terça-feira, 23 de dezembro de 2014

CARL BLOCH

CARL BLOCH - A cena da manjedoura - Óleo sobre placa de cobre - 96,52 x 86,36

Certos fatos podem mudar de vez a vida de qualquer pessoa. Essa mudança conduzirá seus passos dali em diante e mesmo na sua ausência, quando já tiver falecido, ainda será o fator transcendental de toda sua existência. Foi o que aconteceu ao pintor dinamarquês Carl Bloch, em 1865, quando foi contratado para realizar 23 pinturas para o Palácio de Frederiksborg. Todas as cenas retratando passagens da vida de Cristo. Tamanha repercussão tomou o seu trabalho, que é quase impossível que exista uma pessoa que não tenha visto sequer uma dessas pinturas, estampada em alguma folhinha, revista, catálogo ou qualquer outro tipo de divulgação religiosa. Tais trabalhos foram produzidos em 14 anos, entre os anos de 1865 e 1879. Ser lembrado na eternidade pela sua obra é o que persegue todo artista, e certamente, a obra de Carl Bloch já o eternizou no mundo da arte.

CARL BLOCH - A limpeza do templo - Óleo sobre placa de cobre - 96,52 x 86,36

CARL BLOCH - Jesus e a samaritana - Óleo sobre placa de cobre - 96,52 x 86,36

Carl Heirinch Bloch nasceu na cidade de Copenhague, a 23 de maio de 1834, filho do comerciante Joergen Peder Bloch e Ida Emilie Ulrikke Henriette Weitzmann Bloch. Ainda bem criança, vivia desenhando por todos os lados e a ideia de se tornar um artista era algo que o consumia. Esse não era o mesmo desejo dos pais, que o queriam numa profissão mais estável e respeitável, como um oficial da Marinha, por exemplo. Mas o seu desejo foi mais forte e ele acabou estudando com Wilhelm Mastrand, na Academia Real Dinamarquesa de Arte. Sua arte veio a sofrer grandes influências de outros mestres na viagem que fez à Itália e principalmente numa passagem que fez anteriormente pela Holanda, onde se influenciou enormemente pela obra de Rembrandt, em especial à dramaticidade de suas composições e o uso austero da paleta.

CARL BLOCH - Cura no Tanque de Betesda - Óleo sobre tela - 282 x 320 - 1886

CARL BLOCK - Cristo e as crianças - Óleo sobre placa de cobre - 96,52 x 86,36

Os primeiros anos como artista logo o tornaram um respeitado pintor de cenas de gênero e posteriormente um respeitado retratista. Cenas italianas eram suas preferidas, e não demorou para que o sucesso de suas composições ultrapassassem as fronteiras de seu país. No início dos anos de 1860, já tinha encomendas reservadas por tempos prolongados e tal fato chamou a atenção de mecenas dinamarqueses que estavam à procura de um artista para decorar o Palácio de Frederiksborg, restaurado após um grave incêndio que o devastou em 1859. Liderados pelo empresário de cervejas J.C. Jacobsen, os mecenas contrataram os serviços de Bloch para essa empreitada. O que ele produziu nos quase 15 anos de trabalho, viria a mudar não só a sua vida pessoal, mas todo o seu legado artístico. Até hoje, Carl Bloch é mundialmente reconhecido como o maior artista a interpretar a trajetória de Cristo. Sua obra é atemporal e não há quem não se emocione com ela, mesmo os não crentes e não seguidores do Cristianismo.

CARL BLOCH - A ressurreição de Lázaro
Óleo sobre placa de cobre - 104,14 x 83,32

CARL BLOCH - Curando um cego - Óleo sobre placa de cobre - 96,52 x 86,36

Carl Bloch conheceu Alma Trepka, em Roma, e casou-se com ela no ano de 1868. Tinham uma vida de mútua cumplicidade, até que ela faleceu prematuramente no ano de 1886. Foi um trauma do qual nunca se refez. Não bastasse a perda de sua esposa, ele se viu sozinho criando os oito filhos que tiveram. Existem várias cartas de artistas contemporâneos e amigos dele que o consolavam constantemente com palavras de apoio e carinho. No auge de sua carreira, produzia exaustivamente, mas sem o entusiasmo que tanto o motivava anos atrás. O artista faleceu 4 anos depois da morte de sua esposa, na cidade de Copenhague, a 22 de fevereiro de 1890, vítima de um câncer de estômago, contra o qual não conseguia forças para lutar.

CARL BLOCH - A última ceia
Óleo sobre placa de cobre - 104,14 x 83,32

CARL BLOCH - O consolador - Óleo sobre tela


Num dos casos raros na história da arte, Carl Bloch teve prestígio e reconhecimento ainda em vida e a sua morte foi dada como um pesar irremediável na história da pintura dinamarquesa. Sigurd Mueller, um dos maiores críticos de arte dinamarqueses, afirmou que “Carl Bloch foi um mestre que se adiantou e mostrou o caminho para ajudar o público a entender a arte”. Ainda hoje, somos todos gratos por ver o mundo pelas suas talentosas mãos, em especial à trajetória de Cristo, que nunca ninguém soube ilustrar tão bem.

CARL BLOCH - Autorretrato - Óleo sobre tela


6 comentários:

  1. As cenas transmitem uma paz, realidade, realmente, soube como ninguém...
    A limpeza do templo é demais!
    Boas festas para você e toda sua família.... felicidades!

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    1. Posso dizer, com certeza, que não encontro com alguém por aqui, tanto quanto você, Vidal.
      Obrigado peal caminhada de todo o ano. Que possamos nos encontrar ainda mais por aqui.
      Grande abraço!

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  2. De fato, as obras retratam a alma dos artistas
    e, além disso, os tornam eternos. Para você meu amigo José, desejo um natal
    de muita luz e paz e um 2015 repleto de saúde e conquistas!!!!!

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    1. Pra você também, Isaque. Desejo que 2015 seja um ano especial em todos os sentidos.
      Grande abraço!

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  3. Já na minha infância, antes mesmo de compreender a arte, a obra de Bloch me impressionou.

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    1. E existe melhor critério de avaliação do que a emoção?
      Grato por vir, Roberto.

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