Mostrando postagens com marcador brazilian painter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brazilian painter. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de novembro de 2013

ALFREDO VIEIRA



 ALFREDO VIEIRA - Frescor - Óleo sobre tela

Muito bom, encontrar por esses dias, mesmo que ainda virtualmente, com o artista mineiro Alfredo Vieira. Ele é um representante contemporâneo do novo realismo mineiro, explorando a velha temática paisagística que fez escola por aqui, mas com um frescor e técnicas inusitadas. Adepto também do Hiperrealismo, uma tendência muito comum aos artistas realistas contemporâneos mais virtuosos.

 ALFREDO VIEIRA - Fazendinha - Óleo sobre tela

Nascido em Belo Horizonte, no ano de 1969, é filho de um outro artista, Afrânio, que foi um dos fundadores da antiga Feira Hippie, naqueles saudosos tempos onde funcionava ainda na Praça da Liberdade, e tinha um glamour que perdeu há tempos. Afrânio ficou conhecido por retratar casarios, uma identidade própria da temática mineira.

 ALFREDO VIEIRA - Ladeira - Óleo sobre tela

Alfredo Vieira também começou a expor na feira, bem cedo aliás, quando tinha apenas 10 anos. Expôs por lá em longos 32 anos e se firmou como um pintor de cenas mineiras, conquistando um público cativo não só no estado, mas de outras regiões do país. Após um estágio com um antigo professor da Guinard, Pedro Augusto, no ano de 2000, Alfredo monta seu próprio curso, priorizando bastante o desenho e aprimorando, juntamente com seus alunos, experimentos em novas técnicas e efeitos.

 ALFREDO VIEIRA - Gemas - Óleo sobre tela

Em 2002, a convite de uma aluna italiana, fica um período de 6 meses naquele país. Uma exposição hiperrealista bem sucedida lhe abre as portas para poder explorar ainda mais o país. Viaja pelo norte da Itália, sempre pintando ao vivo em praças e feiras. Um curso em Florença só veio realçar ainda mais a sua veia hiperrealista, tendência que nunca pretende deixar de explorar.

 ALFREDO VIEIRA - O Vendedor - Óleo sobre tela

 ALFREDO VIEIRA - Leiteiro - Óleo sobre tela - 50 x 60


Depois dessa temporada, retorna ao Brasil e se dedica principalmente aos cursos de desenho e pintura, suas principais atividades até hoje. Considera-se um pintor hiperrealista por excelência, gosta dos mínimos detalhes, captados com precisão e muita paciência. Não foi de frequentar escolas, muito do que aprendeu veio de leituras e muitas pesquisas, experimentadas em horas a fio, no refúgio de seu ateliê.

 ALFREDO VIEIRA - Marinha - Óleo sobre tela

Marinha, detalhe

Alfredo é metódico, tem toda uma trilha planejada para sua carreira, com planos bem audaciosos para o futuro, onde pretende explorar o hiperrealismo numa esfera que ainda não faz com tanta predominância. Ele se diz completamente apaixonado pelo que faz, não se cansa de passar no mínimo 10 horas por dia em seu ateliê, produzindo tudo aquilo que lhe fascina. Curte tudo, desde a preparação da tela, do tema, dos esboços, a primeira mancha, a pintura propriamente dita, veladuras, luzes finais... Faz tudo isso com muita entrega.

 ALFREDO VIEIRA - Solitude - Óleo sobre tela

Mestres como referência, considera muitos: Vermeer (seu preferido), Caravaggio, Bouguereau, Van Gogh, Richard Estes, Ralph Goings, Royo, Volegov e mais recentemente a artista Alissa Monks.
É por gratas surpresas como esta, que a arte realista sempre irá se reciclar e apresentar ao mundo novos nomes. Ainda que as temáticas se repitam, haverá sempre uma nova linguagem para falar do mundo de hoje.

PARA SABER MAIS:


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

RODRIGO ZANIBONI

RODRIGO ZANIBONI - A Pelada - Óleo sobre tela - 110 x 170 - 2013

Há bem no fundo de todos nós, espaços guardados que jamais sofrem a ameaça do esquecimento. Espaços que contém cenas, pessoas, aromas, sabores... Que quase sempre nos ressuscitam boas lembranças do passado e nos fazem ficar por lá, por um breve intervalo de tempo, no aconchego de nossas memórias. Nessas lembranças, há sempre a presença prazerosa das pessoas que mais nos significam, que fazem confirmar que somos seres de saudades e que nos fazem gostar muito disso. Quase toda a produção artística de Rodrigo Zaniboni está repleta desses espaços revisitados, herança da infância que passou no sítio dos avós e do estreito convívio com familiares e amigos.

