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domingo, 6 de janeiro de 2013

UMA OBRA MUITO ESPECIAL

JOSÉ ROSÁRIO - Uma clareira no Mumbaça - Óleo sobre tela - 60 x 60 - 2013

Com essa obra, completo o meu trabalho de número 2000, por isso, ela tem um significado muito importante para mim. Propositadamente escolhi uma cena do Ribeirão Mumbaça, em Dionísio, por se tratar de um dos meus temas mais explorados. É um local onde definitivamente me sinto em casa.
Desde que iniciei com a pintura, venho registrando todos os trabalhos que realizo. Tenho todos os registros de cada obra, mas as imagens arquivadas só começaram a serem feitas com mais rigor, à partir de 2004.
Com essa obra, também inauguro uma fase mais naturalista em minha produção, e a proposta de uma exposição ao final do ano, somente com abordagens desse tema.





quinta-feira, 23 de junho de 2011

PAISAGEM: PASSO A PASSO


Fiquei devendo uma matéria com a execução de uma obra feita passo a passo. Escolhi uma paisagem, em uma tela de medida 70 x 100. Não é um local existente. A cena é idealizada e para isso utilizei referências variadas de árvores, arbustos, beiras de rio... Serviram para isso estudos colhidos em locais, fotos, gravuras e um pouco de imaginação para a conclusão do trabalho.

PALETA DE CORES
. Branco de titânio
. Amarelo de cádmio claro
. Amarelo ocre
. Vermelho francês
. Terra de siena natural
. Sombra queimada
. Sombra natural
. Sépia
. Azul de cobalto
. Azul cerúleo
. Carmim
. Verde esmeralda
. Verde veronese
. Verde vessie

ETAPA 1 - Estudos e esboços


De posse de todos os recursos que mencionei acima, executei um esboço em lápis para posicionar todos os elementos de minha composição. É nessa hora também que defino o direcionamento de luz e sombra, escolha do tamanho da tela, ajustes de composição, enfim, todos os cuidados necessários ao se iniciar o trabalho. Já mencionei em matéria anterior e não me canso de recordar: gaste um bom tempo elaborando seu trabalho, isso quando estiver trabalhando em estúdio. Mesmo em plein air, observe bastante antes de transpor para a tela aquilo que deseja ou visualiza.

ETAPA 2 - Transferindo o esboço e início da pintura


Transfira o estudo para a tela da maneira que achar mais confortável. Há inúmeras maneiras de se iniciar um trabalho, e a escolha da técnica a ser utilizada é que definirá que caminho melhor tomar nesse momento. Cada artista adapta a sua maneira de fazer com a técnica que pretende utilizar. Eu particularmente, esboço a tela com grafite mesmo. De preferência nem tão macio, para não sujar demais o desenho, nem tão duro, que dificulte a visualização do traço.
Para essa demonstração, cobri algumas áreas com uma mistura bem aguada de tinta acrílica nas cores sombra natural e terra de siena natural. Se quiser incrementar seu underpainting, adicione mais algumas cores e já comece elaborar áreas de luz e sombra. Como disse anteriormente, cada artista vai achar a melhor maneira para se adaptar. O mais importante é o resultado do trabalho, e vários caminhos podem levar até ele.
Lembre-se que ao optar pela sua maneira particular de fazer, é bom cercar-se de boa técnica. É preciso que ela seja, primeiramente, segura para a vida útil de sua obra. Nunca arrisque métodos experimentares para trabalhos mais elaborados. Teste antes em superfícies de tamanhos menores e que sejam apenas seus "cadernos de experiências".
Para essa etapa, caso esteja com dúvidas ao escolher sua melhor maneira para começar, consulte a página do blog Cozinha da Pintura, que deixo abaixo como link. É muito esclarecedora e com resultados pautados em experiências muito bem conduzidas.


