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segunda-feira, 22 de abril de 2013

POR DENTRO DE UMA OBRA - Wilson Vicente

WILSON VICENTE - Praça São Sebastião, Dionísio, cerca de 1970
Acrílica sobre tela - 50 x 80 - 2013

Casario foi o tema que primeiramente levou-me a conhecer os trabalhos do artista mineiro Wilson Vicente. Gostava muito da sua maneira peculiar de representar essa típica vida pacata mineira do passado. Já havia visto várias telas suas representando a cidade de São Domingos do Prata, Ouro Preto e Tiradentes, e passaram muitos anos até que viesse a ver, agora, uma tela sua representando a minha cidade natal em início da década de 70.
Wilson já soma uma carreira de mais de 45 anos, sempre representando com bastante fidelidade a vida mineira interiorana, seja presente ou do passado.



Dionísio teve uma vida agitada em início dos anos 70 e finais da década de 60, quando se gabava de ser um dos municípios brasileiros maiores produtores de carvão vegetal. Até uma rede teleférica, espécie de caçambas suspensas em cabos de aço, ligavam a cidade até a cidade de João Monlevade, cerca de 65 km de distância, levando a produção de carvão daqui. A cena pintada por Wilson retrata exatamente esse momento, com as grandes estruturas chegando à cidade. Elas eram um atrativo à parte, principalmente para as crianças.
Os anos se passaram, felizmente extrair o carvão não é mais nosso orgulho, assim como não parece ser em nenhuma parte do mundo, mesmo sendo feito por florestas remanejadas, como o eucalipto. O município ainda não conseguiu se recuperar da grande lacuna deixada pelo término da produção carvoeira. A economia tenta recuperar sua antiga vocação agropecuária, mas o futuro tem se mostrado bastante incerto.






Abaixo: Imagens da Praça São Sebastião no ano de 2003, no mesmo local representado no quadro de Wilson Vicente.



sábado, 4 de junho de 2011

WILSON VICENTE (José Rosário)

WILSON VICENTE
Rua de Ouro Preto


Não é uma atividade fácil, falar sobre alguém do qual se admira muito. Não só apenas do campo profissional, mas também sobre a pessoa. Conheci Wilson Vicente em 1995, a convite de amigos meus da cidade de São Domingos do Prata. Wilson estaria por lá dando aulas de pintura durante alguns finais de semana. As quatro aulas que assisti com ele, ficaram sendo por assim dizer, toda a minha formação de escola, e até hoje, agradeço imensamente à Maura e ao Quinca pelo convite para estar lá.

WILSON VICENTE - Fundo de engenho
Óleo sobre tela - 70 x 100
Coleção Maura Morais

WILSON VICENTE - Terreiro de fazenda
 60 X 80

Desde sempre, Wilson me pareceu a figura perfeita para encaixar dentro do perfil de um pintor mineiro, no sentido mais real da palavra. Sempre de pouca conversa e falar também sempre manso e muito objetivo. Cauteloso e avesso às exposições públicas, está sempre ali, no seu cantinho, comunicando com o mundo apenas com a sua arte. Ainda um pouco resistente aos contatos tecnológicos da internet, a divulgação de seu trabalho se faz principalmente pela propaganda natural das pessoas que o colecionam.

WILSON VICENTE - Rua em Ouro Preto

Nascido na cidade mineira de Cataguases, em 1951, já tem uma longa trajetória na história da pintura no estado, iniciada num passado já distante, quando tinha apenas 16 anos de idade. Fátima e os filhos são a companhia de toda sua jornada.
Wilson já possui uma sólida carreira, formada toda ela em cima da temática mineira: paisagens, casarios e o dia-a-dia dos personagens do interior que há tanto tempo povoam suas obras.

WILSON VICENTE - Ordenha

WILSON VICENTE - Primavera

Suas cores são bem vibrantes e os seus efeitos bastante convincentes. Em determinados trabalhos há um meticuloso detalhe, elaborado no pincelar de várias seções. Suas sombras são bem iluminadas e há que se destacar vários efeitos relevantes em suas telas: a neblina da manhã, a vegetação de beira de estrada com poeira depositada e a anatomia de animais ao pasto, que já tomam forma apenas pela imaginação.

