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quinta-feira, 19 de junho de 2014

OSWALD ACHENBACH: Um pouco mais

OSWALD ACHENBACH - Cena de rua napolitana com agitação
Óleo sobre tela - 63,5 x 52,5 - 1884

Uma matéria anterior já tratou sobre a vida e algumas obras desse importante artista alemão e seu irmão. Ambos construtores de uma identidade marcante na história da arte realista alemã.
Merecidamente, essa matéria vem falar um pouco mais sobre Oswald Achenbach, além de ilustrar mais algumas de suas obras, inclusive apresentando suas respectivas molduras, algumas originais da época do artista, outras poucas substituídas durante os anos.

OSWALD ACHENBACH - A Baía de Nápoles vista de Capri - Óleo sobre tela - 70 x 100 - 1894


Oswald era mesmo um artista prodígio, aceito como aluno da Academia de Arte de Düsseldorf com apenas 8 anos de idade, quando o mínimo para tal admissão naquela instituição era de 12 anos. Ele permaneceu ali mais 6 anos, fazendo inclusive uma introdução elementar no curso de Arquitetura. Ainda não se sabe exatamente o motivo por ter permitido que acelerasse tanto os seus estudos, mas o domínio do desenho, desde a mais tenra idade, foi um fator que seguramente contribuiu para isso. Insatisfeito com a rigidez acadêmica do ensino daquela instituição, o jovem artista se desligou de seus aprendizados e partiu para aquilo que já parecia uma proposta sólida em seus objetivos: viajar por terras diferentes e conhecer novos povos e culturas.

OSWALD ACHENBACH - Baía de Nápoles com vista do Vesúvio - Óleo sobre tela - 66 x 94


Com apenas 16 anos de idade, Oswald viajou durante vários meses para a Alta Baviera e o norte do Tirol, fazendo seus apontamentos da natureza e se firmando cada vez mais naquela sua nova proposta. Em 1845, juntamente com o amigo artista Albert Flamm, passou mais uma temporada no norte da Itália, sempre se especializando nos apontamentos ao vivo e pesquisando cada vez mais sobre os objetivos que queria para seu trabalho. Somente em 1850, quando passa uma temporada mais demorada na Itália, Oswald se torna convicto de tudo aquilo que sempre havia idealizado. Não só já estava mais convencido que a prática da pintura ao vivo era substancialmente importante para as suas pesquisas, como também começou a se envolver mais com a vida dos moradores por onde passava. Relacionava com eles como se fosse um deles e esse aspecto social viria a ser enormemente explorado em toda sua produção futura. É desse envolvimento natural com as pessoas e suas realidades que despertou uma espécie de compaixão na pintura de Oswald. Sua narrativa se tornou mais sincera a partir dessa cumplicidade.

OSWALD ACHENBACH - Erupção do Vesúvio - Óleo sobre tela - 124 x 150 - 1890


Infelizmente, muitos estudos produzidos nesse período não chegaram a nosso tempo, mas os que ainda foram possíveis de se preservar, atestam a importância do estudo ao ar livre nessa época de sua vida. Não há neles a preocupação excessiva com detalhes, muito pelo contrário, havia sim a preocupação em captar as cores elementares dos cenários por onde andava. As cores e tons do interior italiano sempre foram o grande desafio perseguido por esse artista, que não se cansava de procurar seus efeitos em várias e densas camadas de pigmentos e impastos.

OSWALD ACHENBACH - Via Apia em Cecília Metella - Óleo sobre tela - 100 x 145


Na primavera de 1851, Oswald casa-se com Julie Arnz, que conhecia desde 1848. O único filho do casal viria 10 anos depois do casamento, Benno von Achenbach. Sua fama já não se restringia somente à Alemanha, vindo a ter várias pinturas na Exposição Mundial de Paris em 1855 e vindo a receber uma medalha de ouro no famoso Salão desta mesma cidade em 1861. Uma medalha de ouro também lhe foi oferecida pela Academia de Arte de Roterdã, em 1862. Esses foram apenas os primeiros e mais importantes de uma longa lista de premiações que ocorreriam por vários anos sequentes.