ETAPA 3 - Cobrindo grandes áreas



Tenho como meta, iniciar sempre o meu trabalho do ponto mais escuro da composição. É o que mostrei inicialmente na Etapa 2 e continuo executando na etapa 3. Faço isso pelo fato de me orientar melhor do escuro para o claro. É muito mais fácil comparar uma área de luz a ser executada com uma área de sombra já composta, do que o contrário. Um erro muito comum quando se inicia  pintura de paisagens é vir trazendo do fundo para o primeiro plano. Se os tons não forem bem colocados no início, há um sério risco de quando se detalhar o plano mais próximo, o fundo feito inicialmente ficar bem mais claro do que se desejava. Confirmando mais uma vez o que foi dito na etapa anterior, experimente várias situações até que se possa optar pela mais confortável, e que vá permitir os resultados que deseja.

ETAPA 4 - Posicionando melhor alguns elementos




Sem ser demasiadamente excessivo, vá definindo melhor algumas formas de arbustos e pedras, que já se encontrarem num plano mais próximo. Isso ajudará a conduzir o detalhamento na hora necessária.

ETAPA 5 - Pintando a água



Comece a definir a água. Uma regra importante é que água geralmente não tem cor, ela reflete o que está próximo. Trabalhe observando com atenção o que será reflexo e sombra, pois esses dois itens tem uma grande diferença entre si. Veja na imagem logo acima, as entradas de luzes que vem da direita, formam trechos iluminados na água, fazendo com que os reflexos de tudo que está em volta, ganhem áreas mais brilhantes à luz e mais escuras nas sombras.

ETAPA 6 - Conclusão da "mancha inicial"


Conclua a primeira etapa. Depois de seca, faça os ajustes necessários antes de começar o detalhamento. Use verniz de retoque em algumas "ilhas de fosco", que possivelmente ocorrem entre massas de cores diferentes. Caso queira, trabalhe veladuras em alguns pontos onde haja necessidade de correção da cor e da temperatura.

ETAPA 7 - Trabalhando detalhes





Tão importante quanto certificar de todos os detalhes, é saber quando parar de coloca-los. Pense na obra como um conjunto, onde todos os pontos devem se harmonizar, valorizando a atenção apenas para o ponto principal da obra.

ETAPA 8 - Término

JOSÉ ROSÁRIO - Interior de mata
Óleo sobre tela - 70 x 100 - 2011

É momento de assinar. Uma boa regra é colocar a assinatura num ponto que não chame tanta atenção. Uma assinatura no local inadequado pode desequilibrar a composição. Espere que o trabalho esteja completamente seco para fazer o envernizamento final.

sábado, 4 de junho de 2011

WILSON VICENTE (José Rosário)

WILSON VICENTE
Rua de Ouro Preto


Não é uma atividade fácil, falar sobre alguém do qual se admira muito. Não só apenas do campo profissional, mas também sobre a pessoa. Conheci Wilson Vicente em 1995, a convite de amigos meus da cidade de São Domingos do Prata. Wilson estaria por lá dando aulas de pintura durante alguns finais de semana. As quatro aulas que assisti com ele, ficaram sendo por assim dizer, toda a minha formação de escola, e até hoje, agradeço imensamente à Maura e ao Quinca pelo convite para estar lá.

WILSON VICENTE - Fundo de engenho
Óleo sobre tela - 70 x 100
Coleção Maura Morais

WILSON VICENTE - Terreiro de fazenda
 60 X 80

Desde sempre, Wilson me pareceu a figura perfeita para encaixar dentro do perfil de um pintor mineiro, no sentido mais real da palavra. Sempre de pouca conversa e falar também sempre manso e muito objetivo. Cauteloso e avesso às exposições públicas, está sempre ali, no seu cantinho, comunicando com o mundo apenas com a sua arte. Ainda um pouco resistente aos contatos tecnológicos da internet, a divulgação de seu trabalho se faz principalmente pela propaganda natural das pessoas que o colecionam.

