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sábado, 13 de agosto de 2011

PAULO DE CARVALHO

PAULO DE CARVALHO - Teresópolis

Ser chamado de “acadêmico” é um rótulo evitado por muitos artistas de nossa geração. Não é o caso do meu amigo artista Paulo de Carvalho, que com muita honra se auto-intitula “Acadêmico pintor”. Há que se ter muita personalidade e propriedade para abraçar tal causa, num tempo onde a novidade e o exagero cismaram de não largar as mãos.

PAULO DE CARVALHO - Rio antigo - 13 x 20

PAULO DE CARVALHO - Rio antigo - 15 x 20

Conheci o Paulo aqui na rede mesmo, há cerca de dois anos. Logo me despertaram nele, o sentido apurado de pesquisa e a lúcida convicção do caminho artístico que havia escolhido. Optar se orientar pelo Academicismo, e mais ainda, por um período em especial da História da Pintura, não só é uma meta defendida com orgulho por ele, mas acima de tudo, realizada com muita competência.

PAULO DE CARVALHO - Ressaca na Glória, Rio de Janeiro - 30 x 40

PAULO DE CARVALHO - Praia de Botafogo, sec XIX

O século XIX é, para mim, a porta de entrada para todos os movimentos modernistas que avançaram pelo século XX. Se conhecemos algo de inusitado, é porque artistas da metade do século XIX em diante, travaram um sério combate com as regras vigentes que representavam a chamada “verdadeira arte”. Os grandes salões é que ditavam as normas, e o gosto de imperadores e monarcas, que financiavam tais eventos, conduziam por assim dizer, o estilo e o tema que melhor se identificassem com seus desejos. Nasceu, portanto, entre diversos artistas de várias partes do mundo, um desejo de confrontar tais eventos. Opondo na questão temática, sem portanto abandonar a excelência da técnica, movimentos como o Naturalismo e o Realismo, deram os primeiros passos para a ruptura com todo um sistema implantado. Os movimentos ganharam força e já no final do século, nascia o Impressionismo e iniciavam muitas outras variantes de estilos que se consolidariam à partir dos anos de 1900.

PAULO DE CARVALHO - Praia de Copacabana, final do sec XIX

PAULO DE CARVALHO - Vista do Soberbo, Teresópolis

O trabalho de Paulo de Carvalho está localizado exatamente nesse período, onde há a transição de um trabalho acadêmico mais direcionado para um trabalho mais solto, natural e realista, que não despreza, porém, todos os vínculos com as lições de academia. E não é só a escola escolhida o ponto forte em sua obra, mas principalmente o tema. O Rio de Janeiro, em toda a sua pompa de um novo despertar, desfila quase que em todo o seu conjunto. Amparado por uma pesquisa iconográfica, onde a preocupação com detalhes e ambientes são cuidadosamente selecionados, Paulo narra com uma linguagem suave e lírica, a metamorfose de uma cidade imperial para uma nova Rio de Janeiro, aberta às mudanças do século XX e sempre bela, apesar de todas essas mudanças. O cenário também vai até Teresópolis, Petrópolis e cercanias. Na verdade, o cenário carioca, de cidade e interior é o que sempre constará em sua obra.

PAULO DE CARVALHO - Carneiros

PAULO DE CARVALHO - Vista do Rio de Janeiro - 15 x 20

Não há como deixar de perceber em suas obras, gratas referências dos desbravadores brasileiros daquela época. Estão lá, as nuances de Facchinetti, assumidamente sua grande referência, bem como paletas influenciadas por nomes de igual importância na pintura brasileira do século XIX: Dall’Ara, Batista da Costa, Hipólito Caron, Thomas Ender, Nicolas Vinet, García y Vasquez, Antônio Parreiras... Todos eles interpretados sob a luz de estudos, e orgulhosamente tidos como sólida referência.

PAULO DE CARVALHO - Porto de Santos, final do sec XIX

PAULO DE CARVALHO - Lavadeira, meados do séc XIX


Paulo de Carvalho nasceu em Petrópolis, em 1958. Dá pra entender porque o cenário está presente em sua obra, já faz parte de sua retina desde sempre. Foi instruído por Mário Antônio Couceiro, Georgina Meyer e Aloísio Carvão e se bacharelou em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Continuará sua pesquisa pelo Rio de Janeiro de uma época que nunca será esquecida.

