quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ARTE DIGITAL

SHU XING LI - Templo Shaolim - China

FLAVIO BOLLA - A cidade da fortaleza - Suíça

Seria inimaginável, bem pouco tempo atrás, que pudesse existir um museu sem paredes, que as obras ali expostas não tivessem sido executadas em nenhum suporte convencional como tela, papel, mármore... Que não precisasse ocupar nenhum metro quadrado de algum valioso quarteirão no ponto mais nobre de uma grande cidade e que principalmente não precisasse de dezenas de funcionários para mantê-lo e protegê-lo. Pois bem, esse tempo já existe. O mundo digital tornou possível a criação desses e outros espaços. Ignorar ou não reconhecer essa realidade é ficar no passado. A arte digital que ocupa os novos endereços virtuais está promovendo e formando novos artistas em todo o mundo. De uma certa forma, todos já estamos inseridos nesse sistema. Se você está lendo esse texto, é graças a hospedagem de uma página virtual, que não foi impressa e que não existe no mundo físico. Esse blog é um simples exemplo de como é possível organizar e montar o seu próprio espaço no mundo virtual. Tudo bem que as quase 352 postagens feitas até aqui mostrem principalmente sobre obras de arte do mundo físico, executadas por artistas do passado e do presente. Mas, não se assuste se, num futuro não muito distante, grande parte dos artistas e suas obras forem produtos somente de um mundo virtual.

DANIEL DOCIU - A máquina do tempo - Romênia

KOOD - Mystery plain - Coréia do Sul

É impossível ficar alheio a essa que é uma das mais novas formas de expressão artística e que certamente veio para revolucionar o nosso tempo. A arte digital está presente em praticamente tudo que nos cerca, desde o visor de seu celular aos mais requintados filmes de ficção científica. Há um certo preconceito com relação a execução e criação da arte digital, mas é preciso frisar veemente que o computador é nada mais que uma ferramenta. É quem o opera que dá vida a toda criação. Uma ideia não nasce digital. Há um cérebro pensante que formula e executa programas que darão origem a infinitas possibilidades de execuções artísticas.

GEORGE MUNTEANU - Piratas - Romênia

ALEX ANDREYEV - Mar branco - Rússia

Toda e qualquer manifestação artística produzida através de processos virtuais e em ambiente gráfico computacional pode ser classificada como arte digital. Mas, ilude quem pensa que criar uma arte digital basta apenas sentar diante de uma tela e manipular algumas teclas. Há quem diga que os programas resolvem tudo e não é necessário ter tanto conhecimento artístico teórico. Isso não é verdade. Um bom artista digital é um conhecedor profundo de todos os conceitos básicos da arte tradicional: perspectiva, volumes, composição, contrastes, tons, teoria cromática, enfim, se não tiver passado por uma boa escola acadêmica de desenho, dificilmente saberá manipular as ferramentas com precisão e qualidade. Vale ressaltar, inclusive, que toda ferramenta de programas digitais é pensada e feita exatamente com o intuito de funcionar como as ferramentas tradicionais. Se você manipula bem os pincéis em uma tela, com um pouco de prática estará manipulando essa mesma ferramenta em ambiente computacional.

BOGADN TOMCHUK - Jovem mulher - Ucrânia

MITCHELL MOHRHAUSER - Retrato de uma jovem - Estados Unidos

A arte digital teve suas primeiras experiências na década de 1960 e foi se aperfeiçoando nas décadas sequentes com uma velocidade incrível, típica do mundo virtual. Relata-se que Andy Warhol tenha criado a arte digital, utilizando um Commodore Amiga, onde colocou o computador em contato com o público no Lincoln Center, em Nova York, em julho de 1985. Ele capturou uma imagem monocromática através de vídeo e a digitalizou em um programa gráfico chamado Propaint. Logo depois manipulou as cores usando preenchimentos de inundação, algo assombroso para a época. E olha que estamos falando de apenas 30 anos atrás. Daí pra cá, cada dia parece evoluir um século e as possibilidades com a arte digital parecem já não ter mais fim.

