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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A ÁGUA NA COMPOSIÇÃO DE PAISAGENS


PEDER MORK MONSTED - Um lago tranquilo na floresta
Óleo sobre tela - 82,5 x 117,4 - 1904

De todos os motivos dentro da temática de paisagens, a água parece ser aquele que desperta maior admiração e fascínio entre os artistas. Plácida, serena, tempestuosa, corrente, revolta... Em qualquer situação, há nela uma infinidade de condições que desafiam e estimulam qualquer artista, desde os iniciantes até aos mais experientes. Muitos impressionistas famosos tinham verdadeiro trauma na representação de água em suas composições e acabaram esquematizando suas composições, concentrando-se muito mais nos seus efeitos do que numa representação realista.

PEDER MORK MONSTED - Outono em Birchwood
Óleo sobre tela - 114 x 70,5 - 1903

Estarei utilizando, para ilustrar essa matéria, imagens de um dos mais conceituados paisagistas, na minha opinião. Peder Mork Monsted foi um dos representantes tardios do Período de Ouro da Pintura Dinamarquesa de Paisagens. Era um artista virtuoso, que soube como ninguém captar as sutis e cambiantes situações de uma paisagem. A água está presente em muitas de suas composições e é uma espécie de cartão de visitas de sua obra.

PEDER MORK MONSTED - Na floresta
Óleo sobre tela - 74 x 123 - 1896

Uma das dúvidas mais frequentes, principalmente aos iniciantes da pintura de paisagens é com relação à cor da água. Uma das regras básicas para reproduzir com maior naturalidade a sua coloração, é não se esquecer que água não tem cor, pelo menos em seu estado mais natural possível. A cor da água, a se representar em uma composição, depende daquilo que está próximo a ela. Nenhuma situação oferece maior possibilidade de luzes refletidas e colorações variadas, do que a água.

PEDER MORK MONSTED - Um recanto tranquilo no bosque
Óleo sobre tela

Águas tranquilas produzem reflexos diretos, sem muitas sinuosidades. Parecem imagens espelhadas e por isso mesmo, oferecem menos dificuldades para sua execução. Há que se ter muito cuidado para introduzir todos os princípios da perspectiva tradicional na execução da pintura de água. Todas as regras e conceitos da perspectiva também são aplicados em sua execução, como cores mais fortes e contrastantes no primeiro plano e mais suaves assim que a distância aumenta.

PEDER MORK MONSTED - Paisagem
Óleo sobre tela - 60 x 80


As águas agitadas são mais complexas para sua execução. Os reflexos já não são tão diretos quanto nas águas calmas e por isso tornam-se interrompidos e por vezes chegam a parecer mais compridos, dependendo da oscilação que possa ocorrer na superfície da mesma. Também seguindo os princípios da perspectiva, os reflexos serão maiores e mais espaçados próximos ao observador, e menores e mais unidos, assim que a distância aumenta. Uma regra geral é que, próximos aos objetos refletidos, os reflexos tornam-se bem mais densos. Nas águas agitadas, as ondulações acabam produzindo um contraste bem interessante entre as depressões mais escuras e os picos luminosos mais superficiais. Isso, próximo ao observador. À medida que vão se distanciando, esses picos luminosos tendem a se tornar uma massa homogênea e brilhante.

PEDER MORK MONSTED - Um fluxo na floresta
Óleo sobre tela - 140 x 102 - 1895


Dependendo da incidência do sol, os reflexos na água podem se tornar mais claros ou mais escuros. Se o objeto está na sombra e a água é atingida pelos raios solares, o reflexo será mais claro que o objeto. Se, ao contrário, o objeto é iluminado e a água está nas sombras, então o reflexo será mais escuro. Geralmente, as cores dos reflexos são sempre mais escuros do que as cores dos objetos refletidos. Com exceção de objetos negros, que costumam ter os reflexos ligeiramente mais claros, devido à transparência da água.

