quarta-feira, 23 de outubro de 2013

ROSA BONHEUR

ROSA BONHEUR - Retorno do campo - Óleo sobre tela - 65 x 81 - 1854

ROSA BONHEUR - Arando
Óleo sobre tela - 49,5 x 80,5 - 1854

Que o universo das artes plásticas seja um território predominantemente masculino, não é nenhuma novidade. Mesmo nos tempos atuais, onde a mulher se impôs e conquistou vários postos nunca antes imaginados, a arte tende sempre a projetar o trabalho masculino mais que o feminino, talvez por uma questão de tradição. Agora, imagine uma mulher ter o seu trabalho inserido no mercado do século XIX, e ser bastante respeitada por isso. Foi o que aconteceu com a francesa Rosa Bonheur. Sem dúvida, a pintora mais famosa daquele século.


ROSA BONHEUR - La labourage nivermais, le sombrage 
Óleo sobre tela - 134 x 260 - Museu d'Orsay - 1849

Podemos dizer que o fato de Rosa ter entrado para um mundo restritamente masculino deve-se a seu pai, Oscar-Raymond Bonheur; também artista; e que era adepto de um movimento cristão-socialista, que promovia a educação de homens e mulheres com os mesmos direitos de igualdade. Uma ideia revolucionária para aqueles tempos! A morte prematura de Sophie, mãe de Rosa, também deve ter sido outro fator que colaborou para ela tivesse sido criada em meio aos meninos. Que não eram poucos! Auguste Bonheur, Juliette Bonheur e Isidore Jules Bonheur, irmãos de Rosa, também se tornaram notáveis artistas e escultores, tanto que Francis Galton, primo do famoso cientista Charles Darwin, usou a família como estudo para comprovar que haveria um “gene hereditário” cultural que “facilitava” as coisas entre membros de mesma família.


ROSA BONHEUR - Cabeça de um bezerro
Óleo sobre tela - 46,5 x 55 - 1878

ROSA BONHEUR - Tropeiros espanhóis atravessando os Pireneus
Óleo sobre tela - 116,8 x 200 - 1857

ROSA BONHEUR - Dois cavalos num estábulo
Óleo sobre tela - 63 x 98

Marie-Rosalie Bonheur (mais tarde, Rosa Bonheur), nasceu a 16 de março de 1822, na cidade de Bordeaux. Não teve uma vida muito fácil no início. Já aos seis anos de idade, quando se mudaram para Paris, Rosa se mostrou uma menina rebelde, com dificuldades para familiarizar com letras e números. Coube a sua mãe, a tarefa de despertar na criança o gosto pelo alfabeto, ilustrando cada letra com um respectivo animal, fato que deve ter contribuído para que sua carreira fosse quase que toda dedicada à produção de cenas que tivessem muitos deles.


ROSA BONHEUR - O labor
Óleo sobre tela - 73,7 x 110,5 - 1844

ROSA BONHEUR - O desmame dos bezerros - Óleo sobre tela - 65,1 x 81,3 - 1879

Aos doze anos, a menina Rosa já ajudava o pai em algumas atividades do ateliê. Mesmo que já aceitasse mulheres, a Escola de Belas Artes ainda não era permitida para a sua idade, e por isso ela praticamente aprendeu como todo artista-prodígio daquela época, copiando ilustrações de livros e gravuras e observando modelos em gesso e do natural. Passava horas entre os animais domésticos, tentando capturar seus movimentos e expressões. Muito dedicada, queria saber detalhes das partes de cada animal, tanto que visitava constantemente os matadouros da região, para melhor assimilar e apreender sua anatomia.


ROSA BONHEUR - O retorno da colheita - Óleo sobre tela - 25,2 x 69,8

Rosa tinha gostos bem excêntricos para a época. Vestia-se como homem e tinha o hábito de fumar como eles. Sempre desconversava quando lhe sondavam sobre essas suas estranhas preferências. Dizia que as roupas femininas não eram muito próprias para os currais, onde passava a maior parte de seu tempo. A convivência com Nathalie Micas, desde a infância, também sugeria um relacionamento mais íntimo entre elas. Mais tarde, ela viria a conviver com Anna Klumpke, quem faria sua biografia posteriormente.
Duas obras deixaram Rosa Bonheur com muita fama: Le labourage nivermais, Le sombrage e A Feira de cavalos. A primeira, comissionada pelo governo francês, foi exibida pela primeira vez no Salão de 1848, encontrando-se agora no Museu d’Orsay; e a segunda, exibida pela primeira vez no Salão de 1853, e que agora se encontra no Museu Metropolitano de Nova York. Como sempre, os animais dominam as cenas e atestam como esses tiveram mesmo uma grande importância em sua carreira.


ROSA BONHEUR - A feira dos cavalos
Óleo sobre tela - 244,5 x 506,7 - Entre 1852 e 1855
Museu Metroplitano de Nova York

ROSA BONHEUR - A feira dos cavalos
Aquarela sobre papel - 62,9 x 127,3 - 1867
Estudo para a versão à óleo.

ROSA BONHEUR - Estudos para A feira dos cavalos
Lápis sobre papel

ROSA BONHEUR - Estudos para A feira dos cavalos - Lápis sobre papel

Um fato curioso, já quando a artista havia conquistado fama e prestígio, se deu quando comprou um castelo na aldeia de Thomery, próxima à Barbizon. Lá, criou e conviveu com vários animais exóticos, com os quais sempre se inspirava.


ROSA BONHEUR - Pastora com animais - Óleo sobre tela - 32,4 x 45,7

Rosa Bonheur faleceu a 25 de maio de 1899, em Thomery. Foi um exemplo de enfrentamento e superação para todas as mulheres, em tempos bem mais difíceis que os de hoje.

8 comentários:

  1. Muito bom Zé, não conhecia!!! Obrigado!

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    1. Essa artista teve uma produção fantástica, Jesser. Vale a pena conferir mais de suas obras!
      Abraço, amigo!

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  2. José,

    Como sempre um agradecimento pelas maravilhas, e também, pela perfeita redação.
    Espero uma enciclopédia das belas artes de sua autoria.

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    1. Olá Macário. A vontade de escrever é bem maior, mas vou contentando em colocar algo aqui, por enquanto. É tão bom compartilhar algo apreendido...
      Grande abraço, amigo!

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  3. Le labourage nivermais, Le sombrage
    Esta obra eu vi ao vivo e me marcou pela beleza, realismo...lembro de ter sintido vontade de entrar na pintura!!!
    Muito obrigado José Rosário pela informações, por podermos conhecer um pouco desses extraordinários talentos!

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    1. Também tive a honra de poder vê-la pessoalmente no d'Orsay, Rosemarie. É uma sensação indescritível. Aliás, todo o museu é de tirar o fôlego!
      Obrigado por vir e grande abraço!

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  4. Embora em épocas difíceis, principalmente para uma mulher conquistar tanta fama, Bonheur superou todos os obstáculos, É lhe concedida a primeira medalha de ouro em 1848 pelo jurí que inclui Corot, Delacroix e Ingres, parabéns pela matéria maravilhosa... abração meu amigo!

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    1. Obrigado, Vidal, por enriquecer ainda mais a matéria.
      Grande abraço, amigo!

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