CAT-MEFF - O fantasma da máquina - Alemanha

VIC 126 - Monica - China

A arte digital mudou também a linguagem. Algumas expressões tiveram de ser criadas em função das atividades que foram sendo desenvolvidas. Termos como interatividade, virtualidade e simulação jamais ganhariam a proporção que tem hoje sem a criação do computador e de todas as suas extensões. E pensar que até meados dos anos 90 do século passado, a arte digital era vista como uma arte marginal, onde os artistas só conseguiam expor suas criações em eventos muito fechados e especializados. A internet veio abrir caminhos inimagináveis para essa nova manifestação artística. Há quem diga até que a arte digital é a nova arte popular. Com certeza, todos já sentiram um pouco de sua presença em suas vidas.

SERGEY KOLESOV - Corrida pela vida - França

LIN ZHANG - Feliz aniversário - China

A arte digital engloba uma série de ramificações que vão desde a simples manipulação de imagens, geralmente fotografias, passando pela ilustração digital, pixel art, animação ou modelagem tridimensional, arte fractal e web art. Não há como fugir, em uma certa proporção, logo você estará sendo visitado por alguma dessas atividades.
Certamente não é muito glamouroso sair por aí com um notebook ou smartphone para fazer um plein air, mas não duvide que isso seja realidade em breve. Cavaletes, tintas, pincéis, lápis, são todos instrumentos que ficarão cada vez mais em desuso. Como praticante da arte tradicional, fico torcendo para que isso ocorra num futuro bem distante, no qual eu já não esteja presente. É uma previsão apocalíptica para a arte tradicional e para a qual já estamos acostumados, mas é algo cada vez mais inevitável. O que me consola é que a arte digital se vale apenas de novas ferramentas. O bom gosto e a procura pelo belo, por aquilo que nos encanta, ainda será o que sempre moveu e moverá o mundo da arte.

OBS: Todas as ilustrações contidas nessa matéria foram produzidas em ambiente computacional por artistas de diversas nacionalidades.

PIOTR JABLONSKI - Tomcat - Polônia

MEREK DAVIS - Ciclo da vida - Estados Unidos

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ANTONINO LETO

ANTONINO LETO - Vista da Baía de Nápoles, com pescadores ao fundo
Óleo sobre tela - 39,3 x 64,2

ANTONINO LETO - Nápoles
Óleo sobre painel - 25,4 x 41,9

A Itália é mesmo um país único. Apesar de sua área territorial não ser grande, sua estrutura peninsular lhe deu uma condição inusitada, sendo o país com o maior litoral do Mediterrâneo. Esta privilegiada particularidade inspirou desde sempre todos os artistas do país. O resultado disso tudo está nas muitas composições que não cansam, sejam pela sua beleza ou por nos mostrar regiões tão particulares e exóticas. Antonino Leto foi um dentre vários artistas italianos que soube muito bem tirar proveito das belezas naturais de seu país. Sua principal fase produtiva tem como temática as muitas praias, enseadas e rochedos do litoral italiano, mesmo sendo um artista versátil e que soube muito bem passear por diversos outros temas.


ANTONINO LETO - Sulla riva Mergellina - Óleo sobre tela - 50 x 82,5

Filho de Pietro e Caterina Puleo, nasceu em Monreale, próximo a Palermo, em junho de 1844. Por toda a vida teria sérios transtornos com a saúde, condição que o obrigaria a mudar sistematicamente de endereços, quando começava a acostumar aos mesmos. Mas, ainda assim, solidificou sua carreira em um dos pilares mais importantes da arte italiana do século XIX: o movimento chamado Macchiaioli. A característica principal do movimento, como o próprio nome sugere, é pintar com manchas de óleo, algo muito parecido com o que seria desenvolvido por outro grupo, o dos impressionistas. Há quem diga até que esses últimos se inspiraram nos artistas italianos, que já desenvolviam tal experiência anos antes. Mas, Paris era o centro do mundo naquela época e os impressionistas a tinham como endereço. É difícil lutar contra um argumento desses.


                                       
Esquerda: ANTONINO LETO - Cuidando das plantas - Óleo sobre painel - 38,5 x 18
Direita: ANTONINO LETO - Descascando vegetais - Óleo sobre tela - 33 x 22

Em 1861, graças ao incentivo financeiro de um tio, Leto encaminha-se para a cidade de Monreale, onde começa seus estudos de pintura com um pintor histórico de nome L. Beard. Mas, são outros contatos na cidade que são suas melhores referências para esse período. Conhece primeiramente o paisagista Luigi Lojacono e através dele o seu filho Francisco Lojacono. Desse último, aprendeu os matizes brilhantes e coloridos da escola napolitana dos Palizzi. Dele também que pega gosto pelo Naturalismo e Realismo.


