Mostrando postagens com marcador Arte no século XIX. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arte no século XIX. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A ARTE NO SÉCULO XIX: Parte 6

THÉODORE GÉRICAULT - A balsa da Medusa
Óleo sobre tela - 491 x 716 cm - Entre 1818 e 1819 - Museu do Louvre, Paris

THÉODORE GÉRICAULT
Estudo para A Balsa da Medusa
Carvão sobre papel - 28,9 x 20,5 cm - 1818

A terceira década do século XIX seria determinante no cenário artístico europeu, em vários aspectos. A influência neoclássica das academias ficava com os dias contados e surgia, em todos os cantos, variantes artísticas cada vez mais voltadas para uma linguagem mais prática e objetiva. Na pintura francesa, David já não tinha mais a influência de antes e foi da oficina de um dos seus discípulos, Gros, que surgiram dois importantes nomes na pintura francesa: Géricault e Delacroix. Ambos tinham um gênio equivalente, mas de destinos muitíssimo diversos, porque o mais velho, Géricault, morreu em plena juventude, enquanto o segundo, Eugène Delacroix, conseguiu fazer da sua carreira e da sua vida uma obra-prima total.


THÉODORE GÉRICAULT - Estudo de cavalo cinza - Óleo sobre tela

Aos seus estudos muito intensivos, devia Géricault uma formação acadêmica sã e poderosa, conforme o testemunha a Jangada de Medusa, cuja palpitação trágica constituiu o manifesto dos inovadores. Mas Géricault está mais completamente nos seus desenhos de traços gordos, em que a influência de Miguel Ângelo se afirma com nitidez, e também em quadros de dimensões menores, em que o estilo enobrece certos temas anedóticos, como a Corrida dos cavalos berberes em Roma. O pintor permanecera algum tempo na Inglaterra e o que vira nesse país tinha grandemente favorecido as suas disposições de colorista.


GEORGE STUBBS - Whistlejacket
Óleo sobre tela - 292 x 246,4 - Cerca de 1762 - National Gallery, Londres
Stubbs, apesar de ser do século anterior, teve uma grande influência na produção
equestre de trabalhos de Géricault.

O permanente fascínio de Géricault por cavalos encontrou expressão na pintura de corridas inglesas. Cavaleiro exímio, morreria jovem, em consequência de ferimentos e ulteriores complicações resultantes de uma série de quedas de cavalo. Era especialmente aficionado por pinturas equestres barrocas e das obras de George Stubbs, tanto por seus expressivos estudos de animais, que introduziram nova temática na arte romântica, quanto por seus incomparáveis estudos anatômicos (Anatomia do cavalo).


EUGÈNE DELACROIX - A barca de Dante
Óleo sobre tela - 189 x 241 cm - 1822 - Museu do Louvre, Paris

Se em Géricault, a visita a território inglês permitiu uma nova abordagem artística, mais determinante ainda foi a influência inglesa para Delacroix. Os pontos de contato são numerosos. A amizade do artista, na juventude, a Richard Parkes Bonington e uma primeira viagem à Grã-Bretanha, fizeram-no seduzir bastante pela maneira fluida e brilhante dos Ingleses. É provável que a Inglaterra lhe servisse de transição para compreender os grandes Flamengos e sobretudo Rubens. Enfim, possuímos o testemunho da revolução que nele produziu Constable. No Salão de 1824, ia expor as Chacinas de Seio, quando o quadro que Constable apresentava nesse mesmo ano lhe caiu sob os olhos. A liberdade, a audácia de toque impressionaram-no de tal modo que refez o seu próprio quadro num estilo mais largo. Nessa época, a sua linha de conduta estava, sem dúvida, já traçada. Este grande homem, que não era somente um grande pintor, porque possuía uma cultura pouco comum, que não cessou de aprofundar e de que deixou provas no seu admirável Jornal, tinha-se, de certo modo, estreado (o que produziu anteriormente não conta) no Salão de 1822 — ano de que se pode datar a consagração oficial da pintura romântica — com um quadro que causou sensação: A Barca de Dante. Todos se apaixonaram por esses corpos de náufragos esverdeados que se torciam dentro da barca, por essa iluminação fulgurante, por essa surda riqueza. Saudado por Thiers, bem acolhido por Gros, insultado pelos davidianos, o artista tornou-se de repente célebre, o que o não dispensou de lutar até ao fim da vida, até para assegurar a sua existência material.


EUGÈNE DELACROIX - A morte de Sardanapalus
Óleo sobre tela - 395 x 496 cm - 1827 - Museu do Louvre, Paris

A sua atitude em relação ao movimento romântico foi bastante ambígua. Consideraram-no, sem nenhuma dúvida, como um dos chefes deste movimento e, a princípio, arregimentou na juventude que lutava ruidosamente. Se ser romântico é pintar de preferência assuntos da Idade Média e da Renascença, então ele o fez com competência. Mas a sua inteligência era demasiado penetrante para que não visse o que havia de falso nesta atitude teatral. Não viajou muito, mas uma dessas viagens, pelo menos, teve importância decisiva: a de Marrocos. Dever-se-á datar daí o Orientalismo ? É pouco provável, porque, com a guerra da independência grega e as narrativas dos viajantes, essa moda tinha-se imposto anteriormente: as Chacinas de Seio foram pintadas antes da estadia em terras da África. Perante as terras africanas, Delacroix não reagiu como a maior parte dos seus contemporâneos. Onde estes tinham procurado o pitoresco, o exotismo, descobriu ele, no trajar e na atitude dos Árabes, a simples beleza do antigo.


