quinta-feira, 7 de abril de 2011

O QUE É PRECISO (Cecília Meireles)

Hoje o dia se vestiu de uma realidade cruel. Crianças se foram, pela vontade de alguém que já não queria mais viver. Cessaram os sonhos, por alguém que já não queria mais sonhar.
Vivemos num tempo onde a maldade não descansa, e a bondade já dá sinais de cansaço.
Em momentos assim, ficam as perguntas sobre "o que é a vida?", "por que é possível perde-la de maneira tão fácil?", "o que é preciso para que as pessoas encontrem sentido onde ele já não exista mais?". Fico com as respostas de Cecília Meireles e desconheço se possam ser encontradas outras tão sinceras.

O QUE É PRECISO
(Cecília Meireles)

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer  é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos nossos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

MORGAN WEISTLING - A promessa
Óleo sobre tela