Mostrando postagens com marcador João Bosco Campos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador João Bosco Campos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de maio de 2013

OLHARES DIVERSOS: Um pouco mais...


A diversidade é a característica principal da exposição OLHARES DIVERSOS. Muitos e variados temas e estilos, reunidos num único espaço, permitem uma leitura bem ampliada da produção mais recente da arte brasileira. Também estarão expostos trabalhos importantes de décadas passadas, que permitem um paralelo com a produção contemporânea do país. Os trabalhos são provenientes dos próprios artistas e também de coleções particulares.

Veja abaixo mais alguns trabalhos que estarão na exposição:

JOÃO BOSCO CAMPOS - Olaria - Óleo sobre tela - 40 x 50 - 1992

ERNANDES SILVA - Caldo - Óleo sobre tela - 60 x 100 - 2012

VALDONÊS - Elegância - Mista sobre tela - 80 x 140

Mais trabalhos e mais dados sobre a exposição estarão sendo publicados até o dia da abertura.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

ARTE EM MINAS: Um novo tempo

JOÃO BOSCO CAMPOS - Paisagem com carro de boi - Óleo sobre tela
Mancha inicial, obra inacabada

João Bosco Campos foi o artista homenageado no primeiro
café com arte promovido pela Contemplo Galeria de Arte.

Artistas participantes do primeiro encontro, em tradicional foto nas escadarias da galeria.

A Contemplo Galeria de Arte dá um passo à frente no quesito incentivo à arte mineira e aos artistas que aqui produzem algo. No último sábado, dia 20, um café e bate-papo com a presença de diversos artistas mineiros do cenário atual, marcaram o que será um novo momento da arte figurativa em Minas Gerais. Esse movimento, que inicialmente tem a intenção de acontecer em um sábado a cada mês (ainda não definido o dia exato), visa resgatar o encontro entre os artistas desse estado, bem como integrar os movimentos que atuam e promovem a arte figurativa de Minas.
O artista homenageado nesse primeiro encontro foi João Bosco Campos, sobre o qual foi lançada a iniciativa de se produzir um livro sobre sua vida e obra, com narrativas dos artistas amigos que acompanharam sua carreira. João Bosco foi um dos expoentes da arte impressionista em Minas Gerais, oxalá um dos nomes mais respeitados da arte brasileira na atualidade. A cada encontro, um tema será escolhido para ser homenageado.
Artistas que estiveram presentes nesse primeiro evento: Hilton Costa, Mauro Ferreira, Luiz Armond, Rui de Paula, Sebastião Eduardo, Davi Jupira, Aroldo Paiva, Rubens Vargas, Batista Gariglio, Wagner Bottaro, Juçara Costta, Léo Brizola, Atacir Costa, Cecília Cunha, Maria Tereza Cunha, Márcia Valadares, Valmir Silva, Damasceno, Júlio Hubner, Daniel Rebouço, Júlio Alves e Vinícius Albuquerque. Infelizmente não pude estar presente, mas não perderei os próximos.
A Contemplo Galeria de Arte está localizada na Rua Barão de Macaúbas, 261, Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte/MG.
Que a ideia produza bons frutos e que eles perdurem por um bom tempo! 





sábado, 25 de agosto de 2012

DUPLA HOMENAGEM

Para mim, Luiz Pinto sempre foi o símbolo de um novo Realismo Brasileiro. Mesmo tendo iniciado sua carreira sob a influência incontestável de Edgar Walter e sua turma, conseguiu imprimir, ainda assim, um ar de modernidade em sua temática. Continuou a pintar os motivos nos quais vivia, mas conseguiu imprimir neles a linguagem de um novo tempo. Diria que talvez seja o artista divisor de águas na representação paisagística brasileira.
Juntamente com João Bosco Campos, conseguiram imprimir um novo frescor à temáticas que já pareciam surradas e desgastadas. Todos nós, artistas da atual geração, devemos uma gratidão impagável pela colaboração que esses dois mestres da pintura brasileira nos deixaram de legado.
Deixo aqui, em nome de todos os artistas, sinceros votos de gratidão, pela excelente referência que foram esses dois grandes artistas de nossa arte. Essa dupla vai fazer muita falta! E que os seus trabalhos possam inspirar ainda muitas outras gerações!

