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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

RUBENS VARGAS

RUBENS VARGAS - Rio Pará / MG
Óleo sobre tela

RUBENS VARGAS - Casario 
Óleo sobre tela - 70 x 90

RUBENS VARGAS - Ouro Preto
Óleo sobre tela -  72 x 60 - 1995

Minha admiração pelo paisagismo cresceu no início da década de 90, quando comecei a conhecer mais acuradamente os trabalhos de vários artistas mineiros. Evidente que Edgar Walter encabeçasse uma lista que seguia com todos os seus discípulos. Não era uma época de facilidades para obter informações como hoje, onde bastam alguns toques no teclado e é possível estar em contato com vários artistas em várias partes do mundo. Conhecer pessoalmente algum artista era uma atividade quase desumana, ainda mais em se tratando que sempre vivi longe dos grandes centros. Ter acesso a imagens de trabalhos de outros artistas só era possível através de visitas a museus e galerias, ou adquirindo raros livros, onde os de melhor qualidade quase sempre eram importados e com valores bem elevados. Os tempos mudaram e hoje felizmente é possível conhecer uma boa parte do mundo, mesmo estando no conforto de nossas casas.

RUBENS VARGAS - Burrinho - Óleo sobre tela

RUBENS VARGAS - Beira de rio -óleo sobre tela - 60 x 90

Eu me lembro de ter conhecido os trabalhos do Rubens Vargas ainda naquela época. Via algumas pouquíssimas obras suas através de leilões virtuais e quando possível, através de algum catálogo de exposição. Sempre associei sua trajetória e suas obras ao grupo de discípulos de Edgar Walter, pois sempre o vi próximo aos seguidores daquele mestre. Apenas recentemente pude fazer contato mais direto com o artista.

RUBENS VARGAS - Galinhas - Óleo sobre tela

RUBENS VARGAS - Paiol
Óleo sobre tela

Rubens Vargas nasceu na cidade mineira de Curvelo, no ano de 1948 e reside atualmente em Belo Horizonte. Um artista com temática voltada quase que exclusivamente para a pintura regionalista mineira, com exceção das marinhas que executa ocasionalmente. Sua pintura tem uma paleta característica, quase sempre suave e com contornos bem esmaecidos, com uma sensação constante de bruma no ar. As cores também são bem próprias e com contrastes sempre bem dosados.

RUBENS VARGAS - Córrego
Óleo sobre tela - 30 x 40

RUBENS VARGAS - Fundo de fazenda
Óleo sobre tela - 40 x 60

É um artista que presa pela simplicidade da execução e faz isso com muita propriedade, explorando temas aparentemente comuns, mas resgatando deles sempre um toque de nobreza.
O artista continua produzindo seus trabalhos voltados para a temática que sempre explorou.

RUBENS VARGAS - Litoral
Óleo sobre tela - 60 x 90

RUBENS VARGAS - Paisagem
Óleo sobre tela - 47 x 63

PARA SABER MAIS:


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CARLOS AUGUSTO


CARLOS AUGUSTO - Ilha da Boa Viagem - Óleo sobre tela - 60 x 130

CARLOS AUGUSTO - Igreja Nossa Senhora da Piedade, Angra dos Reis
Óleo sobre tela - 70 x 110 - 2000

Muito tem se falado da divisão racial de cotas, seja para o ensino ou para qualquer outra oportunidade de ascensão social de indivíduos. É uma questão polêmica, pois envolve uma série de fatores. É sabido que uma condição social desfavorável, por aqueles que não tem muitos recursos financeiros, principalmente para evoluírem em seus estudos, é um fator de desigualdade social, que por si só, desnivela as classes sociais e põe em desigualdade aqueles que realmente nunca terão acesso a essa melhora de condição. Por outro lado, há o risco de rotular alguém merecedor de uma oportunidade, apenas por que tem uma condição social desfavorável, sem se dar conta que ele realmente tenha méritos para isso.

