sábado, 14 de julho de 2018

A ARTE NO SÉCULO XIX: Parte 1


ETTORE FORTI - Mercador de tapetes em Pompéia - Óleo sobre tela - 49 x 77,5

As escavações arqueológicas nas cidades de Pompeia e Herculano,
iniciadas no século XVIII, abriram caminho para o
retorno à antiguidade clássica como referência maior para
a manifestação artística. No século XIX, isso teria uma
importância fundamental nos estilos e temas abordados.

GIOVANNI MUZZIOLI - Jovens jogadores de bocha - Óleo sobre tela - 60 x 100

Assim como para fazer um diagnóstico correto de um paciente que chega a uma clínica é preciso saber o seu histórico de vida, também para conhecer melhor um período da História é necessário conhecer os períodos que antecederam a ele. No paciente, uma conclusão sem análise prévia pode não apenas chegar a uma conclusão errada de sua enfermidade como não curá-la. Na história, iguais injustiças podem acontecer. Há ainda a possibilidade de, na história, haver interesses particulares e os fatos serem distorcidos, fazendo com que, no futuro, essa força e poder deixem a história mal contada, trazendo sérios riscos para a memória da humanidade. Se quisermos entender o século XIX e todo o contexto histórico desse período, principalmente no que se refere à arte desenvolvida nessa época, teremos que voltar um pouco antes. Conhecer os personagens e todo o contexto social no qual estavam inseridos é o primeiro passo para se chegar a uma análise mais próxima da realidade. Um pouco da grande mudança artística ocorrida no século XIX acontece décadas antes, na Itália principalmente, e envolve personagens de diversas áreas e de diversas nacionalidades.

FILIPPO PALIZZI - Escavação em Pompéia
Óleo sobre tela - 118 x 85
Um fato curioso nas escavações das cidades italianas, é que a
mão-de-obra feminina era usada indiscriminadamente. Aos homens,
cabia o trabalho de escavar, e a elas o trabalho de carregar o
produto das escavações.

LOUIS FRANÇAIS - Escavações em Pompeia - Aquarela sobre papel - 36,2 x 47,5

A chegada do século XIX acenava um período muito bom para a Itália. Guardadas as devidas proporções, houve quem acreditasse que estariam de volta os velhos tempos áureos do Renascimento. Isso devido às escavações iniciadas em Pompeia e Herculano, que trouxeram à cena a intimidade com a Antiguidade. Destruídas pela erupção do Vesúvio no ano 79 dC, as cidades tiveram suas estruturas preservadas, tal como se estivessem congeladas no tempo. Pessoas foram pegas de surpresa e não tiveram como fugir. Muitas delas foram petrificadas ainda em suas casas. Iniciadas em 1738, as escavações nas duas cidades revelaram um cenário nunca antes visto ou imaginado. Podia-se caminhar por uma cidade romana praticamente inteira, com ruas pavimentadas, lojas, casas e anfiteatros. Com exceção dos telhados e algumas paredes que desabaram com o peso das cinzas; as cidades inteiras estavam bem conservadas.  Principalmente em Pompeia, onde os estragos estruturais não foram iguais aos de Herculano, a decoração original ainda continuava nas paredes, além dos utensílios domésticos. Toda essa descoberta acabou tendo um grande impacto nos estilos neoclássicos do século XVIII e no início do século XIX por todo o mundo ocidental.

AUGUST KNOOP - Sociedade rococó - Óleo sobre tela - 25,5 x 30

CARL SCHWENINGER JR - Fofoca no salão - Óleo sobre painel - 47 x 60

CLETO LUZZI - O recital - Óleo sobre tela

No período Rococó, a sociedade experimentava um 
período de extravagâncias. Há historiadores que
o classificam como o período da frivolidade e
desperdícios. Esse excesso, que era percebido
em tudo, desde a arquitetura à maneira de agir,
seria substituído em breve pelo Neoclassicismo.