PEDER MORK MONSTED - Dia de primavera em uma casa de palha com lilases florescendo
Óleo sobre tela - 1925

Um erro muito comum, ao se reproduzir água, é fazer os objetos refletidos usando apenas sua imagem contrária, em ponta-cabeça. A água funciona como um espelho, portanto o que está refletido nela depende principalmente do ângulo do observador. Se você estiver observando uma pessoa com uma sombrinha, por exemplo, não verá a parte externa da sombrinha no reflexo, como vê no objeto, verá a estrutura que forma a sombrinha, com suas armações e suas cores de sombras características. A gravura acima ilustra isso muito bem. Da vasilha que está à beira d'água, no canto direito, conseguimos ver o seu interior na imagem superior e no reflexo não conseguimos ver a mesma situação.

PEDER MORK MONSTED - Reflexos
Óleo sobre tela

Objetos que não estejam inclinados tendem a ter os seus reflexos do mesmo tamanho. Se inclinam para frente, os reflexos serão maiores, e se inclinam para trás, serão mais curtos. Quanto maior a inclinação, maior será a diferença do comprimento a ser representada em uma composição.

PEDER MORK MONSTED - Paisagem costeira, Bornhol
 Óleo sobre tela - 64,5 x 47,5 - 1917


Contra os reflexos dos objetos, o fundo da água tende a mostrar tudo que está contido nela, como pedras, gravetos e folhas. Contra o reflexo direto do céu, o que aparece, com mais frequência, é apenas a superfície da água.

PEDER MORK MONSTED - Beira de um lago
Óleo sobre tela

PEDER MORK MONSTED - Por de sol sobre a floresta
Óleo sobre tela - 68,7 x 113,6 - 1895

Lembre-se que não há uma regra geral para representação de águas. Observar a natureza é o método mais confiável possível. Não há melhor mestre que ela. O mais sensato é praticar a pintura ao vivo, para ver como se comportam todas as situações possíveis.

PEDER MORK MONSTED - Um rio tranquilo
 Óleo sobre tela - 61 x 91,5



domingo, 26 de agosto de 2012

ATACIR COSTA

ATACIR COSTA - Carro de boi - Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2013

ATACIR COSTA - Pescadores
Óleo sobre tela

Atacir costa nasceu em Belo Horizonte/MG, no ano de 1973. Frequentador de museus, galerias e ateliês, desenvolveu um estilo bastante peculiar em suas pinturas. Através de suas pinceladas vigorosas, o habitual é transformado ganhando força e dramaticidade. Cenas do cotidiano são realçadas com bastante nitidez em suas pinceladas impressionistas. Momentos marcantes são transportados para telas, quase sempre inspirados em alguma referência fotográfica.


ATACIR COSTA - Na bica - Óleo sobre tela

ATACIR COSTA - Chapada Diamantina
Óleo sobre tela

A arte ainda é a melhor forma de expressão do sentimento humano. É essa a expectativa maior almejada nos trabalhos de Atacir, toda vez que se dispõe a criar algo novo. Desde criança, seus pequenos traçados eram tendenciosos, e os desenhos já retratavam o seu amor pela forma acadêmica das pinturas. Na década de 90 iniciou-se o curso de pintura com a artista Márcia Nascimento e anos depois veio conhecer o artista Mauro Rocha. A sua paixão pelo impressionismo era tão grande que ele não mediu esforços em suas idas e vindas de BH à Ouro Preto, pois nesta época o ateliê do Mauro era nesta cidade. Com ele, Atacir aprendeu a se soltar mais, e começou a praticar a tão misteriosa veladura, a partir daí seus trabalhos começaram ganhar um pouco mais de notoriedade entre seus admiradores, e a cada ano que se passava esta admiração só aumentava. Sempre exercendo alguma função paralela a arte, no inicio de 2005, Atacir Costa iniciou o curso superior em Tecnologia da Gestão Ambiental, e mesmo nunca tendo atuado nesta área, os contatos e as influências alavancaram o seu relacionamento artístico com pessoas da alta sociedade mineira. Nesta mesma época, Atacir Costa conheceu o artista JBCampos, que diz ter sido a peça que faltava em seu quebra cabeça, pois eles se tornaram grandes amigos. O falecimento de JBCampos em Junho de 2012, arrancou parte não só dele como também da cultura mineira.


ATACIR COSTA - Moranga e espigas - Óleo sobre tela

ATACIR COSTA - Natureza morta - Óleo sobre tela

Decorrente de uma busca com muito esforço, Atacir Costa tem relacionado com alguns artistas de outros segmentos. Amigo particular do cantor Vander Lee, ele se diz bastante satisfeito com um retrato que executou dele. “Grande cantor e grande ser humano, adoro este cara!” diz Atacir referindo-se  ao Vander Lee.
O cantor Sérgio Pererê, grande promessa ao cenário nacional da música popular brasileira, também está retratado entre suas obras.

Cantor Vander Lee e Atacir Costa

ATACIR COSTA - Sérgio Pererê 
Óleo sobre tela

ATACIR COSTA - Na espera - Óleo sobre tela

ATACIR COSTA - Pequenos jogadores - Óleo sobre tela

Atacir Costa é casado. João Mateus, seu filho, é um de seus principais modelos. Sempre presente em boa parte de suas composições.

Está representado por várias galerias e várias coleções particulares, principalmente de Belo Horizonte, onde iniciou seu mercado.

ATACIR COSTA - Gol de placa
Óleo sobre tela

ATACIR COSTA - Vítor
Óleo sobre tela

Mensagem do Cantor Vander Lee, para o amigo Atacir Costa.

O artista que pinta outro artista, é além de grande artista, uma grande alma.


ATACIR COSTA - Descanso do futebol - Óleo sobre tela - 70 x 100

Sebastião Fonseca, Atacir Costa e João Bosco Campos.

PARA SABER MAIS:

quarta-feira, 15 de junho de 2011

FACCHINETTI

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista de Teresópolis (detalhe)
Óleo sobre tela - 48 x 100,3 - 1892 - Coleção Fadel

Para certos artistas e suas obras, a admiração cresce proporcional ao nosso envolvimento com o que produziram e pelos fatos que relatam como foram suas vidas. Não me era muito familiar, até pouco tempo atrás, a referência de Facchinetti na história da pintura brasileira. Já havia visto alguns poucos trabalhos dele, mas, a curiosidade me foi despertada pela insistência do Paulo de Carvalho, artista carioca que tem o Facchinetti como cartilha de cabeceira.

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Escola Naval de Angra dos Reis
Óleo sobre tela - 49 x 101 - 1869 - Museu de Arte de São Paulo

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Ilha de Paquetá
Óleo sobre madeira - 24 x 63 - 1881 - Coleção particular

NICOLAO ANTONIO FACHINETTI
Margem da Lagoa Rodrigo de Freitas
Óleo sobre tela - 1888

Comecei então a procurar e pesquisar algo mais sobre esse artista italiano, nascido na cidade de Treviso, a 7 de setembro de 1824. A sua história se mostrou tão rica quanto as suas obras, das quais consegui algumas imagens para compartilhar.

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Cascata do Itamaraty, Petrópolis
Óleo sobre tela - 65,8 x 48,7 - 1869 - Coleção Braziliana

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Cascata dos Bulhões, Petrópolis
Óleo sobre tela - 65,8 x 48,6 - 1869 - Coleção Braziliana

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista da Lagoa Rodrigo de Freitas
Óleo sobre tela - 1887

Facchinetti não veio para o Brasil pelo melhor dos motivos. Desavenças com políticos de sua terra natal aceleraram a sua vinda. Pouco se sabe, ou quase nada, de sua formação artística. Certeza mesmo, é que essa não era a sua maior vocação. Como precisava se manter de alguma forma, na nova terra que seria sua nova casa, tornou-se assim que chegou, instrutor de italiano e desenho. A carreira, por vias das circunstâncias, acabou evoluindo para cenógrafo e finalmente retratista. Mesmo que ele fosse preparado tecnicamente para enfrentar as dificuldades do retrato, a concorrência com outros artistas bem mais conceituados, no cenário carioca daquela época, não lhe deixava em boas condições, pois para tal atividade não era mais que um dedicado amador.

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Enseada de Botafogo
Óleo sobre tela - 51 x 87 - 1869 - MASP

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Cais da Praça D. Pedro I
Óleo sobre cartão - 13 x 18,5 - 1893 - Coleção Fadel

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista da Baía de Guanabara
Óleo sobre tela - 22,4 x 47,3

Sem muitas alternativas, a paisagem entrou no tema de suas composições quase que intuitivamente. Natural da região do Vêneto, na Itália, é até fácil de entender porque o realismo que tanto perseguia em suas obras, logo se tornou a marca registrada de seu trabalho. Mesmo sendo, na segunda metade do século XIX, a paisagem considerada um gênero inferior de representação artística, Facchinetti não se abateu diante de sua escolha. O lirismo realista de toda atmosfera brasileira que exalava de seus trabalhos, feitos aliás com muita habilidade e até um certo preciosismo, foi naquele momento, o cartão de visitas para ser assediado, em pouco tempo, pela alta sociedade fluminense. Não tardou e o reconhecimento veio logo pela família imperial, que o congratulou mais posteriormente, com o título de pintor oficial da família imperial.

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Fazenda em Teresópolis
Óleo sobre tela - 22,5 x 46,1

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Fazenda Flores do Paraíso
Óleo sobre madeira - 54 x 73 - 1875 - Coleção particular, SP

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Chalé no Vale do Quebra-Frasco
Óleo sobre tela - 26,5 x 51 - 1893 - Coleção particular, RJ

O domínio técnico a que chegara, dava a seus trabalhos um diferencial que não era visto em nenhum outro pintor de sua época. Pela força das circunstâncias, Facchinetti inaugura assim, um estilo que por muito tempo, parecia só seu. É nas ocasiões de extrema necessidade, que a originalidade se manifesta como a maior das virtudes.


NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Lagoa Rodrigo de Freitas, morro dos Dois Irmãos
Óleo sobre tecido - 21,7 x 30,6 - Coleção Braziliana

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Lagoa Rodrigo de Freitas, com o Corcovado
Óleo sobre tecido - 22,2 x 28,8 - Coleção Braziliana

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Sapucaia, RJ
Óleo sobre tela - 1880

Certas habilidades nascem quase sempre de rigorosos métodos, Facchinetti cultivou os seus por toda a sua vida. Um minucioso processo de concepção de todas as suas obras, demandava um bom tempo para a execução das mesmas. Na procura pelo melhor ângulo da cena a ser representada, ele superava os maiores desafios. Em momento algum, hesitava em correr riscos pelos ângulos obtidos de pontos perigosos, pois estava sempre à procura da visão perfeita, aquela que viesse a se transformar na sua cena ideal. Ali esboçava à lápis, o que seria posteriormente ampliado em carvão e fixado à tela. Não abria mão desses recursos feitos “ao natural”. Essa prática, de buscar a inspiração para as suas obras, diretamente da natureza, se tornaria mais tarde, atividade também praticada por artistas guiados por Georg Grimm, entre eles, os renomados Castagnetto, Antônio Parreiras, Domingo Garcia y Vasquez, Hipólito Caron e muitos outros paisagistas do final daquele século. Porém, a diferença fundamental entre Facchinetti e Grimm e sua turma, é que o primeiro não pintava ao ar livre, apenas utilizava seus fartos esboços para compor a cena em ateliê. Já Grimm, incentivou todos os seus a captarem a cor in locco, numa atitude bem parecida com a Escola de Barbizon.


NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Barreira do Rio Soberbo
Óleo sobre madeira - 36,5 x 51 - 1881 - Coleção Fadel

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Fazenda Soledade, Teresópolis

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista do Morro do Pão de Açúcar
Óleo sobre tela - 56 x 79,5 - 1868 - Coleção Fadel

Gonzaga Duque, contemporâneo de Facchinetti, deixa o importante relato:

“Antes de pintar, ele ia ao local, estudava o ponto, esquadrinhando todos os detalhes. Depois tracejava o motivo em separado, numa página de álbum, numa folha de papel, que lentamente completava.
Preparado com esse exato desenho, decalcava-o na tela, a carvão, cobria-o com grafite e terminava fixando-o com tinta comum, por meio de aguda pena de aço.
Uma ocasião, estranhando-lhe eu todo esse lento, meticuloso processo, que anulava a emoção, respondeu-me que o seu interesse era a verdade, quanto mais exata, mais acabada fosse a cópia, tanto maior seria o mérito do seu trabalho...”


NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Lagoa Rodrigo de Freitas, RJ
Óleo sobre painel - 23 x 65 - MNBA-RJ

Detalhe 1

Detalhe 2

O efeito quase fotográfico de seu trabalho, restringiu um pouco a dimensão de suas obras. Quase todas em pequenos formatos, conservam todas elas o minucioso cuidado com todas as proporções, formas e cores, chegando a exagerar um pouco a tonalidade, em algumas obras. Os trabalhos eram quase sempre encomendas dos Barões do Café, membros da alta sociedade do Rio de Janeiro, e todos muito ligados à corte imperial. O destino de grande parte de sua obra era a ornamentação de salas e gabinetes, ou como sofisticados souveniers, oferecidos como presentes entre os grandes nobres.


NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Fazenda Montalto
Óleo sobre tela - 46,5 x 106 - 1881 - Coleção Fadel

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Recanto da Praia de Icaraí
Óleo sobre tela - 29,2 x 57,5 - 1869 - MASP

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista de Teresópolis
Nanquim branco, preto e sépia sobre papel
45,2 x 59,8 - 1863 - MASP, São Paulo

Facchinetti teve o privilégio de viver no Brasil numa época prolífica. Grande parte das revoltas armadas contra o governo, em diversos pontos do território nacional, já havia sido sanada. Esse fato, que dava ao governo uma consolidação de poder, gerou para os próximos anos, um período de abonança de recursos, o que favoreceu o crescimento do mercado interno da arte. Com todas as benfeitorias centralizadas na então sede da corte, é bem natural que o Rio de Janeiro fosse o centro do país por onde a arte se solidificava e produziu vários artistas. É nesse ambiente, imensamente acolhedor do produto de seus artistas, que Facchinetti atendia uma clientela abonada e sedenta por obras. Produziu quase todas as suas obras por encomenda, fato comprovado no verso de todos os trabalhos solicitados. Muito raramente se dava ao luxo de produzir um trabalho sem destino prévio.


NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista do Rio de Janeiro, tomada de Santa Tereza
Óleo sobre tela - 74 x 92,2 - 1892 - Museu do Açude, RJ

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
São Tomé das Letras
Óleo sobre tela - 52,2 x 92 - 1876
Museu Nacional de Belas Artes, RJ

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Lagoa Rodrigo de Freitas, Corcovado, Ipanema e Leblon
Óleo sobre tela - 1869

“Segundo Gonzaga Duque, Facchinetti superou barreiras e a ausência de recursos técnicos para conceber suas obras.  Facchinetti escapa à perícia da fatura, era teimoso, persistente, rebuscado. Pela ausência de recursos técnicos, que só a tenacidade do querer, a constância do desejo, o amor à profissão, poderiam recompensar. E tais méritos lhe sobravam. Um organismo menos dotado de vigor teria sucumbido pelo esfacelamento. Não obstante, ele triunfou desse penoso trabalho, coadjuvando por seu bom senso, ainda provado com a escolha dos motivos, que eram paisagens panorâmicas. O panorama em quadro, ou mais em vulgata, para melhor compreensão, a vista, como ele fazia, será materialmente trabalhosa, mas oferece vantagens: sobre o acordo com a maneira comum de sentir, tem a dos planos bem detalhados e da perspectiva aérea.  A paisagem representava para Facchinetti não só motivo para inspiração, mas também servia para seu deleite pessoal, ao entrar em contato com a natureza o pintor não só reproduzia suas sensações, como era tomado por elas diante da magnitude da paisagem. Facchinetti em suas telas representava o amor e o idealismo pelas cores do Brasil.”
(Trecho extraído do site www.Dezenovevinte.net)


NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista de casa de fazenda
Lápis, guache e tinta sobre papel - 30,8 x 42

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Pátio de casa de fazenda
Lápis, guache e tinta sobre papel - 29,8 x 42,5

NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Vista de fazenda
Lápis, guache e tinta sobre papel - 31,3 x 42,8

Assim como muitos outros artistas de terras distantes, que fizeram daqui sua morada, Facchinetti não só contribui para o importante registro iconográfico de uma época, mas também faz, como todos aqueles artistas, um declarado amor à sua nova casa. Muito do que sabemos de um período já distante de nossa época, deve diretamente a todos aqueles que não mediram esforços para que as notícias de seu momento, chegassem o mais longe possível, no tempo e no espaço.




NICOLAO ANTONIO FACCHINETTI
Nasceu a 7 de setembro de 1824,
em Treviso, Itália
Falecido a 16 de outubro de 1900, 
em Engenho Novo, Rio de Janeiro