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quinta-feira, 5 de abril de 2012

JORGE REIDER


JORGE REIDER - Arranjo em vermelho - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Rosas jogadas - Óleo sobre tela

Resgatar um pouco da formação cultural de uma nação é como um serviço de arqueologia, onde peças vão sendo conectadas e vão revelando; do passado; a base de nosso presente. Somos uma nação jovem, acolhedora de diversos povos, de distintas nacionalidades. Essa miscigenação, que não é só física, mas acima de tudo cultural, resulta no que somos hoje, no nosso saber e na nossa identidade. Formadoras dessa imensa mistura, há pessoas ilustres e pessoas simples, umas muito conhecidas, outras anônimas até hoje, desbravadoras de uma pátria jovem e acima tudo, sonhadoras e que acreditaram na possibilidade de viver aqui uma nova vida. Uma contribuição para o campo da pintura no Brasil, vem de um artista austríaco de nome Georg Reider, que mais tarde adotou a versão aportuguesada de seu nome para Jorge Reider. Uma lembrança à sua existência e produção artística torna-se merecida nessa data, 6 de abril, por comemorarmos a passagem do centenário de seu nascimento.

JORGE REIDER - Perfil do filho aos 3 anos de idade, 1943
Lápis sobre papel

JORGE REIDER - Autorretrato na Áustria - Óleo sobre tela
Ainda do tempo em que assinava G. Reider.

As condições severas do pós-guerra na Europa trouxeram para o Brasil, em 1927, o jovem Reider, acompanhado de seu padrasto Karl Scwinghammer, sua mãe Tereza, e seus irmãos Carlos e Tereza. Relatos de parentes e anotações de antigos cadernos atestam que ele já desenhava desde criança, antes mesmo de deixar a Áustria. Inicialmente trabalhou num armazém da Avenida Rebouças e mais tarde, aos 17 anos, tornou-se aprendiz no atelier do pintor Link, especializando-se em pintura sacra, douração e afresco. Acompanhou seu mestre em diversos trabalhos, com destaque para as igrejas da Praça Patriarca e do Largo São Francisco. O medo de altura não o impediu de participar na pintura da imensa ilustração da bebida Fernet Branca, na fachada lateral do Edifício Martinelli, no centro de São Paulo, no ano de 1930.

JORGE REIDER - Corredeira, década de 40 - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Capela - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Cena da Ilha Porchat, São Vicente - Óleo sobre tela

Em 1936 realizou serviços de restauração e pintura no teto da igreja do Convento de Nossa Senhora do Amparo, em São Sebastião, pelo que ficou hospedado por lá durante seis meses. Já ao final da década de 1930, muda sua assinatura de G. Reider para Jorge Reider. Casou-se em 1939, com a também austríaca Helene Burger. Um ano depois, muda para o bairro do Sumaré, onde viria a montar o seu ateliê. Nesse período, já vivia exclusivamente da pintura de cavalete, executando com maestria os temas que o consagraram: florais, paisagens, retratos e naturezas mortas, que atestam o quanto era eclético em sua temática.

JORGE REIDER - Criação da Oma - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Velho sanfoneiro - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Cena rural - Óleo sobre tela

O respeito pelas galerias foi conquistado graças à admiração de uma clientela exclusiva e requintada, que já o procurava com avidez. É dessa época a parceria com galerias como: Quarto Centenário, Unterman, Califórnia e Guatapará. Entretanto, o seu melhor mercado era mesmo o Rio de Janeiro, então capital federal (na época), e onde realizava diversas exposições individuais, todas com muito sucesso.

JORGE REIDER - Arranjo com flores amarelas - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Um arranjo - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Algumas rosas - Óleo sobre tela

Estima-se que a maioria de sua produção, cerca de 5 mil telas e estudos, ainda esteja em coleções particulares da cidade fluminense. Além do Rio de Janeiro, expôs também em Curitiba, Joinville e Porto Alegre. Em São Paulo, chegou a expor mais de uma vez na saguão do Teatro Municipal, no Liceu de Artes e Ofícios e no Conjunto Nacional. Em todas elas, uma boa receptividade do público.

JORGE REIDER - Corredeira das Antas, Rio de Janeiro - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Corredeira das Antas, detalhe

Tinha um desenho seguro, que lhe proporcionava pinceladas soltas e espontâneas quando pintava. Mesmo que à partir da década de 50, uma onda modernista conquistasse o mercado brasileiro, manteve-se firme no que sabia fazer de melhor, pintar as belezas da terra que um dia adotou como sua. Acima de tudo, era um estrangeiro que amava o Brasil. Não deu aulas, viveu exclusivamente da venda de suas telas. Foi membro da Associação Paulista de Belas Artes.

JORGE REIDER - Ressaca - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Ressaca, detalhe

Suas principais musas foram as rosas, que ele retratou como ninguém, até sua morte. Faleceu cedo, aos 49 anos de idade, numa tarde de outono. Em 1972, uma exposição retrospectiva no Clube Bamberg comemorou 10 anos de sua morte. Muitas de suas obras continuam sendo disputadas em leilões, até hoje.
Jorge Reider foi a primeira referência e o grande estímulo para a carreira de um neto seu, Alexandre Reider, comprovando o quanto a formação cultural brasileira tem raízes nas mais diversas origens. Precursor de um estilo próprio para pintura de flores, Jorge Reider influencia, até hoje, muitos artistas que se enveredem por essa temática.

JORGE REIDER - Rosas vermelhas - Óleo sobre tela

     
Acima, esquerda: JORGE REIDER - Rosas vermelhas e amarelas - Óleo sobre tela
Acima, direita: JORGE REIDER - Rosas - Óleo sobre tela

JORGE REIDER - Arranjo - Óleo sobre tela

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* Agradecimento especial à Alexandre Reider
pelo material cedido (anotações, textos e imagens) 
para compor essa matéria.

Jorge Reider por artista anônimo, pouco após sua morte

Georg Reider (Jorge Reider)
*6 de Abril de 1912 (Steyer-Áustria)
+1 de abril de 1962 (São Paulo-Brasil)