Não era somente o fato inusitado das descobertas que prometia trazer severas mudanças ao cenário artístico europeu (que era quem ditava as regras da arte naqueles tempos). O Barroco já dava ares de um movimento exaurido. Como na história da arte, assim como na história da humanidade, um período de liberdade é sempre sucedido por um período de disciplina, a frivolidade dos tempos do Rococó estava com os dias contados. O retorno às antigas origens da arte europeia, com base principalmente nas escavações que se iniciaram nas cidades italianas citadas, trouxe à cena uma espécie de novo Renascimento. O Neoclassicismo ganhou força e marcou uma nova fase na História da Arte.

IPPOLITO CAFFI - O Pantão, Roma - Óleo sobre tela - 23,1 x 30,1

Roma e Veneza tornaram os centros mais movimentados na
Itália daqueles tempos. Mas, a promessa de um novo
Renascimento se tornava cada mais distante da realidade
do país. Foram os estrangeiros, as figuras mais
importantes daquela época.

CANALETTO - O pier, com a Casa da Moeda e a Coluna de St Theodore
Óleo sobre tela - 110,5 x 185,5

Roma retomava o posto que lhe fora de direito cerca de 300 anos antes. Por ironia, os romanos e os italianos tiveram uma participação modesta nessa nova fase. Eram os estrangeiros, vindos de toda parte, que chegavam ali para completar os estudos e instruir-se nas artes, principalmente. Praticamente vieram artistas de todos os continentes, de diversas nacionalidades. Alguns locais em Roma e Florença pareciam verdadeiros ateliês estabelecidos. Numa espécie de conquista do território italiano, todas as regiões foram praticamente invadidas. Veneza revelava um cenário exuberante e único, Florença e Roma ressuscitavam a antiguidade esquecida, o litoral revelava um país quase exótico aos olhos de artistas de todos os cantos que chegavam ali.

PIERRE SUBLEYRAS - O estúdio do artista - Óleo sobre tela - 1740

Se do Renascimento ao Barroco o artista era geralmente
sustentado por mecenas e trabalhava exclusivamente
em seus estabelecimentos (geralmente palácios e
igrejas), à partir do século XVIII ele passava a ter
seu próprio ateliê e tornara assim, um profissional
independente. No século XIX isso ficaria ainda
mais definido.

ALFRED STEVENS - O pintor e sua modelo - Óleo sobre tela - 1855

Os alemães tornaram os teóricos desse novo movimento. Isso sempre pareceu uma vocação natural daquele país. Deixaram uma notada contribuição no registro histórico desse novo tempo. Johann Joachim Winchelmann é a figura mais ressaltada entre eles. Historiador de arte e arqueólogo, foi o primeiro a estabelecer distinções entre Arte Grega, Greco-romana e Romana, o que se tornou decisivo para o surgimento e ascensão do Neoclassicismo. Winckelmann foi também um dos fundadores da arqueologia científica moderna e foi o primeiro a aplicar de forma sistemática categorias de estilo à história da arte. É considerado por isso, o pai da História da Arte. Infelizmente não dedicou à sua vida particular a atenção que dava aos estudos e teve um final trágico, que vale ser conferido em sua biografia.

GIULIANO ZASSO - Na Piazza San Marco, em Veneza
Óleo sobre painel - 47,5 x 37,5

Com as escavações em Pompeia e Herculano, e também
em outros sítios arqueológicos que foram sendo
explorados nesse período, visitantes de todas
as partes do mundo queriam ver as novidades
do mundo antigo. O conceito de turismo como conhecemos
hoje, é provável que tenha surgido nesse período.