Paulo de Carvalho

PARA SABER MAIS:

quinta-feira, 30 de junho de 2011

FOTOGRAFIA E PINTURA

        
JOSÉ ROSÁRIO - Pequeno congado
Óleo sobre tela - 35 x 22 - 2009
Ao lado, fotografia utilizada como referência.

Desde que a fotografia foi aperfeiçoada, em 1841, e nos apresentada na forma como a conhecemos hoje, muita coisa mudou no mundo das artes. É bem provável que o advento da fotografia decretasse o final da arte acadêmica propriamente dita, uma vez que para retratar algo tal qual é, muitos instrumentos desenvolvidos ao longo de todos esses anos, prestassem para isso com mais precisão. A arte acadêmica não morreu, a fotografia ganhou movimento e o nascer do cinema trouxe ainda infinitas possibilidades para fazer e expressar arte. Com esses dois fortes aliados, a liberdade teve que ampliar seu significado.

 Fotografia de referência

CLÁUDIO VINÍCIUS - Volta de estrada
Óleo sobre tela - 70 x 100 - Coleção particular

Os conceitos mudaram bastante, e isso não há como negar. A representação de algo extraído do natural (paisagens, retratos, arranjos e construções) passou a adotar a expressão e as sensações como requisitos muito mais importantes do que a representação fiel daquilo que se vê. Interpretando aquilo que está diante de si, dentro da sua maneira de ver, o artista reproduz sensações exclusivamente suas, e por isso mesmo incomparáveis por qualquer efeito fotográfico.

Fotografia do fuzilamento de Maximiliano, Imperador do México.

EDOUARD MANET - A Guerra Civil
Aguada e aquarela - 46 x 32,5 - 1871
Museu de Belas Artes, Budapeste

EDOUARD MANET - Execução do Imperador Maximiliano
Óleo sobre tela - 252 x 305 - 1867
Mannheim, Stadtische Kunsthalle

Na obra acima, executada por Edouard Manet, nota-se
claramente a influência da fotografia feita durante o
fuzilamento do Imperador Maximiliano. 
 Uma referência fotográfica não precisa ser
necessariamente a reprodução fiel da mesma. 
Um estudo em aguada mostra também
o quanto o artista explora o mesmo tema,
em ocasiões diferentes.

Embora seja um tema em vários pontos polêmico, a fotografia como referência para a produção artística tem seus defensores, mas também seus fortes adversários. Esses últimos alegam que a cópia fiel de uma foto, nada mais é que uma transposição de imagens, ação isenta da menor criação artística. Seus defensores, em contrapartida, dizem que a fotografia é apenas um grande aliado tecnológico, que veio incrementar recursos no processo produtivo de uma obra. Alegam ainda que grandes nomes como Picasso, Dégas, Manet, Courbet, Dali, Delacroix e muitos outros, incorporaram tais “auxílios” em suas obras, e que elas não diminuíram em nada, o respeito e o valor que são dados aos seus trabalhos.

 Beira do Piracicaba - fotografia.

JOSÉ RICARDO - Beira do Piracicaba
Óleo sobre tela - 70 x 110
Acervo José Rosário

Somente os artistas conscientes sabem usar das vantagens desse recurso, seja para a complementação de esboços ou no arquivamento de várias informações que venham a enriquecer o processo criativo na produção de uma obra. Eles também são sabedores que a comodidade de uma informação fotográfica tende sempre a gerar inseguranças no ato do desenho, e que muitos venham a criar laços de dependência muito grandes com essas referências. A pintura em plein air, ou mesmo a prática de esboços feitos do natural, são bons desafios para saber em que grau de dependência o artista está, com relação ao uso de fotos em seu trabalho. Nesse momento não há recurso intermediário entre o artista e o ambiente que lhe serve de referência.

 Lavadeira - fotografia

EDGAR WALTER - Lavadeira
Óleo sobre tela

Observe como a fotografia de referência foi
alterada em função da composição.
Elementos foram subtraídos e outros
adicionados para que a obra ganhasse o
ponto de interesse na figura da lavadeira.

A fotografia capta momentos de raras luzes, que se perdem rapidamente numa abordagem ao ar livre. Também é muito útil para congelar movimentos, impossíveis de se fixar num outro método. Mas a maior vantagem na referência com fotos, é que se torna possível reunir várias delas para formar uma única cena, atividade aliás, das mais usadas pela maioria dos artistas, e que obriga o processo criativo em um grau diferenciado dele.