ANTONINO LETO - Baía em Capri
Óleo sobre tela montada em cartão - 39,5 x 25,2

ANTONINO LETO - Barcos - Óleo sobre painel - 11 x 19

Em 1864, vai para Nápoles para aprofundar seus estudos e é lá que se sente atraído pelos trabalhos de Giuseppe de Nittis, quem defende propostas semelhantes aos Macchiaioli, com algumas pequenas alterações, num movimento que ficou chamado de Scuola di Resina. A saúde lhe obriga a retornar a Palermo, apenas seis meses depois. Lá, fica conhecendo o senador I. Florio, quem lhe encomenda um trabalho com vista de Marsala. Esse foi um feito importante, pois abriu caminho para conquistar sua primeira medalha de prata na Exposição de Arte de Palermo e no ano seguinte, a medalha de ouro na região de Siracusa.


ANTONINO LETO - Brincando na Villa Tasca
Óleo sobre tela - 38 x 56,5

ANTONINO LETO - Pastor nômade num oásis - Óleo sobre tela - 43 x 62

Em 1873 viveu em Portici, onde convive com diversos outros artistas que tinham suas mesmas propostas. Um ano depois, já em Roma, e novamente com patrocínio do senador Florio, encontra-se com Federico Paolo Michetti, outro artista realista, muito dedicado a cenas campestres de seu país. Retorna para Palermo nesse mesmo ano, para se preparar ao concurso que daria direito a um pensionato em Roma, que aliás venceu em 1875, com a obra Colheita de Olivas, um trabalho de construção meticulosa.


ANTONINO LETO - Passeando no parque com filhotes
Afresco - 44 x 27

ANTONINO LETO - Um incidente ao meio dia - Óleo sobre tela - 40,6 x 62,9

Mais uma vez, transtornos com saúde obrigam seu retorno a Palermo, conseguindo a transferência da sua bolsa de estudos de Roma para Florença. Na Toscana, aprofundou ainda mais suas lições voltadas para os Macchiaioli, liberando ainda mais suas pinceladas e conseguindo efeitos mais rápidos e sugestivos. Quase toda sua produção desse período seria comprada pela Galeria de Pisani. Em 1879, a convite do famoso marchand Goupil, muda-se para Paris. Rapidamente obteve prestígio e reconhecimento com cenas urbanas da cidade e seu ateliê tornaria ponto de encontro de vários artistas italianos radicados na cidade, como De Nittis, Morelli e Mancini, além de Manet e Meissonier. Porém, era um período turbulento na cena política e econômica da França, obrigando a ruptura de seu contrato com Goupil e o retorno imediato para a Itália.


ANTONINO LETO - Marina grande em Capri - Óleo sobre tela - Cerca de 1887

ANTONINO LETO - Praia em Florio
Óleo sobre painel - 26 x 42

O que de imediato pareceu um desapontamento, depois acabou se transformando em algo positivo. Antonino Leto voltaria para a Itália mais experiente e mais convicto do novo estilo que queria desenvolver. Faz várias experiências e cada vez mais se deixa influenciar pelas influências impressionistas de Paris. Agora, mais do que em qualquer outra época, as regiões costeiras da Itália viriam dominar suas cenas, sendo que desta vez, ainda mais brilhantes e vivazes. Não é exagero dizer que Capri seria sua fonte definitiva de inspiração. A luz forte e os contrastes marcantes dessa região resultaram em uma pintura ainda mais consistente. Apesar de seu crescente isolamento da cena da arte, em parte devido a razões de saúde, sua casa na Via Tragara tornou-se um ponto de referência para artistas e colecionadores estrangeiros que estavam hospedados na ilha. Antonino Leto ainda sofreria mais alguns abalos com sua saúde, mas sempre insistindo em sua pintura e produzindo com a ajuda de artistas amigos para a divulgação e venda de suas obras.


ANTONINO LETO - O filho do mar
Óleo sobre tela - 60,5 x 80

ANTONINO LETO - Pequena praia em Capri - Óleo sobre tela

Antonino Leto morreu em Capri, em maio de 1913, assistido pelo amigo E. Raimondi e seu aluno M. Federico. No ano seguinte, é organizada em Veneza uma exposição retrospectiva com várias de suas obras. Evento que se repete em 1924.


ANTONINO LETO - Garotas colhendo uvas - Óleo sobre tela - 40 x 63,5

domingo, 16 de fevereiro de 2014

W. JASON SITU

W. JASON SITU - Luz dourada - Óleo sobre tela - 60,96 x 91,44

W. JASON SITU - Manhã em Sedona - Óleo sobre tela - 27,94 x 35,56

É admirável como certos artistas conseguem se tornar diferentes mesmo em propostas já solidificadas e concorridas. A pintura ao ar livre, praticada principalmente na costa oeste dos Estados Unidos, produziu nas últimas décadas uma legião de novos adeptos dessa prática de execução. Fazer algo inédito dentro dessa proposta não é uma tarefa fácil, até porque pintar diretamente no local é muito semelhante em termos práticos, por todos que assim se exercitam. Inovar efeitos, ou mesmo conseguir resultados que fujam do já “habitual” modo de fazer em plein air tem sido perseguido até a exaustão pelos artistas mais experientes.

W. JASON SITU - Palos Verde no outono
Óleo sobre tela - 76,2 x 101,6

W. JASON SITU - Debaixo da Ponte do Colorado - Óleo sobre tela - 22,86 x 30,48

W. JASON SITU - Joshua tree
Óleo sobre tela - 35,56 x 45,72

W. Jason Situ encaixa-se perfeitamente no time dos artistas que nos oferece uma pintura realizada em plein air e com propostas sempre renovadas. Sua pintura é limpa e as pinceladas bem precisas. Composições simples, mas muito bem estruturadas também são o que mais chama atenção em seus trabalhos. Certamente é a cumplicidade com o ambiente que escolheu para viver que comprova o quanto é revestido de naturalidade tudo aquilo que produz.

W. JASON SITU - Tarde de sol - Óleo sobre tela - 60,96 x 91,44

W. JASON SITU - Atmosfera do Canyon
Óleo sobre tela - 40,64 x 50,8

W. JASON SITU - Luz da manhã da Missão São José - Óleo sobre tela - 45,72 x 60,96

Em 1989 ele imigrou para os Estados Unidos, juntamente com sua família, e imediatamente se sentiu fascinado pela paisagem da Califórnia. Tal entrosamento nos faz acreditar que parece ter nascido ali. Adotou a região como a sua mais nova casa e quase tudo que produz está relacionado às paisagens costeiras ou algumas regiões do interior do estado. Desde 1997, expõe e comercializa tudo aquilo que produz ali. Produz bastante, com uma dedicação que vemos em poucos artistas de sua geração. Consequência disso são os vários prêmios e honrarias que já lhe são habituais.

W. JASON SITU - Tarde em Sacred Cove - Óleo sobre tela - 50,8 x 60,96

W. JASON SITU - Vale de Yosemite - Óleo sobre tela

Wei Jason Situ nasceu em Guang Dong, na China, no ano de 1949. Pegou o severo período da Revolução Cultural Chinesa, quando se propôs aos estudos das artes, vindo a concluir os ensinamentos básicos no Instituto de Belas Artes de Guangzhou, uma das mais prestigiadas e concorridas academias de arte da China. A boa formação lhe proporcionou realmente um sólido começo.

W. JASON SITU - Manhã em Laguna Beach - Óleo sobre tela - 60,96 x 76,2 - 2008

W. JASON SITU - Dia de verão em Shell Beach
Óleo sobre tela - 35,56 x 45,72


Membro de várias agremiações artísticas, clubes de pinturas ao ar livre e diversas vezes premiado em concursos e salões, Jason Situ é uma figura de respeito da Califórnia. Como ele próprio afirma, “se esforça ao máximo para continuar a contribuir com a sua parcela pessoal para a beleza do mundo da arte”. Somos convictos que sua parcela é bem generosa.