WILSON VICENTE - Rua em Ouro Preto

Nascido na cidade mineira de Cataguases, em 1951, já tem uma longa trajetória na história da pintura no estado, iniciada num passado já distante, quando tinha apenas 16 anos de idade. Fátima e os filhos são a companhia de toda sua jornada.
Wilson já possui uma sólida carreira, formada toda ela em cima da temática mineira: paisagens, casarios e o dia-a-dia dos personagens do interior que há tanto tempo povoam suas obras.

WILSON VICENTE - Ordenha

WILSON VICENTE - Primavera

Suas cores são bem vibrantes e os seus efeitos bastante convincentes. Em determinados trabalhos há um meticuloso detalhe, elaborado no pincelar de várias seções. Suas sombras são bem iluminadas e há que se destacar vários efeitos relevantes em suas telas: a neblina da manhã, a vegetação de beira de estrada com poeira depositada e a anatomia de animais ao pasto, que já tomam forma apenas pela imaginação.

WILSON VICENTE - Vila
60 x 80

WILSON VICENTE - conversando

De escola, o pouco que aprendeu em termos de artes plásticas, foi com Raimundo Costa, a quem ele atribui o conhecimento das cores. A técnica e o jogo de luzes vieram pela escola da vida, sempre baseando nos trabalhos de Edgar Walter (de quem ele gostaria de ter sido aluno). É também em Edgar Walter a referência pela busca constante do aprimoramento técnico e da perfeição.

WILSON VICENTE - Lavadeiras

WILSON VICENTE - Indo pra lida
60 x 80

Seus trabalhos exalam acima de tudo, muito lirismo. Momentos fugazes do campo em atitudes que parecem ser tão banais, mas tão carregadas de símbolismos e sacramentos.

WILSON VICENTE - Manhã em Ouro Preto
70 x 50

WILSON VICENTE - Tiradentes
50 x 70

“Quem não teve escolas tem que treinar à partir de trabalhos de artistas famosos e com quem identificamos”. São palavras do próprio Wilson. Este treino valeu a pena, pois lhe permitiu revelar todo o seu dom artístico, o entender das coisas à partir de como elas são e como foram em um dado momento.
Das poucas vezes que vi Wilson pintando, lembro bem da facilidade no manejo dos pincéis, da habilidade no desenho das figuras e principalmente da intimidade com que tem com as cores.

WILSON VICENTE - Paisagem com fazenda
60 x 80

WILSON VICENTE - Animais no coxo
60 x 80

Ele é catalogado pelo Dicionário das Artes Plásticas do Brasil, Júlio Louzada, em várias edições. Ao longo de sua carreira já participou de diversas exposições e suas obras se encontram em várias coleções, tanto no Brasil quanto no exterior.

WILSON VICENTE
Igreja São Francisco de Assis, Tempo nublado
60 x 80

WILSON VICENTE - Festa do Congado
50x70

Gostaria de vê-lo mais em exposições, individuais ou mesmo coletivas, que mostrassem o seu trabalho, principalmente a força do conjunto que há nele. Suas cenas rurais parecem, quando isoladas, capítulos de algum filme, ainda em andamento. Seria muito bom ver muitos deles juntos, algo como uma seção de cinema em imagens congeladas.

Seus trabalhos sempre representarão muito bem Minas e todas as suas tradições.

  

PARA SABER MAIS:

ou (19) 9906-9004

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

JOÃO BATISTA DA COSTA (José Rosário)

JOÃO BATISTA DA COSTA - Rio Piabanha, Petrópolis, 
Óleo sobre tela, 55 x 66

JOÃO BATISTA DA COSTA - Manhã de sol, Petrópolis
Óleo sobre tela, 35 x 46

JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem em Petrópolis
Óleo sobre tela

