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quinta-feira, 9 de junho de 2011

RUI DE PAULA

RUI DE PAULA - A flor e o lenço

Conheci o primeiro trabalho de Rui de Paula, na visita ao ateliê de um outro artista, da cidade de Belo Horizonte. Era uma tela em pequeno formato, com uma cena de interior de  castelo, que conseguia ótimo efeito na combinação de cores, pelo excelente uso de veladuras, que são a marca principal em seus trabalhos.
Tempos depois vi mais algumas obras em uma galeria de Belo Horizonte e outras, em uma coleção em Campinas. Ainda, a sempre marcante técnica apurada de seus efeitos.

RUI DE PAULA - O violeiro - 60 x 80

RUI DE PAULA - Coando café - 60 x 80

RUI DE PAULA - A mulher do manto vermelho
ao piano - Óleo sobre tela

Rui de Paula nasceu em 1961, na cidade mineira de Jaboticatubas. As muitas cenas de fundo de quintal e algumas paisagens confirmam os laços com a vida mineira. Mas o ecletismo parece ser a palavra de ordem para a condução de seu trabalho. Não há um tema rígido, mas o uso da técnica, que tornou parte marcante de seu trabalho, continua sempre lá, imexível.

RUI DE PAULA - Bebedor de vinho - 90 x 140

RUI DE PAULA - Carta anônima - 90 x 120

RUI DE PAULA - Cozinha de roça - 90 x 130

Naturezas-mortas, paisagens, interiores, cenas árabes, provocantes mulheres, retratos... Toda a variedade temática de seu conjunto de obras, tem esse tratamento especial no uso das cores. É na textura de suas generosas pinceladas que o efeito delas provocam uma espécie de dança nos olhos do observador. Certos efeitos se formam mesmo na ausência de pinceladas mais definidas.

RUI DE PAULA - Natureza-morta - 70 x 100

RUI DE PAULA - Fundo de quintal - 60 x 80

RUI DE PAULA - Festa do Congado - 70 X 100

Conheceu várias regiões da América Latina e Europa, e certamente o convívio com novos ares tenha influenciado para a sua liberdade temática no trabalho.
“A luz tem sido, ao longo da História da Arte, um dos mais instigantes aspectos explorados pelos artistas. Em seus trabalhos, Rui de Paula estuda as gradações luminosas com grande maestria. Assim, a claridade brasileira, que caracteriza tanto nosso país, se incorpora de maneira natural e absoluta nas telas desse artista, fazendo de seu trabalho, um marco na pintura de Minas Gerais, onde ainda vive e trabalha.” 
(Yara Tupinambá)

RUI DE PAULA - Crianças e patos - 70 X 50

RUI DE PAULA - Cachorros brincando - 40 x 30

RUI DE PAULA - Escondendo da chuva

Várias exposições formaram a carreira desse artista no país. Seguem abaixo, algumas de relevada importância:
- I Semana Mineira de Artes – Campinas/SP – 1988
- I Mostra de Arte – Semana de São Cristóvão/RJ 1989
- Ante Mineira em Santa Bárbara d’Oeste/SP
- Galeria Goyart – RJ – 1989
- Automóvel Clube de Jaboticatubas – 1989
- Caixa Econômica Federal – Vitória/ES 1990
- El Greco – São Luís/MA – 1991
- Grande Hotel de Araxá/MG – 1983
- Sociarte/SP – 1994
- Sociarte Monte Líbano/SP – 1994
- Magia da Gerais – Banespa/SP – 1996
- Esporte Clube Banespa/SP – 1997
- Casa da Cultura de Sete Lagoas/MG – 1998
- Galeria Rembrandt BH/MG – 1999
- Época Galeria de Arte – Goiânia/GO – 1999
- Clube dos Oficiais de Minas Gerais – 2002
- Idê Galeria de Artes – Jundiaí/SP – 2003
- Agnus Dei Galeria de Arte – Campinas/SP 2004
- Belo Horizonte, capital da Artes Plásticas
   Tribunal de Contas de MG – 2006
- Coliseum – Tiradentes/MG – 2010

RUI DE PAULA - Brincando com os pombos
50 X 70 - 2006

RUI DE PAULA - A velha porteira - 60 x 80

RUI DE PAULA - Quintal - 70 x 100

RUI DE PAULA - O roubo arriscado - 60 x 80

Das experiências em exposições internacionais, merecem destaque:
- Grimm Galeria de Arte – Kadar/Iraque – 1988
- Colombo Arte Gallerie – Place Du Sablon – Bruxelas, Bélgica – 1994
- Lloyd’s Art Center – Fort Collins, Colorado/USA 2003
- Martha Ellen Gallery – Windsor, Colorado/USA 2003
- Óscar Galeria de Arte – Lisboa/Portugal 2008



CONTATOS:

rui.paula@yahoo.com.br
(31) 9959-3572

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

JOÃO BOSCO CAMPOS (José Rosário)

O que seria uma rápida visita, acabou se transformando numa tarde agradável e de um descontraído bate-papo. Passamos primeiramente, José Ricardo e eu, em Sabará. Fomos de encontro a Hilton Costa, um artista da cidade que  nos esperava. Já um experiente pintor, com mais de cinquenta anos de carreira e que explora muito bem a temática da região. De lá seguimos para Belo Horizonte, onde encontraríamos com João Bosco Campos, em sua residência e ateliê.

Da esquerda para a direita: José Rosário, Sebastião Fonseca,
Hilton Costa, João Bosco Campos e José Ricardo.
Conversas agradáveis numa tarde entre artistas mineiros.

Para nossa surpresa e ainda para completar a roda de conversas, estava por lá um outro artista, Sebastião Fonseca, que os amigos do meio artístico tratavam carinhosamente por Zito. Infelizmente Sr. Zito faleceu recentemente. Mas a alegria que nos proporcionou naquela tarde sempre será lembrada.
É muito prazeroso estar cercado por pessoas que tão alegremente dividem suas experiências da profissão. As aventuras nas saídas para se pintar ao ar livre, os contatos, as exposições, o começo de cada um, os rumos da arte atual... Tudo sem muita formalidade e bem descontraído.
Não me esqueço da história contada por Sr. Zito, quando juntamente com Edgar Walter e João Bosco saíram para pintar ao ar livre. Quase se afogou caindo num canto de rio, distraído em buscar um melhor ângulo. Rimos disso e de muitos outros casos que se arrastaram tarde afora. Fatos assim me fazem lembrar um comentário de Rubem Alves, onde diz que as verdadeiras amizades são sempre cômicas. Amigos de verdade não passam de três ou quatro frases sem que estas provoquem risos e descontração.

Engenho de cana
Óleo sobre tela - 50 x 70

Abrindo a porteira
Óleo sobre tela - 70 x 100

Lavadeira
Óleo sobre tela

Bom, falando sobre isso até aqui, para começar o assunto principal desse texto: a influência para muitos artistas de nossa geração, deixada por João Bosco Campos.
Ainda criança em Itamarandiba, cidade mineira onde nasceu, João Bosco já rabiscava muros e chamava atenção nos trabalhos de escola e em desenhos que consumiam várias horas de seus dias. Tamanha habilidade e dedicação despertaram a atenção de professores e familiares, que logo o encaminharam para bons mestres na cidade do Rio de Janeiro. Foi exatamente no Rio, mais especificamente na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, que as primeiras orientações técnicas com o artista Roberto Leal, lhe trouxeram ainda mais recursos para o desenvolvimento de seu trabalho.

Areal
Óleo sobre tela - 50 x 70

Na lagoa
Óleo sobre tela - 50 x 70

Lavrador
Óleo sobre tela

Retornando a Belo Horizonte, ainda adolescente, fez novos contatos e não demorou a se despontar como um proeminente artista de sua época. Contatos muito importantes, diga-se de passagem, que o próprio João Bosco faz questão de afirmar, ajudaram a desvendar muitos mistérios da arte. Paulo Pavie, historiador, foi um dos seus grandes colaboradores nesse período. Há de se destacar também fatos aparentemente simples, mas bastante encorajadores, como o apoio dado pela educadora Graziela Costa, que adquiriu de João Bosco seus primeiros trabalhos.

Lavadeira
Óleo sobre tela 

Fundo de quintal
Óleo sobre tela - 50 x 70

Descanso interrompido
Óleo sobre tela - 70 x 100

Belo Horizonte, desde um bom tempo, sempre foi um importante cenário de referência artística. E João Bosco soube muito bem aproveitar dessa qualidade do ambiente que viveu. Muitos amigos artistas, ele conheceu em diversas fases de sua carreira. É impossível não citar colegas como Luiz Pinto, Florêncio e Edgar Walter, que durante longos períodos, dividiram experiências e conquistas.

Carro de boi
Óleo sobre tela

Sabará
Óleo sobre tela - 40 x 60

Retorno do moinho
Óleo sobre tela - 60 x 80

João Bosco sempre teve preferência para os trabalhos feitos à óleo. inicialmente tinham uma veia acadêmica marcante, foram dando espaço para pinceladas soltas e bem características, encaminhando cada vez mais para um impressionismo bem personalizado. Ainda não abriu mão de retratar cenas mineiras bem típicas. Seu trabalho atual consiste também na produção cada vez mais crescente de retratos. A figura humana está sempre presente em grande parte de sua produção. Tornaram temas correntes de sua obra nos últimos anos, cenas portuguesas e espanholas. Os Estados Unidos também entraram na rota de seu destino.

O tropeiro
Óleo sobre tela - 50 x 70

Violeiro
Óleo sobre tela

Fundo de quintal
Óleo sobre tela

"Poucos artistas desenham como J.B. Campos. Suas pinturas são de extrema simplicidade e com grande expressão de vitalidade e força. Sua arte é reflexo de si mesmo. Mestre nos semi-tons, João Bosco nos faz relembrar o passado, mas com a visão e a técnica modernas. Suas pinceladas são justas, corretas e, no final, o incomensurável mundo plástico se solta e passa a fazer parte de cada um diante de sua obra."

Edmar Aráujo, marchand


Guardando a colheita
Óleo sobre tela

A velha fonte
Óleo sobre tela, 60 x 80

Menino e animais
Óleo sobre tela


"Dentro da mesmice da arte contemporânea e dos falsos brilhos, J.B. Campos certamente está construindo uma carreira sólida, alicerçada nos mestres da nossa pintura."

Cláudio Valério Teixeira, artista plástico e crítico de arte


Pequeno leiteiro
Óleo sobre tela, 40 x 30

Carteado
Óleo sobre tela

Procissão
Óleo sobre tela

"Um homem que sente e ama os tons da terra. Ele, mais do que tudo, é um artista singular, voltado à admiração da natureza, da gente e do cotidiano, manipulando um virtuosismo técnico, na qual a veladura, a transparência, os constrastes e as cores se sobrepõem para a obtenção de um efeito visual de grande impacto. Olhar uma obra de João Bosco é sentir sua riqueza de recursos, é ter a certeza que ele, trabalhando em estado sublime, garantirá a memória de sua obra."

Ramón Vena, marchand

Ponte sobre o Rio Gilão, Portugal
Óleo sobre tela, 60 x 80

Litoral do Rio de Janeiro
Óleo sobre tela, 60 x 100

Mercado Ver-o-Peso, Belém-Pará
Óleo sobre tela, 60 x 100

Esse cuidado que sempre teve João Bosco, é que garante a ele, mesmo vivendo numa era de modismos e controvérsias, seguir focado nos seus objetivos. Aqueles, que nunca saem da mira dos artistas comprometidos com o verdadeiro espírito da arte.

Retrato
Óleo sobre tela

Retrato
Óleo sobre tela

Retrato de Sepúlveda Pertence
Óleo sobre tela

Agradecimento especial a
João Bosco, por permitir o uso
de suas imagens para essa matéria.

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João Bosco Campos faleceu em 21 de julho de 2012, muito tempo após a publicação dessa matéria.