Minha admiração pelo
paisagismo cresceu no início da década de 90, quando comecei a conhecer mais
acuradamente os trabalhos de vários artistas mineiros. Evidente que Edgar
Walter encabeçasse uma lista que seguia com todos os seus discípulos. Não era
uma época de facilidades para obter informações como hoje, onde bastam alguns
toques no teclado e é possível estar em contato com vários artistas em várias
partes do mundo. Conhecer pessoalmente algum artista era uma atividade quase
desumana, ainda mais em se tratando que sempre vivi longe dos grandes centros.
Ter acesso a imagens de trabalhos de outros artistas só era possível através de
visitas a museus e galerias, ou adquirindo raros livros, onde os de melhor
qualidade quase sempre eram importados e com valores bem elevados. Os tempos
mudaram e hoje felizmente é possível conhecer uma boa parte do mundo, mesmo
estando no conforto de nossas casas.
RUBENS VARGAS - Burrinho - Óleo sobre tela
RUBENS VARGAS - Beira de rio -óleo sobre tela - 60 x 90
Eu me lembro de ter
conhecido os trabalhos do Rubens Vargas ainda naquela época. Via algumas pouquíssimas
obras suas através de leilões virtuais e quando possível, através de algum
catálogo de exposição. Sempre associei sua trajetória e suas obras ao grupo de
discípulos de Edgar Walter, pois sempre o vi próximo aos seguidores daquele
mestre. Apenas recentemente pude fazer contato mais direto com o artista.
RUBENS VARGAS - Galinhas - Óleo sobre tela
RUBENS VARGAS - Paiol
Óleo sobre tela
Rubens Vargas nasceu na
cidade mineira de Curvelo, no ano de 1948 e reside atualmente em Belo
Horizonte. Um artista com temática voltada quase que exclusivamente para a
pintura regionalista mineira, com exceção das marinhas que executa
ocasionalmente. Sua pintura tem uma paleta característica, quase sempre suave e
com contornos bem esmaecidos, com uma sensação constante de bruma no ar. As
cores também são bem próprias e com contrastes sempre bem dosados.
RUBENS VARGAS - Córrego
Óleo sobre tela - 30 x 40
RUBENS VARGAS - Fundo de fazenda
Óleo sobre tela - 40 x 60
É um artista que presa pela
simplicidade da execução e faz isso com muita propriedade, explorando temas
aparentemente comuns, mas resgatando deles sempre um toque de nobreza.
O artista continua
produzindo seus trabalhos voltados para a temática que sempre explorou.
CARLOS AUGUSTO - Ilha da Boa Viagem - Óleo sobre tela - 60 x 130
CARLOS AUGUSTO - Igreja Nossa Senhora da Piedade, Angra dos Reis
Óleo sobre tela - 70 x 110 - 2000
Muito tem se falado da
divisão racial de cotas, seja para o ensino ou para qualquer outra oportunidade
de ascensão social de indivíduos. É uma questão polêmica, pois envolve uma
série de fatores. É sabido que uma condição social desfavorável, por aqueles que
não tem muitos recursos financeiros, principalmente para evoluírem em seus
estudos, é um fator de desigualdade social, que por si só, desnivela as classes
sociais e põe em desigualdade aqueles que realmente nunca terão acesso a essa
melhora de condição. Por outro lado, há o risco de rotular alguém merecedor de
uma oportunidade, apenas por que tem uma condição social desfavorável, sem se
dar conta que ele realmente tenha méritos para isso.
CARLOS AUGUSTO - Canoas de pescadores- Óleo sobre tela - 60 x 120 - 2000
CARLOS AUGUSTO - Ferradura, Búzios - Óleo sobre tela - 60 x 110
CARLOS AUGUSTO - Praia do Leme- Óleo sobre tela - 50 x 120 - 1990
De origem modesta, negro,
criado na periferia de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Carlos Augusto é um
dos muitos casos, não raros, de prodigiosos talentos que não necessitam de
cotas para ascensão. O respeito que sentimos pela sua obra é conquistado
unicamente por ela, sem mesmo que saibamos quem é o artista que está por trás
dela. Seu histórico de vida nos deixa ainda mais desconfiados se esses
critérios de seleção são mesmo seguros e necessários. Descoberto ainda jovem,
graças a um talento autodidata, já praticava, aos 21 anos de idade, uma pintura
de veterano, mas que nunca havia sentado em uma cadeira de escola de artes.
CARLOS AUGUSTO - Rochas, Boa Viagem - Óleo sobre tela - 90 x 120 - 2003
CARLOS AUGUSTO - Angra dos Reis, Ilha Grande
Óleo sobre tela - 60 x 110 - 1990
CARLOS AUGUSTO - Saco da Gamboa- Óleo sobre tela - 65 x 100
Com o apoio da mãe, isso
sim, caso raro de quem precisa da mão de obra com mais emergência para ajudar a
suprir nas dificuldades domésticas, Carlos Augusto se viu forçado a abandonar
cedo os seus estudos, exatamente para ajudar no orçamento da família. Por um
desses vieses que a vida oferece, foi trabalhar com molduras na Galeria
Rembrandt, no Rio de Janeiro. Paralelo às suas funções do dia a dia naquele
estabelecimento, crescia também o interesse constante pelas obras de arte que
tanto via passar por suas mãos. Não perdeu tempo e começou a explorar um dom
que se fazia adormecido dentro dele. A evolução vem rápido para todos aqueles
que não perdem os olhos de seus objetivos.
CARLOS AUGUSTO - Serra dos Órgãos, Teresópolis - Óleo sobre tela - 60 x 130 - 1998
CARLOS AUGUSTO - Vista de Santa Tereza, século XIX - Óleo sobre tela - 60 x 170
Carlos Augusto
conquistou seu espaço graças a seu talento ímpar de captar, principalmente, as
belezas naturais litorâneas do Rio de Janeiro. Faz com maestria o que muitas
escolas nunca poderiam lhe ensinar. Parte a campo, capta suas primeiras
impressões e depois, em seu retiro de ateliê, debruça horas a trabalhar aquilo
que a retina não deixa fugir. Com uma energia imensa, explora efeitos e
resultados numa técnica que desenvolveu exclusivamente para sua maneira de
fazer. Curiosamente, só veio a conhecer o mar já adulto, e percebe-se o quanto
o contato lhe causou emoção.
CARLOS AUGUSTO - Salinas, São Pedro da Aldeia - Óleo sobre tela - 50 x 120
CARLOS AUGUSTO - Vista da Praia de Charitas, Niterói - Óleo sobre tela
Walmir Ayala foi quem deu
uma das melhores definições do artista, para um release de apresentação de suas
obras em sua primeira exposição:
“Estamos diante de um
pintor de Caxias, da polêmica Baixada Fluminense, e que nos traz uma lição de
equilíbrio, em uma linguagem elaborada e criativa, na qual nosso mundo é
revisto com grandeza e excelência técnica... Ele persegue uma visão de paz, que
corresponde à emoção que sente ao trabalhar, exemplo de que a felicidade consiste
em produzir algo dentro de um projeto de vida, e que talvez isso seja
irreversível, em termos de vocação...”
“A perseverança é a energia que mantém o artista na escalada
do sucesso, sucesso este que nem sempre é daqueles mais aguerridos no trabalho
e sim dos que se conservam trabalhando.” (Sansão Pereira)
SANSÃO PEREIRA - Panorama do Rio - Óleo sobre tela - 1,50 x 3,00
SANSÃO PEREIRA - Salvador - Óleo sobre tela - 2,00 x 1,50
Desconheço os dados de quem sejam os artistas com maiores
produções na história da arte, mas não tenho dúvida que um brasileiro figura
entre eles: Sansão Pereira. Um acreano, com 65 anos de carreira, e que já
produziu mais de 30.000 obras catalogadas. Ganhei um livro sobre seus
trabalhos, doado pelo colecionador carioca Antônio Ferreira Lima Neto, que é um
amigo particular e grande admirador das obras de Sansão. Foi através dele que
tenho conhecido um pouco mais sobre artista que tem um currículo extenso e uma
variada produção.
SANSÃO PEREIRA - Figuras na areia - Óleo sobre tela - 0,30 x 0,90
SANSÃO PEREIRA - Praia - Óleo sobre tela - 1,00 x 2,00
Atualmente com 94 anos de idade, ainda continua na ativa,
pintando suas grandes telas, uma das marcas de seu trabalho. Com menor
intensidade, com certeza, mas ainda tirando um tempinho de cada dia para
dedicar àquilo que sempre foi sua maior paixão: pintar. Não há restrições para
os temas, todos são bem-vindos, com ênfase para marinhas e naturezas mortas.
Uma série com cenas do Rio de Janeiro (Rio Fantástico e Monumental) também faz
muito sucesso em sua produção.
SANSÃO PEREIRA - Ao sol - Óleo sobre tela - 1,20 x 1,50
O jovem Sansão deixou sua terra natal, o Seringal Catapará,
ainda jovem, lá pelos anos 30. Vai para o Rio de Janeiro e após cursar
Engenharia Elétrica, faz seu PHD nos Estados Unidos, manifestando o interesse
pelas artes nesse mesmo período. Retorna ao Brasil, instalando-se no Rio de
Janeiro, onde constrói uma carreira segura e de sucessos. Sem dúvida, foi a
estadia na cidade fluminense que tanto o influenciou nos temas que mais o
representaram em diversas partes do mundo: as cenas marinhas. Com barcos, figuras
e construções, são uma atração à parte em sua produção. Nunca desvencilhou,
porém, de sua terra natal, e a retratou em diversas ocasiões, como no Painel Comemorativo da Revolução Acreana
e a Fantasia Amazônica.
SANSÃO PEREIRA - Café - Óleo sobre tela - 1,20 x 1,50
SANSÃO PEREIRA - Ladeira - Óleo sobre tela - 2,00 x 3,00
Várias décadas de estudos em diversas partes do mundo,
trouxeram ao artista uma visão bem ampla da arte que se implantou por quase
todo o século XX. Estudou em escolas conceituadas e viu movimentos praticamente
iniciarem e finalizarem. Construiu sua carreira com um estilo próprio, que foi
exatamente a filtragem de todas as tendências com as quais conviveu. Das
amizades construídas com artistas de diversas nacionalidades, cultiva em
especial em sua lembrança, os tempos convividos com o artista americano Clark
Hulings, com o qual cursou em Chicago.
SANSÃO PEREIRA - Arranjo- Óleo sobre tela - 1,20 x 1,50
SANSÃO PEREIRA - Natureza viva - Óleo sobre tela - 2,00 x 2,00
Há que se destacar vários aspectos marcantes na obra de Sansão
Pereira, uma em especial o tipo de suporte que prefere, uma tela bem texturizada
que cria um contraste bem marcante com sua pintura de características bem
fluidas. Explora como poucos os espaços vazios de uma composição e sempre tem
uma paleta vigorosa, com cores intensas e contrastes bem arrojados.
SANSÃO PEREIRA - Barcos - Óleo sobre tela - 2,00 x 3,00
SANSÃO PEREIRA - Crianças na praia - Óleo sobre tela - 0,80 x 1,00
A
Marinha do Brasil patrocinou a publicação do livroA Arte de Sansão C. Pereira, lançado no ano
de 2011, um apanhado com mais de 800 obras, de vários períodos de sua carreira.
SANSÃO PEREIRA - Cena do Rio
Óleo sobre tela - 1,00 x 1,50
SANSÃO PEREIRA - Figuras na rua- Óleo sobre tela - 0,30 x 0,90
JOSÉ ROSÁRIO - Uma clareira no Mumbaça - Óleo sobre tela - 60 x 60 - 2013
Com essa obra, completo o meu trabalho de número 2000, por isso, ela tem um significado muito importante para mim. Propositadamente escolhi uma cena do Ribeirão Mumbaça, em Dionísio, por se tratar de um dos meus temas mais explorados. É um local onde definitivamente me sinto em casa.
Desde que iniciei com a pintura, venho registrando todos os trabalhos que realizo. Tenho todos os registros de cada obra, mas as imagens arquivadas só começaram a serem feitas com mais rigor, à partir de 2004.
Com essa obra, também inauguro uma fase mais naturalista em minha produção, e a proposta de uma exposição ao final do ano, somente com abordagens desse tema.
Após um período que passou na Itália, principalmente para aprimoramento e pesquisa sobre assuntos ligados à arte, Ernandes Silva vem preparando uma série de novos trabalhos, quase todos executados à partir de estudos realizados em plein air. Um bom número desses trabalhos pode ser apreciado na mostra que inaugura no próximo dia 5, no Engenho Central, em Piracicaba.
A exposição poderá ser visitada até o dia 31 de janeiro e terá todo o seu acervo disponível para venda. Uma ótima oportunidade para conferir e adquirir os trabalhos desse jovem artista pernambucano, radicado em São Paulo desde 2004.
Intitulada ENTRE CAMPOS, a mostra trás diversos trabalhos de paisagens, principalmente rurais, de diversas regiões do país.
Ernandes Silva vem se consolidando como um nome promissor do novo paisagismo brasileiro, que tem uma linguagem comum com todas as escolas realistas contemporâneas, de diversas partes do mundo.
ERNANDES SILVA - Paisagem com ipê florido - Óleo sobre tela
ERNANDES SILVA - Galinhas - Óleo sobre tela
ERNANDES SILVA - Corredeira- Óleo sobre tela
ERNANDES SILVA - Paisagem com animais - Óleo sobre tela
Dois artistas brasileiros,
nascidos em épocas distintas e com carreiras bem singulares, mas que
representam as muitas boas novidades que vamos encontrando por esse país.
Artistas com trabalhos já reconhecidos no meio artístico e crítico, mas ainda
distantes do conhecimento do grande público. Que essa presente matéria nos
brinde com a alegria desses dois encontros.
JAYME
CAVALCANTE
JAYME CAVALCANTE - Marinha - Óleo sobre tela - 28 x 42
Jayme Cavalcante
nasceu a 8 de julho de 1938, em Salvador e foi um dos fundadores do Núcleo de
Arte Fluminense - NAF, em 1969. Teve sua formação artística orientada para a
pintura ao ar livre, com os professores J. Carvalho, Jair Picado e Aluízio
Valle. No início da década de 1980, exerceu a função de consultor especializado
em sistemas de apoio operacional para conservação e restauração, nas mostras
História da Pintura Brasileira no Século XIX e Seis Décadas de Arte Moderna na
Coleção Roberto Marinho.
Jayme Cavalcante mora
em Niterói e também participa de um grupo de artistas plásticos chamados
"Pintores da Beira do Cais", que têm a experiência de pintar ao ar
livre, em locais públicos como praias e ilhas, um estilo de produção típico do
século XIX. É exatamente com essa temática que ele nos alcança de uma maneira
arrebatadora, compondo e executando suas marinhas como se fizesse disso um
sacramento.
Dentre as inúmeras
exposições individuais de Jayme Cavalcante, destacam-se as realizadas no Espaço
Cultural Novotel, Niterói, 1979; na Galeria Borghese - RJ, 1980; no Espaço
Cultural Moviarte - RJ, 1991; no Saguão Cultural Bolsa do Rio - RJ, 1994 e no
Museu Antonio Parreiras, Niterói, 1995.
JAYME CAVALCANTE - Vista de praia em Niterói- Óleo sobre tela - 37 x 75
Participou de
diversas exposições coletiva, dentre as quais a Moderne Brasilianische Kunst,
Hanover - Alemanha, 1980; Galeria do Campo, Niterói, 1981; William Doyle
Galleries - Nova York, 1985; Galeria Ranulpho - SP, 1987 e 1988; Moviarte,
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1991; Centro Cultural Paschoal Carlos
Magno, Niterói, 1994 e Museu do Ingá, Niterói, 1995.
Sua pintura tem merecido
diversos prêmios em salões de arte, dentre eles Medalha de Ouro na 1a. Coletiva
de Pintura do NAF, Niterói, 1969; Medalha de Prata no 1o. Salão Niteroiense de
Pintura, 1970; Medalha de Bronze em Pintura no 76o. Salão Nacional de Belas
Artes - RJ, 1971; Medalha de Bronze em Desenho no 81o. Salão Nacional de Belas
Artes - RJ, 1976; Medalha de Bronze da Sociedade Acadêmica Phoenix Naval - RJ,
1976 e Medalha de Ouro no 1o. Salão Oswaldo Teixeira, Petrópolis, 1982.
Sua obra está citada
em várias publicações, entre as quais La cote de peintres, de Akoun - Paris,
1994; Artes plásticas Brasil 92, de Júlio Louzada - SP, 1992; Dicionário de
pintores do Brasil, de João Medeiros - RJ, 1988 e Dicionário brasileiro de
artistas plásticos, de Carlos Cavalcanti - Brasília, 1973. Além disso, a
pintura de Jayme Cavalcante integra as coleções da Câmara Municipal de Sabrosa,
Portugal; da Prefeitura Municipal de Campos do Jordão, SP.
Seguem dois documentários sobre Jayme Cavalcante. Imperdíveis!
S. QUIMAS - Renascimento, amanhecer no pinheiral - Óleo sobre tela - 46 x 61
—
O que você quer de presente de aniversário? — perguntou a mãe, curiosa.
—
Quero duas caixas de aquarela, um jogo de pincéis e papel grande. Vou ser um
artista. — disse o menino de 10 anos de idade de modo resoluto.
Essa cena se passou bem no
início dos anos 70, época em que a ditadura militar se firmava no Brasil com
rigor extremo, época também dos “bichos-grilos”, da geração hippie, herdeira de
Woodstock, do ideal da paz e amor.
