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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

OS ÚLTIMOS DIAS DE PRIMAVERA (José Rosário)

BARBARA EDIDIN - Tão especial...
Lápis de cor sobre papel - 79 x 53
ADRIANA-JOHANNA HAANEN - Flores e pêssegos
Óleo sobre painel - 30 x 25

Dizem que as mulheres é que gostam de flores... Com que sentido especial elas terão nascido para possuírem tão refinado gosto? Tenho pra mim que é coisa do estrogênio, essa vantagem que faz com que elas sempre estejam na frente no que diz respeito a sensibilidade.

HONEY W. KURLANDER - Palmas no jardim de casa
Acrílica sobre tela - 107 x 127
NEIL H. ADAMSON - Asters
Acrílica sobre painel - 28 x 41
TOM BROWNING - Flores silvestres
Óleo sobre tela - 56 x 61

Mas, falando sério, dizer que elas gostam de flores, é desculpa do mundo masculino que tem medo de enxergar uma das faces mais belas da vida.

SUSAN McKINNON - Paleta de primavera
Aquarela - 55 x 74
HOWARD CARR - Chá de rosas
Óleo sobre tela - 46 x 61
JOSÉ ROSÁRIO - Cesto com flores
Óleo sobre tela - 60 x 80

Olhar para uma flor e saber enxerga-la é desfrutar de um pedaço do paraíso.

NANCY ANN FAZZONE - Flores laranjas e brancas
Aquarela - 44 x 68
ELIZABETH BRANDON - Papoulas em vaso francês
Óleo sobre painel - 51 x 41

sábado, 20 de novembro de 2010

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

A exposição OLHAR A ÁFRICA: VER O BRASIL completou um ano desde sua inauguração e mostra na Fundação Arcelor/Mittal Acesita. Mais importante do que fazer a exposição é ter me inteirado de toda a necessidade de promover e divulgar esse tema.
Devemos muito à cultura africana e quase sempre esquecemos de agradecer por isso. Um dia no ano não é suficiente para expressar tanto débito. A data é apenas um símbolo. Que a gratidão se incorpore na lembrança em todos os dias.

A FEIRA - óleo sobre tela - 46 x 65
Acervo de Cláudia Bonna

ORUN
(José Maria Honorato)

Em nome da pele - dor!
Em nome dos filhos - rigor!
Em nome do corpo - ardor!
Em nome da beleza - fervor!
Em nome do brilho - furor!

O PENSADOR - óleo sobre tela - 80 x 60
Acervo de Marcelo Augusto Neves

MAGIA NEGRA
(José Maria Honorato)

Eu tenho versos
Versos negros
Iorubás Bantos
Congos Jêjes

Eu tenho versos
Versos negros
Transformados
Ao longo do mar
Ao longo das costas

Eu tenho versos
Transportados
Nos tumbeiros de alto mar
Transbordados em versos
Brancos de além mar.

FAZENDO LINGUIÇA - óleo sobre tela - 70 x 50
Acervo de Roberta (Dionísio/MG)

MATAPÁ
(José Maria Honorato)

1 sonho Nagô
2 porções Bantos
Congo à vontade
Ervas de Angola
Um bocado dos sorrisos
Que ficaram Além de Bojador
Pitadas dos sonhos
Jogados ao mar
3/4 dos amores pedidos
Na pele da noite.

LAVADEIRA - mista sobre tela - 50 X 40
Acervo de Anselmo José Domingues

FILHOS DE CAM
(José Maria Honorato)

Ao redor há todo o mundo
Ao redor há toda a vida.
Há Ganga Zumba
Zumbi
Há pelourinhos
Há sonhos e reinados 
De além mar
Mas, aqui estou eu!
Ao redor está ele, o passado.

