a máxima de Sant-Exupéry: “você se torna responsável por aquilo que cativa”.

GILBERTO GERALDO - Fogão a lenha
100 x 60 - 1998 a 1999

O compromisso com a busca constante do aprimoramento, faz de Gilberto Geraldo um desses faróis, que direcionou e direciona muitos caminhos pela difícil, e ao mesmo tempo prazerosa trilha das Artes. Ao longo de sua carreira foi formando vários artistas e amigos. Sei que estarei sendo injusto em não citar todos, até porque vários deles nem conheço, mas posso narrar, pelo acompanhamento que faço da carreira de alguns, que Gilberto será sempre lembrado como um grande e importante mestre para a carreira de muitos: Alexandre Reider, Ronaldo Boner Jr, Luciano Silveira, Manuela Vidigal, Cândido Oliveira, Jorge Pineyrua, Maurício Takiguthi, Morgili, Clodoaldo Martins, Jaasiel Valzacchi... Apenas alguns, de uma lista que cresce, porque boas referências devem e precisam ser seguidas.

GILBERTO GERALDO - Natureza morta - 1998

GILBERTO GERALDO - Natureza-morta
Óleo sobre tela - 60 x 80

Outro dia nos falamos por telefone. Além da voz cadenciada e da atenção a mim concedida, há ainda a preocupação com os amigos que por aqui ficaram. Da turma que viu formar e dos amigos que foi colecionando por todo esse tempo, ficaram boas lembranças e o orgulho de ter gerado bons frutos.

GILBERTO GERALDO - Preparando o banho - 1997

Nascido na cidade de São Paulo, a busca procurou outros distantes caminhos. Sempre procurando lapidar suas propostas artísticas, tornou-se um pesquisador atento, com os olhos voltados às culturas antigas e aos grandes mestres, mas com uma constante adequação de sua linguagem com as vertentes mais contemporâneas do Realismo Acadêmico. Observando atentamente seus trabalhos, até mesmo em simples esboços e exercícios, percebe-se a preocupação e o zelo com que cada obra é tratada. Parece haver nele, desde seus trabalhos mais antigos, uma consciência de que tempo é algo valioso e que talvez seja sempre necessário gasta-lo com a intenção de produzir sempre algo da melhor maneira possível.

GILBERTO GERALDO - São Bento do Sapucaí - 1998

A natureza é sua fonte inesgotável de inspiração. Dos mais rebuscados aos mais simples temas, procura aplicar toda sua capacidade técnica, explorando sempre os motivos do natural. Uma prática que já era exercida desde os grandes mestres do Renascimento e que sempre será atual.


GILBERTO GERALDO - Desenho
Lápis sépia sobre papel - 2006

GILBERTO GERALDO - Estudos de crânio
Carvão sobre papel
Acervo Alexandre Reider


Seus mestres no início de carreira foram Sante Bullo, professor de desenho, formado pelo Instituto de Arte de Veneza; Salvador Rodrigues Jr, aluno do professor José Bachita, da Academia Romana; e Giovanni Oppido.

                                 
                                 GILBERTO GERALDO - Depois da caça (estudo)
Óleo sobre tela - 2009

Os prêmios nos principais salões de arte do Brasil foram algo que aconteceu por naturalidade. Essa busca incessante por se aprimorar, o levou para a Rússia no ano de 1999, onde estudou no Instituto de Arte Surikov, em Moscou. Em 2000, transfere-se para São Petersburgo e ingressa como aluno na Academia Ilia Repin (antiga Academia Imperial). Estudando desenho, anatomia, pintura e composição, formou com honra em 2007. Tanta competência lhe concedeu a obra do diploma daquela turma, bem como o primeiro lugar na exposição de desenhos de todo o território russo.


           
À esquerda: GILBERTO GERALDO - Arranjo - Pastel
À direita: GILBERTO GERALDO - Natureza-morta - Pastel

Não estamos falando de uma simples escola. A Rússia sempre teve uma tradição em defender uma cultura ortodoxa, rigorosa nos mais diversos quesitos, principalmente com a Arte. Seus desenhistas são excepcionais e lá também se desenvolveu uma das escolas impressionistas mais originais e competentes. A arte russa sempre esteve em sincronia com todos os princípios estéticos e desenvolvimentos estilísticos da Europa Ocidental, principalmente os ditados por Paris, que durante muito tempo, foi a referência maior de arte no continente europeu, e provavelmente ainda seja. É nesse terreno, disputado acima de tudo, que Gilberto se destaca e se consagra como um dos melhores representantes brasileiros no exterior.


       
À esquerda: GILBERTO GERALDO - Estudo de moinho - 50 x 60
À direita: GILBERTO GERALDO - Estudo de paisagem - Óleo sobre linho - 50 x 60

Infelizmente não há a badalação da mídia em cima de trabalhos mais acadêmicos. Os tempos atuais elegeram as instalações e afins, como os representantes de maior ibope dessa época, mas, no cenário artístico, é unânime a comprovação de que a obra de Gilberto Geraldo está acima de qualquer oportunidade criada por mídia qualquer. É uma obra coesa, atemporal e que sempre expressará a linguagem mais pura da Arte.


Gilberto Geraldo durante cópia de trabalho do Rembrandt,
no Museu Ermitage.

Reciclando seus conhecimentos e arrastando cada vez mais um número maior de admiradores, e dentre estes me incluo, Gilberto Geraldo será sempre uma grande e segura referência. Tenho certeza que ele tem a lucidez dessa consciência.



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