OSWALD ACHENBACH - Jardim em Castel Gandolfo - Óleo sobre tela - 33 x 46


Nomeado professor para a cadeira de paisagem na Academia de Arte de Düsseldorf, Oswald enfatizava aquilo que considerava de mais precioso em qualquer composição: a distribuição correta dos claros e escuros numa imagem. Segundo ele, posicionar bem as luzes e as sombras em uma composição era mais importante do que o próprio tema. Para isso, indicava a todos os seus alunos que estudassem bem as composições do inglês William Turner, além das obras de seu próprio irmão, Andreas Achenbach. Muitos importantes alunos passaram pelas suas orientações e se tornaram respeitados artistas em seu tempo.

OSWALD ACHENBACH - Via Apia no caminho de Roma - Óleo sobre tela - 90 x 136


Muitas viagens ainda seriam feitas principalmente pela Itália, passando meses por lá na companhia de sua família. Quando assim fazia, deixava as atribuições da Academia ao cargo de Albert Flamm. As últimas grandes viagens para aquele país seriam feitas nas temporadas de 1882, 1885 e 1895. Não é de se admirar que uma grande parcela de sua produção seja de obras inspiradas nas paisagens e cenas urbanas daquelas regiões italianas. Uma nomeação de cidadão honorário de Düsseldorf, em 1897, viria consagrar definitivamente sua carreira artística. Já não tinha mais dificuldades em encontrar compradores para sua produção e a vida artística que tanto batalhou desde seus primeiros anos, trouxe para ele o conforto e sossego necessários para aquela fase de sua vida.

Oswaldo faleceu em 1905, um dia antes de completar seu 78º aniversário. Sua produção consta com cerca de 2000 pinturas, sendo que dois terços delas encontram-se em coleções particulares.

OSWALD ACHENBACH - No parque do palácio - Óleo sobre tela - 90 x 136 - 1887

MATÉRIA ANTERIOR SOBRE O ARTISTA:



sábado, 27 de outubro de 2012

ENTRE PARENTES


ANDREAS ACHENBACH - Paisagem em Hessen
Óleo sobre tela - 52 x 78 - 1868

OSWALD ACHENBACH
Jovem mulher descansando em um caminho iluminado pelo sol
Óleo sobre tela - 79,5 x 112

Não é muito raro encontrarmos familiares produzindo trabalhos de arte. Pais e filhos, irmãos e também casais já trabalharam juntos e se deixaram influenciar pelos seus mais próximos. Isso acontecia com mais frequência na Renascença até o Rococó, onde os ateliês eram verdadeiras oficinas, que atendiam grandes encomendas e demandavam uma mão de obra maior e com qualidade parecida. Famílias inteiras se davam ao trabalho de atender tais volumosas encomendas. Com o passar dos anos, porém, a arte foi ganhando um apelo mais individualista e se tornando algo mais próximo do que conhecemos hoje, o lugar onde cada artista expressa suas particularidades.

ANDREAS ACHENBACH - Rochedos com naufrágio
Óleo sobre tela - 48,5 x 63 - 1835

OSWALD ACHENBACH - Rua de Nápoles ao fim do dia
Óleo sobre tela - 53 x 72

A família Achenbach deu ao mundo dois grandes artistas, que produziram significativas obras em sua época e mudaram alguns conceitos estilísticos para o momento no qual viviam. Andreas Achenbach e Oswald Achenbach eram alemães, o primeiro nascido na cidade de Kassel, em 29 de setembro de 1815, e o segundo nascido na cidade de Düsseldorf, em 2 de fevereiro de 1827.

ANDREAS ACHENBACH - Ebbe
Óleo sobre tela - 1837

OSWALD ACHENBACH - Vista do Golfo de Nápoles
Óleo sobre tela - 77,5 x 100

Curiosamente Andreas, o irmão mais velho, começa os aprendizados de desenho e pintura exatamente no ano de nascimento de Oswald, quando ainda estava com 12 anos de idade. Friedrich Wilhelm Schadow foi seu primeiro tutor na Academia de Düsseldorf de Pintura. Andreas não se limitou ao ensino alemão, visitando por várias vezes a cidade de São Petersburgo, na Rússia, e algumas regiões da Itália, Holanda e Escandinávia. Essas visitas viriam a influenciá-lo pelos rumos de seus trabalhos futuros.

ANDREAS ACHENBACH - Clarão, Costa da Sicília
Óleo sobre tela - 82,5 x 116 - 1847

OSWALD ACHENBACH - No parque da Vila Borghese
Óleo sobre tela - 122 x 152 - 1886

Inicialmente, os trabalhos de Andreas tendiam para um pseudo-idealismo da escola romântica alemã, tendência que teve forte influência, por um bom tempo, sobre diversos artistas do país. Foi na sua passagem por Munique, em 1835, quando sofreu uma forte influência dos trabalhos de Louis Gurlitt, que a obra de Andreas tomou novos e decisivos rumos, tornando-se ele, o fundador da escola alemã realista. Andreas era um artista temperamental e embora muitas de suas composições pareçam sem um objetivo específico, tinha uma técnica espetacular, e os rumos que deu em seu próprio trabalho, tornaram-no historicamente como um reformador.

ANDREAS ACHENBACH - Paisagem de inverno com caçadores no gelo
Óleo sobre cartão - 26,8 x 39

OSWALD ACHENBACH  - Vista de Sorrento
Óleo sobre tela - 101 x 151

Já era um período em que Oswald, irmão mais novo, recebia as orientações e fortes influências de Andreas. Enquanto em Andreas percebemos a necessidade de firmação de uma nova linguagem, em Oswald já é notória uma preocupação mais evidente com os problemas sociais. Mais “lunático”, por assim dizer, Oswald era um artista mais idealista, que acreditava em causas ainda distantes para a realidade de sua época.

ANDREAS ACHENBACH - Caçador numa paisagem
Óleo sobre tela - 39 x 57 - 1854

OSWALD ACHENBACH
A entrada de um convento no Golfo de Sorrento
Óleo sobre tela - 132 x 110,5 - 1883

Em 1855, Andreas recebeu uma medalha de primeira classe para Paris e por lá foi nomeado Cavaleiro da Legião Francesa de Honra, um título muito desejado por todo artista da época. Mais tarde, o Chambers Biographical Dictionary classificaria Andreas como o pai da pintura de paisagens do século XIX, na Alemanha. Nesse mesmo período, Oswald também buscava novas terras para suas composições. A riqueza de suas cores e suas fortes composições levaram-no para a Itália, onde fez várias imagens da Baía de Nápoles e dos arredores de Roma. Também passou uma temporada na Suíça e na Baviera. Os dois irmãos foram professores na Escola de Düsseldorf.

                                   
Esquerda: Andreas Achenbach numa litografia de Adolf Dauthage.
Direita: Oswald Achenbanch num retrato feito por Ludwig des Coudres.

Oswald falece em 1 de fevereiro de 1905, vítima de uma inflamação nos pulmões. Seu irmão mais velho ainda viveria mais 5 anos, vindo a falecer em Düsseldorf a 1 de abril de 1910. Ambos traduziriam toda a necessidade de uma época que exigia mudanças. Mudanças no estilo, na temática e na maneira como produzir e divulgar arte, formando um grande número de discípulos e influenciando uma nova geração de pintores alemães. Seus trabalhos podem ser encontrados em todos os melhores museus e galerias da Alemanha. Muitas de suas obras acabaram se tornando, também, produtos cobiçados de vários colecionadores e galeristas dos Estados Unidos.