sexta-feira, 29 de abril de 2016

GEROLAMO INDUNO

GEROLAMO INDUNO - O cumprimento - Óleo sobre tela - 85,3 x 126,5 - 1877

GEROLAMO INDUNO - A lição do baile - Óleo sobre tela - 107 x 135,5

A Itália sempre foi um berço nato de grandes artistas, em diversas épocas da história. Há quem diga que o ápice artístico italiano se deu no Renascimento, e isso tem lá suas verdades. Mas, a grandiosidade da pintura e escultura italianas não se resumiu somente a esse período. Os anos de 1800, que eles carinhosamente chamam de Ottocento, reservaram aos artistas italianos um período muito prolífico, de uma arte voltada para as coisas “de casa”, uma maneira de dizer que voltaram os olhos para uma arte mais intimista e nacionalista. Essa fase tornou-se também mais um grande período da arte italiana.

GEROLAMO INDUNO - Donne romane, scena conteporanea - Óleo sobre tela - 76 x 101 - 1864

GEROLAMO INDUNO - Criança amada - Óleo sobre tela - 54,4 x 74 - 1871

Nesse período, é imprescindível falar dos artistas que desenvolveram uma arte acadêmica que é respeitada até hoje. Com vertentes que voltaram o olhar para o Realismo e o Naturalismo, os trabalhos desse período nos revelam artistas donos de um domínio técnico admirado e com uma criatividade de composição invejáveis para qualquer época. Gerolamo Induno, entre muitos outros pintores italianos dessa época, é daqueles artistas que a história precisa relembrar e cujas obras necessitam tornar referência para os tempos atuais.

GEROLAMO INDUNO - A partida dos voluntários de 1966 (estudo)
Óleo sobre tela - Entre 1877 e 1878

GEROLAMO INDUNO - A partida dos voluntários - Óleo sobre tela

Gerolamo Induno nasceu em Milão, a 13 de dezembro de 1825, filho mais novo de Marcos e Julia Somaschi. A arte o acompanhou desde cedo, até porque o seu irmão, Domenico Induno, dez anos mais velho que ele, começou prematuramente nas artes e tornou-se uma referência natural sua. Ambos estudaram na Academia Brera, sob os ensinamentos de Luigi Sabatelli. Gerolamo ficaria naquela instituição entre 1839 e 1846. Conseguiu prêmios significativos enquanto cursava e já em 1845, participa pela primeira vez nas exposições anuais de Brera.

GEROLAMO INDUNO - Batalha de Cernaja - Óleo sobre tela - 1857

GEROLAMO INDUNO - A Batalha de Magenta - Óleo sobre tela

Os irmãos Induno não nasceram num momento muito propício do ponto de vista político e social da Itália. Uma série de acontecimentos, envolvendo conflitos e guerras, levariam os dois a participações obrigatórias em campos de batalha. Em 1848, começam esses conflitos em suas vidas, tendo sido forçados ao exílio em Ticino. Voluntários dos movimentos que aconteciam em sua região, em 1849 se viram mais uma vez forçados na defesa da República Romana contra o exército francês.

GEROLAMO INDUNO - O retorno do campo de batalha
Óleo sobre tela - 96 x 78,3 - 1869

GEROLAMO INDUNO - O retorno do campo de batalha, detalhe

A guerra também fez parte da vida artística de Gerolamo, que a ilustrou; tanto em campos de batalha, com incursões ao vivo; como em ateliê, quando abordava os estudos de campo de uma maneira mais elaborada. Até o início da década de 1850, grande parte da produção de Gerolamo estava diretamente ligada a esses movimentos. Ilustrador, e considerado como uma espécie de repórter de sua época, foi um dos mais destacados artistas de guerra italianos, responsável por aquilo que ficou caracterizado como artistas do Risorgimento.

GEROLAMO INDUNO - O garibaldino - Óleo sobre tela - 1871

GEROLAMO INDUNO - Garibaldi sulle alture di Sant’Angelo presso Capua
Óleo sobre tela - 64,5 x 52

Por causa de ferimentos de guerra, sofridos em conflitos em Roma, Gerolamo teve um período de descanso nos anos de 1850. Refugiou no ateliê do irmão, retornando a Milão, com a ajuda do Conde Giulio Litta, que além de um aristocrata de ideias liberais fervorosas, era também um colecionador de arte apaixonado. Ele já era cliente de Domenico e tornava agora uma espécie de mecenas e incentivador da arte de Gerolamo.

