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sexta-feira, 27 de junho de 2014

WORKSHOP COM CLÁUDIO VINÍCIUS

CLÁUDIO VINÍCIUS - Tranquilidade - Óleo sobre tela - 30 x 50 - 2014

O artista Cláudio Vinícius veio até a cidade de Timóteo/MG nos dias 26 e 27 desse mês para ministrar um workshop de pintura. Era aguardado com uma certa ansiedade e expectativa por todos que estavam inscritos para o evento, não só pela trajetória do que o fez reconhecido até aqui, mas principalmente pela sua técnica e pela possibilidade de que todos pudessem assimilar bastante dela. Paisagista de primeiro time, Cláudio Vinícius é reconhecido pela sua técnica arrojada e pela paleta inconfundível.

Ao alto: Keli Dornelas, Fátima Santos, Marcelo Coelho, Rogério Ramos, Natércia Gonçalves, Amelina Pimenta e Tereza Guedes.
Embaixo: José Rosário, Isaque Alves, Afonso Marcelino e Cláudio Vinícius.


Foi realmente um encontro muito agradável. Momento de rever amigos e de aprender sempre. Estavam presentes para participar do workshop: Amelina Pimenta, Natércia Gonçalves, Isaque Alves, Marcelo Coelho, Tereza Guedes, Afonso Marcelino, Keli Dornelas, Fátima Santos, Rogério Ramos e eu. O workshop foi ministrado em meu próprio ateliê e a experiência surge como a possibilidade para a promoção de vários outros.







Para agendar workshop em sua cidade, com o
artista Cláudio Vinícius,
contatar pelo telefone: (31) 3452-3727

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Saiba mais sobre o artista:




sábado, 24 de novembro de 2012

NOVOS OLHARES SOBRE DIONÍSIO


Nunca escondi a admiração que tenho pela minha terra natal. Não é bairrismo, é amor mesmo. Dionísio, uma pequena cidade de Minas Gerais, não tem tantos recursos econômicos, tem muitos desafios pela frente; como qualquer cidade; mas tem uma beleza natural incrível. Quando outros artistas colocam em seus trabalhos, um pouco daquilo que compartilho todos os dias, é imensamente gratificante. Os trabalhos a seguir são as mais recentes produções de um grupo de amigos meus. Belas obras!


CLÁUDIO VINÍCIUS - Estrada para Areias, Dionísio - Óleo sobre tela - 30 x 50 - 2012


Não é todos os dias que se tem a honra de ver o Cláudio Vinícius concluindo um trabalho, pelo fato de que sua produção é muito criteriosa e fica um longo período na conclusão de um único trabalho. Tive o privilégio de ver concluir um pequeno quadro sobre a minha região. É um artista que capta todos os detalhes de uma paisagem com tanta perfeição, que por vezes ficamos desconfiados se são realmente pinturas. Fiquei muito feliz ao visitá-lo por esses dias, e ver que está se recuperando muito bem dos transtornos com a saúde, que teve recentemente. Tenho certeza que iremos nos brindar com muitas de suas belas imagens, por longos anos.

TÚLIO DIAS - Um trecho de estrada com animais em Brejaúba - Óleo sobre tela - 70 x 100 - 2011


TÚLIO DIAS - Estrada do Apaga-pito
Óleo sobre tela - 120 x 180 - 2011

O recente ano marca uma fase em que o Túlio Dias produziu um grande número de obras com temas de Dionísio. Grandes e pequenos formatos, foram frutos de sua passagem por aqui no ano passado. Certamente irá produzir mais, pois a sua fonte ainda é vasta. Um artista que vai e volta em suas origens pictóricas, e que tira proveito de todas as suas experiências nesse percurso.


VINÍCIUS SILVA - Rio com pedras na Serra das Laranjeiras - Óleo sobre tela - 60 x 90 - 2012


VINÍCIUS SILVA - Uma curva do Mumbaça
Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2012

VINÍCIUS SILVA - Final de tarde,  Dionísio, MG
Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2012

Vinícius Silva também passou por aqui esse ano e continua produzindo diversas obras das imagens que colheu, tanto nos ensaios fotográficos, como dos estudos em plein air. A versatilidade de seus temas é incrível e sempre se encarrega de arranjar um enquadramento inusitado e uma visão diferenciada daquilo que foge aos olhares comuns. Um jovem artista com uma longa estrada, que está apenas começando.


