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domingo, 15 de setembro de 2013

ARTE REALISTA E O INTERIOR DE SÃO PAULO - Parte 3

Casa de Cultura Luiz Antônio Martinez Correa, em Araraquara/SP.

Na segunda-feira (9 de setembro) fomos até Catanduva, cidade localizada a mais de 300 km de Piracicaba, um grande reduto da arte realista no estado. Matheus Cruz (um artista de horas vagas, como ele mesmo gosta de afirmar) juntou-se a nós (Rodrigo Zaniboni, Ernandes Silva e eu) nessa caminhada. Interessante como a velocidade dos dias, naquela semana, fez com que o calendário não parecesse algo tão importante. Eu já não tinha mais a noção exata em qual dia do mês estava e isso é, às vezes, algo bem confortável.

MATHEUS CRUZ - Estrada - Óleo sobre tela - 30 x 40

Não partimos sem antes fazer uma rápida visita à Maria José Rodrigues (Masé), que nos recebeu muito carinhosamente em sua galeria, mostrando o acervo variado e apresentando seu espaço, que também abriga uma escola de cursos diversos.
O dia estava ainda mais quente que o anterior. Não era apenas uma percepção minha, era uma constatação. À medida que avançávamos para o interior do estado, o ar se tornava bem mais quente e seco. Uma parada ligeira para almoçar, em Rio Claro e seguimos novamente viagem até Araraquara.

José Rosário e a obra Descanso.

Rodrigo Zaniboni e a obra Dança.

Ernandes Silva e as obras Bifurcação e Litoral.

A visita à Araraquara tinha como endereço principal a exposição acadêmica que acontecia na Casa de Cultura Luiz Antônio Martinez Correa. Ernandes Silva, Douglas Okada, Rodrigo Zaniboni e eu estávamos com trabalhos expostos nesse espaço. Fomos muito bem recebidos por Milton Najm, que nos levou também até o Palacete das Rosas, onde acontecia a Mostra dos Cartunistas Convidados, nacionais e internacionais. Num outro espaço, no Teatro Municipal, estavam as obras de caricaturas e cartuns, cedidas pelo Salão Internacional do Humor de Piracicaba, bem como as obras modernas e contemporâneas.

OUTRAS OBRAS DA EXPOSIÇÃO:


DOUGLAS OKADA - Cozinhando no quintal
Óleo sobre tela - 60 x 80 - 2013

EDUARDO BORGES - Oficina do Sr Eugênio Nardin
Óleo sobre duratex

MARCOS SABBADIN - Leitura
Óleo sobre tela

JESSER VALZACCHI - Comerciante marroquino
Óleo sobre tela

Terá um grande desafio, a Prefeitura de Araraquara, para resgatar o salão de belas artes para o próximo ano. Interrompido em algumas temporadas, a mostra desse ano, com artistas convidados, visa exatamente incentivar o público regional para edições futuras.

José Rosário, Washington Maguetas, Ernandes Silva e Matheus Cruz.

Washington Maguetas em seu ateliê.

WASHINGTON MAGUETAS - A família e o cãozinho
Óleo sobre tela - 12 x 30

WASHINGTON MAGUETAS - Gisele na ponte do meu jardim
Óleo sobre tela - 80 x 110

WASHINGTON MAGUETAS - No jardim
Óleo sobre tela

Na próxima parada, na cidade de Taguaritinga, estivemos no ateliê de Washington Maguetas, o artista mais ilustre da cidade. Conheço o trabalho de Maguetas há anos e a sua produção tem uma fatia de grande importância no cenário da pintura nacional. Sempre tive um fascínio pelo seu colorido e a proposta impressionista que é o carro-chefe de sua produção. Fomos recebidos com uma hospitalidade rara e convidados por ele a conhecer o jardim que ele mesmo concebeu, nos fundos da residência. Conversamos por um longo tempo, ele sempre solícito, nos apresentando e explicando alguns de seus novos trabalhos, garimpando nos cantos do ateliê, algumas obras começadas e outras concluídas. Trabalhos antigos e alguns experimentos atuais que vem realizando. Não saímos sem antes fazer uma tradicional foto em frente à ponte japonesa, que já proporcionou inspiração para tantos trabalhos.

Em pé: Ernandes Silva e José Rosário.
Sentados: Clodoaldo Martins e Rodrigo Zaniboni.