WILSON VICENTE - Vila
60 x 80

WILSON VICENTE - conversando

De escola, o pouco que aprendeu em termos de artes plásticas, foi com Raimundo Costa, a quem ele atribui o conhecimento das cores. A técnica e o jogo de luzes vieram pela escola da vida, sempre baseando nos trabalhos de Edgar Walter (de quem ele gostaria de ter sido aluno). É também em Edgar Walter a referência pela busca constante do aprimoramento técnico e da perfeição.

WILSON VICENTE - Lavadeiras

WILSON VICENTE - Indo pra lida
60 x 80

Seus trabalhos exalam acima de tudo, muito lirismo. Momentos fugazes do campo em atitudes que parecem ser tão banais, mas tão carregadas de símbolismos e sacramentos.

WILSON VICENTE - Manhã em Ouro Preto
70 x 50

WILSON VICENTE - Tiradentes
50 x 70

Quem não teve escolas tem que treinar à partir de trabalhos de artistas famosos e com quem identificamos”. São palavras do próprio Wilson. Este treino valeu a pena, pois lhe permitiu revelar todo o seu dom artístico, o entender das coisas à partir de como elas são e como foram em um dado momento.
Das poucas vezes que vi Wilson pintando, lembro bem da facilidade no manejo dos pincéis, da habilidade no desenho das figuras e principalmente da intimidade com que tem com as cores.

WILSON VICENTE - Paisagem com fazenda
60 x 80

WILSON VICENTE - Animais no coxo
60 x 80

Ele é catalogado pelo Dicionário das Artes Plásticas do Brasil, Júlio Louzada, em várias edições. Ao longo de sua carreira já participou de diversas exposições e suas obras se encontram em várias coleções, tanto no Brasil quanto no exterior.

WILSON VICENTE
Igreja São Francisco de Assis, Tempo nublado
60 x 80

WILSON VICENTE - Festa do Congado
50x70

Gostaria de vê-lo mais em exposições, individuais ou mesmo coletivas, que mostrassem o seu trabalho, principalmente a força do conjunto que há nele. Suas cenas rurais parecem, quando isoladas, capítulos de algum filme, ainda em andamento. Seria muito bom ver muitos deles juntos, algo como uma seção de cinema em imagens congeladas.

Seus trabalhos sempre representarão muito bem Minas e todas as suas tradições.

  

PARA SABER MAIS:

ou (19) 9906-9004

terça-feira, 30 de novembro de 2010

AS QUATRO ESTAÇÕES: Dicas para pintura de paisagens (José Rosário)

EDGAR WALTER - Paisagem
Óleo sobre tela - 65 x 80 - 1982
Com o término do inverno e a chegada das primeiras
chuvas de primavera, a vegetação se enche de brotos e
dá um espetáculo à parte sob a luz da manhã.


Apesar de o território brasileiro ocupar uma grande área, não temos por aqui estações climáticas tão bem definidas quanto a outros países mundo afora. Em quase todo o país, as estações se distinguem principalmente pela queda ou subida de temperatura, ficando assim a sensação que possuímos no ano, apenas inverno e verão.
Uma das causas é que quase a maior parte do território brasileiro está localizada entre as linhas que definem a região tropical do planeta, chamadas: Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio. Abaixo e acima dessas linhas, as estações já se definem com mais nitidez.
Mesmo assim, o mudar das estações aqui no Brasil traz alterações consideráveis. Com o olhar um pouco mais curioso, podemos detectar que essas mudanças realmente acontecem. Elas interferem, e muito, no resultado das composições de paisagens.


T.M. NICHOLAS - Porto de Essex
Óleo sobre tela - 76 x 102
Em países localizados mais ao norte e ao sul do
globo terrestre, o inverno é marcado principalmente
pela incidência de grandes nevascas. Para captar cenas
como essas, é preciso um olhar atento e criterioso, pois são
bem variados os tons de cinzas azulados.