EUGÈNE DELACROIX - Entrada dos Cruzados em Constantinopla
Óleo sobre tela - 81,5 x 105 cm - 1852

EUGENE DELACROIX
Sátiro abraçando uma ninfa, cópia de Rubens
Óleo sobre tela - 16,5 x 22 cm

A audácia de Delacroix avulta sobretudo nas relações que estabeleceu entre a forma e a cor: grandes efeitos obtidos por alguns volumes salientes, em volta dos quais se ordenavam as figuras envolvidas. Este desdém de circunscrever a forma levou os seus contemporâneos a dizerem que ele era mau desenhador. Na verdade, é um desenhador soberbo, embora não tenha nunca possuído — o que por vezes o prejudicou—a bagagem escolar tão sólida de Géricaut. Mas o seu ardor é incomparável: o traço rodeia a forma como uma correia de chicote que vibra, sugerindo um movimento da rapidez do relâmpago. Para se exprimir, não hesitava aliás em recorrer a deformações que causaram surpresa.


EUGÈNE DELACROIX - O bom samaritano
Óleo sobre tela - 36,8 x 29,8 cm - Entre 1849 e 1850

Embora Delacroix tenha sido reverenciado por artistas mais jovens, e alguns críticos reconhecessem sua importância como pintor, a aceitação oficial foi lenta, por causa da posição ainda dominante dos classicistas. Entretanto, por volta de 1830, ocorreram mudanças nos setores patrocinadores, e Delacroix começou a ter um certo favoritismo oficial e algumas encomendas governamentais. Delacroix também escreveu um jornal, O Diário, que relatava questões artísticas e de diversos outros campos da sociedade de seu tempo.


INGRES - A apoteose de Homero - Óleo sobre tela - 386 x 515 cm - Entre 1826 e 1827

Eugène Delacroix só teve no seu tempo um único rival da sua categoria, Jean-Dominique-Ingres, personalidade tão cortante como a sua, senão tão desenvolvida. Os princípios destes dois homens eram tão opostos que se tornava desnecessário que os seus admiradores reforçassem ainda mais uma tal oposição. Eles eram incapazes de se compreender, embora certas palavras que escaparam a um e a outro mostrem que sabiam a que se ater quanto aos seus valores respectivos. Ingres negava com teimosia o romantismo e, aos olhos dum observador superficial, é o sucessor direto do seu mestre David. O mesmo culto do desenho, o mesmo desdém da cor.


                     
Esquerda: INGRES - Mulher banhando em Valpinçon - Óleo sobre tela - 146 x 96 cm - 1808
Direita: INGRES - Viscondessa Louise-Albertine d'Haussonville - Óleo sobre tela - 131,8 x 92 cm - 1845

No entanto, por pouco que se ultrapassem as aparências, logo se descobre que estes dois seres se não parecem de forma nenhuma. Ingres, que não possui o temperamento vigoroso de David, é infinitamente mais artista, até no sentido mais mórbido do termo. Este burguês severo era na realidade um recalcado, amante da linha sinuosa e da mulher, na pintura da qual achava uma surda volúpia. As suas grandes composições transbordam por vezes de aborrecimento, é o caso especialmente  da sua A Apoteose de Homero. Não atingiu a unidade e o movimento que Delacroix obtinha quase a brincar, mas restam os seus retratos e as suas odaliscas.


INGRES - Odalisca com escrava - Óleo sobre tela - 72,4 x 100,3 cm - 1839

CHASSÉRIAU - O tepidarium
Óleo sobre tela - 67,3 x 101,5 cm - 1853

Ingres, por vezes, deformava proporções em seus corpos, principalmente os femininos. Mas, seus retratos são irrepreensíveis. Perante eles, todos devemos nos inclinar. A sua oficina foi a última grande escola da pintura francesa. Muitos dos seus discípulos caíram no esquecimento, porque careciam de verdadeiro gênio, embora a maior parte deles tenham sido excelentes retratistas. O mais brilhante foi, na verdade, o único que quis aparentá-lo: Chassériau. O caso deste jovem crioulo, que morreu aos 27 anos, idade em que os outros mal começavam a afirmar-se, depois de ter pintado várias obras-primas, é quase um caso patológico. Porque, por muito que se deplore uma perda considerada em geral irreparável, não há que negar que as obras pintadas por Chassériau no fim da sua curta vida são muito inferiores às da sua estreia, quase da sua adolescência. Poderá admitir-se talvez que a influência de Delacroix, que ele sofria então fortemente, em reação contra o seu antigo mestre, não estava ainda assimilada e que ele não achara o seu equilíbrio. Mas não se trataria também dum desses esgotamentos precoces, como os que se verificam nas crianças dos climas quentes? Seja como for, o certo é que, entre os vinte e os vinte e cinco anos, Chassériau pintou alguns dos retratos essenciais da escola francesa, mais flexíveis, mais sensíveis que os do seu mestre, e também composições dum encanto oriental um pouco irritante e muito requintado. As suas pinturas murais, executadas para o Tribunal das Contas, cuja perda quase integral foi causada pelo furor dos homens e pela sua negligência, revelavam um Chassériau mais amplo, mais viril dó que se poderia supor. A viagem que fez à Argélia mostra-o atraído por uma cor mais sonora, pelo envolvimento das formas; mas não achou nestas tendências o equivalente da poesia linear que o seu mestre Ingres lhe ensinara e lhe convinha admiravelmente.