Já se passaram quase 85 anos desde a morte de João Batista da Costa, referência no meio acadêmico e uma das figuras mais influentes na história da pintura propriamente dita “brasileira”. O que ficou de história e mito, o passar dos anos só faz aumentar, e é assim mesmo que surgem e se formam as grandes figuras.
Parece até uma tradição na História da Arte Universal, transformar grandes artistas em grandes mitos. Em parte por parecer que uma história romanceada com dramas e tragédias, venha qualificar ainda mais o trabalho de quem a fez, embutindo maiores valores financeiros às obras produzidas em tão deturpada vida. Também, não só pelos grandes profissionais que foram, mas principalmente pelos afetos e desafetos do destino, e muito mais pela garra e convicção com que abraçaram aquilo que era o motivo maior de suas vidas. Negando a si próprios em busca de uma perfeição inatingível, trilharam por aí grandes nomes. É com certeza uma injustiça não citar todos, mas, injustiça maior é não citar pelos menos o holandês Van Gogh, e aqui bem perto de nós, o Aleijadinho, ambos com sérias limitações e dedicação completa à Arte.

JOÃO BATISTA DA COSTA - Poesia da tarde-1895
Óleo sobre tela, 73 x 126,3

JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem em Petrópolis
Óleo sobre tela, 102 x 150

JOÃO BATISTA DA COSTA - A casa do Barão do Rio Branco em Petrópolis
Óleo sobre tela, 89,5 x 115,5

Com ingredientes em toda a sua vida que o colocam na categoria de um dos nossos maiores mitos, João Batista da Costa é discreto até nesse detalhe, como foi para tudo em toda sua vida.
Quando aos oito anos de idade, ele perdeu o pai e a mãe, e foi morar com alguns familiares, já sentiu que não teria nada fácil dali em diante. Mesmo ainda tão criança, não conseguiu se entrosar com os parentes, fugindo para o Rio de Janeiro, vindo bater exatamente às portas do Asilo de Menores Desamparados, que ainda funciona como Instituto João Alfredo, num velho casarão no bairro de Vila Isabel.
Uns dirão destino, outros dirão “dedo de Deus”, certo é que, como uma teia que abraça a todos e vai atando os nós certos nos lugares certos, não havia lugar melhor para que o garoto João Batista pudesse se aportar. Muito concentrado e dedicado desde sempre, logo se sobressai nas aulas de música, vindo rapidamente fazer parte da banda do asilo. Nas aulas de Desenho e Encadernação obteve ainda maiores sucessos, tendo o privilégio de ter sido orientado pelo artista Antônio Araújo de Souza Lobo. Não demorou muito, e esse artista, convicto do garoto prodígio que tinha em mãos, consegue com o apoio do Barão de Mamoré (Ambrósio Leitão da Cunha), uma vaga para ele na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 1885.

JOÃO BATISTA DA COSTA - Casa e Capela de Antonio Raposo Tavares
Óleo sobre tela, 74 x 92

JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem com dois meninos
Óleo sobre tela, 34 x 46

JOÃO BATISTA DA COSTA - Fazenda do Brejinho
Óleo sobre tela, 42 x 52

Não podia ter chegado lá em momento mais propício. Estuda pintura com Zeferino da Costa, faz Pintura Histórica com Rodolfo Amoedo e Desenho com o próprio Souza Lobo, quem lhe arranjara a vaga. Também recebe orientações em Desenho com José Maria de Medeiros.
Nunca é demais recordar, que as últimas décadas do século XIX foram decisivas para o rumo artístico inovador e revolucionário que avançaria pelo século XX. Até mesmo no Brasil, isolado geograficamente dos grandes centros artísticos do Velho Continente, e onde as mudanças chegavam sempre a passos lentos, novos ares se tornaram bem perceptíveis nos últimos quinze anos do século XIX. A grandiloqüência neoclássica, financiada pelos impérios e monarquias, que sempre precisavam de imagens para se impor, foi cedendo espaço para uma orientação mais realista e natural, até porque, é nesse mesmo período que a República substitui a Monarquia, não só por aqui, mas em várias regiões do mundo. E nessa época, de grandes mudanças organizacionais na estrutura política, a Academia Imperial de Belas Artes se torna Escola Nacional de Belas Artes.

