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domingo, 10 de julho de 2011

GIANNI FARIA

Gianni Faria


Plínio, ainda na Grécia antiga, já narrava em seus escritos sobre um acessório, e ao que tudo indica, ser algo como uma variação rudimentar do que conhecemos hoje como o lápis. Durante os períodos dourados da Revolução Industrial, as minas inglesas de carvão vieram a fornecer ao mundo, o grafite mais parecido com o que utilizamos até hoje. O correr dos anos fez o lápis evoluir em diversas formas, aplicações e técnicas diversas.
Orientar toda a sua produção artística, pautada pela utilização do lápis como o meio mais apropriado para manifestar a arte, não é um caminho para qualquer um. A aparente simplicidade esconde o que verdadeiramente existe nesse instrumento: um meio rico e com infinitas possibilidades. Este caminho é perseguido por muitos, mas bem trilhado por poucos. Foi um maior aprofundamento no uso do lápis, que me levou a conhecer, pela rede, o trabalho excepcional do artista Gianni Faria, incontestavelmente um grande nome do desenho que se revela no Brasil.

GIANNI FARIA
Na sombra de uma lágrima
Lápis sobre papel

Gianni nasceu em Viçosa, Minas Gerais, mas cedo, ainda com 5 anos de idade, mudou-se com a família para o interior paulista. Passaram por várias cidades, até fixarem morada em Taubaté, conhecida cidade do Vale do Paraíba. Sua história inicial não é diferente de muitas, de vários artistas mundo afora. Sempre foi aquele garoto que ilustrava todos os trabalhos do colégio, quase se prejudicando algumas vezes por isso. O que parecia algo enfadonho para aquela época, foram os primeiros exercícios para um belo caminho que se abria.
Mesmo que da adolescência até os 26 anos de idade, tivesse produzido muito pouco, ou quase nada, ainda assim fez progressos técnicos no pouco que realizava. A arte só se fez mais presente em sua vida, por uma necessidade psicológica, uma terapia que o auxiliou na superação de momentos difíceis de uma patologia. Ricardo Montenegro, conhecido artista de Taubaté, foi o primeiro mestre.

GIANNI FARIA
Sean Connery
Lápis sobre painel

Influências e referências, vieram mesmo de outro artista, de nome Ivan Silva, um andarilho que morava em um canto na área central da cidade. O minúsculo espaço onde morava, era o improvisado ateliê onde lecionava o que sabia, a troco de praticamente nada mais que sua subsistência. Essas aulas muito auxiliaram o Gianni em sua evolução. O curso foi interrompido, porém, quando o Ivan simplesmente desapareceu, deixando para trás seu local de morada e tudo ali que lhe pertencia. Ainda não há notícias suas.
Várias outras atividades completaram a base de sua pesquisa artística. Alguns cursos técnicos, modelagem, xilogravura, pastel e cursos de História da Arte. Mas, é com o desenho a lápis, que se realiza como artista.

GIANNI FARIA
Amargos anos
Lápis sobre papel

A expressão humana é explorada em todos os seus ângulos, no trabalho de Gianni. O tratamento sóbrio, e às vezes quase melancólico, proporcionado pelo grafite, permite captar o que está atrás de cada rosto, a lida sofrida do dia a dia, a solidão que condena um olhar tristonho, ou a pureza ingênua da alma de uma criança. O “expressionismo monocromático”, que ele mesmo afirma, tem influência direta de ilustradores de gibis, sendo destacado em nomes como Armin Mersmann, Boris Valeijo e Frank Frazetta, célebre ilustrador da série Conan.
Antenado com os movimentos contemporâneos da arte, Gianni não se deixa iludir por uma arte fácil, muito comum à artistas atuais, que se utilizam demasiadamente da narrativa e do conceito, para mascarar deficiências técnicas e de criação. Muito pelo contrário, busca na técnica mais pura e simples do grafite, expressar todos os seus sentimentos e valores. São eles, a busca incansável que, como ele próprio conclui, nunca deveriam ser abandonados por todos aqueles que encontram na arte, um seguro refúgio para se fazer morada.

GIANNI FARIA
Sorriso encantado
Lápis sobre papel

Segue abaixo, passo a passo
com um de seus trabalhos:


 
Fase 1

Fase 2

Fase 3

Fase 4

Fase 5

Fase 6

Fase 7

Fase 8

GIANNI FARIA
Cidadão de papelão
Lápis sobre papel

PARA SABER MAIS:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ARTE DEMOCRÁTICA (José Rosário)

De todas as invenções do homem, nas últimas décadas, nenhuma me parece mais democrática do que a rede mundial de comunicação. A internet tornou possível e acessível a cada cidadão de qualquer lugar do planeta, participar e integrar dentro de um mundo com menos fronteiras e mais aberto.
Para a Arte, de uma maneira especial, as conquistas são incomensuráveis. Em quase todos os cantos do mundo, as publicações gráficas específicas para ela, são bem aquém da relevância que o tema carece.
Daí, a importância de divulgar e democratizar cada vez mais, sites específicos que não só apenas difundam obras e artistas, mas que tornem acessíveis a um grande público, pormenores relacionados à técnicas e experiências desenvolvidas por vários artistas de diversas regiões.
Tenho me surpreendido com um grande número desses sites, que tornam o fazer Arte ainda mais empolgante. Se publicamos algo é porque queremos que isso seja visto, do contrário não haveria publicação. Deixo abaixo, alguns sites que não canso de visitar, quer pelas belas experiências que me tem enriquecido tecnicamente, ou pelo simples prazer de fruir obras que deveriam ser referências obrigatórias na vida de qualquer artista.
Tire um tempo para passar em cada um, vale a pena!

Desenvolvido por Márcio Guilarducci, é
uma ótima referência para quem quer se atualizar
e acompanhar experiências desenvolvidas com materiais
antigos e da atualidade. Se você é um artista preocupado
com a qualidade do seu trabalho, irá se surpreender.

Irá se surpreender também, com a suavidade e
desenvoltura dos trabalhos realistas
produzidos por Leonardo Clímaco.

Nascido na China, antiga província de Cantão,
conquistou o público ocidental, com excelente
acesso pela arte realista norte-americana.
Cada tela sua é uma rara aula.

O jovem artista Maurício Takiguthi
mostra que disciplina e dedicação
são requisitos indispensáveis para
todo aquele que escolhe seguir pela Arte.

Hiperrealismo levado a sério pelo jovem
artista Gianni Faria, que faz do desenho a
lápis belas composições.

Mais um nome da nova geração de artistas
que prima pelo bom desenho e  pela
busca constante de uma técnica ideal.

Nicolás Uribe nasceu nos Estados Unidos,
mas, ainda aos dois meses de idade mudou-se para a
Colômbia, de onde eram seus pais. Retornou a Nova York
para estudos e mais uma vez voltou para a Colômbia, onde
mora até hoje. Seu realismo desconcertante é uma aula que
toda vertente contemporânea precisa frequentar.

Ilustrações de altíssima qualidade
e matérias bem interessantes. Tire um
tempo maior, pois há muito o que se ver por lá.

Norueguês de descendência, Aspevig reside em Montana,
nos Estados Unidos. Tem uma fatura precisa e muitos
motivos pra que o site seja visto até o fim.

Natural do Acre, Ueliton Santana
mostra trabalhos com influência de arte indígena,
mas com uma leitura do nosso século.

Com grande ênfase no desenho, mais um
site para colher novidades e absorver técnicas.

Com uma técnica bem peculiar e temática
bem original, mais uma fonte de bons
trabalhos realistas da atualidade.