segunda-feira, 9 de julho de 2012

HENRIQUE BERNARDELLI


HENRIQUE BERNARDELLI - Maternidade
Óleo sobre tela - 150 x 100 - 1885 - Museu Nacional de Belas Artes

Parece que era coisa de destino, o menino Henrique Bernardelli ter se tornado um artista. Tinha nas veias uma herança difícil de evitar, pois era filho de pai violinista russo e uma mãe bailarina francesa. Nasceu no Chile, mais precisamente a 15 de julho de 1857 e faleceu no Rio de Janeiro, a 6 de abril de 1936. Os pais vieram para o Rio Grande do Sul, bem no início dos anos de 1860, radicando por lá. Isso após terem feito um longo trajeto do México até o Chile. A ida para o Rio de Janeiro foi um convite feito por D. Pedro II, em 1865, quando conheceu os Bernardelli em Porto Alegre. A ida da família se deu em 1867.



Henrique Bernardelli encontrou um terreno fértil para os estudos. Matriculou-se na Academia Imperial de Belas-Artes, onde cursou até 1878. Teve como mestres ninguém menos que Zeferino da Costa, Vítor Meireles e Agostinho da Mota. Durante o curso, expôs várias vezes e em diversas delas recebeu importantes condecorações. Porém, não conseguiu o prêmio de Viagem à Europa, que o Imperador fornecia ao artista vencedor de cada salão. Foi derrotado nessa disputa por Rodolfo Amoedo. Um tanto quanto frustrado com o acontecido, decide ir para a Itália, por conta própria, a fim de polir seus estudos. Radicando-se em Roma, torna-se aluno de Domenico Morelli.


Da produção que fez na Itália, voltou um artista mais seguro, com um estilo próprio e uma certa firmeza no traço, bem diferente do que se fazia por aqui. Talvez por isso, sua exposição individual, realizada em 1886, não conquistou o gosto do público, mesmo exibindo obras que hoje são consagradas, como Tarantela, Maternidade, Messalina, Modelo em Repouso e Ao meio dia. Depois do ocorrido, tornou-se um artista mais conservador e cauteloso, perdendo um pouco da solidez adquirida na Itália e adotando um estilo mais convencional, que comprometeria um pouco sua carreira, a partir de 1908. A escolha por um estilo mais discreto e tradicional não era o que exatamente queria o artista. Como muitos grandes artistas de seu tempo, Bernardelli precisou seguir as duas únicas opções dispostas a quem viesse a produzir arte: lecionar, ou executar retratos e encomendas oficiais. E foi o que fez!

                                  
Em cima, esquerda: HENRIQUE BERNARDELLI - Paisagem de Ouro Preto
Óleo sobre madeira - 32 x 15 - Museu de Arte de São Paulo
Em cima, direita: HENRIQUE BERNARDELLI - Interior com menina lendo
Óleo sobre tela - 95 x 73 - Museu de Arte de São Paulo

Entre os anos de 1891 e 1905, lecionou na Escola Nacional de Belas-Artes, rompendo o contrato com a escola quando viu que já não era mais possível continuar com os mesmos métodos de ensino. Passa, então, a lecionar em sua própria residência, em Copacabana, onde recebe diversos alunos, vindo a destacar entre eles, Lucílio e Georgina de Albuquerque, Eugênio Latour, Hélios Seelinger e Artur Timóteo da Costa. Os irmãos Rodolfo e Henrique Bernardelli eram muito queridos de seus discípulos, prova disso é que, em 1931, um grupo de alunos da Escola Nacional de Belas-Artes criou um ateliê livre de pintura, nos porões da instituição e deram a ele o nome de Núcleo Bernardelli.


Bernardelli era um artista versátil e tornou-se um pintor decorativista, por excelência. Realizou painéis para o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e para o Cine Pathé. Realizou também algumas obras para o Museu Paulista. Mas, no gênero decorativo, suas obras mais importantes são os 22 medalhões em afresco, que ornamentam a fachada do Museu Nacional de Belas-Artes, na Avenida Rio Branco. Obras que lhe valeram a Medalha de Honra, no salão de 1916.


O Museu Nacional de Belas-Artes possui 120 obras suas, de diferentes épocas e técnicas. Na Pinacoteca do Estado de São Paulo estão mais diversos trabalhos, cerca de 344 desenhos, 41 aquarelas e vários óleos. Em suma, era bem eclético. Foi um pintor de história e de gênero, retratista e paisagista. Utilizou diversas técnicas: óleo, têmpera, afresco, pastel, aquarela e água-forte.

Henrique e Rodolfo Bernardelli

6 comentários:

  1. Mestre José, sou apaixonado pelos trabalhos de Henrique Bernardelli, principalmente a tela Interior com menina lendo, muito obrigado... felicidades, valeu meu amigo!

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    1. Bernardelli ainda é desconhecido por muitos de hoje, mesmo artistas.
      Obrigado por vir e tenha uma ótima semana, Vidal.

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  2. Fantástica história... sou apaixonado pelos grandes mestres!! muito boa essa matéria!

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    1. Valeu, Thiago. Bom te ver por aqui. Grande abraço!

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  3. Em visita recente ao MASP, pude ver a tela interior com menina lendo, que me chamou a atenção. É uma bela obra! Não conhecia este pintor. =) (Rita)

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    1. Bernardelli é uma das mais seguras referências de nossa pintura, Rita. É sempre bom ver algo dele.
      Grande abraço!

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