José Maria Honorato e José Rosário, noite de abertura da
exposição OLHAR A ÁFRICA: VER O BRASIL,
Fundação Arcelor/Mittal Acesita, Timóteo/MG.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

EDGAR WALTER (José Rosário)

EDGAR WALTER - Auto retrato
Óleo sobre tela

Um importante capítulo da história da pintura de paisagens no Brasil passa, seguramente, por Edgar Walter. E outro capítulo, tão importante quanto o anterior, é a influência da pintura de Edgar Walter sobre os pintores paisagistas brasileiros, principalmente os mineiros.

EDGAR WALTER - Paisagem próxima a Petrópolis
Óleo sobre tela

Edgar Walter nasceu em Nova Lima, Minas Gerais, aos 20 de novembro de 1917 e faleceu em Teresópolis, no Rio de Janeiro, aos 14 de maio de 1994. Infelizmente não tive o prazer de conhece-lo, mas o eco de sua obra se fará constante por muitos e muitos anos. E este eco me atingiu na fase inicial de minha carreira, tendo uma grande influência sobre ela. Mais recentemente, descobri que ele esteve em Dionísio, minha cidade natal, em 1981, e por aqui pintou duas grandes telas de lagoas do município.


EDGAR WALTER - Paisagem com rio
Óleo sobre tela

Conheci o trabalho de Edgar Walter através de um outro grande pintor mineiro, Wilson Vicente, que por ironia do destino, também não foi aluno de Edgar Walter, mas, muito desejaria ter sido.


EDGAR WALTER - Beira de rio
Óleo sobre tela

Certos trabalhos são tão envolventes, que, mesmo de forma indireta deixam uma influência muito grande por onde passam. É essa influência que a cada dia arrebanha mais e mais amantes da arte, por obras como as de Edgar Walter.


EDGAR WALTER - Serra de Petrópolis
Óleo sobre tela

H. Pereira da Silva faz um importante comentário sobre a obra de Edgar Walter: “O que sobressai neste moço, que se utiliza de formas ‘antigas’ para nos transmitir sentimentos novos, é o esmero da técnica. Edgar Walter é, por excelência, um pintor de detalhes, de pequeninos nadas que muitas vezes - por que não reconhecê-lo ? - fazem de um quadro pequeno uma grande tela. Ele se compraz em reproduzir pormenores da natureza.”



EDGAR WALTER - Paisagem ensolarada em Itaipava
Óleo sobre tela

EDGAR WALTER - Paisagem - Óleo sobre tela - 73 x 92 - 1971

Um fato curioso da história desse grande pintor é que aos 18 anos chegou a fazer dança clássica, até a fazer parte do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, desistindo da carreira pela pintura. Feliz decisão! Com os primeiros ensinamentos feitos por Oswaldo Teixeira, ainda cedo, Edgar Walter já era dono de uma técnica bem particular, que tanto o identificou em toda a sua obra.


EDGAR WALTER - Corredeira
Óleo sobre tela

Hoje, é unânime a afirmativa de que Edgar Walter talvez seja um dos mais importantes e influentes pintores de paisagens no Brasil. O seu estilo é inconfundível, a tal ponto de suas telas serem reconhecidas a um simples golpe de vista, tamanha é a identidade única de suas pinceladas, seu inigualável colorido e seus notáveis efeitos de luz sobre as cenas que tão bem retrata.


EDGAR WALTER - Ribeirão e cascatas
Óleo sobre tela

EDGAR WALTER - Ovelhas no pasto - Óleo sobre tela - 81,5 x 100,5 - 1980

“Poucos são os artistas que conseguem interpretar os motivos fornecidos pela natureza, as árvores e os rios com seus remansos, como esse pintor tão apreciado pelos colecionadores de obras de arte e apreciadores da pintura em geral”. Essa importante observação foi feita por João Medeiros.


EDGAR WALTER - Estrada com eucaliptos
Óleo sobre tela

Edgar Walter também foi um pintor de retratos, naturezas-mortas e cenas urbanas, mas é com certeza, pela paisagem, a sua maior herança que felizmente herdamos.