 
Esquerda: GEROLAMO INDUNO - A pintora - Óleo sobre tela - 52,5 x 42 - 1873
Direita: GEROLAMO INDUNO - A pintora - Óleo sobre tela - 51 x 43,3

Foi graças a essa reclusão obrigatória, que Gerolamo teve mais tempo para se dedicar àquilo que tornaria o carro-chefe de sua produção: as cenas de gênero. Em trabalhos que prezaram sempre pela vida comum e suas lidas diárias, bem como as rotinas dos campos de batalha, sua carreira ia se solidificando, e a conquista de novos clientes começava como algo natural e promissor. É importante destacar, que o gosto por este tema de pintura era uma influência direta de seu irmão.

GEROLAMO INDUNO - O pintor de imagens - Óleo sobre tela - 47 x 36

GEROLAMO INDUNO - O tocador de bandolim - Óleo sobre tela

Mas, nem tudo era calmaria na vida de Gerolamo. Novos rumos da vida política de sua região o levaram mais uma vez a participações em guerras e conflitos, tendo servido a Guerra da Criméia entre 1854 e 1855. Em 1859, alistou-se nos Caçadores dos Alpes. Se por um lado essas interferências lhe tiravam da vida comum, por outro, traziam uma experiência diferenciada, pois a rotina da guerra o deixava ainda mais em contato com a arte própria desse tipo de conflito. Principalmente entre os anos de 1860 e 1863, os trabalhos de Gerolamo foram quase que todos absorvidos pela arte de guerra. Graças a ele, muito do que se registrou naquele período chegou a nossos tempos como uma espécie de noticiário dos acontecimentos. E isso o deixava ainda mais respeitado e requisitado por diversos colecionadores e instituições.

GEROLAMO INDUNO - Quando o trem vem - Óleo sobre linho - 109,5 x 93 - 1871

GEROLAMO INDUNO - Quando o trem vem, detalhe

A vida de Gerolamo encaminhava assim: os comissionamentos de temas ligados à guerra consumiam a maior parte de seu tempo, comissionamentos de obras públicas também começavam a aparecer com mais frequência e os trabalhos paralelos com cenas de gênero nunca eram deixados de lado. Trabalhava intensamente, como tudo sempre foi muito intenso em sua vida. O respeito e a admiração pela sua produção já não era restrito a pequenos grupos. Seus trabalhos eram disputados por colecionadores e esperados em muitas mostras e exposições.

GEROLAMO INDUNO - Menina depois de um ataque de bombas - Óleo sobre tela

GEROLAMO INDUNO - Sentinela
Óleo sobre cartão - 40 x 28

Continuou por sua toda a sua vida a produzir aquilo que lhe inspirava e lhe fazia feliz. Manteve sempre a técnica brilhante, com uma facilidade pictórica que impressionava a todos. Até o fim de seus dias, esmerava em suas obras com a mesma disposição de um iniciante, e se prestava aos detalhes de suas composições com o mesmo entusiasmo de quando aprendia com seu mestre. Continuou sempre fiel aos seus princípios e àquilo que o mantinha no mundo da arte. Muito mais que um artista competente, era um cidadão que abraçava as causas nacionalistas e as defendia como quem defende a vida. Depois de uma longa doença, Gerolamo faleceu a 19 de dezembro de 1890, na mesma cidade que nascera.

GEROLAMO INDUNO - Soldados na Stevio Pass - Óleo sobre tela - 44,5 x 59,5

GEROLAMO INDUNO - Infantaria na Crimeia - Óleo sobre tela - 37,7 x 48


Hoje, Gerolamo Induno é preciso ser lembrado e respeitado como um artista de referência. Viveu numa época onde a fotografia ainda engatinhava e o artista se ocupava em registrar as coisas de seu mundo. Ele fez isso como poucos. Muito do que se sabe e viu dos movimentos libertários da Itália do século XIX, deve ao trabalho incansável de artistas como ele.