domingo, 12 de fevereiro de 2012

ALBERT BIERSTADT

ALBERT BIERSTADT - Paisagem das Montanhas Rochosas
Óleo sobre tela - 1870

ALBERT BIERSTADT - Estes Park, Colorado
Óleo sobre tela - 1869

Poderia começar a falar sobre Bierstadt de inúmeras maneiras, mas decidi por aquela mais comum a muitos artistas em início de carreira. Pela dificuldade em se colocar no mercado, encontrar uma linguagem própria do trabalho e pelas inúmeras barreiras que se erguem naturalmente, mas que não passam apenas de desafios, para aqueles que tem uma meta a seguir no mundo das artes.


ALBERT BIERSTADT - Aproximando a tempestade
Óleo sobre tela - 1869

ALBERT BIERSTADT - O Monteratsch Glacier próximo ao Vale de Pontresina
Óleo sobre tela - 96,52 x 152,4 - 1895
The Brooklyn Museum

ALBERT BIERSTADT - Westfalia
Óleo sobre tela - 109,22 x 148,59 - 1855
Coleção particular

Em 1850, quando já estava lecionando desenho e pintura em New Bedford, Massachusetts, e já havia até realizado sua primeira exposição em Boston, o jovem Bierstadt conseguiu patrocínio local para ir estudar em Düsseldorf, na Alemanha. Partiu para lá em 1853, onde encontraria com os artistas americanos que por lá já estudavam, Worthington Whittredge e Emanuel Leutze. Estes o apresentariam a Andreas Achenbach, famoso paisagista alemão e um dos professores mais procurados do país. Mas Emanuel e Worthington acharam os estudos levados por Bierstadt tão pobres, que mentiram a ele dizendo que Andreas já não lecionava mais.


ALBERT BIERSTADT - Nas montanhas
Óleo sobre tela - 1866 - Wadsworth Atheneum, Hartford

ALBERT BIERSTADT - Montanhas Rochosas, Pico de Lander
Óleo sobre tela - 186,7 x 306,7 - 1863

ALBERT BIERSTADT - Trilha do Oregon
Óleo sobre tela

Sem se dar por derrotado, Bierstadt passou vários meses no estúdio de Worthington, aprendendo com os amigos a polir sua técnica. Também saiu a campo, colhendo desenhos e esboços em ar livre, uma prática que já começava a fazer escola por toda Europa, ainda que esta fosse apenas para a captação de motivos para serem trabalhados em estúdio. Também fez viagens para a Suíça e Itália, antes que retornasse para os Estados Unidos.


ALBERT BIERSTADT - Olhando para baixo, Vale de Yosemite, Califórnia
Óleo sobre tela - 162,6 x 244,5 - Birminghan Museum of Art

ALBERT BIERSTADT - Vale do Rio Kern, Califórnia
Óleo sobre tela - 90,17 x 132,08 - 1871 - Coleção particular

ALBERT BIERSTADT - North Fork, Nebraska Platte
Óleo sobre tela - 91,4 x 146 - 1863 - Manoogian Collection

Já de volta, começou a receber merecida aclamação pelos trabalhos que produzia, e já gozava de uma certa reputação por produzir belas paisagens com inspiração européia. Mas o jovem queria algo mais, e resolveu olhar para as paisagens de seu próprio país. Começou a pintar as paisagens próximas a Newport e em 1859, começou a sua primeira jornada para o oeste, descobrindo cenários em River Platte e fazendo os primeiros contatos com nativos americanos daquela região. Mas foram os encontros com as Montanhas Rochosas e o Vale de Yosemite que despertaram nele o que seria a sua grande proposta para dali em diante: mostrar um cenário exuberante e rico, visto por pouquíssimos artistas e que rivalizava com os belos cenários dos Alpes. Tal encontro levou o artista a deixar a seguinte frase: “Nosso país tem o melhor material para qualquer artista do mundo”.