LUIGI BAZZANI - Uma vista de Pompéia - Óleo sobre tela

Da Alemanha não vieram apenas os teóricos, artistas também tomaram espaço entre eles. Rafael Mengs e Vien foram os mais expoentes deles. Também ligados ao grupo estavam artistas como a suíça Angélica Kauffmann e Tischbein. Mas, de várias partes do mundo eles iam surgindo e obtendo influência e força nos novos movimentos. O escultor Trippel, o dinamarquês Carstens, os ingleses Flaxman e Gavin Hamilton e até mesmo o americano Benjamin West. Todos se diziam fanáticos pelos desenhos de contornos, imitados de vasos gregos e que se tornaram uma espécie de frenesi entre colecionadores. Mas, foi um francês, de nome Jacques Louis David quem daria um novo impulso ao movimento Neoclassicista daqueles tempos. Graças a ele e ao contexto político francês, Roma perderia o status de cidade sede da grande renovação artística daqueles tempos e Paris se tornaria o ponto de referência da grande revolução cultural daqueles novos tempos. E isso é assunto para a nossa próxima matéria.

JACQUES LOUIS DAVID - Eraístrato descobre a causa da doença de Antíoco
Óleo sobre tela - 120 x 155 - 1774

O mundo clássico antigo foi o tema predominante na obra
do francês David. E com ele, uma série de grandes
mudanças ocorreriam em vários campos da arte.

ANGÉLICA KAUFFMANN
Retrato de Johann Joachim Winchelmann
Óleo sobre tela - 97 x 71 - 1764

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MAIS OBRAS DESSE PERÍODO PODEM
SER ACOMPANHADAS NO LINK A SEGUIR:


domingo, 8 de julho de 2018

UM SÉCULO DE CONTRASTES


GAETANO CHIERICI - O questionador - Óleo sobre tela - 56 x 79

JOAQUÍN SOROLLA Y BASTIDA - Pescadores valencianos - Óleo sobre tela - 65 x 87 - 1895

Uma das péssimas características dos tempos atuais é a superficialidade. Abrangente para todas as áreas possíveis a que se possa usar a palavra, mas especialmente para o conhecimento. Quer-se saber muito, mas se instruir pouco. Exatamente no momento onde o acesso para todo e qualquer tipo de pesquisa se faz facilitado, graças à presteza da internet, as pessoas se contentam com o máximo superficial possível de cada informação. Se você já chegou até aqui nessa leitura, não se assuste ao que irei afirmar: muitos passarão por esse texto vendo apenas as belas imagens que escolhi para ilustrar, sem se ater para o chamado de atenção, que é o ponto forte de minha proposta nesse momento. Assim, o que possibilitaria uma evolução cultural do ser humano, torna apenas uma ferramenta para conquistas egoístas momentâneas, típica do prazer fugaz superficial.

WLADISLAU VON CZACHORSKI - O bouquet
Óleo sobre tela - 40 x 29

JOHN SINGER SARGENT - Lady Agnew de Lonhaw
Óleo sobre tela - 125,7 x 100,3 - 1892

Se você sai à caça de conteúdo que amplie seu conhecimento sobre a arte do século XIX, por exemplo, que será nosso enfoque principal nesse momento, não deve se restringir somente a salvar belas imagens com alta resolução. A história e todo o envolvimento humano por trás de cada obra daquele período fará com que suas pesquisas ganhem um outro patamar. Certamente você sairá do campo da superficialidade para uma informação que lhe traga muito mais essência e conteúdo. Conheço várias pessoas que compram livros de arte caríssimos, fartamente ilustrados, mas que nunca se deram ao trabalho de ler sequer dois capítulos daquele mesmo livro sobre a vida do artista. Contentam apenas com a imagem que seduz e perdem a excelente oportunidade de conhecer mais profundamente o ser que têm por referência.