CARLOS AUGUSTO - Canoas de pescadores - Óleo sobre tela - 60 x 120 - 2000

CARLOS AUGUSTO - Ferradura, Búzios - Óleo sobre tela - 60 x 110

CARLOS AUGUSTO - Praia do Leme - Óleo sobre tela - 50 x 120 - 1990

De origem modesta, negro, criado na periferia de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Carlos Augusto é um dos muitos casos, não raros, de prodigiosos talentos que não necessitam de cotas para ascensão. O respeito que sentimos pela sua obra é conquistado unicamente por ela, sem mesmo que saibamos quem é o artista que está por trás dela. Seu histórico de vida nos deixa ainda mais desconfiados se esses critérios de seleção são mesmo seguros e necessários. Descoberto ainda jovem, graças a um talento autodidata, já praticava, aos 21 anos de idade, uma pintura de veterano, mas que nunca havia sentado em uma cadeira de escola de artes.

CARLOS AUGUSTO - Rochas, Boa Viagem - Óleo sobre tela - 90 x 120 - 2003

CARLOS AUGUSTO - Angra dos Reis, Ilha Grande
Óleo sobre tela - 60 x 110 - 1990

CARLOS AUGUSTO - Saco da Gamboa - Óleo sobre tela - 65 x 100

Com o apoio da mãe, isso sim, caso raro de quem precisa da mão de obra com mais emergência para ajudar a suprir nas dificuldades domésticas, Carlos Augusto se viu forçado a abandonar cedo os seus estudos, exatamente para ajudar no orçamento da família. Por um desses vieses que a vida oferece, foi trabalhar com molduras na Galeria Rembrandt, no Rio de Janeiro. Paralelo às suas funções do dia a dia naquele estabelecimento, crescia também o interesse constante pelas obras de arte que tanto via passar por suas mãos. Não perdeu tempo e começou a explorar um dom que se fazia adormecido dentro dele. A evolução vem rápido para todos aqueles que não perdem os olhos de seus objetivos.

CARLOS AUGUSTO - Serra dos Órgãos, Teresópolis - Óleo sobre tela - 60 x 130 - 1998

CARLOS AUGUSTO - Vista de Santa Tereza, século XIX - Óleo sobre tela - 60 x 170

Carlos Augusto conquistou seu espaço graças a seu talento ímpar de captar, principalmente, as belezas naturais litorâneas do Rio de Janeiro. Faz com maestria o que muitas escolas nunca poderiam lhe ensinar. Parte a campo, capta suas primeiras impressões e depois, em seu retiro de ateliê, debruça horas a trabalhar aquilo que a retina não deixa fugir. Com uma energia imensa, explora efeitos e resultados numa técnica que desenvolveu exclusivamente para sua maneira de fazer. Curiosamente, só veio a conhecer o mar já adulto, e percebe-se o quanto o contato lhe causou emoção.

CARLOS AUGUSTO - Salinas, São Pedro da Aldeia - Óleo sobre tela - 50 x 120

CARLOS AUGUSTO - Vista da Praia de Charitas, Niterói - Óleo sobre tela

Walmir Ayala foi quem deu uma das melhores definições do artista, para um release de apresentação de suas obras em sua primeira exposição:
“Estamos diante de um pintor de Caxias, da polêmica Baixada Fluminense, e que nos traz uma lição de equilíbrio, em uma linguagem elaborada e criativa, na qual nosso mundo é revisto com grandeza e excelência técnica... Ele persegue uma visão de paz, que corresponde à emoção que sente ao trabalhar, exemplo de que a felicidade consiste em produzir algo dentro de um projeto de vida, e que talvez isso seja irreversível, em termos de vocação...”