JOÃO BATISTA DA COSTA - O passeio
Óleo sobre tela, 32 x 42

JOÃO BATISTA DA COSTA - Trecho de paisagem com rio
Óleo sobre tela, 50 x 70

JOÃO BATISTA DA COSTA - Estudo de paisagem
Óleo sobre painel

Já em 1886, João Batista reúne um grupo de colegas para praticarem pintura ao ar livre, uma atividade que o mundo aprendeu com pioneiros da Escola de Barbizon, na França. A notícia se espalhava, e lá estavam todos a colocar cavaletes às costas e sair à caça de temas ideais. São colegas seus nesse período: Eliseu Visconti, Antônio Parreiras, Belmiro de Almeida, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e outros grandes nomes que se tornariam caça preciosa nos mercados de arte de nosso tempo.
Conclui então o curso de Belas Artes na Academia Imperial em 1889, recebendo inclusive Medalha de Ouro por brilhante carreira naquela escola. Seus trabalhos dessa época, já se inclinavam bastante para uma veia paisagística. Importante ressaltar que não teve nenhum mestre paisagista em sua formação. Estréia na Exposição Geral de Belas Artes no Rio de Janeiro em 1890, evento que se faria presente em toda sua vida.

JOÃO BATISTA DA COSTA - Praias de Ipanema e Leblon, 1918
Óleo sobre tela, 50 x 73

JOÃO BATISTA DA COSTA - Marinha
Óleo sobre painel

JOÃO BATISTA DA COSTA - Gruta Azul
Óleo sobre tela

Casa-se em 1893 com Margarida Reboli Berna, irmã dos colegas de escola Benevenuto Berna e Heitor. As coisas caminhavam muito bem nesse período. Passa a lecionar Desenho no abrigo de menores onde foi acolhido, e em 1894, com a obra Em Repouso, ganha o Prêmio Viagem ao Exterior na Primeira Exposição Geral de Belas Artes. Esse prêmio, antes concedido na época do Império, havia sido suspenso por vários anos. Essa era a primeira edição do mesmo durante a República, e ele, João Batista, o primeiro a ser premiado. Nessa tela premiada, a figuração é colocada em segundo plano, vindo confirmar o interesse cada vez mais crescente do jovem artista pela paisagem. Com o prêmio, viaja para Paris em 1896, onde faz estudos na Académie Julien, destino quase certo de muitos estudantes de arte que chegavam à cidade. Foram períodos de muita paz. Sempre na companhia da esposa, esteve também na Alemanha e Itália, fixando estadia em Capri, onde faz novos experimentos e conhece novos artistas. Mas, é também em Capri a maior de suas desilusões. Perde a esposa e o filho prematuro, em complicações no momento de parto. Desolado e ainda mais retraído que de costume, regressa ao Brasil mesmo antes de concluir o período de sua bolsa. Nunca mais viajaria para fora do país.

JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem
Óleo sobre tela, 36 x 46

JOÃO BATISTA DA COSTA - Ponta do calabouço
Óleo sobre painel, 12,3 x 31


JOÃO BATISTA DA COSTA - Parque da Aclimação, São Paulo
Óleo sobre tela, 50 x 60

A natureza já introspectiva do artista, ganha ainda mais força naqueles primeiros anos sem a esposa. Reservado e tristonho, não abandona porém o trabalho, expondo toda sua produção européia na Casa Postal da Rua do Ouvidor em 1899. Nesse período dedica-se exaustivamente à produção de retratos e firma-se ainda mais como um respeitado paisagista. Focado em sua produção mais do que nunca, expõe assiduamente nas Exposições Nacionais de Belas Artes, vindo a conquistar todos os prêmios possíveis conferidos por este Salão. Com a vida já de volta aos trilhos, casa-se pela segunda vez com Noemi Gonçalves Cruz, irmã do sanitarista Osvaldo Cruz. Com ela teve quatro filhos.

JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem com casa e figura,
Óleo sobre tela, 40 x 31

JOÃO BATISTA DA COSTA - Paisagem fluvial, 1922
Óleo sobre painel, 38,3 x 56,2

JOÃO BATISTA DA COSTA - Nu de menino
Óleo sobre tela, 65 x 44

Uma série de acontecimentos na carreira profissional o consolida como um dos maiores nomes na pintura brasileira, não só ocupando várias cadeiras de ensino, mas chegando ao cargo máximo de Diretor da Escola Nacional de Belas Artes em 1915, cargo que ocuparia até 1926.
É dessa época, uma série de desavenças orquestradas por Antônio Parreiras, declarado rival. Mas, não cede a nenhuma delas, impondo seu jeito sereno e meditativo para conduzir as coisas. 

JOÃO BATISTA DA COSTA - Quaresmas, Petrópolis, 1914
Óleo sobre tela, 97 x 130

JOÃO BATISTA DA COSTA - Trecho de paisagem com rio
Óleo sobre tela,  96 x 128

JOÃO BATISTA DA COSTA - Marabá
Óleo sobre tela, 200 x 150

Muitas foram as iniciativas quando esteve à direção da Escola Nacional. Contrata um restaurador estrangeiro para formar as primeiras turmas de restauradores nacionais e recuperar um grande número de obras da pinacoteca da Escola. Faz melhorias significativas no prédio daquela instituição, como a construção de novas e amplas galerias, criação de novas turmas para aulas de escultura e modelagem, e organização de todo o patrimônio ali instalado.
Quando esteve à frente da Escola, foi formada uma legião de novos paisagistas no país, todos com forte influência do Realismo Romântico das escolas paisagísticas italianas e dos mestres de Barbizon. Em 1922, é um dos integrantes da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário da Independência no Rio de Janeiro. É nesse período que manda executar diversas esculturas em bronze para a Escola Nacional e organiza uma grande exposição de arte, retrospectiva e contemporânea. É também por iniciativa sua, o lançamento do primeiro catálogo biográfico de todos os artistas da época. Conservador como sempre foi, recusa-se a aceitar a Arte Moderna, o que denomina como “uma anarquia a serviço dos artistas falhados”. Mas, convive e respeita movimentos como os de Portinari e Orlando Teruz.

JOÃO BATISTA DA COSTA - Trecho de paisagem com ponte, Petrópolis
Óleo sobre madeira, 24 x 36

JOÃO BATISTA DA COSTA - Descanso
Óleo sobre madeira, 30 x 40

JOÃO BATISTA DA COSTA - Nu masculino de costas
Óleo sobre tela, 1889

Quando ainda diretor da Escola Nacional, agradecendo a uma homenagem, João Batista da Costa resume sua vida em um breve depoimento:

“Devo minha carreira artística a um ato de independente rebeldia: fugindo à noitinha da casa de meus parentes na roça, quando órfão de pai e mãe; dormindo em plena mata; apresentando-me, depois de diversas fases de minha vida, entre os oito e os doze anos, ao diretor do Asilo de Meninos Desamparados, em pessoa, pedindo minha admissão nesta casa, onde me eduquei; matriculando-me na Academia Imperial de Belas-Artes, por ordem do Barão de Mamoré quando Ministro do Império; encaminhando-me na vida sem conselhos de ninguém, mas com coragem e altivez; trazia para o desempenho do cargo, para suprir todas as lacunas que pudessem existir, a minha capacidade de trabalho, meu bom-senso que nunca me abandonou, o amor à minha profissão e, sobretudo, a idéia fixa de fazer alguma coisa pela arte do nosso Brasil.”

João Batista da Costa morreu repentinamente no ano de 1926.

*****

JOÃO BATISTA DA COSTA - Auto-retrato
Óleo sobre tela, 1922

Nascimento: Itaguaí, Rio de Janeiro, a 24/11/1865
Falecimento: Rio de Janeiro, a 20/04/1926