DANIEL MACLISE - A consulta com a cigana - Óleo sobre tela - 61 x 50,8

VITTORIO MATTEO CORCOS - Sono - Óleo sobre tela - 160 x 135 - 1896

Evoluímos basicamente de duas formas, horizontal e vertical. Evoluímos horizontalmente quando ampliamos o conhecimento de determinada área, com interesses para se obter um retorno imediato com ela, geralmente financeiro ou de status. Não que isso seja de todo ruim. Evoluímos verticalmente quando o conhecimento transcende o campo dos interesses individuais e há uma notada preocupação e intenção de que se eleve a condição humana de todas as pessoas, de uma maneira geral. Salvar apenas imagens dos trabalhos de artistas de que você admira amplia o conhecimento horizontal, você muda como pessoa. Salvar imagens desses mesmos artistas e entender todo o processo social e histórico que os levaram a produzi-las, amplia o conhecimento vertical, você transforma como pessoa. Há uma diferença muito grande em mudar e transformar. Quando você apenas muda, ainda há a possibilidade de voltar a ser o que era. Quando você se transforma, você nunca mais será o mesmo.

ALFRED PETIT - Natureza morta na cozinha - Óleo sobre tela - 175 x 251,5 - 1891

GEORGIUS JACOBUS JOHANNES VAN OS - Uma opulenta natureza morta
Óleo sobre tela - 82 x 66,1 - 1837

A minha proposta à partir dessa matéria é apresentar um conteúdo mais sólido e profundo sobre a arte do século XIX, um dos séculos mais revolucionários e necessários para se entender de uma maneira mais vertical a história da arte. E faremos isso em tantas matérias quantas forem possíveis, trazendo não somente a beleza de imagens muito bem selecionadas e instrutivas, mas procurando abordar sobre tais trabalhos de uma maneira mais holística, tentando entender e absorver ao máximo as boas informações que podem nos passar todos os grandes nomes daquele período.

                                                     
Esquerda: MATHURIN MOREAU - Flora - Argila - 92 cm de altura
Direita: ERNEST JUSTIN FERRAND - Pescador com arpão - Bronze - 114 x 38

Abaixo: JOSEPH JANSEN - Vista do Lago Lucerna - Óleo sobre tela - 94 x 130,5 - 1900


O século XIX talvez seja tão polêmico pela sua diversidade em si. Um século de contrastes, onde os estilos dominantes da cena foram substituídos por uma nova alternativa de olhar e fazer arte. E tudo pareceu tão intenso naqueles tempos exatamente por isso. Se pudermos imaginar o Bouguereau entre os mestres renascentistas, dois ou três séculos antes, talvez não teria o impacto que teve em seu tempo. Foi exatamente por dividir a cena com movimentos tão revolucionários, como o Impressionismo, que o conhecemos como é hoje. O próprio Impressionismo assumiu o ar de inovador pelo fato de emergir numa cena consolidada no mais refinado academicismo. Como disse o filósofo Heráclito, muitos séculos antes, “A oposição traz concórdia. Da discórdia nasce a mais bela harmonia”. Para os experimentos que fizeram o homem caminhar na sua trajetória na história da arte, nada melhor e mais enriquecedor que os contrastes e o louvor a tanta diversidade. E isso, o século XIX teve de sobra.

MONET - Banhistas em La Grenouillere - Óleo sobre tela - 73 x 92 - 1869

VAN GOGH - A Ponte Langlois, em Arles, com lavadeiras - Óleo sobre tela - 54 x 65 - 1888

Mas não vamos aprofundar tanto por hoje. A matéria desse momento é apenas um chamado. À partir de agora, faremos uma viagem prazerosa e muito proveitosa em torno da fantástica arte desse século tão intenso e enigmático. E que ao caminhar de todos os nossos encontros tenhamos realmente nos transformado, não apenas como conhecedores da história da arte, mas principalmente como pessoas.
Para os que tiverem acesso ao Facebook, foi criada uma página especial sobre a arte do século XIX. Lá haverá conteúdo de imagens somente, o conteúdo teórico ampliaremos por aqui. O link para acesso segue abaixo:

https://www.facebook.com/Arte-no-S%C3%A9culo-19-1808532979454431/?modal=admin_todo_tour

domingo, 10 de junho de 2018

HENRY WOODS


HENRY WOODS - Aos pés da Rialto - Óleo sobre tela

HENRY WOODS - Igreja dos frades, Veneza - Óleo sobre tela

Henry Woods foi um dos mais consagrados pintores da dita safra neo-veneziana. Nascido na cidade inglesa de Lancashire, a 22 de abril de 1846, visitou a cidade de Veneza pela primeira vez em 1876. Ficou tão encantado com tudo que viu por lá, que ali passou o resto de sua vida, visitando a Inglaterra ocasionalmente em algumas viagens. Na história da arte isso parece um fato muito comum. Nomes consagrados como Picasso, que nasceu na Espanha, mas viveu e trabalhou a maior parte de sua vida na França, El Greco, que da Grécia só herdou o nome, mas que passou toda sua vida na Espanha e muitos europeus que se refugiaram nos Estados Unidos, quando no auge na segunda grande guerra. Henry Woods se ambientou tão bem, que muitas biografias suas o citam como um pintor veneziano. E assim o foi realmente.

HENRY WOODS - Carregadora de água em Savassa, Itália
Óleo sobre tela

HENRY WOODS - Rivais, Veneza - Óleo sobre tela

HENRY WOODS
Preparativos da primeira comunhão
Óleo sobre tela

Seu pai, William, era penhorista e por algum tempo conselheiro municipal; sua mãe, Fanny, uma dona de loja. Ele era o mais velho de nove irmãos. Woods estudou inicialmente em Warrington. Uma medalha de bronze, do Departamento de Ciência e Arte, acabou por lhe conceder uma bolsa para estudar na South Kensington School of Art, mudando-se para Londres em 1865 com seu colega de arte Luke Fildes. Os dois se tornaram o melhor amigo um do outro e confidente artístico para a vida. Em 1869, tanto Woods e Fildes se tornaram ilustradores para o jornal The Graphic, e o fizeram associando com os artistas John Everett Millais, Hubert von Herkomer e Frank Holl. No mesmo ano, Woods começou a expor na Royal Academy e continuou a fazê-lo até a sua morte. Já possuía um estilo bem definido, influenciado por Carl van Haanen e Eugen de Blaas.

HENRY WOODS - Cena de Veneza - Óleo sobre tela

HENRY WOODS - Rua em Veneza - Óleo sobre painel

HENRY WOODS - Num canal em Veneza - Óleo sobre tela

Em 1871, Woods e Luke Fildes estavam hospedados juntos em Finsbury, Londres, e mais tarde em 22 King Henry's Road, em Haverstock Hill, onde cada um tinha um estúdio. Ambos faziam parte de um círculo de desenho de paisagem ao ar livre que incluía Marcus Stone e Charles Edward Perugini. Saíam sempre para desenhar e esboçar nos arredores de Londres, de preferência nos verões e primaveras. Em 1874 Woods tornou-se cunhado de Fildes, casando-se com sua irmã, Fanny, também artista.

HENRY WOODS - La Tombola - Óleo sobre tela - 91 x 71

HENRY WOODS - Uma cena de canal veneziano - Óleo sobre painel - 47 x 73 - 1886

HENRY WOODS - San Trovaso, Veneza - Óleo sobre tela

Com a chegada de Woods em Veneza, em 1876, ele tornou-se amigo da colônia de artistas de Ludwig Passini, August Von Pettenkofen, van Haanen, Eugen de Blaas, Wolkoff, Ruben e Thoren. Ele conheceu Whistler em 1879-80, apresentando-o a Roussoff e fez amizade com John Singer Sargent. No verão de 1880, ele visitou a Inglaterra e assumiu uma comissão nos Rifles dos Artistas - ele havia sido voluntário por alguns anos - praticando manobras em Wimbledon Common e postando guarda em banquetes da Royal Academy.

