domingo, 10 de abril de 2016

HERMANN CORRODI

HERMANN CORRODI - Cairo, com as pirâmides ao fundo - Óleo sobre tela - 86 x 165

HERMANN CORRODI - Uma emboscada - Óleo sobre tela

Foram as viagens ao Oriente Médio, que devolveram a Hermann Corrodi o gosto para aquilo que mais gostava de fazer: pintar. Ele já havia viajado para lá, uma década antes, e se tornara conhecido como um pintor de cenas orientais. Também precisava de novos impulsos para sua carreira, uma vez que perdera, em 1874, o irmão Arnold, também artista. A morte de Arnold deixou sua carreira abalada por um bom período. Depois que se casou, em 1876, decidiu que precisava recomeçar a vida e o oriente lhe acenava como a velha inspiração a seguir.

HERMANN CORRODI - Antiga Via Apia, próxima a Terracina - Óleo sobre tela - 86,5 x 165

                                     
Esquerda: HERMANN CORRODI - Portal para a Vila Cavalieri - Óleo sobre tela
Direita: HERMANN CORRODI - Acampamento numa campana italiana - Óleo sobre tela

Hermann David Solomon Corrodi nasceu em julho de 1844, em Frascati, na Itália. Teve a sorte de nascer numa família de artistas, uma vez que seu pai, Solomon Corrodi, também exercera essa profissão. Ele teve seus primeiros ensinamentos com Alexandre Calame, em 1860, na cidade de Genebra e especializou-se mais tarde, com o próprio pai, na Academia de São Lucas, em 1866, na cidade de Roma. Foi de seu próprio pai, que herdou o gosto para os efeitos de luz e jogos de cores que o acompanhariam para o resto de sua vida.

                            
Esquerda: HERMANN CORRODI - Menina italiana - Óleo sobre tela
Direita: HERMANN CORRODI - Cena veneziana - Óleo sobre tela

HERMANN CORRODI - Vista do Foro Romano - Óleo sobre tela

Inicialmente como um pintor de paisagens e cenas de gênero italianas, Hermann Corrodi mudou drasticamente sua temática, assim que fez sua primeira viagem ao Oriente Médio, logo que se formou pela Academia. Ele visitou o norte da África, especialmente o Egito e também chegou até a Síria, Turquia e Chipre. As cenas orientalistas estavam em moda naquela época e a aristocracia europeia se deleitava com pinturas de temas exóticos, que fugiam aos tradicionais padrões expostos em salões e galerias. Além de ótimo pintor, era um excelente negociante de suas próprias obras, fazendo contatos importantes com nobres de vários países.

HERMANN CORRODI - Barcos de pesca numa lagoa de Veneza - Óleo sobre tela - 86,3 x 165,2

HERMANN CORRODI - Pescadores em Mergellina
Óleo sobre tela - 164 x 98 - 1905

HERMANN CORRODI - Vila numa montanha, na Costa da Ligúria - Óleo sobre tela - 58 x 100

Em 1872, ele foi com Arnold para Paris, onde os dois irmãos vieram a conhecer, entre outros, Meissonier e Gerome. De Paris, fez uma curta viagem a Londres, visitando os clientes de Alma Tadema, e logo depois foi para Mônaco para visitar a exposição internacional. Depois de uma curta estadia em Capri (1873), ele foi para Viena, onde foi premiado com uma medalha de ouro na Exposição Universal, com uma pintura que descreve uma floresta de pinheiros.

HERMANN CORRODI - Caravana de camelos numa tempestade de areia
Óleo sobre tela - 65,5 x 127

HERMANN CORRODI - Mercado de escravas - Óleo sobre tela

HERMANN CORRODI - Um acampamento árabe ao por do sol - Óleo sobre tela - 87 x 165,5

Como já foi citado anteriormente, em 1874, chocado com a morte prematura de Arnold, Hermann Corrodi passou por um período de desorientação, que afetou sobre o ritmo de suas atividades. Ele se casou e se confinou em Roma, onde o casal estabeleceu-se em S. Sebastianello, por um bom período. Precisava sair daquele estado e começou a visitar Constantinopla, Síria, Egito, Montenegro, Córsega e outras regiões do Oriente Médio.