          
À esquerda: Estrada do velho jacarandá, Dionísio - fotografia de referência
À direita: VINÍCIUS SILVA - Estrada do velho jacarandá (estudo)
Óleo sobre tela, 18 x 24 - 2011

VINÍCIUS SILVA - Estrada do velho jacarandá
Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2011
Acervo de José Rosário

A tecnologia tem sido muito generosa para a captação cada vez mais fiel da cena retratada, deixando as câmeras cada vez mais eficientes e muito mais fáceis de serem utilizadas. Mas, essa é uma tentação que deve ser vista com reservas. Não se esqueça que uma câmera, por mais evoluída que seja, é apenas uma máquina. É você, como artista, que decide qual efeito realçar em sua cena, que imagem acrescentar ou excluir para que a obra caminhe o máximo possível dentro da sua intenção. Câmeras, por mais reguladas que estejam, ainda tendem a simplificar as tonalidades, muitas vezes deixando as áreas de sombras muito escuras, ou também realçam mais algumas cores que outras. Quando você comparar a foto com a cena ao vivo, verá quantas sutis e preciosas diferenças se encontram nas duas.

Fotografia de referência

THEODORE ROBINSON - Duas em um barco
Óleo sobre cartão - 23,5 x 34,8
The Phillips Collection, Washington

Mesmo artistas tão experientes, aplicam recursos para
melhor utilizar sua referência fotográfica. Caso de
Theodore Robinson, quadriculando imagem de
referência, logo acima.


Há também muitos outros recursos que facilitam a vida do artista, no que diz respeito a ampliação da fotografia usada como referência para pintura. Alguns fazem uso de quadriculados, outros usam antigos instrumentos como o pantógrafo e ainda há pessoas que projetam tais fotos nas telas, por meio de projetores, para copiarem seus contornos. São processos que agilizam o fazer, mas que distanciam bastante da real intenção de produzir arte, ou seja, representar aquilo que é a sua visão única e intransponível de um tema.

SCOTT PRIOR - Fotografia de referência

SCOTT PRIOR - Estudo à lápis - 1991

SCOTT PRIOR - Toalhas e luz do sol
Óleo sobre tela - 61 x 61

De posse da escolha de uma fotografia para servir como referência para seu trabalho, é preciso que você faça uma análise criteriosa para decidir sobre o que deve ser acrescentado, excluído ou modificado, para que esta referência produza bons resultados. Por isso, reproduzir uma foto que você mesmo tenha feito, seja bem mais fácil para compor seu trabalho, do que se orientar por uma foto realizada por outra pessoa. Quando você mesmo fotografa, aquele tema já havia lhe despertado algum interesse, tal cena já formava em sua mente, um esboço de uma obra.

 Fotografia de referência

TÚLIO DIAS - Estrada do interior
Óleo sobre tela - 100 x 150

Toda composição passa por criteriosos processos para se transformar numa obra tecnicamente correta e artisticamente agradável de se ver. Os conceitos iniciais para qualquer composição, também devem ser levados em consideração na hora de utilizar a foto como referência. Profundidade, proporção, localização do ponto de interesse principal, distribuição de cores, correta representação de fontes de luz e volumes. Todos esses itens podem não estar em conformidade na foto que você dispõe a desenhar ou pintar, portanto não hesite nenhum momento em fazer as correções que sejam necessárias.

         

As duas referências acima serviram para a
conclusão da obra abaixo.
A paisagem foi idealizada em função da composição.

JOSÉ ROSÁRIO - Matando a sede
Óleo sobre tela - 60 x 100 - 2011

Combinar fotos para compor uma cena possui alguns segredos que não podem ser desprezados. Verifique se as fotos que irá combinar tenham a mesma fonte de luz, proporções adequadas e se também apresentam riquezas de detalhes compatíveis entre si. No item perspectiva, fique atento se o ângulo de visão nas duas referências é o mesmo, do contrário, poderá gerar grotescos erros de profundidade. A proporção é outro item de extrema importância, e quando incluem figuras humanas o cuidado deve ser ainda maior. Compare a proporção das figuras humanas com construções à sua volta, bem como a arbustos e animais, caso existam.