Agulha é um pequeno povoado, distrito pertencente ao município de Fernando Prestes. Local onde mora a família do artista Clodoaldo Martins e também onde fica seu ateliê. Tivemos a sorte de ainda encontrá-lo por lá, já que passa toda a semana na cidade de São Paulo. Depois de um dia de aula inaugural em Monte Alto, ele nos recebeu para uma ligeira visita. É um jovem artista, de fala macia e olhar seguro, já consciente do grande potencial que tem em mãos. Dono de um realismo acadêmico refinado, cada vez mais sólido em suas propostas. Saímos dali com uma vontade de ficar mais, o sol já exibindo suas últimas luzes e a noite chegando mansa.

CLODOALDO MARTINS - No sítio da vovó
Óleo sobre tela

CLODOALDO MARTINS - A refeição da pequena Mariana
Óleo sobre tela - 60 x 80

Terminamos o dia com um jantar especialmente oferecido pelo Sr José e Sra. Edna Zaniboni, pais de Rodrigo. Quero deixar a eles um agradecimento especial pelo calor da acolhida. É tão bom quando nos sentimos em casa... Ainda guardo o sabor dos pães caseiros, feitos pela Sra. Edna, e que nos acompanhou por todos aqueles dias.
Chegamos finalmente à Catanduva. Se havia cansaço já nem me lembro. O dia havia trazido muitas emoções e a noite preparava outras tantas para o próximo dia.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

CLODOALDO MARTINS


CLODOALDO MARTINS - No sítio da vovó - Óleo sobre tela

Do ponto de vista estilístico, podemos dizer a arte de Clodoaldo Martins tem uma orientação realista muito forte. Se voltarmos um pouco mais na história da arte, veremos que o movimento realista ganhou força com Courbet, na França, na metade do século XIX. Fez uma sólida escola até o advento do Impressionismo e seguiu numa carreira paralela até hoje. A arte realista está mais preocupada com uma representação verdadeira e precisa acerca do que nos oferece a natureza e a vida. Requisitos mais que bem representados nas obras deste paulista, nascido na cidade de Agulha, no ano de 1985.

CLODOALDO MARTINS - Os puxadores de tora - Óleo sobre tela - 175 x 150

CLODOALDO MARTINS - Brincando com ovos - Óleo sobre tela - 60 x 50

Igualmente como ocorre em diversas regiões do mundo, o novo Realismo Brasileiro tem as mesmas propostas que teve no passado, quando o movimento começou: características sociais próprias de cada povo, condições econômicas específicas e fatores culturais regionais determinantes. Mas o mundo de hoje tem uma visão globalizada, impossível de desvincular também do fazer artístico. Por isso, numa arte realista como a que propõe Clodoaldo Martins, ainda é possível perceber o compromisso com o artista e sua terra, mas também há uma nítida influência na execução de um realismo mais abrangente, não tão específico e restrito a uma região. Muitas de suas obras são atemporais e desvinculadas de uma região, seguindo os passos de artistas como o americano Morgan Weistling, a espanhola Isabel Guerra e muitos outros artistas russos e chineses.

CLODOALDO MARTINS - Caipira caçador - Óleo sobre tela - 148 x 100

CLODOALDO MARTINS - Forno de assar pão - Óleo sobre tela - 100 x 80

Foi no ano de 1999, que o jovem Clodoaldo iniciou seus estudos com o professor de desenho Luis Dotto. Já no ano seguinte, inicia na pintura com Sérgio Amorim e posteriormente com Celso Bayo. O aprimoramento de sua técnica teve um grande impulso, quando freqüenta, em 2003, o ateliê de Washington Maguetas. Logo em seguida, Alexandre Fausto foi outro artista com quem somou muitos outros aprendizados. Morgilli teve uma importância muito grande em sua arte, à partir de 2005. Percebemos uma nítida influência da paleta desse artista nas obras de Clodoaldo, até o momento em que ele conhece Ronaldo Boner. Foi Morgilli também quem apresentou o Clodoaldo aos artistas Gilberto Geraldo e Ronaldo Boner, ambos mestres incontestáveis da arte realista desse país. De Gilberto Geraldo, o rigor do desenho alcançou as telas. De Ronaldo Boner, em especial, Clodoaldo introduziu uma nova plástica em sua obra, conquista esta, graças principalmente à prática da pintura ao vivo, um dos requisitos mais levados à sério por Boner. Sua paleta também recebe mais uma nova influência com os ensinos desse último artista.

CLODOALDO MARTINS - Melancia na roça - Óleo sobre tela

Clodoaldo segue suas pesquisas, e suas evoluções são latentes e respeitadas em qualquer segmento, seja do ponto de vista crítico ou pelo mais leigo admirador. Já não é visto apenas como uma das mais seguras promessas do novo realismo brasileiro, é uma realidade mais que certa.


PARA SABER MAIS: