sexta-feira, 18 de outubro de 2013

ÉMILE MUNIER

ÉMILE MUNIER - Seu melhor amigo - Óleo sobre tela - 68,6 x 50,8 - 1882

É provável que um dos primeiros grandes embates da história da pintura tenha acontecido na segunda metade do século XIX. Havia uma grande quantidade de movimentos artísticos se manifestando de uma só vez, em diversas regiões da Europa, que era a referência para toda escola artística daquela época. O Naturalismo e o Realismo se mostravam como movimentos já bem consolidados desde o início do século e o Impressionismo já se firmava como a alternativa mais certa para a grande reviravolta modernista que começaria no fim daquele século e entraria consolidado por todo o século XX. Mas, havia ainda um grande grupo resistente, apoiado principalmente pelas monarquias que governavam vários países. Na França, em especial, era o Grande Salão de Artes, financiado pelo governo, que ditava as regras acadêmicas. O Academicismo acabou se consolidando como um estilo oficial do salão e muitos artistas se moldavam a ele, preparando suas obras e se firmando nos conceitos das academias que ensinavam obrigatoriamente esse estilo. Mesclando elementos do Neoclassicismo e Romantismo, o Academicismo tinha como princípio básico uma abordagem realista, mas com uma dose bem generosa de idealismo. Era uma corrente que visava agradar o grande público consumidor que se formava, mas que também não abria mão dos conceitos clássicos da arte. As obras acadêmicas precisavam possuir, além de um caráter estético, um fundo ético e que servisse como um princípio pedagógico, educando o público que tivesse acesso a ela e transformasse a sociedade para melhor. Isso agradava, evidentemente, os governos locais, tendo um apoio irrestrito nos diversos departamentos culturais de cada país.

ÉMILE MUNIER - Um momento especial A lição de tricô
Óleo sobre tela - 114,3 x 83,8 - 1874

Émile Munier se consagrou principalmente nesse período de embates e de reviravoltas. Grande defensor dos ideais acadêmicos e fiel seguidor de William Bouguereau (sua principal inspiração), soube tirar proveito de sua melhor fase de produção e desenvolveu uma temática sólida e um estilo que o traria bons frutos, tanto na Europa, como nos Estados Unidos.

ÉMILE MUNIER - Brincando
Óleo sobre tela

ÉMILE MUNIER - Uma família feliz
 Óleo sobre tela - 67,3 x 55,9 - 1879

Émile Munier nasceu em Paris, a 2 de junho de 1840. Era filho de operários. O pai era estofador e a mãe funcionária de uma fábrica de tecidos. Seus outros dois irmãos, François e Florimond, também se tornaram respeitáveis artistas da cena parisiense. Sob os ensinamentos de Abel Lucas, Munier aprendeu praticamente tudo que viria a formar sua carreira: desenho, pintura, anatomia, perspectiva e também química, pois tinha a intenção de se tornar um ilustrador de estamparias, na área de estofados. Foi também nessa época que conheceria Henriette Lucas, filha de Abel, com quem se casaria logo em seguida.


ÉMILE MUNIER - De castigo - Óleo sobre tela - 94 x 64 - 1879

A década de 1860 foi muito marcante em sua vida. Ao mesmo tempo que se firmava como um reconhecido artista, tendo recebido inclusive três medalhas em participações do Salão de Paris, sua vida pessoal também lhe traria fortes provações. Ele se tornaria pai em 1867, mas perderia sua esposa dez semanas depois, vítima de um reumatismo grave.


ÉMILE MUNIER - Gatinhos - Óleo sobre tela - 45 x 30

A década de 1870 traria novos ânimos para ele, pois é nela que decide viver exclusivamente da produção artística, abandonando o cargo de estofador que o mantinha até então. Também lecionava desenho e pintura e isso parece ter colaborado muito para que sua carreira lhe inspirasse novos rumos. Inspirou mesmo, tanto que em 1872 casa-se novamente, agora com outra artista, Sargines Angrand-Campeon.


ÉMILE MUNIER - Recuperando - Óleo sobre tela - 101,6 x 187,3 - 1894 - Coleção particular

O convívio com William Bouguereau, a partir de 1872, seria fundamental para sua carreira. Não eram só grandes amigos, mas dividiam também as mesmas propostas, e um certamente tenha influenciado o outro, em diversos momentos. Munier já era então um artista de respeito, requisitado por colecionadores e com os trabalhos já alcançando boas cotações. Sua consagração se deu em 1885, quando expõe Três amigos, uma cena muito bem equilibrada mostrando uma garota brincando com seus gatinhos. Ele firma-se então como um dos mais procurados artistas para pinturas de crianças e animais. Esse trabalho foi reproduzido inúmeras vezes, por toda a década, em diversas escolas e por vários artistas.

ÉMILE MUNIER - Três amigos - Óleo sobre tela - 81,3 x 99,7 - 1885


Ele continuou sua carreira produzindo aquilo que mais gostava: cenas de crianças felizes, cenas mitológicas, camponeses em suas rotinas diárias e interiores. Não chegou a ver a virada do século, falecendo em 29 de junho de 1895, aos 55 anos de idade. Também não chegou a ver as mudanças que trariam os tempos futuros, talvez isso tenha sido até um prêmio para quem dedicou sua vida em torno de ideais moldados na arte acadêmica e de toda uma proposta. As mudanças que a arte teria certamente não seria algo com o que gostaria de conviver. Alguns de seus trabalhos ainda são disputados em raras ocasiões de leilões das melhores casas do ramo.


ÈMILE MUNIER - Mensagens de amor - Óleo sobre tela - 81,2 x 60 - 1891

6 comentários:

  1. Sou admirador da obra de Munier, além das suas cenas bem elaboradas, seus tons maravilhosos, seus desenhos são de uma maestria, mais uma grande pérola, a arte agradece!
    Abração e um grande fim de semana meu amigo...

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    1. Olá Vidal, são realmente trabalhos com os quais se encantar muito facilmente.
      Munier é de uma maestria ímpar nas texturas de peles e feições.
      Grande abraço!

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  2. Estas consagrações nós ajuda muito para compartilhar com nossos alunos.

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    1. A arte acadêmica anda meio em desuso, Holemberg, mas serão sempre uma fonte de inspiração para qualquer aprendiz na arte.
      Grande abraço!

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  3. A arte acadêmica toca o coração, instila sentimentos, Munier sem dúvida sabia muito bem disso! Excelente referência para os apreciadores e aprendizes da arte eterna. Obrigado por compartilhar.

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    1. Disse bem, Abílio. A arte do Munier é sensível!

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