sábado, 24 de setembro de 2016

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Felicitações pelo aniversário (detalhe)

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Felicitações pelo aniversário
Óleo sobre tela - 81 x 65 - 1880

Tido como um dos mais bem sucedidos retratistas espanhóis de seu tempo, Raimundo de Madrazo foi um grande artista de sua geração. É facilmente entendida essa afirmação, ao se observar atentamente sua produção. Dono de um Realismo minucioso e elegante, Madrazo possuía um domínio técnico invejável, e sua paleta e fatura se constituíam com uma delicadeza e refinamento incomparáveis.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Damas na janela
Óleo sobre tela - 72,7 x 59,7 - 1875

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Saída do baile de máscaras
Óleo madeira - 49 x 80,5 - 1885

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - O toilete - Óleo sobre tela

Nascido em Roma, em 1841, Raimundo de Madrazo y Garreta já nascera em família privilegiada para as artes. O avô, o notável pintor José de Madrazo y Agudo, começou um dos legados da família, que teria sua continuação em Federico de Madrazo y Kuntz, um famoso retratista espanhol, que por sua vez se tornou pai de Raimundo de Madrazo. Na família, ainda haveria outros representantes para as artes: Ricardo Madrazo, seu irmão; e Mariano Fortuny, um cunhado que também se tornaria um importante pintor da cena espanhola do século XIX.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Garota com violão e papagaio
Óleo sobre tela - 49 x 38 - 1872

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Uma pequena princesa no jardim de Versalhes
Óleo sobre tela - 88,9 x 116,8 - 1905

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Sapatos novos
Óleo sobre tela

As primeiras lições de artes de Raimundo de Madrazo começaram em sua própria família. Ele dividia as horas de aulas, ora com o pai, ora com o avô. Até que os próprios o direcionaram para a Real Academia de Belas-Artes de São Fernando, onde teve como mestres Carlos Luís de Ribera e Carlos de Haes. Carlos Luís era um pintor de respeito entre as classes burguesas e tinha sua produção alicerçada na produção histórica e retratos. Já Carlos de Haes, tinha sua produção voltada para a execução de paisagens, que lhe trouxe grande prestígio. Os ensinamentos dos dois formaram uma boa base de aprendizagem, aliada aos ensinamentos dos parentes.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA
Arrumada para a noite
Óleo sobre tela - 93,98 x 57,15

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Uma bela tocadora de bandolim
Óleo sobre tela - 80 x 54

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - A harpista
Óleo sobre tela

Raimundo de Madrazo ainda teria novos ensinamentos na sua formação, quando mudou-se para Paris, na década de 1860, e tornou-se aluno de Leon Coignet. Coignet pode até não ter uma grande reputação como artista, mas foi o professor de mais de cem artistas de renome que passaram por Paris. Além de conquistar o respeito pelos mestres de Paris, Raimundo de Madrazo também caía no gosto de colecionadores abastados. Há várias cartas trocadas entre Raimundo e seu pai, nesse seu período em Paris. Seu pai o tratava com enorme carinho e via nele a projeção internacional que faltava para a família. Além de confidente, essas correspondências confirmam também como Federico o ajudava na escolha de questões pessoais e profissionais.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA
O Pátio de São Miguel, Catedral de Sevilha
Óleo sobre tela

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Piscina no Jardim de Alcazar
Óleo sobre madeira - 10 x 16,4 - 1868

Em setembro de 1867, Raimundo de Madrazo deixa Paris momentaneamente e retorna a Madri, para ajudar nas cerimônias de casamento de sua irmã Cecília, com o também pintor Mariano Fortuny. Os cunhados tinham uma ótima convivência e chegariam inclusive a assinar trabalhos em parceria. Como uma espécie de retiro, ele prolongaria essa sua estadia espanhola por cerca de um ano, período que frequentou regiões distintas do país, inclusive a Andaluzia. É desse período, uma série de pequenas paisagens que fez em sua passagem por Sevilha. Obras belíssimas pela espontaneidade, são consideradas caprichos de sua produção. No retorno a Paris, começaria a fase mais importante de sua carreira.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA
Travessuras da modelo
Óleo sobre tela - 95,2 x 66 - 1885