ERNANDES SILVA - Um cantinho na Serra do Luar - Óleo sobre tela - 30 x 40 - 2012


Ernandes Silva é a mais grata surpresa na produção de paisagens. Cada dia se especializando mais na produção em plein air, parece incansável. Sempre o estamos vendo num local diferente, cavaletes às costas e pincéis em punho. Não esteve ainda em Dionísio, mas está produzindo uma série de obras à partir de imagens que lhe enviei. Muito bom ver essa nova geração conquistando seu espaço com muita honra...

JOSÉ RICARDO - Trecho do Mumbaça - Óleo sobre tela - 60 x 80 - 2012


Um outro artista que sempre explorou as paisagens de Dionísio foi José Ricardo, que já vem por esses lados já faz um bom tempo. Saímos para alguns exercícios ao vivo e para algumas seções de fotografias. Já dividimos algumas atividades e também fizemos algumas exposições em conjunto. A temporada dele por aqui, juntamente com o Cláudio Vinícius e o Túlio Dias, rendeu bons frutos.

Acho que já está na hora de pensar num livro com temáticas da região. A ideia me parece muito boa...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

WORKSHOP

CLÁUDIO VINÍCIUS - Paisagem com ponte
Óleo sobre tela - 70 x 100 - 2011


Já começam a render alguns frutos, as intenções iniciais da Escola de Dionísio. Além de promover um intercâmbio entre artistas, um dos objetivos do grupo é exatamente socializar conhecimentos e dividir experiências.
Nesta direção, o artista Cláudio Vinícius está promovendo workshops em seu ateliê, em Belo Horizonte, antes de seu retorno para os Estados Unidos, programado para início do próximo ano.
As aulas podem ser ministradas sob dois métodos. No primeiro, o aluno assiste a execução de uma pequena obra em todas as suas etapas. No segundo, o aluno é acompanhado na execução de um trabalho, em todas as suas fases.
Aos interessados, falar pessoalmente com o artista.


Cláudio Vinícius: (31) 3452-3727.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

FOTOGRAFIA E PINTURA

        
JOSÉ ROSÁRIO - Pequeno congado
Óleo sobre tela - 35 x 22 - 2009
Ao lado, fotografia utilizada como referência.

Desde que a fotografia foi aperfeiçoada, em 1841, e nos apresentada na forma como a conhecemos hoje, muita coisa mudou no mundo das artes. É bem provável que o advento da fotografia decretasse o final da arte acadêmica propriamente dita, uma vez que para retratar algo tal qual é, muitos instrumentos desenvolvidos ao longo de todos esses anos, prestassem para isso com mais precisão. A arte acadêmica não morreu, a fotografia ganhou movimento e o nascer do cinema trouxe ainda infinitas possibilidades para fazer e expressar arte. Com esses dois fortes aliados, a liberdade teve que ampliar seu significado.

 Fotografia de referência

CLÁUDIO VINÍCIUS - Volta de estrada
Óleo sobre tela - 70 x 100 - Coleção particular

Os conceitos mudaram bastante, e isso não há como negar. A representação de algo extraído do natural (paisagens, retratos, arranjos e construções) passou a adotar a expressão e as sensações como requisitos muito mais importantes do que a representação fiel daquilo que se vê. Interpretando aquilo que está diante de si, dentro da sua maneira de ver, o artista reproduz sensações exclusivamente suas, e por isso mesmo incomparáveis por qualquer efeito fotográfico.

Fotografia do fuzilamento de Maximiliano, Imperador do México.

EDOUARD MANET - A Guerra Civil
Aguada e aquarela - 46 x 32,5 - 1871
Museu de Belas Artes, Budapeste

EDOUARD MANET - Execução do Imperador Maximiliano
Óleo sobre tela - 252 x 305 - 1867
Mannheim, Stadtische Kunsthalle

Na obra acima, executada por Edouard Manet, nota-se
claramente a influência da fotografia feita durante o
fuzilamento do Imperador Maximiliano. 
 Uma referência fotográfica não precisa ser
necessariamente a reprodução fiel da mesma. 
Um estudo em aguada mostra também
o quanto o artista explora o mesmo tema,
em ocasiões diferentes.

Embora seja um tema em vários pontos polêmico, a fotografia como referência para a produção artística tem seus defensores, mas também seus fortes adversários. Esses últimos alegam que a cópia fiel de uma foto, nada mais é que uma transposição de imagens, ação isenta da menor criação artística. Seus defensores, em contrapartida, dizem que a fotografia é apenas um grande aliado tecnológico, que veio incrementar recursos no processo produtivo de uma obra. Alegam ainda que grandes nomes como Picasso, Dégas, Manet, Courbet, Dali, Delacroix e muitos outros, incorporaram tais “auxílios” em suas obras, e que elas não diminuíram em nada, o respeito e o valor que são dados aos seus trabalhos.

 Beira do Piracicaba - fotografia.

JOSÉ RICARDO - Beira do Piracicaba
Óleo sobre tela - 70 x 110
Acervo José Rosário

Somente os artistas conscientes sabem usar das vantagens desse recurso, seja para a complementação de esboços ou no arquivamento de várias informações que venham a enriquecer o processo criativo na produção de uma obra. Eles também são sabedores que a comodidade de uma informação fotográfica tende sempre a gerar inseguranças no ato do desenho, e que muitos venham a criar laços de dependência muito grandes com essas referências. A pintura em plein air, ou mesmo a prática de esboços feitos do natural, são bons desafios para saber em que grau de dependência o artista está, com relação ao uso de fotos em seu trabalho. Nesse momento não há recurso intermediário entre o artista e o ambiente que lhe serve de referência.

 Lavadeira - fotografia

EDGAR WALTER - Lavadeira
Óleo sobre tela

Observe como a fotografia de referência foi
alterada em função da composição.
Elementos foram subtraídos e outros
adicionados para que a obra ganhasse o
ponto de interesse na figura da lavadeira.

A fotografia capta momentos de raras luzes, que se perdem rapidamente numa abordagem ao ar livre. Também é muito útil para congelar movimentos, impossíveis de se fixar num outro método. Mas a maior vantagem na referência com fotos, é que se torna possível reunir várias delas para formar uma única cena, atividade aliás, das mais usadas pela maioria dos artistas, e que obriga o processo criativo em um grau diferenciado dele.

          
À esquerda: Estrada do velho jacarandá, Dionísio - fotografia de referência
À direita: VINÍCIUS SILVA - Estrada do velho jacarandá (estudo)
Óleo sobre tela, 18 x 24 - 2011

VINÍCIUS SILVA - Estrada do velho jacarandá
Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2011
Acervo de José Rosário

A tecnologia tem sido muito generosa para a captação cada vez mais fiel da cena retratada, deixando as câmeras cada vez mais eficientes e muito mais fáceis de serem utilizadas. Mas, essa é uma tentação que deve ser vista com reservas. Não se esqueça que uma câmera, por mais evoluída que seja, é apenas uma máquina. É você, como artista, que decide qual efeito realçar em sua cena, que imagem acrescentar ou excluir para que a obra caminhe o máximo possível dentro da sua intenção. Câmeras, por mais reguladas que estejam, ainda tendem a simplificar as tonalidades, muitas vezes deixando as áreas de sombras muito escuras, ou também realçam mais algumas cores que outras. Quando você comparar a foto com a cena ao vivo, verá quantas sutis e preciosas diferenças se encontram nas duas.

Fotografia de referência

THEODORE ROBINSON - Duas em um barco
Óleo sobre cartão - 23,5 x 34,8
The Phillips Collection, Washington

Mesmo artistas tão experientes, aplicam recursos para
melhor utilizar sua referência fotográfica. Caso de
Theodore Robinson, quadriculando imagem de
referência, logo acima.


Há também muitos outros recursos que facilitam a vida do artista, no que diz respeito a ampliação da fotografia usada como referência para pintura. Alguns fazem uso de quadriculados, outros usam antigos instrumentos como o pantógrafo e ainda há pessoas que projetam tais fotos nas telas, por meio de projetores, para copiarem seus contornos. São processos que agilizam o fazer, mas que distanciam bastante da real intenção de produzir arte, ou seja, representar aquilo que é a sua visão única e intransponível de um tema.

SCOTT PRIOR - Fotografia de referência

SCOTT PRIOR - Estudo à lápis - 1991

SCOTT PRIOR - Toalhas e luz do sol
Óleo sobre tela - 61 x 61

De posse da escolha de uma fotografia para servir como referência para seu trabalho, é preciso que você faça uma análise criteriosa para decidir sobre o que deve ser acrescentado, excluído ou modificado, para que esta referência produza bons resultados. Por isso, reproduzir uma foto que você mesmo tenha feito, seja bem mais fácil para compor seu trabalho, do que se orientar por uma foto realizada por outra pessoa. Quando você mesmo fotografa, aquele tema já havia lhe despertado algum interesse, tal cena já formava em sua mente, um esboço de uma obra.

 Fotografia de referência

TÚLIO DIAS - Estrada do interior
Óleo sobre tela - 100 x 150

Toda composição passa por criteriosos processos para se transformar numa obra tecnicamente correta e artisticamente agradável de se ver. Os conceitos iniciais para qualquer composição, também devem ser levados em consideração na hora de utilizar a foto como referência. Profundidade, proporção, localização do ponto de interesse principal, distribuição de cores, correta representação de fontes de luz e volumes. Todos esses itens podem não estar em conformidade na foto que você dispõe a desenhar ou pintar, portanto não hesite nenhum momento em fazer as correções que sejam necessárias.

         

As duas referências acima serviram para a
conclusão da obra abaixo.
A paisagem foi idealizada em função da composição.

JOSÉ ROSÁRIO - Matando a sede
Óleo sobre tela - 60 x 100 - 2011

Combinar fotos para compor uma cena possui alguns segredos que não podem ser desprezados. Verifique se as fotos que irá combinar tenham a mesma fonte de luz, proporções adequadas e se também apresentam riquezas de detalhes compatíveis entre si. No item perspectiva, fique atento se o ângulo de visão nas duas referências é o mesmo, do contrário, poderá gerar grotescos erros de profundidade. A proporção é outro item de extrema importância, e quando incluem figuras humanas o cuidado deve ser ainda maior. Compare a proporção das figuras humanas com construções à sua volta, bem como a arbustos e animais, caso existam.

PAULO DE CARVALHO - Foto-montagem

       

O artista carioca Paulo de Carvalho lançou
mão de vários recursos até concluir sua obra.
Na foto superior, foto-montagem feita por
ele mesmo no local escolhido. Nas duas imagens
acima, um quadro de Antonin Fanart (esquerda)
serviu como referência para as figuras que ele
também representou. De Thomas Hill (direita),
o efeito dramático causado pelas gradações de
luz e sombra também foram sua influência.
O resultado é uma tela panorâmica que
ambienta bem uma cena do século XIX.

PAULO DE CARVALHO - Vista do alto da serra, Petrópolis
Óleo sobre tela - 10 x 40
Coleção particular

Grandes visões panorâmicas, que não são conseguidas, mesmo pelas máquinas mais avançadas, podem ser compostas pela união de duas ou mais fotos. Mais uma vez, deve-se ficar atento à diferenças exageradas com relação à mudança de luz e perspectiva. Quando já tiver em mente fotografar para unir cenas numa mesma panorâmica, coloque a máquina num ponto fixo, de preferência um tripé, para que não ocorram eventuais problemas na montagem. Não custa relembrar que selecionar apenas os elementos mais atraentes de suas “fotos-esboços” ainda é uma das regras mais sensatas a seguir.

 Fotografia de referência

FERDINAND PETRIE - Pôr de sol
Aquarela

De posse de todas essas informações, use a fotografia como uma referência a seu favor. Mesmo diante de tantos recursos, a emoção que você consegue imprimir em seu trabalho é muito mais importante que uma eficiente reprodução que nada transmita.


PETER HENRY EMERSON - Preparando a armadilha
Fotografia

THOMAS FREDERICK GOODALL - A armadilha
Óleo sobre tela - 83,8 X 127
Walker Art Gallery, Liverpool