CHASSÉRIAU - Interior oriental - Óleo sobre painel - 46 x 37 - 1850

Como observado anteriormente, todos os grandes mestres da pintura francesa, nas primeiras décadas do século XIX, já possuíam uma grande atração pelos temas orientais. Essa atração ganharia proporções ainda maiores, quando o movimento Orientalista ganharia ainda mais força, fazendo com que caravanas inteiras de artistas partissem rumo ao oriente. Isso é assunto para nossa próxima matéria.

VEJA TAMBÉM:
. A ARTE NO SÉCULO XIX - Parte 1
. A ARTE NO SÉCULO XIX - Parte 2
. A ARTE NO SÉCULO XIX - Parte 3
. A ARTE NO SÉCULO XIX - Parte 4
. A ARTE NO SÉCULO XIX - Parte 5

domingo, 12 de agosto de 2018

A ARTE NO SÉCULO XIX: Parte 5

CASPAR DAVID FRIEDRICH - Luar sobre o mar - Óleo sobre tela - 55 x 71 - Cerca de 1822

As obras de Friedrich foram determinantes no
movimento do  Romantismo artístico alemão.

CASPAR DAVID FRIEDRICH - Caminhante sobre o mar de névoa
Óleo sobre tela - 94,8 x 74,8 - 1818

Durante o Iluminismo, ou A Idade da Razão, os pintores românticos alemães voltaram suas atenções para as emoções interiores em vez de observações fundamentadas. Eles olharam para épocas anteriores, incluindo a Idade Média, para exemplos de homens que viviam em harmonia com a natureza e entre si. Os nazarenos, um grupo de pintores fundados em Viena, em 1809, favoreceu a pintura medieval e do início da Renascença italiana, repudiando o popular estilo neoclássico preferido na época. Eles acabaram tendo uma influência significativa no ideal artístico da Alemanha daqueles tempos. Apesar de serem mais divulgados, os movimentos românticos da França e Inglaterra devem consideravelmente a esses precursores alemães. Um outro fato a destacar nos países de predominância anglicana e luterana, logo após as reformas protestantes, é que os artistas dessas nacionalidades buscaram naturalmente o emprego de novas temáticas aos seus trabalhos, que não fossem os tão comuns temas históricos, religiosos e mitológicos. Prova disso, é que nos países do centro e norte da Europa, era comum a prática de naturezas mortas, marinhas e posteriormente a paisagem, que muito colaborou com uma grande adesão de artistas românticos.

CASPAR DAVID FRIEDRICH - Rochedos no Elba
Óleo sobre tela - 94 x 74 - Entre 1822 e 1823

Fora do eixo França-Inglaterra, foi um alemão quem deu um grande impulso ao movimento romântico: Caspar David Friedrich. Nascido em 1774, foi um pintor, gravurista, desenhista e escultor. Ele é o mais puro representante da pintura romântica alemã. Friedrich nasceu em um período em que a sociedade da Europa estava se movendo de uma forte inclinação materialista para um sentimento de desilusão, onde novos impulsos espirituais começavam a se fazer sentir. Essa mudança encontrou expressão em uma reapreciação do mundo natural, visto com uma criação divina pura, em contraste com a superficialidade da civilização construída pelo homem.

CASPAR DAVID FRIEDRICH - Falésias em Rügen
Óleo sobre tela - 90,5 x 71 - Entre 1818 e 1819

CASPAR DAVID FRIEDRICH - O Wtazmann
Óleo sobre tela - 133 x 170 - Entre 1824 e 1825

Friedrich trabalhou predominantemente na pintura de paisagens e explorou a relação do homem com a terra. A pintura de paisagem tornou-se uma alegoria para a alma humana, bem como um símbolo de liberdade e ausência de limites que sutilmente criticava a restrição política da época. As paisagens simbólicas de Caspar David Friedrich e sua evocação do sublime tiveram influência duradoura entre os artistas modernos, do expressionista Edvard Munch aos surrealistas Max Ernst e René Magritte, aos últimos expressionistas abstratos Mark Rothko e Barnett Newman. A visualização inspiradora de Friedrich da paisagem alemã foi adotada pelos nazistas na década de 1930 para promover sua ideologia de sangue e solo, que defendia o racismo e um nacionalismo romantizado. Como resultado, a reputação de Friedrich levou muitos anos para se recuperar.