LUIZ PINTO - Ipês floridos - Óleo sobre tela - 60 x 80

JOÃO BOSCO CAMPOS - Retorno do moinho
Óleo sobre tela - 60 x 80

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

JOÃO BOSCO CAMPOS (José Rosário)

O que seria uma rápida visita, acabou se transformando numa tarde agradável e de um descontraído bate-papo. Passamos primeiramente, José Ricardo e eu, em Sabará. Fomos de encontro a Hilton Costa, um artista da cidade que  nos esperava. Já um experiente pintor, com mais de cinquenta anos de carreira e que explora muito bem a temática da região. De lá seguimos para Belo Horizonte, onde encontraríamos com João Bosco Campos, em sua residência e ateliê.

Da esquerda para a direita: José Rosário, Sebastião Fonseca,
Hilton Costa, João Bosco Campos e José Ricardo.
Conversas agradáveis numa tarde entre artistas mineiros.

Para nossa surpresa e ainda para completar a roda de conversas, estava por lá um outro artista, Sebastião Fonseca, que os amigos do meio artístico tratavam carinhosamente por Zito. Infelizmente Sr. Zito faleceu recentemente. Mas a alegria que nos proporcionou naquela tarde sempre será lembrada.
É muito prazeroso estar cercado por pessoas que tão alegremente dividem suas experiências da profissão. As aventuras nas saídas para se pintar ao ar livre, os contatos, as exposições, o começo de cada um, os rumos da arte atual... Tudo sem muita formalidade e bem descontraído.
Não me esqueço da história contada por Sr. Zito, quando juntamente com Edgar Walter e João Bosco saíram para pintar ao ar livre. Quase se afogou caindo num canto de rio, distraído em buscar um melhor ângulo. Rimos disso e de muitos outros casos que se arrastaram tarde afora. Fatos assim me fazem lembrar um comentário de Rubem Alves, onde diz que as verdadeiras amizades são sempre cômicas. Amigos de verdade não passam de três ou quatro frases sem que estas provoquem risos e descontração.

Engenho de cana
Óleo sobre tela - 50 x 70

Abrindo a porteira
Óleo sobre tela - 70 x 100

Lavadeira
Óleo sobre tela

Bom, falando sobre isso até aqui, para começar o assunto principal desse texto: a influência para muitos artistas de nossa geração, deixada por João Bosco Campos.
Ainda criança em Itamarandiba, cidade mineira onde nasceu, João Bosco já rabiscava muros e chamava atenção nos trabalhos de escola e em desenhos que consumiam várias horas de seus dias. Tamanha habilidade e dedicação despertaram a atenção de professores e familiares, que logo o encaminharam para bons mestres na cidade do Rio de Janeiro. Foi exatamente no Rio, mais especificamente na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, que as primeiras orientações técnicas com o artista Roberto Leal, lhe trouxeram ainda mais recursos para o desenvolvimento de seu trabalho.

Areal
Óleo sobre tela - 50 x 70

Na lagoa
Óleo sobre tela - 50 x 70

Lavrador
Óleo sobre tela

Retornando a Belo Horizonte, ainda adolescente, fez novos contatos e não demorou a se despontar como um proeminente artista de sua época. Contatos muito importantes, diga-se de passagem, que o próprio João Bosco faz questão de afirmar, ajudaram a desvendar muitos mistérios da arte. Paulo Pavie, historiador, foi um dos seus grandes colaboradores nesse período. Há de se destacar também fatos aparentemente simples, mas bastante encorajadores, como o apoio dado pela educadora Graziela Costa, que adquiriu de João Bosco seus primeiros trabalhos.