PARA SABER MAIS:

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PINTURA AO AR LIVRE

JOAQUIN SOROLLA Y BASTIDA - Maria pintando ao ar livre
Óleo sobre tela - 80 x 106 - Coleção particular

A prática da pintura ao ar livre, que no termo francês recebe a designação de plein air, é relativamente antiga. Alguns apontamentos são identificados desde meados do século XVIII, mas é só na metade do século XIX em diante que a prática ganha força e vários adeptos. Essa popularização nesse período deve-se principalmente às primeiras confecções dos tubos de tinta à óleo, que já traziam o pigmento manipulado de fábrica, com várias opções de cores. Isso foi um feito inédito, pois antes cada artista tinha que moer e manipular o seu próprio pigmento e confeccionar a sua própria tinta. A criação do cavalete de campo, pelos franceses, foi outro importante passo para que o movimento ganhasse ainda mais força. Portáteis, com pernas telescópicas e compartimentos para alojar tintas e pincéis, eram ideais para trilhas em campos e montanhas. Também na cidade eram muito versáteis, podendo ser alojados em qualquer canto da casa, sem que ocupassem os grandes espaços dos cavaletes tradicionais de ateliê.

JOHN SINGER SARGENT - O artista pintando - Óleo sobre tela - 1922

Deve-se principalmente aos integrantes da Escola de Barbizon, na França, o gosto por essa atividade que extrapolava os limites do ateliê, indo buscar as fontes de inspiração diretamente da natureza. Essa escola naturalista e realista também apontava em seus esboços a rotina diária dos moradores de áreas rurais. Tais estudos influenciaram, e muito, um outro grupo que ficaria intimamente ligado à prática da pintura ao ar livre, os impressionistas. É praticamente impossível desvincular os impressionistas da pintura em ambiente aberto. E não ficavam restritos apenas às paisagens rurais, captavam também as cenas urbanas, com todo o seu movimento e dinamismo. Outra escola que utilizava bastante do recurso era a Escola de Newlyn, na Inglaterra, com importantes aquarelistas.

ALFRED SMITH - A aquarelista - Óleo sobre tela - 100 x 73 - 1890

Na prática da pintura ao ar livre o artista tenta capturar uma impressão imediata daquilo que o olho vê, e não aquilo que ele sabe pelos conceitos que adquiriu nos estudos em locais fechados. Ali, no ambiente externo, é possível ver como a luz se alterna em momentos diferentes do dia, e como essa alternância influi diretamente no resultado de suas observações. A luz, o principal elemento perseguido nessa prática, é quem dita as normas, quem mostra ao artista as tantas variações brilhantes e todos os efeitos que ela proporciona. Por isso, pintar externamente é uma prática completamente especial em relação a todas as outras, ela desafia os artistas a se concentrarem unicamente naquilo que está a sua frente. Visão, audição e até mesmo o olfato criam todo o clima que deixarão o artista em sintonia com aquilo que irá representar em sua obra. John Constable, um pintor inglês, afirmava que cada artista deve esquecer as fórmulas que aprendeu e confiar mais em seus sentidos. Entrar em sintonia com a natureza e deixar que sua obra seja um fruto dessa comunhão. Ele ainda afirmou: “O paisagista deve andar pelos campos com uma mente humilde. A nenhum homem arrogante jamais foi permitido ver a Natureza em toda a sua beleza”.

JOSÉ MALHOA - Os colegas - Óleo sobre tela - 43 x 52,5 - 1905

Nomes como dos impressionistas franceses Monet, Pisarro e Renoir, eram defensores irrestritos da prática do plein air. Conseguiram adeptos em diversas outras partes do mundo, como os russos Vasily Polenov, Isaac Levitan, Valentin Serov e Konstantin Korovin, além de nomes importantes como os americanos Guy Rose, John Singer Sargent, Childe Hassam, William Merrit Chase, Winslow Homer e Edmund Tarbell. Não esquecer de nome importante como o espanhol Sorolla.

ALFREDO KEIL - Paisagem de Colares - Óleo sobre madeira


No início do século XX, a prática da pintura ao ar livre ainda teria muitos adeptos. Porém, com o grande advento de movimentos modernistas, que utilizavam cada vez mais da produção de obras em grandes dimensões, geralmente produzidas e elaboradas em ateliê, a prática do plein air foi perdendo forças até voltar a tomar novo impulso à partir da década de 1980, principalmente entre os pintores americanos. Hoje, é uma prática amplamente difundida, com um número de adeptos que não para de crescer em todas as partes. Certamente continuará a desafiar os melhores artistas do mundo.

Juliana Limeira e Vinícius pintando na Serra do Luar, em Dionísio/MG.

Kenn Errol Backhaus em Veneza.

Ernandes Silva em São Pedro/SP.