ALBERT BIERSTADT - Lago Lucerna, Suíça
Óleo sobre tela - 182,9 x 304,8 - 1858
Galeria Nacional de Arte, Washington

ALBERT BIERSTADT - Sierra Nevada
Óleo sobre tela - 97,79 x 143,55 - 1873
Reynolda House Museum of Art

ALBERT BIERSTADT - Vale Yosemite
Óleo sobre tela - 96,5 x 152,4 - 1866
Coleção de Joan e Julian Ganz Jr

De volta a Nova York, começou a produzir incansavelmente suas grandes telas baseadas na excursão que acabara de fazer. Elaborou muitas e imponentes obras, conseguindo sucesso imediato com a exposição das mesmas. Através de uma auto-promoção muito bem feita, já era um pintor bem estabelecido financeiramente, com obras atingindo a casa dos 25 mil dólares e lhe permitindo uma ascensão social vertiginosa. Em 1867, retorna à Europa, onde foi recebido com honras pela Rainha Vitória, em Londres e também em Roma. Chegou a conhecer o compositor Liszt e continuou a produzir suas obras, em estúdios que alugava por onde passava. Sempre inquieto, retorna ao oeste americano em 1871, onde é recebido como um grande artista e certa notoriedade. Ali, vende muitos de seus trabalhos para novos e ricos colecionadores que surgiam na região.


ALBERT BIERSTADT - Noite, Owens Lake, Califórnia
Óleo sobre tela - 34,29 x 48,26

ALBERT BIERSTADT - Paisagem tropical com barcos de pesca na baía
Óleo sobre tela - 46,3 x 51,4

À partir de 1870, paisagens épicas já não eram temas tão em moda, e começa o que seria um declínio natural da aceitação dos trabalhos de Bierstadt. Teve inclusive uma obra rejeitada para o Salão de Paris, em 1889. Mas continuou na sua proposta de retratar o oeste e ainda contava com fiéis admiradores de seu trabalho. Mais uma série de desgraças viriam a acompanhar seus dias: a perda da esposa, problemas financeiros gerados pela vida luxuosamente extravagante que levava, e um incêndio que destruiu sua casa, diversas pinturas e vários objetos indígenas que havia coletado em suas viagens.
Ainda encontra forças para produzir seus trabalhos e viajar novamente à Europa entre os anos de 1895 e 1897. Mas falece, já um pouco obscuro, na sua casa em Nova York, em 1902.


ALBERT BIERSTADT - Um acampamento indígena
Óleo sobre tela - 33,66 x 47,63 - 1861

ALBERT BIERSTADT - Entre montanhas da Sierra Nevada, Califórnia
Óleo sobre tela - 182,9 x 304,8 - 1868
National Museum of American Art, Washington

Hoje é visto como um dos mais influentes e importantes pintores paisagistas americanos, que soube, como ninguém, expor a grandiosidade dos cenários de seu país. Fez de “cada queda um passo de dança” e deixou para a história da arte, um dos seus mais belos legados.


Nasceu em Düsseldorf, Alemanha, em 7 de janeiro de 1830 e faleceu em Nova York, a 18 de fevereiro de 1902.

4 comentários:

  1. ALBERT BIERSTADT é sem dúvida um dos grandes nomes da pintura universal... embora a glória que lhe acompanhou no inicio, depois vindo alguns problemas futuros, o brilho do seu trabalho não foi apagado... bela matéria!
    Felicidades meu amigo...

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    1. Olá Raimundo. Há cerca de 12 anos, comprei um livro em Belo Horizonte sobre a Escola do Rio Hudson, e me encantei com os trabalhos do Bierstadt, já na primeira olhada.
      Desde essa época são uma referência que sempre consulto e me esclareço de algumas dúvidas.
      Mais uma vez, obrigado pela visita!

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  2. nossa esse artista pintou muito,,,,parabéns pela edição José Rosário...

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    1. E como pintou, José Carlos...
      Obrigado por passar aqui!

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