.* Crédito das imagens para:
REMBRANDT GALERIA, Rio de Janeiro

sábado, 26 de janeiro de 2013

SANSÃO PEREIRA



“A perseverança é a energia que mantém o artista na escalada do sucesso, sucesso este que nem sempre é daqueles mais aguerridos no trabalho e sim dos que se conservam trabalhando.” (Sansão Pereira)

SANSÃO PEREIRA - Panorama do Rio - Óleo sobre tela - 1,50 x 3,00

SANSÃO PEREIRA - Salvador - Óleo sobre tela - 2,00 x 1,50

Desconheço os dados de quem sejam os artistas com maiores produções na história da arte, mas não tenho dúvida que um brasileiro figura entre eles: Sansão Pereira. Um acreano, com 65 anos de carreira, e que já produziu mais de 30.000 obras catalogadas. Ganhei um livro sobre seus trabalhos, doado pelo colecionador carioca Antônio Ferreira Lima Neto, que é um amigo particular e grande admirador das obras de Sansão. Foi através dele que tenho conhecido um pouco mais sobre artista que tem um currículo extenso e uma variada produção.

SANSÃO PEREIRA - Figuras na areia - Óleo sobre tela - 0,30 x 0,90

SANSÃO PEREIRA - Praia - Óleo sobre tela - 1,00 x 2,00

Atualmente com 94 anos de idade, ainda continua na ativa, pintando suas grandes telas, uma das marcas de seu trabalho. Com menor intensidade, com certeza, mas ainda tirando um tempinho de cada dia para dedicar àquilo que sempre foi sua maior paixão: pintar. Não há restrições para os temas, todos são bem-vindos, com ênfase para marinhas e naturezas mortas. Uma série com cenas do Rio de Janeiro (Rio Fantástico e Monumental) também faz muito sucesso em sua produção.

SANSÃO PEREIRA - Ao sol - Óleo sobre tela - 1,20 x 1,50

O jovem Sansão deixou sua terra natal, o Seringal Catapará, ainda jovem, lá pelos anos 30. Vai para o Rio de Janeiro e após cursar Engenharia Elétrica, faz seu PHD nos Estados Unidos, manifestando o interesse pelas artes nesse mesmo período. Retorna ao Brasil, instalando-se no Rio de Janeiro, onde constrói uma carreira segura e de sucessos. Sem dúvida, foi a estadia na cidade fluminense que tanto o influenciou nos temas que mais o representaram em diversas partes do mundo: as cenas marinhas. Com barcos, figuras e construções, são uma atração à parte em sua produção. Nunca desvencilhou, porém, de sua terra natal, e a retratou em diversas ocasiões, como no Painel Comemorativo da Revolução Acreana e a Fantasia Amazônica.

SANSÃO PEREIRA - Café - Óleo sobre tela - 1,20 x 1,50

SANSÃO PEREIRA - Ladeira - Óleo sobre tela - 2,00 x 3,00

Várias décadas de estudos em diversas partes do mundo, trouxeram ao artista uma visão bem ampla da arte que se implantou por quase todo o século XX. Estudou em escolas conceituadas e viu movimentos praticamente iniciarem e finalizarem. Construiu sua carreira com um estilo próprio, que foi exatamente a filtragem de todas as tendências com as quais conviveu. Das amizades construídas com artistas de diversas nacionalidades, cultiva em especial em sua lembrança, os tempos convividos com o artista americano Clark Hulings, com o qual cursou em Chicago.

SANSÃO PEREIRA - Arranjo - Óleo sobre tela - 1,20 x 1,50

SANSÃO PEREIRA - Natureza viva - Óleo sobre tela - 2,00 x 2,00

Há que se destacar vários aspectos marcantes na obra de Sansão Pereira, uma em especial o tipo de suporte que prefere, uma tela bem texturizada que cria um contraste bem marcante com sua pintura de características bem fluidas. Explora como poucos os espaços vazios de uma composição e sempre tem uma paleta vigorosa, com cores intensas e contrastes bem arrojados.

SANSÃO PEREIRA - Barcos - Óleo sobre tela - 2,00 x 3,00

SANSÃO PEREIRA - Crianças na praia - Óleo sobre tela - 0,80 x 1,00

A Marinha do Brasil patrocinou a publicação do livro  A Arte de Sansão C. Pereira, lançado no ano de 2011, um apanhado com mais de 800 obras, de vários períodos de sua carreira.

SANSÃO PEREIRA - Cena do Rio
Óleo sobre tela - 1,00 x 1,50

SANSÃO PEREIRA - Figuras na rua - Óleo sobre tela - 0,30 x 0,90

domingo, 6 de janeiro de 2013

UMA OBRA MUITO ESPECIAL

JOSÉ ROSÁRIO - Uma clareira no Mumbaça - Óleo sobre tela - 60 x 60 - 2013

Com essa obra, completo o meu trabalho de número 2000, por isso, ela tem um significado muito importante para mim. Propositadamente escolhi uma cena do Ribeirão Mumbaça, em Dionísio, por se tratar de um dos meus temas mais explorados. É um local onde definitivamente me sinto em casa.
Desde que iniciei com a pintura, venho registrando todos os trabalhos que realizo. Tenho todos os registros de cada obra, mas as imagens arquivadas só começaram a serem feitas com mais rigor, à partir de 2004.
Com essa obra, também inauguro uma fase mais naturalista em minha produção, e a proposta de uma exposição ao final do ano, somente com abordagens desse tema.





terça-feira, 1 de janeiro de 2013

ENTRE CAMPOS


Após um período que passou na Itália, principalmente para aprimoramento e pesquisa sobre assuntos ligados à arte, Ernandes Silva vem preparando uma série de novos trabalhos, quase todos executados à partir de estudos realizados em plein air. Um bom número desses trabalhos pode ser apreciado na mostra que inaugura no próximo dia 5, no Engenho Central, em Piracicaba.
A exposição poderá ser visitada até o dia 31 de janeiro e terá todo o seu acervo disponível para venda. Uma ótima oportunidade para conferir e adquirir os trabalhos desse jovem artista pernambucano, radicado em São Paulo desde 2004.
Intitulada ENTRE CAMPOS, a mostra trás diversos trabalhos de paisagens, principalmente rurais, de diversas regiões do país.
Ernandes Silva vem se consolidando como um nome promissor do novo paisagismo brasileiro, que tem uma linguagem comum com todas as escolas realistas contemporâneas, de diversas partes do mundo.

ERNANDES SILVA - Paisagem com ipê florido - Óleo sobre tela

ERNANDES SILVA - Galinhas - Óleo sobre tela

ERNANDES SILVA - Corredeira- Óleo sobre tela

ERNANDES SILVA - Paisagem com animais - Óleo sobre tela

PARA SABER MAIS:

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

DOIS ARTISTAS BRASILEIROS


Dois artistas brasileiros, nascidos em épocas distintas e com carreiras bem singulares, mas que representam as muitas boas novidades que vamos encontrando por esse país. Artistas com trabalhos já reconhecidos no meio artístico e crítico, mas ainda distantes do conhecimento do grande público. Que essa presente matéria nos brinde com a alegria desses dois encontros.


JAYME CAVALCANTE

JAYME CAVALCANTE - Marinha - Óleo sobre tela - 28 x 42

Jayme Cavalcante nasceu a 8 de julho de 1938, em Salvador e foi um dos fundadores do Núcleo de Arte Fluminense - NAF, em 1969. Teve sua formação artística orientada para a pintura ao ar livre, com os professores J. Carvalho, Jair Picado e Aluízio Valle. No início da década de 1980, exerceu a função de consultor especializado em sistemas de apoio operacional para conservação e restauração, nas mostras História da Pintura Brasileira no Século XIX e Seis Décadas de Arte Moderna na Coleção Roberto Marinho.
Jayme Cavalcante mora em Niterói e também participa de um grupo de artistas plásticos chamados "Pintores da Beira do Cais", que têm a experiência de pintar ao ar livre, em locais públicos como praias e ilhas, um estilo de produção típico do século XIX. É exatamente com essa temática que ele nos alcança de uma maneira arrebatadora, compondo e executando suas marinhas como se fizesse disso um sacramento.
Dentre as inúmeras exposições individuais de Jayme Cavalcante, destacam-se as realizadas no Espaço Cultural Novotel, Niterói, 1979; na Galeria Borghese - RJ, 1980; no Espaço Cultural Moviarte - RJ, 1991; no Saguão Cultural Bolsa do Rio - RJ, 1994 e no Museu Antonio Parreiras, Niterói, 1995.

JAYME CAVALCANTE - Vista de praia em Niterói - Óleo sobre tela - 37 x 75

Participou de diversas exposições coletiva, dentre as quais a Moderne Brasilianische Kunst, Hanover - Alemanha, 1980; Galeria do Campo, Niterói, 1981; William Doyle Galleries - Nova York, 1985; Galeria Ranulpho - SP, 1987 e 1988; Moviarte, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1991; Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Niterói, 1994 e Museu do Ingá, Niterói, 1995.
Sua pintura tem merecido diversos prêmios em salões de arte, dentre eles Medalha de Ouro na 1a. Coletiva de Pintura do NAF, Niterói, 1969; Medalha de Prata no 1o. Salão Niteroiense de Pintura, 1970; Medalha de Bronze em Pintura no 76o. Salão Nacional de Belas Artes - RJ, 1971; Medalha de Bronze em Desenho no 81o. Salão Nacional de Belas Artes - RJ, 1976; Medalha de Bronze da Sociedade Acadêmica Phoenix Naval - RJ, 1976 e Medalha de Ouro no 1o. Salão Oswaldo Teixeira, Petrópolis, 1982.
Sua obra está citada em várias publicações, entre as quais La cote de peintres, de Akoun - Paris, 1994; Artes plásticas Brasil 92, de Júlio Louzada - SP, 1992; Dicionário de pintores do Brasil, de João Medeiros - RJ, 1988 e Dicionário brasileiro de artistas plásticos, de Carlos Cavalcanti - Brasília, 1973. Além disso, a pintura de Jayme Cavalcante integra as coleções da Câmara Municipal de Sabrosa, Portugal; da Prefeitura Municipal de Campos do Jordão, SP.
Seguem dois documentários sobre Jayme Cavalcante. Imperdíveis!




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S.QUIMAS

S. QUIMAS - Renascimento, amanhecer no pinheiral - Óleo sobre tela - 46 x 61

— O que você quer de presente de aniversário? — perguntou a mãe, curiosa.
— Quero duas caixas de aquarela, um jogo de pincéis e papel grande. Vou ser um artista. — disse o menino de 10 anos de idade de modo resoluto.

Essa cena se passou bem no início dos anos 70, época em que a ditadura militar se firmava no Brasil com rigor extremo, época também dos “bichos-grilos”, da geração hippie, herdeira de Woodstock, do ideal da paz e amor.
O menino, nascido em 1961, na cidade serrana de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, haveria de, nos anos seguintes, tornar seus sonhos realidade. Frequentou o atelier do artista plástico e ceramista Mario Cesar Higgins Ferreira, que não apenas foi orientador na sua arte, como também conselheiro, amigo e, por que não dizer, pai espiritual. Cesar, como era conhecido o amigo artista, ensinou os rudimentos do desenho e pintura artísticos. Foram muitos vasos de cerâmica, objetos, e até um poleiro de papagaio, representados até a perfeição, através do desenho. Largas lições de perspectiva, luz e sombra. Esporadicamente, também orientou quanto à pintura ao menino, que, incansavelmente, pintava, pintava, desenhava, pintava, até a exaustão.

