domingo, 20 de março de 2016

VELÁZQUEZ

VELÁZQUEZ - A forja de Volcano - Óleo sobre tela - 223 x 290 - 1630 - Museu do Prado, Madri

VELÁZQUEZ - A velha cozinheira
Óleo sobre tela - 99 x 128 - 1618 - Galeria Nacional da Escócia, Edimburgo

Dentre as muitas atribuições para a palavra “mestre”, talvez a mais louvável seja aquela que define como “alguém que ensina”. Curiosamente, Velázquez nunca deu aulas e nem teve seguidores enquanto vivo, mas, a importância de sua obra é tão relevante e grandiosa, que se tornou um mestre natural posterior à sua morte e mais evidente ainda, séculos após ela. Muitos artistas de renome se deixaram influenciar pela leveza de suas pinceladas e pelo equilíbrio que conseguia em suas composições. Muito mais importante que a qualidade técnica que desenvolveu para produzir suas obras, foi o cuidado dispendido a todos os personagens que retratava. Reis, rainhas, anões, bufões, figuras da rua, camponeses... Todos eram retratados com dignidade e decência. Essa talvez tenha sido a lição mais importante que todas as gerações de artistas posteriores a ele aprenderam.

VELÁZQUEZ - A coroação da Virgem
Óleo sobre tela - 178,5 x 134,5 - Entre 1635 e 1636

A lista de artistas renomados que reverenciaram o gênio incontestável de Velázquez é grande e começou a crescer mesmo desde o final do século XVIII. Nomes como Gustave Courbet, Édouard Manet, Whistler, Thomas Eakins, Sargent, Francis Bacon, Picasso e Dali, são apenas alguns dos que vem imediatamente à cabeça, de uma extensa lista de artistas que tiveram Velázquez como referência em algum momento de suas carreiras.

VELÁZQUEZ - O triunfo de Baco
Óleo sobre tela - 165 x 225 - 1628 x 1629 - Museu do Prado, Madri

VELÁZQUEZ - O aguadeiro de Sevilha
Óleo sobre tela - 106,7 x 81 - Entre 1618 e 1622

Diego Rodríguez de Silva y Velázquez era filho de nobres empobrecidos e nasceu nos primeiros dias de junho de 1599, em Sevilha, na época a cidade mais rica da Espanha, devido ao seu movimentado porto. Dando mostras de inclinação à pintura desde cedo, a sua infância foi breve. Ele logo foi incentivado pelo pai a estudar nas melhores escolas e, já aos 12 anos, iniciava os estudos em pintura, primeiro com Francesco de Herrera, conhecido como "el Viejo", e depois com Francisco Pacheco. Embora não tenham se tornado artistas muito renomados, foram importantes nessa fase inicial de Velázquez, pois desenvolveram nele o gosto pelas ideias intelectuais do Renascimento.

VELÁZQUEZ - Felipe IV, a cavalo - Óleo sobre tela - 303 x 317 - até 1635

VELÁZQUEZ - Cristo crucificado
Óleo sobre tela - 248 x 169 - Até 1632

Em 1618, com apenas dezenove anos, casou-se com Juana Pacheco, filha de seu último professor. Ela tinha apenas 15 anos, e nos próximos 42 anos que se se seguiram em sua companhia, foi sempre uma fiel companheira. Precoce ao demonstrar talento para as artes, como sempre, Velázquez mudou-se para Madri ainda muito jovem e, aos 24 anos, já assumia o cargo de pintor oficial da corte do Rei Filipe IV. Viver entre a realeza foi importante, porque lhe trazia estabilidade e conforto, mas também lhe privava o tempo para produzir tudo o que queria. Velázquez não ficava apenas pintando, ele possuía atividades diversas dentro do palácio, desde responsabilidades pela decoração, hospedagem e cerimoniais diversos. Ocuparia essa função até o fim da vida, o que lhe daria condições de viajar e trabalhar com uma certa tranquilidade.

VELÁZQUEZ - Adoração dos Reis Magos
Óleo sobre tela - 203 x 125 - 1619

VELÁZQUEZ - Bufão com livros - Óleo sobre tela - 107 x 82 - Até 1644

Uma das coisas mais comuns na vida de um artista é o conflito existencial, que coloca em xeque o que ele é como pessoa e o que gostaria de transpor para sua obra. Fenômeno raro na trajetória de um artista, esse tipo de conflito nunca fez parte da vida de Velázquez. Pessoa de temperamento completamente afável, trabalhou toda a sua vida em completa felicidade e harmonia. Como não podia correr para produzir seus trabalhos, devido suas outras funções, esmerou-se ao máximo para produzir bem aquilo que conseguia. Prova disso é a sua pequena produção: menos de 150 telas suas chegaram aos nossos tempos e acredita-se que não tenha produzido mais de 200 em toda a sua vida.

VELÁZQUEZ - Marte
Óleo sobre tela - 179 x 95 - Até 1638

A amizade com o pintor Rubens, em 1628 , quando este visitou Madri, foi crucial em sua carreira. Juntos, trocaram ideias sobre trabalhos do Renascimento italiano e conversaram sobre mitologia, o que aumentou o desejo de Velázquez de conhecer a Itália, terra de pintores que exerceram grande influência sobre ele, como Caravaggio, Ticiano, Tintoretto e Veronese. Dessas conversas, e com permissão de Felipe IV, Velázquez viajou para a Itália no ano seguinte, passando por cidades como Gênova e Veneza, até chegar em Roma, onde ficou lá por cerca de um ano. De Roma partiu para Nápoles. Especula-se que ele tenha feito vários trabalhos nessa época, mas, apenas duas obras chegaram aos nossos tempos, “A Túnica de José” e “A Forja de Volcano”. Essa fase da vida de Velázquez é considerada como o período de verdadeira educação artística em sua carreira. A cor e a luz ganharam consistência e o realismo detalhado de seus trabalhos iniciais cederam espaço para mais leveza e audácia técnicas. Em 1631, retornava para Madri um artista ainda mais influenciado pelos renascentistas e pela arte clássica e começa ali um período especial em sua vida.

VELÁZQUEZ - A Rendição de Breda - Óleo sobre tela - 307 x 367 - Até 1635

Velázquez retomou suas funções e deu início à fase mais produtiva de sua carreira, marcada não apenas pelos retratos de personagens da corte, mas também por trabalhos com temas variados. Fez diversos retratos equestres de Felipe IV, para o Palácio do Bom Retiro e sua única obra com tema histórico, "A Rendição de Breda" (1634). Também conhecida como "As lanças", a obra é considerada por grande parte dos críticos como a mais perfeitamente equilibrada do artista. Também produziu trabalhos religiosos e profanos e retratos de bobos da corte. A ascensão para um cargo administrativo, em 1643, também trouxe pontos favoráveis para sua obra. Conseguia um pouco mais de tempo para produzi-las.

VELÁZQUEZ - As meninas - Óleo sobre tela - 318 x 276 - 1656

Em 1649, Velázquez fez uma segunda viagem à Itália, desta vez com o objetivo maior de comprar pinturas de Ticiano, Tintoretto e Paolo Veronese e esculturas, para o acervo do Palácio Real. E também para manter-se a par da evolução da arte italiana. Pintou três importantes trabalhos nesse período, incluindo o famoso retrato do Papa Inocêncio X. Mas, nem tudo foi só glória nessa sua nova fase italiana. Ele também teve um caso, resultando em um filho ilegítimo que atrasou consideravelmente seu retorno à Espanha, para grande desgosto do rei. Ele ficaria ali até 1651, para resolver toda essa situação. Em 1650, tornou-se membro da Escola de Arte Romana. Na Itália, foi nomeado membro das academias romanas de São Lucas e dos Virtuosos do Panteão.

VELÁZQUEZ - As fiandeiras - Óleo sobre tela - 220 x 289 - Entre 1655 x 1660

De volta a Madrid em 1651, foi encarregado da decoração de todos os palácios reais, mas prosseguiu com seus trabalhos de pintura, embora em ritmo menos acelerado. Produziu vários retratos e por volta de 1655, pintou o primeiro quadro na história da arte dedicado ao trabalho, "As fiandeiras". Em 1656, pintou "As Meninas", composição de extrema complexidade que culmina a série dos quadros da corte. É a síntese de seu realismo e de seu idealismo, tanto no sentido das proporções ideais como no do espírito aristocrático. Em dezembro de 1659, Velázquez adquire o título de Cavaleiro da Ordem de Santiago, uma de suas mais caras ambições. Dessa data em diante, passa a ser chamado de Don Diego Velázquez. Ele viria desfrutar dessa posição privilegiada por pouco tempo, pois falece no dia 6 de agosto de 1660, na bela Casa do Tesouro, em Madri.
Com Velázquez, brilham os últimos anos dourados da Espanha. À partir dali, toda pompa e poder caem em profunda decadência.

VELÁZQUEZ - Autorretrato
Óleo sobre tela - 45 x 38



2 comentários:

  1. Quem nunca se encantou com as belas cenas de Velásquez? nome certo nos livros de arte, grandioso... Lembro-me dos velhos livros... quantas saudades!
    Abração... feliz páscoa para você e toda sua família!

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    1. Fleiz Páscoa para ti também, amigo.
      Grande abraço!

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