HENRY WOODS - No cais - Óleo sobre tela

HENRY WOODS - Idílio pastoral - Óleo sobre tela

HENRY WOODS - Feitiço do cupido - Óleo sobre tela

Além de van Haanen e de Blaas, outras influências na obra de Woods incluem William Logsdail, que trabalhou em Veneza a partir dos anos 1880 e Frank Bramley, que fundou a Escola Newlyn. Durante a década de 1880, houve grande entusiasmo dos colecionadores britânicos por quadros de Veneza. Isso pode ser parcialmente devido à influência de "Stones of Venice", de John Ruskin, um tratado sobre arte e arquitetura venezianas, publicado em 1851-3. Woods continuou a exibir regularmente cenas do gênero veneziano na Royal Academy até o final de sua vida.

HENRY WOODS - Contemplando as artes clássicas - Óleo sobre tela

HENRY WOODS - Uma festa cristã em Veneza - Óleo sobre tela

HENRY WOODS - O vendedor de água veneziano - Óleo sobre tela

Foram suas pinturas de Veneza, em 1881, Ao pé do Rialto e Namoro de gondoleiros que ajudaram sua afiliação à Real Academia em 1882. Em 1893, tornou-se membro de pleno direito, ao lado de Henry Moore e John MacWhirter. Antes de 1882, ele tinha um estúdio na Casa Raffaelli, após o qual ele levou um estúdio maior com vista para o Grande Canal, perto da igreja de San Maurizio, enquanto trabalhava na vila de Serra Valle durante o calor do verão veneziano. Um dos visitantes de seu estúdio foi o Imperador Frederico, que discutiu favoravelmente suas pinturas de Serra Valle. Durante 1890-92, Woods escreveu cartas de Veneza para publicação no The Daily Graphic. Não se contentava apenas em retratar a cidade. Todo o sentimento e emoção que recebia daquele lugar deveria ser divulgado de todas as maneiras por ele.

HENRY WOODS - Um estúdio no interior - Óleo sobre tela

Em 1889, um trabalho submetido à Exposição Universal de Paris ganhou uma medalha de bronze. Woods também foi membro do The Arts Club e membro honorário da Accademia di Bella Arte. Além de dois anos e meio antes de 1919, e visitas ocasionais à Inglaterra para expor na Royal Academy, Woods permaneceu em Veneza até o fim de sua vida, ultimamente no Hotel Calcina, perto do Zattere. Em 27 de outubro de 1921, pela manhã, Woods estava pintando no Palácio Ducal e retornou de gôndola para a Calcina para o almoço. O gondoleiro voltou mais tarde e encontrou Woods morto ao lado de seu cavalete. Um serviço memorial foi realizado em San Vio, a Igreja Inglesa, após a qual ele foi enterrado no cemitério Protestante.

HENRY WOODS - Vendedoras de frutas - Óleo sobre tela

As obras de Henry Woods encontram-se em coleções particulares e públicas, incluindo as da Galeria de Arte de Nova Gales do Sul, Sydney; a Coleção de Arte do Governo, Londres; Biblioteca Pública de Nova York; a Academia Real de Arte; Tate Britain; e Tyne and Wear. Também estão em museus em Newcastle e no Walker Art Gallery, em Liverpool. Ocasionalmente, algumas obras de coleções particulares visitam as mais respeitadas casas de leilões da Europa e são alvos de acirrada disputa.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

PEDER MORK MONSTED - Uma rica temporada


PEDER MORK MONSTED - Paisagem de primavera, com crianças na beira de um lago
Óleo sobre tela - 90 x 153 - 1897

PEDER MORK MONSTED
Paisagem de primavera, com crianças na beira de um lago
Emoldurado

PEDER MORK MONSTED
Paisagem de primavera, com crianças na beira de um lago
Detalhe

Essa está sendo uma das temporadas mais frutíferas de leilões apresentando obras do artista dinamarquês Peder Mork Monsted. Sou um pouco suspeito quando se trata sobre esse artista, tamanha é minha admiração por toda sua produção. Produção muito vasta e diversificada, diga-se de passagem. Diversas casas de leilões perceberam a ascensão constante desse artista e pela procura por suas obras, por parte de colecionadores de diversas partes do mundo. Assim, numa temporada iniciada pela Sotheby’s de Nova York, com uma bela cena de um tranquilo rio, outras importantes casas como a Bruun Rasmussen (Dinamarca), a Barnebys (Suécia) e a Stockolms Auktionsverk (Suécia) também coletaram importantes trabalhos desse artista e os estão oferecendo em seus leilões.