S. QUIMAS - Rio Cônego - Óleo sobre tela

Os passos dados por toda a adolescência foram duros, pois sua família preferiria que o então rapaz seguisse uma carreira mais formal, talvez engenharia ou medicina. Contudo, a alma do artista já tinha selado o seu destino e vocação: a arte. Desde os quatro anos, idade em que aprendeu a ler, consumia, com prazer delirante, os livros de arte da biblioteca de seu pai.
Além das artes plásticas, S. Quimas (Nome artístico de Oswandil Siveira Quimas) sempre teve pendor para a literatura e poesia, as quais, assim como a pintura, foram suas companheiras sempre presentes.


S. QUIMAS - Abandono - Óleo sobre tela


Ainda adolescente, devido o seu dom para a criação gráfica, passou a criar peças para gráficas, agências de publicidade e empresas, como ilustrações, desenvolvimento de peças publicitárias e toda a diversidade de trabalhos ligados ao design gráfico.
Aos dezenove anos, após cumprir o serviço militar no I Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, retornou à Nova Friburgo, onde passou a exercer profissionalmente suas atividades ligadas à arte plástica e design. Na década de oitenta, lecionou desenho e pintura e fundou uma escola de arte (Atelier de Artes Nova Escola), que contava além de S. Quimas, outros artistas e músicos, que ministravam aulas em suas especialidades.


S. QUIMAS - Riacho das Flores - Óleo sobre tela - 30 x 40

No final dos anos oitenta, mudou-se para a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, onde lecionou desenho e pintura na AMBEP - Associação dos Mantenedores Beneficiários da Petros, ligada à Petrobrás e em outros estabelecimentos na cidade. Permaneceu diversos anos no Rio, com dedicação intensa a sua pintura e participou de exposições e competições de arte e, paralelamente, trabalhou na criação de design para empresas de porte, como Sony do Brasil, SulAmerica Seguros, Encyclopaedia Brittanica, Cartepillar, entre outras, consolidando assim a sua carreira como artista plástico e designer.


S. QUIMAS - Arrebentação - Óleo sobre tela

Em 1999 retornou do Rio para Friburgo, concentrando-se mais no seu trabalho como designer, e, apenas esporadicamente, participou de exposições de arte.
Nessa época cria, junto com seu sócio, Carlos Doady, uma produtora de vídeo e TV, e produz programas para a televisão a cabo. Foi durante os anos de 2003 a 2007, responsável pela restauração, reedição e autoração do DVD do filme “Geração Bendita”, produzido no início dos anos 70 por Carl Kohler, com a direção de Carlos Bini e direção de fotografia de Meldy Melinger.
Em 2007 e 2008, S. Quimas publicou no formato PDF, com acesso gratuito, os livros “Contos e Encantos” e “Palavras de Paz e Liberdade”. O primeiro, um livro de contos abordando diversos temas, e o segundo, um conjunto de ensaios de conteúdo anarcopacifista.
Entre outras realizações, o artista plástico também criou e dirigiu dois movimentos: o Movimento Mundial Nossas Crianças Especiais, com o objetivo de apoiar famílias de crianças portadoras de doenças raras e o Movimento Armas da Paz, voltado à divulgação e conscientização da doutrina da paz no mundo.


S. QUIMAS - Comidinha da vovó - Óleo sobre tela

No decorrer de sua carreira e até o presente, o artista sempre atuou paralelamente às questões sociais e faz de sua arte um meio de expressar seu amor pela Natureza e pela humanidade. O realismo naturalista explícito em suas telas, busca aflorar à sensibilidade do expectador, a beleza e grandiosidade da Criação.

Como ele define: “Minha arte é minha religião. Minha oração de agradecimento por minha sensibilidade e dom. Gratidão pelo sentimento e pela emoção que me eleva, que me faz apreciar tudo o que existe de belo no Universo”.


PARA SABER MAIS: