domingo, 16 de abril de 2017

ANTÓNIO MACEDO

ANTÓNIO MACEDO - Transcendência - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Corpos envoltos - Óleo sobre tela


Uma das características mais admiráveis dos artistas realistas dessa geração é saber aliar os conhecimentos necessários e valiosos da arte acadêmica aos recursos contemporâneos que a nova linguagem mundial exige. Uma prova disso está no próprio acervo dos últimos salões promovidos pelo Art Renewal Center, um dos órgãos mais engajados na disseminação da arte acadêmica. A grande quantidade de artistas com apelos simbolistas e até surrealistas, inscritos nos últimos salões promovidos pela entidade, mostra o quanto o realismo vem sobrevivendo, aliando a essas novas tendências para sua expressão. António Macedo, um dos nomes fortes da arte portuguesa no momento, é um dos artistas comprometidos com essas novas vertentes da expressão artística mundial.

ANTÓNIO MACEDO - Êxtase - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Venda - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Zen - Óleo sobre tela

Nascido na Cidade do Porto, no dia 12 de dezembro de 1955, é um artista que vem mostrando o quanto a versatilidade expressiva, aliada a uma boa criatividade, tem mantido o realismo em contato com a nova geração. O realismo contido em suas composições quase sempre tem um forte apelo simbólico, evocando muitas vezes um clima mágico e misterioso. São basicamente criados a partir de cenas cotidianas, retratos (com ênfase para a figura feminina), naturezas-mortas, panejamentos... Na síntese, um trabalho agradável de ver e que vem trazendo esperança aos novos tempos para a arte realista acadêmica mundial.

ANTÓNIO MACEDO - Mercado árabe - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Corpos - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Num mercado - Óleo sobre tela

Macedo frequentou a Escola Superior de Belas Artes em 1973 e 1974, mas se especializou em Londres, para onde foi em 1975. Ele estudou profundamente todas as possíveis técnicas de pintura, até desenvolver seu estilo próprio. Segundo o próprio artista, o ambiente ideal para o aprendizado é um fator importante na carreira de um artista. Foi graças ao rico acervo que ele visitava nas coleções londrinas, aliado ao contato que sempre manteve com artistas ingleses e portugueses, que ele aprendeu aquilo que não se consegue ensinar numa cadeira de escola de arte.

ANTÓNIO MACEDO - Rosas - Óleo sobre tela



ANTÓNIO MACEDO - Jardim incompleto - Óleo sobre tela

O artista não faz nenhuma questão de esconder suas referências, muito pelo contrário, se orgulha de cada uma delas. Os pintores primitivos flamengos foram sua primeira paixão, que seguiu depois com os mestres da Renascença, e sucedeu mais adiante com referências valiosas como Velázquez, Vermeer, Ingres, até influências dos tempos atuais, como o próprio Dali e António Lopez. Com muitos deles, aprendeu apenas pelo exercício atento da observação, que não é uma tarefa fácil, uma vez que muitas obras de mestres antigos encontram em coleções distantes e até privadas. E ele não se arrepende nem um minuto da árdua procura de pesquisar e encontrar cada uma das suas preciosas referências.




Mas, chega um momento na vida de todo artista, que é necessário seguir o próprio caminho. As referências dos grandes mestres ficam lá, no mais íntimo de sua consciência, no entanto é preciso desenvolver e produzir sua própria expressão e seu discurso para o mundo. Cada obra produzida por um artista é a tentativa de dizer algo às outras pessoas. A materialização da obra é o seu pensamento e suas emoções em forma de imagens. Macedo escolheu a figuração e o hiper-realismo. As obras figurativas são o cerne de toda sua produção e ele se deu bem com essa escolha. É uma artista altamente técnico, com uma experiência oficinal invejável para muitos de sua geração, mas é igualmente um artista sensível e lúcido, que não se embotou na armadilha técnica que encerra notáveis pintores dos últimos tempos.

ANTÓNIO MACEDO - Natureza morta - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Panejamento com um gato - Óleo sobre tela

ANTÓNIO MACEDO - Vasilhas e panos - Óleo sobre tela

Para encerrar essa matéria sobre Macedo, vale lembrar as belas palavras de um crítico português: “É possível detectar na realidade física da obra de António Macedo, algo que dela emerge e tem a aparência de uma ficção, como que uma inquietude perturbante, uma luz vinda de um astro desconhecido iluminando inconfidências. Sugestões poderosamente tácteis e simultaneamente protegidas por uma espécie de tabu. A obra de António Macedo é justamente a revelação de uma vida afetiva que dedica ao seu mundo envolvente, de longos silêncios, onde os objetos são apelos à memória e se vêem transformados em signos de rigor e na pureza de um desenho. A luz neles se derrama afeiçoadamente à sensibilidade deste pintor”.

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