Lavadeira
Óleo sobre tela 

Fundo de quintal
Óleo sobre tela - 50 x 70

Descanso interrompido
Óleo sobre tela - 70 x 100

Belo Horizonte, desde um bom tempo, sempre foi um importante cenário de referência artística. E João Bosco soube muito bem aproveitar dessa qualidade do ambiente que viveu. Muitos amigos artistas, ele conheceu em diversas fases de sua carreira. É impossível não citar colegas como Luiz Pinto, Florêncio e Edgar Walter, que durante longos períodos, dividiram experiências e conquistas.

Carro de boi
Óleo sobre tela

Sabará
Óleo sobre tela - 40 x 60

Retorno do moinho
Óleo sobre tela - 60 x 80

João Bosco sempre teve preferência para os trabalhos feitos à óleo. inicialmente tinham uma veia acadêmica marcante, foram dando espaço para pinceladas soltas e bem características, encaminhando cada vez mais para um impressionismo bem personalizado. Ainda não abriu mão de retratar cenas mineiras bem típicas. Seu trabalho atual consiste também na produção cada vez mais crescente de retratos. A figura humana está sempre presente em grande parte de sua produção. Tornaram temas correntes de sua obra nos últimos anos, cenas portuguesas e espanholas. Os Estados Unidos também entraram na rota de seu destino.

O tropeiro
Óleo sobre tela - 50 x 70

Violeiro
Óleo sobre tela

Fundo de quintal
Óleo sobre tela

"Poucos artistas desenham como J.B. Campos. Suas pinturas são de extrema simplicidade e com grande expressão de vitalidade e força. Sua arte é reflexo de si mesmo. Mestre nos semi-tons, João Bosco nos faz relembrar o passado, mas com a visão e a técnica modernas. Suas pinceladas são justas, corretas e, no final, o incomensurável mundo plástico se solta e passa a fazer parte de cada um diante de sua obra."

Edmar Aráujo, marchand


Guardando a colheita
Óleo sobre tela

A velha fonte
Óleo sobre tela, 60 x 80

Menino e animais
Óleo sobre tela


"Dentro da mesmice da arte contemporânea e dos falsos brilhos, J.B. Campos certamente está construindo uma carreira sólida, alicerçada nos mestres da nossa pintura."

Cláudio Valério Teixeira, artista plástico e crítico de arte


Pequeno leiteiro
Óleo sobre tela, 40 x 30

Carteado
Óleo sobre tela

Procissão
Óleo sobre tela

"Um homem que sente e ama os tons da terra. Ele, mais do que tudo, é um artista singular, voltado à admiração da natureza, da gente e do cotidiano, manipulando um virtuosismo técnico, na qual a veladura, a transparência, os constrastes e as cores se sobrepõem para a obtenção de um efeito visual de grande impacto. Olhar uma obra de João Bosco é sentir sua riqueza de recursos, é ter a certeza que ele, trabalhando em estado sublime, garantirá a memória de sua obra."

Ramón Vena, marchand

Ponte sobre o Rio Gilão, Portugal
Óleo sobre tela, 60 x 80

Litoral do Rio de Janeiro
Óleo sobre tela, 60 x 100

Mercado Ver-o-Peso, Belém-Pará
Óleo sobre tela, 60 x 100

Esse cuidado que sempre teve João Bosco, é que garante a ele, mesmo vivendo numa era de modismos e controvérsias, seguir focado nos seus objetivos. Aqueles, que nunca saem da mira dos artistas comprometidos com o verdadeiro espírito da arte.

Retrato
Óleo sobre tela

Retrato
Óleo sobre tela

Retrato de Sepúlveda Pertence
Óleo sobre tela

Agradecimento especial a
João Bosco, por permitir o uso
de suas imagens para essa matéria.

**********************

João Bosco Campos faleceu em 21 de julho de 2012, muito tempo após a publicação dessa matéria.