ELISEU VISCONTI - Maternidade - Óleo sobre tela - 1906
A aproximação da data (Dia das mães no próximo domingo)
sugeriu escrever algo. Mesmo que a comemoração seja uma tentativa comercial de
criar mais um período do ano para se consumir presentes; numa espécie de
entressafra de natais; um dia reservado às mães é mesmo algo merecido. Muito
merecido, por sinal! E se falamos sobre elas, iremos sempre lembrar das muitas
imagens que povoam o mundo das artes desde longa data. De fato, a história da
arte ocidental está repleta de suas representações desde a Idade Média. Uma mãe
e sua criança nos transmitem sempre uma boa sensação. Há todo um universo
sugerindo proteção, carinho e calor. E isso mexe com todos nós!
LEONARDO DA VINCI - A virgem e O menino com Santa Ana
Óleo sobre painel - 168 x 112 - Museu do Louvre, Paris
RAFAEL - Madonna do Grão Duque
Óleo sobre painel - 1504 a 1505 - Palazzo Pitti, Florença
Inúmeras culturas usaram a figura materna para criar
símbolos e arquétipos. De uma certa forma, a cultura cristã é a mais
responsável por difundir essa imagem da mãe complacente e terna, que afaga e ao
mesmo tempo protege, que educa corrigindo, que ensina a ser livre impondo os
limites da vida.
JEAN BAPTISTE-SIMÉON CHARDIN - A oração antes da refeição
Óleo sobre tela - 49,5 x 38,4 - 1740 - Museu Hermitage
MARY CASSATT - Mãe e filho
Pastel - 1880
As
primeiras representações sobre a maternidade evocavam uma lembrança da
humanização do divino. A mãe, na figura de Maria, é a ponte que liga o eterno e
o terreno, e isso colocou a humanidade mais próxima e acessível daquilo a que
ela acreditava. Pelo menos era essa a intenção da Igreja Católica, ao criar
tais imagens para educar seus seguidores. Aos poucos, a figura da mãe do filho
de Deus foi ganhando ares mais humanos, e adquirindo uma maternidade mais terna
e mais ligada a esse mundo. A intimidade e o aconchego de cenas domésticas
instigaram pintores de todas as escolas e estilos. Com o passar dos anos, as
representações atestam as mudanças estruturais da família, da mãe ganhando um
papel secundário e submisso no período feudal até o século XIX, e vindo a ter um papel de destaque na nova estrutura que foi se consolidando no século XX.
BERTHE MORISOT - A lição de costura
Óleo sobre tela - 1884
CLAUDE MONET - Jean Monet no berço
Óleo sobre tela - 1867
PABLO PICASSO - Mãe e filho
Óleo sobre tela - 97 x 71 - 1921
Os tempos atuais inspiram cuidados. A família tem se dissolvido e mudado sua forma estrutural mais básica, e isso acontecendo numa velocidade imensa. Muito mais do que líderes do lar, são necessários casais companheiros que devolvam o verdadeiro sentido de viver em sociedade. A mãe ainda é o pilar mais forte na tentativa de resgatar essa estrutura. Felizmente, ainda só é possível chegar a esse mundo através dela. Mesmo que o homem colabore gerando um filho, é a mãe, o "portal" que irá trazê-lo ao mundo externo.
NANCY HOWE - Maternidade
Óleo sobre tela
VICENTE ROMERO REDONDO - Maternidade
Pastel - 50 x 61
Que continuemos a nos inspirar nas muitas imagens acolhedoras e promotoras de um mundo melhor, que nos acompanham há vários séculos. Uma mãe que acolhe um filho, acolhe uma nova vida e a esperança de um novo mundo.
JOSÉ ROSÁRIO - Na feira - Mista sobre tela - 46 x 65