EDGAR WALTER - Beira de rio com sapucaias floridas
Óleo sobre tela

EDGAR WALTER - Igreja de São Francisco de Assis
Óleo sobre tela

Em 1953, recebeu merecidamente o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, além de contar com muitos outros pela sua carreira. Também foi professor do Instituto de Belas-Artes da Guanabara.


EDGAR WALTER - Canto de estrada da Tijuca, RJ
Óleo sobre tela

EDGAR WALTER - Paisagem - Óleo sobre tela - 65 x 54 - 1981

Todos os artistas que conviveram com ele, também o citam como uma pessoa simpática e humana, que além do dom de transmitir aos outros seus sábios ensinamentos, era dono de uma inconfundível modéstia pessoal.


EDGAR WALTER - Paisagem com corredeira em Petrópolis
Óleo sobre tela

EDGAR WALTER - Paisagem - Óleo sobre tela - 65 x 81 - 1969

Na pintura brasileira, muitos foram os artistas influenciados pela sua obra. Alguns tiveram o privilégio de te-lo diretamente como mestre, outros, são influenciados pela grandiosidade de sua obra. Citarei alguns, certamente não incluirei muitos outros que ainda hoje iniciam seus trabalhos, orientados pela obra de Edgar Walter: João Bosco Campos, Rubens Vargas, Helvécio Morais, Cláudio Vinícius, Wilson Vicente, Mauro Ferreira, Alberto Braga, Jesus Ramos, Túlio Dias, Luiz Pinto, Alexandre Reider, Hilton Costa, Jupira, Milton Passos, José Ricardo, Sebastião Eduardo, Anderson Conde, Gariglio, Benedito Luizi, Alex Luizi, Clóvis Péscio, Florêncio, Alex Carminatti... Também tenho muita honra de te-lo como referência.


EDGAR WALTER - Luz da manhã
Óleo sobre tela

domingo, 14 de novembro de 2010

DICAS IMPORTANTES PARA UMA BOA PINTURA (José Rosário)

É sempre bom lembrar que uma dica não é uma regra exata a ser seguida. É apenas uma sugestão. Cada pessoa encontra uma melhor maneira de conseguir os seus efeitos e eles podem ser conseguidos de várias maneiras. Mas, um atalho ajuda sempre a encurtar os caminhos.
Eis algumas dicas que fazem muita diferença:

1 . Quando usar uma fotografia como referência, não a copie, interprete-a. As fotos são até importantes para a captação de um momento, mas, é a prática da observação, principalmente do natural, que irá treinar melhor o olhar.

Fotografia de referência

Executando...

Obra acabada:
JOSÉ ROSÁRIO - BEIRA DE RIO COM ÁRVORE SECA
óleo sobre tela, 70 x 120
Acervo particular, Ipatinga/MG

2 . Áreas grandes, pincéis grandes. Áreas pequenas, pincéis pequenos. O uso incorreto do pincel em determinada área compromete o efeito que se deseja, por isso, não hesite em trocar um pincel quando se fizer necessário.
3 . Toda pintura tem um ponto de interesse principal, que determina todas as áreas da composição. É por ele que se deve fazer todos os contrastes de tons e cores, do contrário, o ponto de interesse se perde e a pintura se torna cansativa.

JOÃO ORNELAS - CRIANÇAS BRINCANDO
óleo sobre tela, 70 x 100
Coleção particular de Expedito Drumond
O ponto de interesse do quadro são as crianças brincando. Isso foi
valorizado ao se deixar os outros espaços com poucos detalhes.

4 . A área positiva de uma composição nunca deve ser igual a sua área negativa. Uma ou outra área é que deve dominar a composição. 
A grosso modo, área positiva é aquela que concentra o maior número de figuras e a área negativa, as áreas vazias.

JOSÉ ROSÁRIO -  CONDUZINDO A TROPA
óleo sobre tela, 50 x 70
Acervo particular
As áreas negativas (vazias) da composição realçam as áreas positivas (com figuras)
da cena acima.