O menino, nascido em 1961,
na cidade serrana de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, haveria de,
nos anos seguintes, tornar seus sonhos realidade. Frequentou o atelier do
artista plástico e ceramista Mario Cesar Higgins Ferreira, que não apenas foi
orientador na sua arte, como também conselheiro, amigo e, por que não dizer,
pai espiritual. Cesar, como era conhecido o amigo artista, ensinou os
rudimentos do desenho e pintura artísticos. Foram muitos vasos de cerâmica,
objetos, e até um poleiro de papagaio, representados até a perfeição, através
do desenho. Largas lições de perspectiva, luz e sombra. Esporadicamente, também
orientou quanto à pintura ao menino, que, incansavelmente, pintava, pintava,
desenhava, pintava, até a exaustão.
S. QUIMAS - Rio Cônego - Óleo sobre tela
Os passos dados por toda a
adolescência foram duros, pois sua família preferiria que o então rapaz
seguisse uma carreira mais formal, talvez engenharia ou medicina. Contudo, a
alma do artista já tinha selado o seu destino e vocação: a arte. Desde os
quatro anos, idade em que aprendeu a ler, consumia, com prazer delirante, os
livros de arte da biblioteca de seu pai.
Além das artes plásticas, S.
Quimas (Nome artístico de Oswandil Siveira Quimas) sempre teve pendor para a
literatura e poesia, as quais, assim como a pintura, foram suas companheiras
sempre presentes.
S. QUIMAS - Abandono - Óleo sobre tela
Ainda adolescente, devido o
seu dom para a criação gráfica, passou a criar peças para gráficas, agências de
publicidade e empresas, como ilustrações, desenvolvimento de peças
publicitárias e toda a diversidade de trabalhos ligados ao design gráfico.
Aos dezenove anos, após cumprir
o serviço militar no I Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro,
retornou à Nova Friburgo, onde passou a exercer profissionalmente suas
atividades ligadas à arte plástica e design. Na década de oitenta, lecionou
desenho e pintura e fundou uma escola de arte (Atelier de Artes Nova Escola),
que contava além de S. Quimas, outros artistas e músicos, que ministravam aulas
em suas especialidades.
S. QUIMAS - Riacho das Flores - Óleo sobre tela - 30 x 40
No final dos anos oitenta,
mudou-se para a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, onde lecionou desenho e
pintura na AMBEP - Associação dos Mantenedores Beneficiários da Petros, ligada
à Petrobrás e em outros estabelecimentos na cidade. Permaneceu diversos anos no
Rio, com dedicação intensa a sua pintura e participou de exposições e
competições de arte e, paralelamente, trabalhou na criação de design para
empresas de porte, como Sony do Brasil, SulAmerica Seguros, Encyclopaedia
Brittanica, Cartepillar, entre outras, consolidando assim a sua carreira como
artista plástico e designer.
S. QUIMAS - Arrebentação - Óleo sobre tela
Em 1999 retornou do Rio para
Friburgo, concentrando-se mais no seu trabalho como designer, e, apenas
esporadicamente, participou de exposições de arte.
Nessa época cria, junto com
seu sócio, Carlos Doady, uma produtora de vídeo e TV, e produz programas para a
televisão a cabo. Foi durante os anos de 2003 a 2007, responsável pela
restauração, reedição e autoração do DVD do filme “Geração Bendita”, produzido
no início dos anos 70 por Carl Kohler, com a direção de Carlos Bini e direção
de fotografia de Meldy Melinger.
Em 2007 e 2008, S. Quimas
publicou no formato PDF, com acesso gratuito, os livros “Contos e Encantos” e “Palavras
de Paz e Liberdade”. O primeiro, um livro de contos abordando diversos temas, e
o segundo, um conjunto de ensaios de conteúdo anarcopacifista.
Entre outras realizações, o
artista plástico também criou e dirigiu dois movimentos: o Movimento Mundial
Nossas Crianças Especiais, com o objetivo de apoiar famílias de crianças
portadoras de doenças raras e o Movimento Armas da Paz, voltado à divulgação e
conscientização da doutrina da paz no mundo.
S. QUIMAS - Comidinha da vovó - Óleo sobre tela
No decorrer de sua carreira
e até o presente, o artista sempre atuou paralelamente às questões sociais e
faz de sua arte um meio de expressar seu amor pela Natureza e pela humanidade.
O realismo naturalista explícito em suas telas, busca aflorar à sensibilidade
do expectador, a beleza e grandiosidade da Criação.
Como ele define:
“Minha arte é minha religião. Minha oração de agradecimento por minha
sensibilidade e dom. Gratidão pelo sentimento e pela emoção que me eleva, que
me faz apreciar tudo o que existe de belo no Universo”.