JOHANN FRIEDRICH OVERBECK - Itália e Alemanha - Óleo sobre tela

Overbeck foi um dos fundadores do Grupo dos Nazarenos.

Graças a Friedrich, os princípios do romantismo, enfatizando a primazia do indivíduo e, dentro desse indivíduo, o poder da imaginação e do sentimento subjetivo, tornaram-se a base de grande parte da cultura moderna. A ênfase do surrealismo na vida onírica e no subconsciente subjetivo, a ênfase do expressionismo na intensidade emocional e a ênfase contemporânea no artista como celebridade cultural, todas derivam do romantismo. O movimento tornou-se parte de como pensamos sobre o indivíduo, sua experiência individual e sua expressão na arte. O conceito do artista como um visionário em sintonia com a natureza mais profunda da realidade, que tem sido parte de qualquer número de movimentos de vanguarda, é essencialmente uma visão romântica.

FRANCESCO GOYA - O fuzilamento de 3 de maio de 1808
Óleo sobre tela - 266 x 345 - 1814 - Museu do Prado, Madri

FRANCESCO DE GOYA - Saturno
Óleo sobre painel montado em tela - Entre 1820 e 1823

O movimento romântico também chegou à Espanha, mais diretamente sob os pincéis de Francisco de Goya. No meio da Guerra Peninsular, travada por Napoleão e pela Guerra da Independência espanhola, os pintores românticos espanhóis começaram a explorar visões mais subjetivas de paisagens e retratos, valorizando o indivíduo. Francisco de Goya foi de longe o mais proeminente dos românticos espanhóis. Enquanto ele era o pintor oficial da corte real, nos anos finais do século XVIII, começou a explorar o imaginário, o irracional, e os horrores do comportamento humano e da guerra. Suas obras, incluindo a pintura O terceiro de maio de 1808 (1814) e a série de gravuras O desastre da Guerra (1812-15), permanecem como poderosas repreensões da guerra durante a era do Iluminismo. Cada vez mais retraído, Goya fez uma série de Pinturas Negras (1820-23) que explorou os terrores contidos nos recônditos mais íntimos da psique humana.

OREST KIPRENSKY - Um jovem jardineiro - Óleo sobre tela - 1817

IVAN KONSTANTINOVICH AIVAZOVSKY -  Luar no Bósforo
Óleo sobre tela - 24,5 x 30,5 - 1865

HANS GUDE - Paisagem da Noruega - Óleo sobre tela - 158 x 235 - 1858

Em outros lugares da Europa, os principais artistas adotaram estilos românticos: na Rússia havia os retratistas Orest Kiprensky e Vasily Tropinin, com Ivan Aivazovsky se especializando em pintura marinha, e na Noruega Hans Gude pintou cenas de fiordes. Na Itália, Francesco Hayez foi o principal artista do romantismo na Milão de meados do século XIX. Sua carreira longa, prolífica e extremamente bem sucedida viu-o começar como um pintor neoclássico, atravessar o período romântico e emergir no outro extremo como um pintor sentimental de mulheres jovens. Seu período romântico incluiu muitas peças históricas de tendências "Troubadour", mas em grande escala, que são fortemente influenciadas por Gian Battista Tiepolo e outros mestres italianos do barroco tardio. Muitas escolas, em todas as partes da Europa, deixaram se orientar pela influência do Romantismo. Destaque para a Escola de Dusseldorf, na Alemanha, cuja especialização era exatamente a paisagem. Movimentos como o Realismo e o Naturalismo foram somados à influência do Romantismo, por muitos artistas, em quase todas as partes.

FRANCESCO HAYEZ - O beijo - Óleo sobre tela - 1859

FRANCESCO HAYEZ - Betsabé ao banho - Óleo sobre tela - 1834

O romantismo literário teve sua contrapartida nas artes visuais americanas, mais especialmente na exaltação de uma paisagem americana indomável encontrada nas pinturas da Escola do Rio Hudson. Pintores como Thomas Cole, Albert Bierstadt e Frederic Edwin Church e outros, muitas vezes expressaram temas românticos em suas pinturas. Eles às vezes descreviam antigas ruínas do mundo antigo, ou apenas retratavam a beleza ainda intocada do solo americano. Essas obras refletiam os sentimentos góticos de morte e decadência. Eles também mostram o ideal romântico de que a natureza é poderosa e acabará por superar as criações transitórias dos homens. Mais frequentemente, eles trabalharam para se distinguir de seus colegas europeus, retratando cenas e paisagens exclusivamente americanas. Essa ideia de uma identidade americana no mundo da arte é refletida no poema de WC Bryant, para Thomas Cole. Quando Cole partiu para a Europa, Bryant o incentivou a lembrar das poderosas cenas que só podem ser encontradas na América.