PAULO DE CARVALHO - Foto-montagem

       

O artista carioca Paulo de Carvalho lançou
mão de vários recursos até concluir sua obra.
Na foto superior, foto-montagem feita por
ele mesmo no local escolhido. Nas duas imagens
acima, um quadro de Antonin Fanart (esquerda)
serviu como referência para as figuras que ele
também representou. De Thomas Hill (direita),
o efeito dramático causado pelas gradações de
luz e sombra também foram sua influência.
O resultado é uma tela panorâmica que
ambienta bem uma cena do século XIX.

PAULO DE CARVALHO - Vista do alto da serra, Petrópolis
Óleo sobre tela - 10 x 40
Coleção particular

Grandes visões panorâmicas, que não são conseguidas, mesmo pelas máquinas mais avançadas, podem ser compostas pela união de duas ou mais fotos. Mais uma vez, deve-se ficar atento à diferenças exageradas com relação à mudança de luz e perspectiva. Quando já tiver em mente fotografar para unir cenas numa mesma panorâmica, coloque a máquina num ponto fixo, de preferência um tripé, para que não ocorram eventuais problemas na montagem. Não custa relembrar que selecionar apenas os elementos mais atraentes de suas “fotos-esboços” ainda é uma das regras mais sensatas a seguir.

 Fotografia de referência

FERDINAND PETRIE - Pôr de sol
Aquarela

De posse de todas essas informações, use a fotografia como uma referência a seu favor. Mesmo diante de tantos recursos, a emoção que você consegue imprimir em seu trabalho é muito mais importante que uma eficiente reprodução que nada transmita.


PETER HENRY EMERSON - Preparando a armadilha
Fotografia

THOMAS FREDERICK GOODALL - A armadilha
Óleo sobre tela - 83,8 X 127
Walker Art Gallery, Liverpool

sexta-feira, 4 de março de 2011

ARTE DEMOCRÁTICA: Novos endereços

Continuando a divulgação de sites com excelentes referências artísticas. Seja por uma pesquisa a nível técnico ou simplesmente para conhecer esses artistas e suas obras, vale sempre a pena dar uma passada por eles.


Indiscutivelmente, a pintura de paisagens
no Brasil, passa obrigatoriamente por esse artista
da atual geração. Com uma linguagem contemporânea e
muito bom gosto nas composições, é com certeza,
uma das gratas referências da arte do nosso país.

Natural do Chile, Alex Perez mostra
também um trabalho com linguagem bem
atual, com forte influência impressionista.

Já nem me surpreendo mais com a ótima safra
de artistas chineses nos últimos tempos,
eles nunca nos decepcionam.
Liang possui um tipo de trabalho que 
agrada já na primeira vista.
Como mora nos Estados Unidos há um bom tempo,
deu ênfase em seu trabalho na cultura indígena
de nativos americanos.
Visita obrigatória!

A internet tem esse dom de integrar pessoas bem
distantes. Conheci o Paulo de Carvalho na rede
e temos socializado grandes experiências.
Com o tema voltado principalmente às cenas do
Rio de Janeiro, também não deixe de conferir.

Com mais  de 20 anos nas experiências em acrílica,
esse canadense da costa atlântica nos mostra a
versatilidade dessa técnica, que com o
passar dos anos, ganha mais adeptos.

Trabalhos muito bons desse artista residente
no estado de Oregon, Estados Unidos.
Pinceladas soltas e veia impressionista latente.

Uma prova de que a arte se reinventa é a
maneira com que velhos temas possam ganhar
tantas leituras quantas forem possíveis.
Com impressionismo impecável, mais um
orgulho da safra brasileira de novos talentos.

Minas sempre teve uma histórica tradição na
pintura de paisagens. É sempre gratificante
saber que novos nomes também erguem
essa bandeira, como tão bem faz o Anderson.

Carregar a bandeira da Arte e  leva-la como um
ideal maior, é algo disponível a todos, porém
poucos se dispõe a tal empreitada com tanto
afinco. Quer se atualizar e ver algo de novo
no Mundo da Arte, não deixe de passar por lá. 

Impressionismo com personalidade de
um espanhol que já tem uma bela caminhada.
Site ideal para abrir os horizontes.

A Espanha sempre foi um país de forte tradição
artística. Em terra onde pulsa arte, nada mais
confortante saber que ela se renova a cada
geração. Confira o que estou falando
nos vários trabalhos desse artista.

A simplicidade e serenidade da pessoa que é,
fica nítida quando nos deixamos aprisionar
pelas suas obras. Mais um pintor chinês em
solo americano, esse no Texas. E tem uma
proposta desafiadora, pintar um novo
quadro a cada dia útil da semana.