PEDER MORK MONSTED - Pescando em um barco - Óleo sobre tela - 71,1 x 100,3 - 1910

A pitoresca cidade de Eiche, na Alemanha, abriga os parques e os palácios de Sanssouci, entre o rio Havel e vários lagos, incluindo o Tiefer See e Jungfernsee. Foi num desses locais que Peder Mork Monsted pintou a tranquila cena Pescando num barco. Levando seu cavalete para o meio da floresta, bem à beira da água, ele nos presenteia com essa cena equilibrada e calma, onde os detalhes e os efeitos de luz saltam aos olhos. A sensação da presença humana nesse cenário bucólico só é quebrada pela presença de um solitário pescador, provavelmente mais preocupado em descansar e relaxar do que necessariamente pescar algum peixe.

PEDER MORK MONSTED - Paisagem norueguesa de inverno, com crianças num trenó
Óleo sobre tela - 120 x 187 - 1920

PEDER MORK MONSTED
Um córrego numa floresta, início de outono
Óleo sobre tela - 73,5 x 51 - 1904

PEDER MORK MONSTED - Uma pérgola em Anacapri
Óleo sobre tela - 59 x 40,5 - 1898

PEDER MORK MONSTED - Primavera em Stenløse Church
Óleo sobre tela - 97 x 71 - 1919

PEDER MORK MONSTED
Um caminho nevado na floresta, com uma senhora carregando lenha
Óleo sobre tela - 55,5 x 82,5 - 1917

PEDER MORK MONSTED - Uma velha fazenda com avó e neta numa porta
Óleo sobre tela - 64 x 52 - 1919

PEDER MORK MONSTED - Uma velha fazenda com avó e neta numa porta - Detalhe

PEDER MORK MONSTED - Um dia de verão no córrego Sæby
Óleo sobre tela - 23 x 33,5 - 1922

Nos dias 29 e 30 de maio, a casa dinamarquesa Bruun Rasmussen ofertará 7 peças do artista. A maior delas, uma cena de inverno ricamente elaborada, mede nada menos que 120 x 187 cm. Seguem mais 6 trabalhos em tamanhos medianos, produzidos na fase mais prolífica do artista. A casa Bruun Rasmussen é, aliás, a casa de leilões que mais oferece trabalhos do artista. Durante todo o ano, sempre há algo disponível. Destaque também para Um córrego numa floresta, início de outono e duas cenas de jardins muito bem executadas.

PEDER MORK MONSTED - Cenário de montanha, num dia ensolarado de inverno
Óleo sobre tela - 128 x 201 - 1923

PEDER MORK MONSTED
Cenário de montanha, num dia ensolarado de inverno
emoldurado

PEDER MORK MONSTED - Cenário de montanha, num dia ensolarado de inverno - Detalhe

PEDER MORK MONSTED - Cenário de montanha, num dia ensolarado de inverno - Detalhe

Para o dia 5 de junho, mais 3 excelentes trabalhos de Monsted vão em oferta pela casa sueca de leilões Stockolms Auktionsverk. O trabalho Paisagem de primavera, com crianças na beira de um lago, de posse da Casa Barnebys, também será ofertado nesse mesmo dia pela Stockolms Auktionsverk. Trabalhos primorosos, de grandes dimensões, que encantam não somente pela composição, mas principalmente pela paleta muito bem selecionada e pela precisão das pinceladas. Um artista completo no tema paisagístico, certamente um dos mais lembrados artistas desse gênero em sua geração.

PEDER MORK MONSTED - Fazenda em Blaabæk Vandmølle
Óleo sobre tela - 91 x 136 - 1921

PEDER MORK MONSTED - Fazenda em Blaabæk Vandmølle
emoldurado