THOMAS COLE - A Viagem da Vida, Juventude - Óleo sobre tela - 134 x 195 - 1842

ALBERT BIERSTADT - Uma tempestade nas Montanhas Rochosas, Mt Rosalie
Óleo sobre tela - 210,8 x 361,3 - 1866

ALBERT BIERSTADT - Paisagem das Montanhas Rochosas
Óleo sobre tela - 93 x 139,1 - 1870

Algumas pinturas americanas (como As Montanhas Rochosas, de Albert Bierstadt) promovem a ideia literária do "nobre selvagem" ao retratar os nativos americanos idealizados que viviam em harmonia com o mundo natural. As pinturas de Thomas Cole tendem à alegoria, explícitas na série A Viagem da Vida, pintada no início da década de 1840, mostrando as etapas da vida no meio de uma natureza impressionante e imensa. Frederic Church foi mais além, indo em busca de paisagens ainda mais exóticas na América do Sul e no Polo Ártico.

FREDERIC CHURCH - Niagara Falls - Óleo sobre tela - 101,6 x 229,9 - 1857

FREDERIC CHURCH - Vista do Cotopaxi - Óleo sobre tela - 62,2 x 92,7 - 1857


Na próxima matéria, veremos os últimos grandes defensores, propriamente ditos, dos movimentos neoclássicos e românticos. E também a influência deles em um dos movimentos mais espetaculares do século XIX, o Orientalismo.

VEJA TAMBÉM AS MATÉRIAS ANTERIORES:
. A arte no século XIX: Parte 1
. A arte no século XIX: Parte 2
. A arte no século XIX: Parte 3
. A arte no século XIX: Parte 4


sábado, 4 de agosto de 2018

A ARTE NO SÉCULO XIX: Parte 4



JOHN CONSTABLE - A Catedral de Salisbury vista do jardim do bispo 
sobre tela - 88,9 x 112,4 cm - 1826

Constable foi o grande nome na paisagem inglesa, nos anos
finais do século XVIII e início do século XIX. Sua
maneira de pintar influenciou muitas gerações além dele.

JOHN CONSTABLE - Dedham Vale com o Rio Stour, East Bergholt
Óleo sobre tela - 51 x 91,5 cm

Tarefa tão árdua quanto falar sobre o Romantismo é descobrir a sua gênese. Um movimento que abrangeu com a mesma intensidade diversos setores da arte: Literatura, Pintura, Música... Alcançou vários países e em vários deles os aspectos diferenciavam bastante, assim como sua forma de manifestação.  A reação que se produziu no século XVIII contra a arte barroca foi essencialmente definida como regresso ao antigo. Importa analisar mais a fundo esta noção, para reconhecer que as tendências que então prevaleceram no meio internacional de Roma estão também na origem de um movimento, o movimento romântico, que tomou aspectos de oposição ao culto do antigo e que, mais tarde, o substituiu. Nas artes visuais, o romantismo mostrou-se pela primeira vez na pintura de paisagens, onde desde os anos 1760 os artistas britânicos começaram a se voltar para esse tema, com seus campos inspiradores e sua arquitetura gótica. É exatamente com os ingleses, a melhor forma de começar a falar sobre esse movimento.

CLAUDE LORRAIN - Amanhecer - Óleo sobre tela - 102,9 x 134 cm - Entre 1646 e 1647
Embora Lorrain tenha vivido muito antes do movimento denominado Romantismo,
suas obras foram referência para muitos artistas que o praticaram.


WILLIAM TURNER - O Lago de Zug  - Aquarela sobre papel - 29,8 x 46,6 cm - 1843

WILLIAM TURNER - O declínio do Império Cratago - Óleo sobre tela - 170 x 239 cm - 1817

Embora a França seja o palco principal da arte do século XIX, a Inglaterra teve sobre a França uma ação que está longe de ser desprezada. Nos seus quadros, nas aquarelas e não menos nas suas litografias, que ofereciam a vantagem duma larga difusão, os Ingleses, fiéis a esse amor do campo que se tinha manifestado já nos seus jardins, puseram a paisagem na moda. William Turner foi um dos nomes mais exponenciais para essa época. Ele era original, áspero e obtuso, era a tal ponto apaixonado por Claude Lorrain que quis que um dos quadros deste figurasse ao lado dum dos seus próprios, na Galeria Nacional. Pouco a pouco, o estudo da luz e do mar levou-o a uma concepção e a uma técnica que foram mal compreendidas pelo seu tempo: as suas telas são como fogos de artifício de cores vivas, em que as formas se diluem. Grutas irisadas, navios de velas multicores fundem-se numa bruma luminosa, do que resulta por vezes certa monotonia. As aquarelas de Turner seduzem talvez mais. Visões de Veneza ou das cidades de França, evocam um universo fluido, todo de luz e de água. A bem dizer, Turner não foi seguido por ninguém. Certos artistas se tornam únicos em diversos aspectos.