O volume de folhagens das árvores, o colorido mais ou menos acentuado, o aumento ou diminuição de contrastes, a umidade... Vários fatores como esses fazem com que certas cores entram ou saiam da paleta em momentos diferentes do ano. O uso correto de cores alternativas para estações diferentes, pode auxiliar consideravelmente para a captação desses sutis efeitos.
Se você quiser conseguir suas misturas usando apenas as cores primárias e secundárias, que é aliás uma regra que acho bastante desafiadora e instrutiva, desconsidere essas minhas próximas dicas. Agora, se acha que algumas variações dessas cores possam realmente colaborar com a obtenção de misturas mais ricas, essas sugestões serão bem válidas.



Clyde Aspevig e Carol Guzman pintando ao ar livre.
O exercício no local permite selecionar melhor os tons e as cores,
além de tornar o trabalho mais dinâmico e seguro.

CLYDE ASPEVIG - Pinheiros no outono
Óleo sobre tela - 76 x 102
Não temos no Brasil, estações muito bem definidas como certas regiões
dos Estados Unidos e países do hemisfério norte. Nessa demonstração,
Aspevig explora muito bem os tons quentes do outono americano.

Procurei criar uma paleta para cada estação do ano, tomando como referência a paisagem mineira, que é onde vivo, e na qual posso vivenciar minhas experiências. Ilustrarei com trabalhos meus e de outros artistas, que mesmo distantes da região onde moro, conseguiram misturas muito próximas das que consegui.
O exercício que mais ajudará na comparação dos efeitos das cores sobre as estações é, seguramente, a pintura ao ar livre (plein air painting). Sempre que possível, faça uso dessa poderosa atividade.
Em todas as paletas utilizei o branco de titânio, por se tratar da variedade menos tóxica dessa cor. Toxicidade é aliás, assunto para uma das próximas matérias.

VERÃO
O verão talvez seja a estação do ano que mais desafios ofereça ao artista, para a captação de seus efeitos. O verão brasileiro é, quase que na totalidade do território, muito úmido. Isso favorece o crescimento constante e maciço de vários tipos de plantas simultaneamente, criando um visual com predominância excessiva de verdes. Não é muito fácil, principalmente a iniciantes, captarem diferenças mínimas entre os verdes e fazerem delas aliadas seguras para ajudarem em sua composição. É de muita valia nessa empreitada, uma composição equilibrada, que mescle vegetação e áreas limpas, com a mostra de diferentes tonalidades de terras, bem como explorar cenas mais abertas, que dêem ênfase aos céus variados e geralmente nebulosos dessa estação.
Paleta de verão
Branco de titânio
Amarelo limão
Amarelo ocre
Verde esmeralda
Verde vessi
Azul de cobalto
Azul ftalo
Azul ultramar
Vermelho de cromo claro
Terra se siena natural
Terra de siena queimada
Carmim
Sépia
JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem em Petrópolis
Óleo sobre tela - 102 x 150
Poucos artistas souberam captar tão bem a atmosfera de um verão
tipicamente brasileiro. Perceba que o excesso de verde que prejudicaria
uma composição amadora, ganha sofisticação nas mãos desse hábil pintor.
Tons mais azulados para as sombras e quentes sob a luz.

CÂNDIDO OLIVEIRA - Paisagem rural
Óleo sobre tela- 70 x 100
Áreas abertas, céus nebulosos e diferentes tons para os verdes:
receita para uma boa composição de verão.

LUIZ PINTO - Encosta com árvore
Óleo sobre tela
Uma composição aparentemente simples, mas muito bem equilibrada. Uma 
faixa de verde mais quente atravessa o centro da composição. Em tons bem
escuros, a árvore foi deslocada para a direita, permitindo ao observador se
deixar guiar até o fundo.


OUTONO
Intercalando a estação quente do verão e geralmente fria do inverno, está o outono. É nesse período que as árvores perdem suas folhas e se preparam para as menores temperaturas que virão. E o que mais encanta nessa estação é exatamente isso, a transformação pela qual passam todos os vegetais.
Tenho uma atração muito grande por essa estação, pois ela permite o uso de uma paleta mais quente, com predominância de cores mais terrosas e bastante variadas. Os céus se tornam mais límpidos e os tons neutros parecem se realçar, pois estão sempre rodeados de alguma cor avermelhada ou próxima disso. Os galhos e troncos também ficam mais evidentes, criando uma variedade imensa de silhuetas e texturas.
É uma ótima oportunidade para você confirmar, pela observação, que a paisagem brasileira não é tão verde como se imagina. Exercícios ao ar livre são ideais para essa época, pela pouca incidência de chuvas que ocorre. É a estação ideal para você incrementar mais colorido em seus trabalhos.
Paleta de outono
Branco de titânio
Amarelo de cádmio claro
Amarelo ocre
Amarelo indiano
Terra de siena natural
Terra de siena quimada
Sombra queimada
Azul de cobalto
Azul ultramar
Vermelho de cádmio claro
Sombra natural
Terra de sombra queimado
Verde óxido de cromo
Verde veronese
Sépia