HERMANN CORRODI - Paisagem italiana - Óleo sobre tela

                                                
Esquerda: HERMANN CORRODI - Um minarete - Óleo sobre tela
Direita: HERMANN CORRODI - Nas margens do Nilo - Óleo sobre tela

HERMANN CORRODI - Paisagem italiana com ruínas - Óleo sobre tela

O oriente atraía não somente pela singularidade exótica das paisagens, mas também porque, como o berço das religiões, tinha sobre ele um charme especial, oferecendo-lhe sempre novos motivos de inspiração: a pintura da fonte sagrada em frente à Mesquita de Omar, em Jerusalém, foi comprada por William II para sua coleção particular, e alguns pontos de vistas de Chipre passaram a fazer parte das coleções particulares da família real britânica. De uma certa forma, o oriente lhe devolveu a vida e a carreira.

HERMANN CORRODI - O Chifre Dourado, Constantinopla - Óleo sobre tela - 45 x 85

HERMANN CORRODI - Uma vista da Tumba de Califa, com as pirâmides ao fundo
Óleo sobre tela - 36,5 x 71

HERMANN CORRODI - Uma vista de Nicósia, Chipre - Óleo sobre tela - 64 x 118

Durante vários anos, Hermann Corrodi passava os verões em Baden-Baden e Homburg, estreitando cada vez mais as relações comerciais com o mais alto nível dos colecionadores europeus. Em janeiro em 1892, em sua casa na via S. Sebastianello, um incêndio destruiu a maior parte de suas propriedades artísticas. Além de perder uma rica coleção de objetos orientais, também foram destruídas várias obras de arte, deixadas por seu irmão Arnold.

                                                 
Esquerda: HERMANN CORRODI - Uma cena litorânea ao luar - Óleo sobre tela
Direita: HERMANN CORRODI - Uma estrada no oriente - Óleo sobre tela

Em 1893, ele foi nomeado cavaleiro com o Mérito Acadêmico pela Academia de San Luca, onde se tornou um professor por longa data. Com um amplo estúdio, montado agora em Roma, ele produziu diversos trabalhos, inspirados nos esboços e estudos colhidos pelas viagens que havia feito anteriormente. Enriquecia suas composições, usando muitos dos artefatos que havia comprado dos povos por onde passara e que conseguira salvar do incêndio. Continuou com seu estilo acadêmico, produzindo cenas orientalistas que combinavam cores terrosas e brilhantes.


HERMANN CORRODI - Constantinopla - Óleo sobre tela

HERMANN CORRODI - Descanso no oásis - Óleo sobre tela

HERMANN CORRODI - Cena egípcia - Óleo sobre tela

Familiarizado com a maioria da realeza europeia naquela época, Corrodi recebeu encomendas para pinturas de história da família real britânica. Nos seus contatos, incluía uma amizade especial com a Rainha Vitória, que lhe abriu caminho para chefes políticos de muitos outros países. Seu trabalho ganhava consistência e agradava a todos cada vez mais. E ele se sentia bem com tudo aquilo que fazia.


HERMANN CORRODI - Uma fonte de água doce ao sul do Bósforo - Óleo sobre tela - 86,5 x 165

HERMANN CORRODI - Hora da prece - Óleo sobre tela

HERMANN CORRODI - Vista do Estreito de Bósforo, Constantinopla
Óleo sobre tela - 100 x 166,5

No início do século XX, Corrodi construiu uma casa ainda maior, localizada entre a Piazza del Popolo e a Ponte Margaret. Lá havia amplos espaços para pintura e também para exposição, e passou a abrigar todas as suas obras que ia produzindo. Mas, o artista faleceu em janeiro de 1905, sem ver o término da construção de seu estúdio e de sua morada.


HERMANN CORRODI - Uma ninfa junto ao rio - Óleo sobre tela

Montar um catálogo com toda a produção de Hermann Corrodi é praticamente impossível, pois muitas de suas obras se perderam e grande parte delas encontra-se em coleções particulares muito restritas. Uma outra quantidade considerável pode ser apreciada em coleções de museus espalhadas por vários locais da Europa e Estados Unidos.




4 comentários:

  1. bom dia, Jose Rosario.
    sempre venho aqui no seu blog para
    ver belas paisagens.
    melhor blog de pinturas paisagisticas do Brasil. acabei de ver o trabalho do artista robert hagan, astralian artist no youtube.

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    1. É uma bela dica, Wagner.
      A Austrália tem excelentes paisagistas.
      Obrigado por vir e grande abraço!

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  2. Hermann Corrodi é simplesmente magnífico!
    Suas cenas são impressionantes, cores vibrantes, transmitindo detalhes e riquezas...
    Que pérola....
    Amigo... abração!

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    1. Uma pérola mesmo, Vidal.
      Há tempos venho tentando postas uma matéria sobre ele, mas, só agora consegui um material mais adequado.
      Grande abraço, amigo!

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