WILLIAM TURNER - O declínio do Império Cratago - Óleo sobre tela - 17 x 23,9 cm - 1817

THOMAS GIRTIN - Lincoln Cathedral
Aquarela e guache sobre papel - 23,7 x 28,9 cm - Cerca de 1795

Os outros aguarelistas formam, em contrapartida, uma espécie de escola. Não há arte mais popular na Inglaterra daqueles tempos. Os que a praticam usam uma técnica impecável e com bastante novidade, no sentido de que sabem tirar lindamente partido das transparências no branco do papel e do aspecto molhado. Desse modo, a aquarela, em vez de servir de realce ao desenho, toma a feição dum modo de expressão completo. Thomas Girtin, entre outros, que veio a Paris com os Aliados, foi muitíssimo admirado, e merecidamente, na França.

JOHN CONSTABLE - A carroça de feno - Óleo sobre tela - 130 x 185 cm - 1821

JOHN CONSTABLE - O Vale de Stour e a Igreja de Dedhan
Óleo sobre tela - 55,6 x 77,8 cm - Cerca de 1815

Mas o maior paisagista inglês do final de século XVIII e início de século XIX, John Constable, praticou sobretudo a pintura a óleo. Os seus esboços, de maneira brusca e decidida, em que os toques de cores diferentes se justapõem sem se fundir, atingem notável frescura e um efeito impressionante. É possível que estas qualidades se percam por vezes nos seus grandes quadros compostos, porque sucede a Constable parecer então artificial, pecado frequente dos Ingleses quando abandonam a transcrição literária da natureza. Pelo hábito de pintar ao ar livre, é considerado um dos predecessores do movimento impressionista, tanto que os artistas fundadores desse movimento, em solo francês, visitaram exposições suas em Londres.

WILLIAM BLAKE - Pity - Gravura - 42,2 x 52,7 cm - Cerca de 1795

Não se pode, no entanto, dar por findo o estudo da escola inglesa sem mencionar ao menos um artista que não teve qualquer influência na evolução da arte do seu século, porque foi ignorado pelos contemporâneos, mas que a nossa época exaltou exageradamente, William Blake. Poeta mergulhado nos seus sonhos, pintando e sobretudo desenhando como em estado de transe, transcreve os seus sonhos com uma rara mistura de inexperiência e de ambição. A sua própria impotência serviu-lhe de passaporte para um século apaixonado de literatura, embora se não possa negar-lhe sentido decorativo quando orna as páginas dos livros, dos seus próprios e dos que mais amava.

ANNE LOUIS GIRODET - Ossian recebendo os fantasmas dos heróis franceses
Óleo sobre tela - 192 x 184 cm - 1802 -  Château de Malmaison

A chegada do romantismo na arte francesa foi adiada pela fortaleza do Neoclassicismo nas academias, mas a partir do fim da era napoleônica tornou-se cada vez mais popular. Diferentemente do movimento romântico inglês, o movimento romântico das artes visuais na França veio inicialmente na forma de pinturas históricas, fazendo propaganda para o novo regime, dos quais Girodet, em Ossian recebendo os Fantasmas dos heróis franceses, para o Château de Malmaison de Napoleão, foi um dos primeiros. O antigo professor de Girodet, David, ficou perplexo e desapontado com a direção de seu pupilo, dizendo: "Ou Girodet é louco ou não sei mais nada sobre a arte da pintura". Uma nova geração da escola francesa desenvolveu estilos românticos pessoais, embora ainda se concentrasse na pintura histórica com uma mensagem política. Théodore Géricault é o nome a ser lembrado naqueles tempos. A Jangada da Medusa, de 1821, continua a ser a maior conquista da pintura da história romântica, que em seu dia teve uma poderosa mensagem anti-governo.

THÉODORE GÉRICAULT - A jangada da Medusa
Óleo sobre tela - 491 x 716 cm - Entre 1818 e 1819 - Museu do Louvre

EUGENE DELACROIX - A barca de Dante - Óleo sobre tela - 189 x 241 cm - 1822

Delacroix foi à Grã-Bretanha e deixou-se seduzir pela maneira fluida e brilhante dos Ingleses. É provável que a Inglaterra lhe servisse de transição para compreender os grandes Flamengos e sobretudo Rubens. Enfim, possuímos o testemunho da revolução que nele produziu o inglês Constable. No Salão de 1824, ia expor as Chacinas de Seio, quando o quadro que Constable apresentava nesse mesmo ano lhe caiu sob os olhos. A liberdade e a audácia de toque impressionaram-no de tal modo, que refez o seu próprio quadro num estilo mais largo. Nessa época, a sua linha de conduta estava, sem dúvida, já traçada. Este grande homem, que não era somente um grande pintor, porque possuía uma cultura pouco comum, não cessou de aprofundar seus estudos e deixou provas no seu admirável empenho.