MAURO FERREIRA - Beira de rio com cabras
Óleo sobre tela - 30 x 40

JOSÉ ROSÁRIO - Paisagem com pequeno leiteiro
Óleo sobre tela - 60 x 90

CLÓVIS PÉSCIO - Paisagem com cargueiro
Óleo sobre tela - 50 x 70
Acima, três situações de paisagens brasileiras em pleno outono.
Observe o uso de verdes queimados e a colocação de vários
tons terrosos em todas as composições.

INVERNO
O Brasil tem pouquíssimas regiões onde a ocorrência de geadas e neve dão sinais de presença no inverno. Com exceção da região sul, o restante do país só observará geadas mais intensas em terras mais altas de cadeias montanhosas do sudeste. Portanto, o inverno traz muito mais a lembrança de dias com bastante cerração e de coloridos mais desbotados.
Prepare para usar nessa estação diversas misturas de tons neutros. É também uma ótima oportunidade para aprender a trabalhar com todas as variantes de azuis e cinzas.
Não é de se estranhar que às vezes, mesmo sob frio intenso, o céu se abra num azul vívido e ensolarado. É nessa hora que os cinzas, que no início da manhã se pareciam mais azulados, tornam-se então mais dourados e terrosos, abrindo uma possibilidade para um colorido mais diversificado nessa estação que aparentemente é mais sombria.
Paleta de inverno
Branco de titânio
Amarelo limão
Amarelo ocre
Azul ftalo
Azul ultramar
Azul de cobalto
Gris de payne
Carmim
Violeta permanente
Vermelho de veneza
Terra de siena natural
Sépia
ALEXANDRE REIDER - Animais em beira de rio
Óleo sobre tela 

JOSÉ ROSÁRIO - Começando o dia
Óleo sobre tela - 30 x 40

WILSON VICENTE - Manhã gelada
Óleo sobre tela
Nas três cenas acima, típicos ambientes de inverno brasileiro, onde a presença
de cerração e neblina dão o ar da estação.

PRIMAVERA
É essa uma outra grande estação que tenho preferência para pintar.
Após os longos dias frios de inverno e com as primeiras chuvas do início da primavera, todos os vegetais começam uma profusão enorme de brotos, tornando a paisagem com uma variedade enorme de novos tons e opções de coloridos.
Saia numa manhã ensolarada de primavera e veja como, juntamente com todos os galhos e ramos, ainda secos e avermelhados, também se misturam tons variados de verdes e amarelos dos novos brotos que começam a se desabrochar.
É uma estação mais confortável para todos que iniciam a pintura de paisagens. Os verdes são mais intensos e menos sutis que nas outras estações. Também são menos densos que no verão, quando todas as folhagens já estão amadurecidas. E ainda há a irresistível vontade de colorir um pouco mais as cenas, pela imensa variedade de flores que estão por todos os lados.
Paleta de primavera
Branco de titânio
Amarelo limão
Amarelo ocre
Terra de siena natural
Sombra natural
Terra verde
Azul de cobalto
Azul ftalo
Carmim
Rosa de garança
Verde esmeralda
Verde vessie
Verde viridian
Verde veronese
Vermelho de cádmio claro
Sépia
ANDERSON CONDE - Portal das flores
Óleo sobre tela

JOSÉ ROSÁRIO - Galopando
Óleo sobre tela - 60 x 90

JÉSUS RAMOS - Paisagem com carro de boi
Óleo sobre tela - 80 x 120
A primavera no Brasil é marcada principalmente pela floração dos
ipês. Nessa época, com as primeiras chuvas depois do inverno, a
vegetação se cobre de novos e viçosos brotos.


domingo, 14 de novembro de 2010

DICAS IMPORTANTES PARA UMA BOA PINTURA (José Rosário)

É sempre bom lembrar que uma dica não é uma regra exata a ser seguida. É apenas uma sugestão. Cada pessoa encontra uma melhor maneira de conseguir os seus efeitos e eles podem ser conseguidos de várias maneiras. Mas, um atalho ajuda sempre a encurtar os caminhos.
Eis algumas dicas que fazem muita diferença:

1 . Quando usar uma fotografia como referência, não a copie, interprete-a. As fotos são até importantes para a captação de um momento, mas, é a prática da observação, principalmente do natural, que irá treinar melhor o olhar.

Fotografia de referência

Executando...

Obra acabada:
JOSÉ ROSÁRIO - BEIRA DE RIO COM ÁRVORE SECA
óleo sobre tela, 70 x 120
Acervo particular, Ipatinga/MG

2 . Áreas grandes, pincéis grandes. Áreas pequenas, pincéis pequenos. O uso incorreto do pincel em determinada área compromete o efeito que se deseja, por isso, não hesite em trocar um pincel quando se fizer necessário.
3 . Toda pintura tem um ponto de interesse principal, que determina todas as áreas da composição. É por ele que se deve fazer todos os contrastes de tons e cores, do contrário, o ponto de interesse se perde e a pintura se torna cansativa.

JOÃO ORNELAS - CRIANÇAS BRINCANDO
óleo sobre tela, 70 x 100
Coleção particular de Expedito Drumond
O ponto de interesse do quadro são as crianças brincando. Isso foi
valorizado ao se deixar os outros espaços com poucos detalhes.

4 . A área positiva de uma composição nunca deve ser igual a sua área negativa. Uma ou outra área é que deve dominar a composição. 
A grosso modo, área positiva é aquela que concentra o maior número de figuras e a área negativa, as áreas vazias.

JOSÉ ROSÁRIO -  CONDUZINDO A TROPA
óleo sobre tela, 50 x 70
Acervo particular
As áreas negativas (vazias) da composição realçam as áreas positivas (com figuras)
da cena acima.

5 . Detalhe apenas os pontos de interesse da composição. O olho é sempre atraído para as formas complexas, portanto, onde não é necessária a atração da atenção, dilua as formas.
6 . Cores quentes projetam as figuras para a frente, cores frias as recuam. Ao misturar uma cor, compare a mesma com outras ao seu redor, antes de pintar. Fazendo assim, não correrá o risco de colocar temperatura errada no local errado.

WILSON VICENTE - PREPARANDO PARA A ORDENHA
óleo sobre tela, 60 x 80
Acervo particular
Um bom exemplo de como as cores determinam a temperatura na pintura. 
No primeiro plano, cores bem quentes. Mais ao fundo, em segundo plano, 
cores frias que fazem aumentar a sensação de distância.

6 . Um bom exercício para aprimorar as pinceladas é conseguido ao condicionar a duração de execução do mesmo. Comece fazendo um exercício com um prazo de 30 minutos, depois repita-o com apenas 20 minutos. Quando estiver conseguindo fazer o mesmo exercício com 15 minutos, terá aprimorado bastante suas pinceladas, pois terá treinado a habilidade de selecionar apenas o que é necessário. Um bom quadro não é necessariamente o mais detalhado, mas, o que consiga transmitir melhor a atmosfera desejada.
7 . O ritmo das figuras é a chave para uma boa composição. Ele é criado de várias maneiras,  como o direcionamento das linhas, localização dos objetos, repetição de imagens e variedade nas formas e nos tamanhos.

PEDER MORK MONSTED  - PAISAGEM COM TRENÓ
óleo sobre tela

PEDER MORK MONSTED - BEIRA DE RIO COM ANIMAIS AO FUNDO
óleo sobre tela
Duas excelentes demonstrações de como as cores tem um aspecto determinante
na temperatura de um quadro. No primeiro, o uso de vários matizes de azuis acinzentados
criam um clima gelado necessário para o ambiente. Já no segundo, as cores quentes
e variadas realçam o colorido de um dia quente de verão.  
O uso de linhas de direcionamento e a repetição de elementos parecidos 
também contribuem para o ritmo das obras.