segunda-feira, 10 de novembro de 2014

GIOVANNI BOLDINI

GIOVANNI BOLDINI - O cochilo - Óleo sobre painel - 14 x 18,4

GIOVANNI BOLDINI - No terraço
Óleo sobre painel - 29,8 x 17,4

GIOVANNI BOLDINI - Madame Rejane - Óleo sobre painel - Coleção particular - 1885

Resgatar os passos mais importantes da trajetória de um artista que sempre teve uma produção excelente não é uma tarefa muito fácil. Em se tratando de Giovanni Boldini, essa missão fica praticamente impossível. Impecável é o adjetivo mais suave com o qual podemos abrir o seu repertório de elogios, porque tudo nele é superlativo mesmo. É, sem exageros, uma das estrelas indiscutíveis da arte italiana do século XIX. O Centro de Estudos de Arte Moderna e Contemporânea em Milão, a GAMManzoni, está exibindo desde o dia 24 de outubro, uma retrospectiva com 40 obras desse artista, algumas delas nunca apresentadas ao público até então, provenientes de coleções particulares e guardadas a sete chaves pelos seus proprietários. Para deleite do público, a exposição seguirá até o dia 18 de janeiro de 2015.

GIOVANNI BOLDINI - A grande estrada para Combes-la-Ville
Óleo sobre tela - 69,2 x 101,4 - 1873

GIOVANNI BOLDINI - Lavadeiras - Óleo sobre madeira - 32,3 x 51,6 - 1874

GIOVANNI BOLDINI - Ônibus na Place Pigalle - Óleo sobre tela - 1882

Desde a histórica exposição sobre Boldini na Sociedade de Artes e Exposição Permanente, ocorrida há 25 anos em Milão, não se via tantas obras desse artista com tamanha qualidade de conjunto, apresentadas em um mesmo espaço. Intitulada “Parisien d’Italie”, a exposição tem como principal objetivo mostrar uma seleta parte da produção de Boldini feita em Paris entre os anos de 1871 e 1920, uma vez que ele viveu quase que exclusivamente por lá durante esse período. Merecem destaque algumas das várias obras comissionadas por Adolphe Goupil, todas muito ricas em cores e retratando muito bem a exótica e excêntrica moda da época. Destaque também são os vários retratos, principalmente de madames e celebridades daquele período. Boldini as retratava como ninguém e em seu ateliê faziam filas para conseguir uma encomenda. Ele era o artista preferido das aristocratas com mentalidades renovadoras.

GIOVANNI BOLDINI - A serenata - Óleo sobre tela - 41,3 x 34,4 - 1873

GIOVANNI BOLDINI - Mulher escrevendo (A carta)
Óleo sobre tela - 65 x 55 - 1873

GIOVANNI BOLDINI - Signora al pianoforte - Óleo sobre painel - 15 x 13 - Coleção particular

Giovanni Boldini nasceu em Ferrara, a 31 de dezembro de 1842 e era filho de um pintor de temas religiosos. Foi justamente sob as orientações de seu pai que desenvolveu o interesse pela pintura, em especial aos grandes mestres renascentistas e maneiristas. Já aos 20 anos de idade, Boldini era um consagrado pintor de retratos, quando resolve ir para Florença e se inscreve na Academia, cursando com E. Pollastrini e S. Ussi. Ele chegou a conhecer alguns pintores do movimento Macchiaioli, apesar de nunca estreitar muita amizade com eles, mantendo até certa distância. Bom ressaltar que os macchiaioli se assemelhavam muito aos impressionistas franceses e há até quem os equipare em termos de movimento. Enquanto os macchiaioli se restringiam somente à temática rural, os impressionistas não se limitavam a isso, muito pelo contrário, parecem ter sido bem mais citadinos do que campestres. Talvez por isso, por frequentar um ambiente mais burguês e urbano, Boldini se afeiçoou muito mais ao movimento impressionista, embora ele mesmo se julgasse um pintor realista.

GIOVANNI BOLDINI - A visita
Óleo sobre painel - 79 x 38 - 1874

GIOVANNI BOLDINI - No parque - Aquarela sobre papel - 38,7 x 30,7 - 1872

GIOVANNI BOLDINI - O despachante - Óleo sobre madeira - 42,5 x 34,3 - 1879

A visita à Exposição Universal de 1867, em Paris, leva Boldini a conhecer ícones do movimento impressionista francês como Degas, Sisley e Caillebotte, além de Manet e Corot, por quem tem grande admiração. Três anos depois vai também a Londres, onde faz cursos e se especializa nos retratos e caricaturas, com Gainsborough e Hogarth. Somente em 1871, chega a Paris decidido a se estabelecer por lá. Viveu e usufruiu da cidade no seu período mais glorioso, o da Belle Époque, e soube tirar proveito dele. Sendo representado pelo marchand Goupil, seus trabalhos logo caíram no gosto dos grandes colecionadores da cidade. Suas cenas de gênero tinham um tom anedótico, lembrando em muito as características composições estilísticas de Meissonnier e Fortuny.

GIOVANNI BOLDINI - Nu reclinado - Óleo sobre tela - 74 x 65 - Coleção particular

GIOVANNI BOLDINI - Senhora de casaco vermelho
Pastel sobre papel - 100 x 73 - 1878

GIOVANNI BOLDINI
Retrato de James Abbot McNeil Whistler
Óleo sobre tela - 170,5 x 94,4 - Brooklyn Museum

Boldini era o pintor de retratos mais elegante de Paris, um título cobiçado para o final do século XIX. A sua pintura nesse período era bastante impressionista e contemporâneos seus como John Singer Sargent e Paul Helleu, disputavam as encomendas mais nobres da cidade. Um episódio importante no final daquele século foi a sua nomeação como o comissário da seção italiana da Exposição de Paris, em 1889, atividade que lhe rendeu a Légion d’honneur como reconhecimento.

GIOVANNI BOLDINI - O retorno dos barcos de pesca, Etretat - Óleo sobre tela - 14 x 23,7 - 1879

GIOVANNI BOLDINI - Consuelo, Duquesa de Marlborough, com seu filho
Óleo sobre tela - 218,44 x 170,18 - 1906
Museu Metropolitano de Nova York

GIOVANNI BOLDINI - Conde Robert de Montesquiou
Óleo sobre tela - 1897

O artista continuaria com as mesmas atividades por todo o início do século XX, atendendo às suas encomendas de nobres colecionadores e vivendo em Paris, que já adotara há tempos. Chegou a ir para os Estados Unidos, atendendo encomendas de ricos colecionadores de lá.
Problemas com a saúde, principalmente um progressivo enfraquecimento da vista, reduziram cada vez as suas atividades e o tornaram mais recluso. O artista viria a falecer em Paris, a 11 de julho de 1931.

GIOVANNI BOLDINI - Autorretrato - Óleo sobre tela - 1892

4 comentários:

  1. Magnífico!
    Mais uma vez, muito obrigado.
    Abraços.

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    1. Eu que agradeço a vinda, Macário.
      Grande abraço!

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  2. Giovanni Boldini é maravilhoso!
    Seus traços rápidos, belos...
    Simplesmente demais!
    Felicidades, meu amigo...

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    1. Olá Vidal, elogiar o Boldini é algo quase repetitivo.
      Muito obrigado pela vinda e pela presença nos comentários.
      Grande abraço!

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