RAIMUNDO DE MARAZO Y GARRETA - Jardim do Alcazar em Sevilha - Óleo sobre painel

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA
Jardim da casa de Fortuny
Óleo sobre madeira - 40 x 28 - 1877

Ele conseguiu participar da Exposição Universal, mesmo sem haver exposto ainda em Madri, sua casa. Já nessa época, gozava de uma ótima reputação, baseada principalmente na excelente técnica que lhe traria uma vida tranquila e movimentada. Todos os atributos a ele conferidos, consequentes da excelência profissional que se tornara, lhe garantiram a primeira medalha e a nomeação oficial da Legião de Honor, em sua participação na Exposição Universal de Paris, em 1889.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - A leitura
Óleo sobre tela - 45 x 56 - Entre 1880 e 1885

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - A serenata - Óleo sobre tela

Uma agenda agitada começava na carreira de Raimundo de Madrazo. Ele era frequentemente contratado para retratar a mais alta sociedade, pintando reis, políticos, intelectuais, empresários e até mesmo outros artistas. Conhecedor dos movimentos que agitavam a Paris daquela época, Madrazo conseguia aliar um trabalho com característica realista a pinceladas soltas e espontâneas, típicas dos amigos impressionistas. Manchas e cores selecionadas previamente encantavam a todos, aliadas a um detalhamento fino e criterioso. Já não era apenas a França o reduto maior de sua clientela, ele também já conquistava mercado na Inglaterra, nos Estados Unidos e entre ricos clientes argentinos, países para onde era levado por seus clientes e passava grandes temporadas.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Namorico - Óleo sobre tela - 70,5 x 120,5

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Os mascarados
Óleo sobre tela - 101,6 x 64,8 - Entre 1875 e 1878

Raimundo de Madrazo chegou aos Estados Unidos em 1896 e fixou seu ateliê em Nova York. Pela fama que carregava em sua bagagem, logo conquistou uma vasta clientela e era um dos mais procurados retratistas da cidade, atraindo colecionados proeminentes como John Pierpont Morgan e os Vanderbilt. Logo, muitos magnatas, de diversas partes do país, vinham à procura de seus trabalhos. Andrew Peacock, vice-presidente da Carnegie Steel Company, logo se tornaria um dos clientes mais devotados. Tido como um colecionador de gosto apurado, ele mantinha uma rica coleção em sua mansão em Pittsburgh, na Pensilvania, chamada Rowanlea. Peacock encomendou sete retratos da família ao artista, e fez questão de hospedá-lo em sua residência, com todas as honrarias que pudesse oferecer, enquanto executava os trabalhos.

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA
Retrato de Isabelle McCreery
Óleo sobre tela - 266 x 174

RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA - Saindo da igreja - Óleo sobre tela

Não é arriscado dizer que Raimundo de Madrazo viveu completamente feliz e estável, num dos momentos mais conturbados da arte europeia. Ele não foi nenhum profeta da revolução artística, mas soube passar por esse período de turbulência exatamente por conciliar o que havia de controverso e de vanguarda, ao que era acadêmico e conservador. Na opinião de muitos críticos de sua época, ele foi a união perfeita entre a tradição e a modernidade. Ele sabia, como poucos, assimilar as qualidades brilhantes de seus antepassados. Mas, quando sentava em frente a seu cavalete, logo os esquecia e pintava aquilo que a intuição lhe sugeria. E o convívio com os novos tempos daquela agitada Paris sempre lhe intuíam inovações em seus trabalhos. Como poucos artistas de seu tempo, conseguiu fazer uma arte de transição, sem agredir. Acima de tudo, era extremamente elegante em tudo que fazia.

Raimundo de Madrazo faleceu em Versalhes, no ano de 1920.

RETRATADO PELO PRÓPRIO PAI: 

FEDERICO DE MADRAZO
Retrato de Raimundo de Madrazo y Garreta
Óleo sobre tela - 1857