5 . Detalhe apenas os pontos de interesse da composição. O olho é sempre atraído para as formas complexas, portanto, onde não é necessária a atração da atenção, dilua as formas.
6 . Cores quentes projetam as figuras para a frente, cores frias as recuam. Ao misturar uma cor, compare a mesma com outras ao seu redor, antes de pintar. Fazendo assim, não correrá o risco de colocar temperatura errada no local errado.

WILSON VICENTE - PREPARANDO PARA A ORDENHA
óleo sobre tela, 60 x 80
Acervo particular
Um bom exemplo de como as cores determinam a temperatura na pintura. 
No primeiro plano, cores bem quentes. Mais ao fundo, em segundo plano, 
cores frias que fazem aumentar a sensação de distância.

6 . Um bom exercício para aprimorar as pinceladas é conseguido ao condicionar a duração de execução do mesmo. Comece fazendo um exercício com um prazo de 30 minutos, depois repita-o com apenas 20 minutos. Quando estiver conseguindo fazer o mesmo exercício com 15 minutos, terá aprimorado bastante suas pinceladas, pois terá treinado a habilidade de selecionar apenas o que é necessário. Um bom quadro não é necessariamente o mais detalhado, mas, o que consiga transmitir melhor a atmosfera desejada.
7 . O ritmo das figuras é a chave para uma boa composição. Ele é criado de várias maneiras,  como o direcionamento das linhas, localização dos objetos, repetição de imagens e variedade nas formas e nos tamanhos.

PEDER MORK MONSTED  - PAISAGEM COM TRENÓ
óleo sobre tela

PEDER MORK MONSTED - BEIRA DE RIO COM ANIMAIS AO FUNDO
óleo sobre tela
Duas excelentes demonstrações de como as cores tem um aspecto determinante
na temperatura de um quadro. No primeiro, o uso de vários matizes de azuis acinzentados
criam um clima gelado necessário para o ambiente. Já no segundo, as cores quentes
e variadas realçam o colorido de um dia quente de verão.  
O uso de linhas de direcionamento e a repetição de elementos parecidos 
também contribuem para o ritmo das obras.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

IMPRESSIONISMO (José Rosário)

Pintar livremente, com pinceladas espessas de tinta, procurando captar a atmosfera da cena e aprisionar a luz nela contida, sem se preocupar demasiadamente com os objetos e suas formas. Assim se define basicamente o Impressionismo, o movimento artístico que rompeu com todo o formalismo da pintura acadêmica e foi o prenúncio da Arte Moderna.
Na terceira década do século XIX, um pintor inglês de nome John Constable expôs, no Salão de Paris, algumas paisagens que mudariam em muito, a tendência de como se expressar em pinceladas. Feitas ao ar livre; coisa inédita para aquela época; expressavam a cena com um frescor natural até então nunca vistos. Chocou os críticos, evidentemente, mas conquistou diversos artistas, que já não se satisfaziam com as formalidades impostas pelos grandes salões. Constable carregava nas cores e nas pinceladas. Ainda um pouco acanhadas quanto à liberdade do desenho, deram à pintura uma nova linguagem, uma nova forma de expressão.
Isoladamente, muitos movimentos artísticos ocorreram na Europa, depois daquela exposição. Merecem destaques o Grupo da Escola de Barbizon, na França, e o Grupo dos Macchiaiolio, na Itália. Todos eles tentavam representar as suas composições ao mais natural possível, procurando capturar toda a atmosfera, pintando ao ar livre.

O movimento ganhou mais e mais adeptos. Colecionadores já disputavam algumas obras e à partir de então, já era impossível evitar, o Impressionismo se impunha como um estilo e o mundo inteiro se rendeu a essa nova linguagem.

Sempre tive um grande fascínio pelo Impressionismo e pela liberdade embutida nele. Deixo abaixo, um trabalho com leitura impressionista, que fiz em uma rua de Dionísio.

VINDO DA PESCA, óleo sobre tela, 50 x 60 - 2009
Acervo de José Roberto Pinheiro