EUGENE DELACROIX - A morte de Sardanapalus
Óleo sobre tela - 395 x 496 - 1827 - Museu do Louvre

Delacroix foi um artista que sempre considerou o uso correto da cor e seus efeitos numa obra de arte, algo mais importante até do que a obra em si. É dele uma célebre frase: "Nem sempre uma pintura precisa de um tema". O ano de 1822 é o ano de que se pode datar a consagração oficial da pintura romântica francesa, com um quadro que causou sensação: A Barca de Dante. Todos se apaixonaram por esses corpos de náufragos esverdeados que se torciam dentro da barca, por essa iluminação fulgurante, por essa surda riqueza. Saudado por Thiers, bem acolhido por Gros, insultado pelos fiéis a David, o artista tornou-se de repente célebre, o que o não dispensou de lutar até ao fim da vida, até para assegurar a sua existência material. Sua obra A Liberdade guiando o povo permanece, juntamente com a A Jangada da Medusa, uma das obras mais conhecidas da pintura romântica francesa.

EUGENE DELACROIX - A liberdade guiando o povo - Óleo sobre tela - 260 x 325 cm - 1830

Na próxima parte, veremos o Romantismo em outros países.

VEJA TAMBÉM AS MATÉRIAS ANTERIORES:
. A arte no século XIX: Parte 1
. A arte no século XIX: Parte 2
. A arte no século XIX: Parte 3

sábado, 28 de julho de 2018

A ARTE NO SÉCULO XIX: Parte 3

ANSELM FEUERBACH - O julgamento de Paris
Óleo sobre tela - 228 x 443 - Entre 1869 e 1870 - Museu Kunsthalle, Hamburgo
Artista alemão que passou por Paris e Roma e soube aliar
os ensinamentos de várias correntes artísticas:
o rigor neoclássico, a interpretação romântica e
um colorido diferenciado de seu tempo.

Tanto na arte, como em qualquer outro campo das relações humanas, a democracia se faz algo imperativo. Na arte, em especial, essa virtude parece ganhar uma lente de aumento, uma vez que cada artista expressa a sua realidade e qualquer dificuldade em conviver com isso tornaria essa uma das atividades humanas mais insuportáveis. Uma vez que cada ponto de vista torna um posicionamento pré-estabelecido, somente a democracia para viabilizar o convívio entre artistas e admiradores. No início do século XIX, esse conviver com as “diferenças” passou a ganhar uma conotação mais forte. A arte deixava o ambiente aristocrático e começava a ganhar o grande público. O novo sistema econômico, cambiando cada vez mais do agrário e colonial para o industrial e citadino, possibilitava a qualquer cidadão mais bem estabelecido, começar a usufruir do prazer de apreciar uma obra em sua casa. Também ampliavam as correntes artísticas e os estilos pareciam defender bandeiras e ideologias. Não vamos esquecer de um importante detalhe: o século XIX é o século dos contrastes.

DOMENICO MORELLI - Banho em Pompeia - Óleo sobre tela - 1861
Um artista versátil, que soube aliar influências neoclássicas, realistas e
com um colorido que se aproximava das novas
experiências que chegariam futuramente ao Impressionismo.
O Simbolismo também fez parte de sua obra, em
uma etapa mais madura de sua carreira.

Conviviam, ao mesmo tempo, o Academicismo, o Neoclassicismo, o Romantismo e expressões ainda tardias do Barroco e Rococó. Isso tenderia a aumentar ainda mais, conforme encaminhasse o século XIX. Muitas outras correntes seriam derivadas do Neoclassicismo e Romantismo, a citar, apenas pelo momento, o Naturalismo e o Realismo. Estas trariam variações que levariam ao Impressionismo e muitas outras correntes ditas “modernistas”. Alguns artistas faziam até mais de uma tendência, e veremos isso em grande parte daqueles que não tiveram um posicionamento político, quando abraçaram tais movimentos. O certo é que “democracia” parece ter sido uma virtude muito empregada naqueles tempos. Isso às vezes fugia ao controle, e, muitos nomes influentes naquele tempo não deixaram boas lembranças. Apenas para citar como exemplo, as “rusgas” frequentes entre Bouguereau e os ditos movimentos “alternativos”.

THOMAS COLE - O curso do Império, Destruição - Óleo sobre tela - 100,3 x 161,2 - 1836
Pintor norte-americano, mais conhecido como o fundador
da Escola do Rio Hudson. Os anos de estudo na Itália,
nas duas temporadas que passou por lá, fizeram dele
um admirador confesso da cultura romana, tanto
que produziu uma série com 5 grandes telas que
narram a trajetória do Império romano, desde o
apogeu à sua decadência.
O Romantismo tornou-se marca em suas obras
de paisagens norte-americanas.

Uma coisa não se pode negar, quase todos os influentes artistas do século XIX foram franceses e todas as revoluções que se produziram nas artes plásticas tiveram a França por teatro. As razões que se invocam em geral para explicar esta proeminência parecem insuficientes. Outros países, além da França, tiveram então períodos brilhantíssimos, tanto no aspecto econômico como no aspecto literário, filosófico ou musical. Muitos artistas competentes e até respeitados de outros países, acabavam indo se instruir em Roma e outros pontos da Itália, mas o endereço final de suas caminhadas quase sempre era Paris. Certos artistas obtiveram, sem dúvida, êxitos ao mesmo tempo encorajadores e remuneradores, mas outros foram incompreendidos e tiveram de lutar duramente contra a miséria. Contudo, o século XIX ficará provavelmente como o grande século da arte francesa. Mas, encontraremos e veremos excelentes representantes da arte do século XIX fora da França e inclusive fora da Europa. Essa etapa de nossa viagem ao século XIX será exatamente para conhecermos alguns nomes de destaque daquele século, fora da França. Todos tiveram influências das escolas romanas e ou francesas.
Como vimos até aqui, muitos eram os artistas de outras nacionalidades que foram estudar em Roma ou Paris. Em Roma, iam atrás das referências históricas e em Paris, iam atrás das referências técnicas. Ainda falaremos bastante sobre os diversos artistas e suas nacionalidades, mas, por enquanto, os destaques vão para esses três nomes a seguir: Karl Bryullov, Lord Leighton e Henryk Siemiradzki.

KARL BRYULLOV - O último dia de Pompeia
Óleo sobre tela - 456,5 x 651 - Entre 1830 e 1833 - Museu Russo, São Petersburgo



KARL BRYULLOV
Karl Bryullov nasceu em São Petersburgo, na Rússia e é considerado a figura-chave da transição do Neoclassicismo russo para o Romantismo. Ele se sentiu atraído pela Itália desde seus primeiros anos. Apesar de sua educação na Academia Imperial de Artes (1809-1821), Bryullov nunca abraçou totalmente o estilo clássico ensinado por seus mentores e promovido por seu irmão, Alexander Bryullov. Depois de se distinguir como um estudante promissor e imaginativo e terminar sua educação, ele deixou a Rússia para morar em Roma, onde trabalhou até 1835 como retratista e pintor de gênero, embora sua fama como artista tenha ocorrido quando ele começou a pintar a história.



Sua obra mais conhecida, O Último Dia de Pompeia, criou uma sensação tão positiva na Itália que estabeleceu Bryullov como um dos melhores pintores europeus de sua época. Ela é uma mistura de Neoclassicismo, Romantismo e Barroco. Depois de concluir este trabalho, ele triunfantemente retornou à capital russa, onde fez muitos amigos entre a elite aristocrática e intelectual e obteve um alto cargo na Academia Imperial de Artes. Enquanto ensinava na academia (1836–1848), ele desenvolveu um estilo de retrato que combinava uma simplicidade neoclássica com uma tendência romântica e sua propensão ao realismo era satisfeita com um nível intrigante de penetração psicológica. Portanto, é um exemplo clássico do artista que se desenvolvia bem naquele século: não se prendia a estilos e posicionamentos rígidos.

LORD LEIGHTON - A celebrada Madonna de Cimabue é levada pelas ruas de Florença
Óleo sobre tela - 222 x 521 - Galeria Nacional, Londres

LORD LEIGHTON
Frederic Leighton, conhecido mais como Lord Leighton, nasceu na Inglaterra. Ele recebeu seu treinamento artístico no continente europeu, primeiro de Eduard von Steinle e depois de Giovanni Costa. Aos 17 anos, no verão de 1847, ele conheceu o filósofo Arthur Schopenhauer em Frankfurt e pintou seu retrato, em grafite e guache sobre papel - o único estudo completo conhecido de Schopenhauer feito em vida.




Quando ele tinha 24 anos, foi para Florença e estudou na Accademia di Belle Arti. De 1855 a 1859 viveu em Paris, onde conheceu Ingres, Delacroix, Corot e Millet. Por essa rápida introdução sobre esse artista, é possível entender as suas influências neoclássicas, acadêmicas e mais tarde, como um defensor do Esteticismo Britânico. Essa multiplicidade estilística seria uma marca constante dos grandes nomes da pintura do século XIX. Em 1860, mudou-se para Londres, onde se associou aos pré-rafaelitas. Em 1864, ele se tornou um associado da Royal Academy e em 1878 tornou-se seu presidente (1878-1896).

HENRYK SIEMIRADZKI - O julgamento de Paris - Óleo sobre tela - 99 x 227 - 1892

HENRYK SIEMIRADZKI
Henryk Siemiradzki Foi um pintor polonês que concluiu sua formação em Roma, mais lembrado por sua monumental arte acadêmica. Ele era particularmente conhecido por suas representações de cenas do antigo mundo greco-romano e do Novo Testamento, de propriedade de muitas galerias nacionais da Europa. Embora tenha chegado a Roma em 1872, muitos anos depois das grandes transformações ocasionadas no início daquele século, a influência da arte antiga é notada em todas as suas composições. Além de retratar as cenas da antiguidade, muitas vezes fazia cenas pastorais ensolaradas ou composições que apresentam as vidas dos primeiros cristãos. Ele também pintou cenas bíblicas e históricas, paisagens e retratos. Mais um grande artista do século XIX que soube aliar informação histórica, técnica e tradição em sua obra.




Na próxima matéria, veremos o surgimento do Romantismo e suas influências na arte do século XIX.

VEJA TAMBÉM AS MATÉRIAS ANTERIORES: