GYULA BENCZÚR - A Recuperação do Castelo de Buda
Óleo sobre tela - 356 x 705 - Magyar Nemzeti Galéria - 1896
“A Recuperação do Castelo de Buda em 1686” foi a última grande obra
da carreira de Gyula Benczúr, e certamente a última grande obra histórica da
pintura húngara, uma vez que essa temática entrou em decadência nos anos finais
do século XIX. Foi pintada no ano de 1885, para as celebrações do milênio da
cidade. Buda, antiga capital da Hungria, hoje conhecida como Budapeste, foi
conquistada pelos turcos em 1541, e essa ocupação duraria 145 anos, quando foi
finalmente reconquistada com a ajuda de Karl of Lotharingia e Eugene de Savoy.
Essa pintura foi uma espécie de homenagem à necessidade histórica de
recuperação do Império Austro-húngaro, lembrando que a Hungria foi
definitivamente livre dos turcos entre 1686 e 1687.
GYULA BENCZÚR - A Recuperação do castelo de Buda (detalhe)
GYULA BENCZÚR - A Recuperação do castelo de Buda (detalhe)
Certas obras históricas são
tão contundentes, compostas envolvendo tanta veracidade, que ficamos
acreditando realmente que parece não ter sido de outro jeito. Temos exemplos ilustres
na História da Arte, de cenas que se transformaram em ícones, sejam baseadas
numa temática real ou idealizadas. Exemplo clássico é o da “Santa Ceia” pintada por Leonardo da Vinci,
que atravessou séculos se impondo como um modelo de veracidade e se
transformando numa das obras mais reproduzidas de todos os tempos. Aqui no
Brasil, a cena “Independência ou Morte”,
pintada por Pedro Américo, é mais um típico exemplo de como uma obra bem idealizada
e composta se transforma definitivamente num ícone. A grande obra pintada por
Benczúr, para comemorar a retomada de Budapeste, é também um daqueles ícones
históricos, que se impõe imediatamente sobre o imaginário de todos, quando se
pronuncia sobre o episódio ocorrido.
GYULA BENCZÚR - A Recuperação do castelo de Buda (detalhe)
Impressionante essa edição em 3D da obra acima
A obra é imponente não só
pela sua bela estrutura e execução, mas também pelas suas dimensões. A tela tem
3,56 x 7,05 m e apenas por isso já é possível entender porque é a principal
atração da Magyar Nemzeti Galéria, em Budapeste. Benczúr foi muito feliz na
execução do trabalho, conseguindo agrupar as figuras de uma forma engenhosa, permitindo
fluidez na composição, mesmo ela contendo tantos personagens. Houve toda uma
pesquisa sobre figurinos, adereços e tipos físicos da época, para que a
execução ganhasse autenticidade e se tornasse o ícone histórico que é hoje.
GYULA BENCZÚR - Luis XV e Dubarry - Óleo sobre tela - 1874
GYULA BENCZÚR - Piquenique de verão - Óleo sobre tela
Gyula Benczúr nasceu na
cidade húngara de Nyiregyhaza, no dia 28 de janeiro de 1844, filho de William
Benczúr e Paulina Laszgallner. Sua família mudou-se para a cidade de Kosice,
quando ele tinha dois anos de idade. Foi numa escola de artes dessa cidade que
ele começou a ter os primeiros ensinos em desenho e pintura. Em 1861, foi
aceito pela Academia de Belas Artes de Munique, onde foi orientado por Hermann
Anschütz e Karl von Piloty. Em 1869, passou uma temporada de estudos na Itália
e concluiu os aprendizados em mais uma viagem pela França, no ano de 1874.
GYULA BENCZÚR - O batismo de Vajk
Óleo sobre tela - 358 x 247 - 1875
Galeria Nacional da Hungria
GYULA BENCZÚR - O batismo de Vajk (detalhe)
No ano de 1875, Benczúr
alcançou sucesso internacional quando ganhou a competição nacional húngara com
a pintura histórica representando o batismo do Rei Stephen. Um estudo preparatório
desse tema teria sido executado no ano de 1870. A segunda versão, bastante
modificada em relação ao estudo, situada hoje na Galeria Nacional da Hungria é um
imponente trabalho do artista, que vale uma visita virtual com mais atenção,
pois está disponível em altíssima resolução. (https://www.google.com/culturalinstitute/beta/asset/the-baptism-of-vajk/bQHUTgSSwdPyAQ).
Com a ajuda de sua capacidade de pintar materiais pomposos e criar composições
vívidas - que ele adquiriu do mestre Piloty, e ao estudar a arte de Rubens e
Tiepolo, Benczúr criou um quadro representativo da pintura historicista. Não é
sem razão que Benczúr se tornou o rei da pintura na Hungria durante esse
período, o favorito dos governantes e da aristocracia. Ele possuía virtuosismo
técnico e a capacidade de se adequar aos requisitos de seus clientes - dois
recursos que eram necessários para obter posição de destaque naquele momento.
GYULA BENCZÚR - O batismo de Vajk (detalhe)
GYULA BENCZÚR - O batismo de Vajk (detalhe)
As coisas começaram a
acontecer de maneira mais espontânea após a premiação, e Benczúr recebeu
encomendas e propostas de trabalhos interessantes, como o auxílio a Piloty, na
execução dos afrescos do Maximilianuem e o Rathaus, na cidade de Munique. Além
de ilustrar livros do grande escritor alemão naquele momento, Friedrich
Schiller, ele também conseguiu diversas comissões para o Rei da Baviera.
GYULA BENCZÚR - Bacante - Óleo sobre tela - 1881
GYULA BENCZÚR - Narciso
Óleo sobre tela - 115 x 110,5 - 1881 - Galeria Nacional da Hungria
Em 1873, Benczúr casou-se
com Carolina, irmã de um artista amigo, com quem teve quatro crianças. Ela
faleceu prematuramente em 1890, e em 1892, ele casou-se novamente com Piroska
Ürmössy Balthazar. Em 1875, ele tornou-se professor da Academia de Belas Artes
de Munique. Logo depois, ele construiu uma casa em Ambach, no Lago Starnberg,
projetada pelo seu irmão Béla Benczúr, onde passava principalmente as férias de
verão. Em 1883, ele retornou à Hungria, retomando a função de professor de
arte. Já era um artista renomado, requisitado para a execução de obras
históricas, religiosas e retratos.
GYULA BENCZÚR - Minhas crianças - Óleo sobre tela - 1881
GYULA BENCZÚR - Cleópatra - Óleo sobre tela - 1911
A pintura inicial de Benczúr
era bem ao estilo Biedermeier, executando retratos e cenas românticas de
gênero, bem como ao estilo histórico de Piloty, seu grande mentor. Mais tarde,
pintou nus, retratos e cenas mitológicas, todas muito requisitadas e muitas delas
premiadas. Suas obras ganharam medalha de ouro em Paris (1878, 1900), Berlim
(1886, 1910), Viena (1877, 1888) e Munique (1888). Suas filhas Olga e Ida,
também se tornaram artistas famosas e requisitadas.
GYULA BENCZÚR - Jovem com rosas - Óleo sobre tela - 1868
GYULA BENCZÚR - Mulher lendo em uma floresta - Óleo sobre tela - 1875
GYULA BENCZÚR - Retrato da Rainha Elizabeth
Óleo sobre tela - 1899
Gyula Benczúr faleceu no dia
16 de julho de 1920, na cidade de Benczúrfalva (a cidade anteriormente se
chamava Szécsény e teve o nome alterado em sua homenagem). Já foram organizadas
várias exposições retrospectivas sobre o artista: uma exposição memorial de suas obras em
Budapeste em 1920, a Galeria de Arte , em 1944, o Museu de Belas Artes , em
1958, a Galeria Nacional da Hungria , e em 2001 o Museu Ernst .
GYULA BENCZÚR - Autorretrato
Óleo sobre tela
Um excelente artista.
ResponderExcluirNão tão conhecido quanto merecia, Quimas. Infelizmente!
ExcluirGrande abraço!
Grandioso... admiro muito os trabalhos de Gyula Benczúr, suas cenas são impressionantes!!!
ResponderExcluirAbração, felicidades!
Deveria ser uma referência para essa e futuras gerações.
ExcluirGrande abraço, Vidal!
Essa é uma grande verdade... cenas históricas quando bem compostas nos remete ao passado, é como se nos infiltrase lá... quando criança via nos livros de história o Grito do Ipiranga imaginava o combate, barulhos de espaço...
ResponderExcluirBela matéria e grandioso artista
Abraço
Obrigado, Yure. Um grande abraço e ótimo final de semana!
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