RODRIGO ZANIBONI - O Olhar de Elisa
Óleo sobre tela - 120 x 100 - 2012

RODRIGO ZANIBONI - O Criador e a Criação
Óleo sobre tela - 120 x 100 - 2012

Rodrigo Zaniboni nasceu em Fernando Prestes, cidade do interior de São Paulo. Até a sua adolescência, a vida no campo serviu como um estímulo nato para impulsionar seu desejo pelo desenho. Começou a potencializar o seu talento em 1998, quando toma suas primeiras aulas de desenho com Luís Dotto. A paixão pela pintura viria a se firmar logo adiante, quando recebe aulas de Celso Bayo e se confirmar ainda mais em alguns ensinamentos com Reinaldo Jeron. Foi com Washington Maguetas, em 2001, que traria a prática da pintura ao vivo como atividade, e que muda radicalmente sua paleta e sua percepção da luz. Morgilli viria logo a seguir, servindo como suporte amigo e com dicas sempre valiosas. Atualmente, a parceria com Ernandes Silva abriu um novo leque de opções em sua produção, com a prática da pintura em plein air, reafirmando ainda mais esses ensinamentos iniciados com Maguetas.

RODRIGO ZANIBONI - A Canção de Joanna
Óleo sobre tela - 50 x 40 - 2013

RODRIGO ZANIBONI - Vó Zenaide e suas abóboras - Óleo sobre tela  - 84 x 90 - 2005

Há uma evolução latente nos trabalhos desse artista paulista, desde o início de sua produção. Experimentos técnicos também não faltam, e são sempre conduzidos por um mestre ou uma referência que ele não abre mão. E, no entanto, lá continuam suas memórias, visitadas e incansavelmente perseguidas, revelando o quanto o aconchego do lar e das boas lembranças fazem tão bem à sua obra. Uma dessas memórias, que se eternizou em obra é a tela “Vó Zenaide e suas abóboras” (ilustração acima), que foi premiada no Salão Brasileiro de Belas Artes de Ribeirão Preto, em 2005 e que também obteve o 1° lugar no 1° Salão de Artes Plásticas em Homenagem a Luís Dotto, em Catanduva, no ano de 2007. Essa obra também ilustrou o Calendário Internacional da Acrilex, em 2006, percorrendo cerca de 30 países.

RODRIGO ZANIBONI - Frutas e objetos - Óleo sobre tela - 30 x 40 - 2013

RODRIGO ZANIBONI - A Dança
Óleo sobre tela - 100 x 60 - 2013

Já possui obras em diversos países, a citar especialmente Estados Unidos, Itália e Colômbia.
A trajetória rápida e tão bem construída vai demonstrando que raízes e boas lembranças se transformaram num forte alicerce para esse artista. Que elas persistam e venham nos brindar ainda mais com suas futuras produções.


PARA FALAR COM O ARTISTA:


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

RUBENS VARGAS

RUBENS VARGAS - Rio Pará / MG
Óleo sobre tela

RUBENS VARGAS - Casario 
Óleo sobre tela - 70 x 90

RUBENS VARGAS - Ouro Preto
Óleo sobre tela -  72 x 60 - 1995

Minha admiração pelo paisagismo cresceu no início da década de 90, quando comecei a conhecer mais acuradamente os trabalhos de vários artistas mineiros. Evidente que Edgar Walter encabeçasse uma lista que seguia com todos os seus discípulos. Não era uma época de facilidades para obter informações como hoje, onde bastam alguns toques no teclado e é possível estar em contato com vários artistas em várias partes do mundo. Conhecer pessoalmente algum artista era uma atividade quase desumana, ainda mais em se tratando que sempre vivi longe dos grandes centros. Ter acesso a imagens de trabalhos de outros artistas só era possível através de visitas a museus e galerias, ou adquirindo raros livros, onde os de melhor qualidade quase sempre eram importados e com valores bem elevados. Os tempos mudaram e hoje felizmente é possível conhecer uma boa parte do mundo, mesmo estando no conforto de nossas casas.

RUBENS VARGAS - Burrinho - Óleo sobre tela

RUBENS VARGAS - Beira de rio -óleo sobre tela - 60 x 90

Eu me lembro de ter conhecido os trabalhos do Rubens Vargas ainda naquela época. Via algumas pouquíssimas obras suas através de leilões virtuais e quando possível, através de algum catálogo de exposição. Sempre associei sua trajetória e suas obras ao grupo de discípulos de Edgar Walter, pois sempre o vi próximo aos seguidores daquele mestre. Apenas recentemente pude fazer contato mais direto com o artista.

RUBENS VARGAS - Galinhas - Óleo sobre tela

RUBENS VARGAS - Paiol
Óleo sobre tela

Rubens Vargas nasceu na cidade mineira de Curvelo, no ano de 1948 e reside atualmente em Belo Horizonte. Um artista com temática voltada quase que exclusivamente para a pintura regionalista mineira, com exceção das marinhas que executa ocasionalmente. Sua pintura tem uma paleta característica, quase sempre suave e com contornos bem esmaecidos, com uma sensação constante de bruma no ar. As cores também são bem próprias e com contrastes sempre bem dosados.

RUBENS VARGAS - Córrego
Óleo sobre tela - 30 x 40

RUBENS VARGAS - Fundo de fazenda
Óleo sobre tela - 40 x 60

É um artista que presa pela simplicidade da execução e faz isso com muita propriedade, explorando temas aparentemente comuns, mas resgatando deles sempre um toque de nobreza.
O artista continua produzindo seus trabalhos voltados para a temática que sempre explorou.

RUBENS VARGAS - Litoral
Óleo sobre tela - 60 x 90

RUBENS VARGAS - Paisagem
Óleo sobre tela - 47 x 63

PARA SABER MAIS:


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

LUIZ VILELA


Dentre as muitas virtudes da arte, nenhuma me parece mais nobre que a universalização do indivíduo que a promove: o artista, seja ele de qualquer área. Essa linguagem sem pátria, pode tanto levar os artistas desse país quanto receber vários outros de outras nações. Há uma espécie de democracia nata para aqueles que praticam a arte na sua mais verdadeira essência, e é nesses momentos que percebemos que fronteiras são nada mais que algumas linhas criadas num mapa. A arte em seu estado mais puro não conhece esses limites.
Felizmente, a internet tem tornado essas fronteiras e distâncias entre povos ainda mais inexistentes. Foi através dela que vim a conhecer os trabalhos de um brasileiro, radicado há décadas nos Estados Unidos. Em uma entrevista muito agradável, ele vem nos mostrar o que se tornou o seu “novo mundo”, e como a arte foi um fator determinante para a sua inserção nele.

LUIZ VILELA - Fishing in Milford - Óleo sobre tela

José Rosário - Onde nasceu e quando? 
Luiz Vilela - Eu nasci em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, em 1965.

José Rosário - Vi que começou pela Arquitetura, ainda tem alguma ligação com essa atividade? Trabalha exclusivamente com arte? Fale-nos um pouco sobre o começo com as artes:
Luiz Vilela: Eu me mudei para o Rio de Janeiro onde eu estudei Arquitetura e Urbanismo na FAU/UFRJ. Quando morava no Rio, trabalhei com Arquitetura, mas não me aprofundei muito no mercado, trabalhei mais fazendo perspectivas e “renderings” das fachadas dos projetos, e também com projetos de lojas e vitrines. O curso de Arquitetura me deu régua e compasso, foi muito bom para desenvolver a visão espacial, aprender geometria e perspectiva e história da arte. Ao mesmo tempo, eu frequentei o Parque Lage, fiz aulas com Roberto Magalhães e outros artistas. Ainda na faculdade comecei a ilustrar livros infantis para editoras brasileiras. Resolvi mudar para os EUA a partir de conselhos dos meus professores e tive minha aplicação aceita pelo Pratt Institute em Nova York para fazer curso de ilustração comercial. Cheguei em Nova York no verão de 1995 e logo após o término do curso, em 1997, eu fui contratado pelo departamento de arte da editora Golden Books para fazer design de livros - e ilustrações também: o fato de eu saber desenhar e pintar contribuiu para o sucesso na carreira. A maioria dos designers não têm este tipo de habilidade. Mesmo trabalhando com design gráfico eu nunca deixei de pintar e desenhar. No curso do Pratt eu aprendi muito sobre técnicas de pintura, desenho, aquarela e etc, o programa é muito rico e intenso... E o fato de morar numa cidade como Nova York é uma experiência sensacional, posso dizer que é um privilégio poder usufruir de todas as ofertas culturais que a cidade oferece. Eu frequentei (e ainda frequento) os museus para estudar os trabalhos dos mestres e copiá-los, assistir às palestras, aos espetáculos de óperas e balés do Lincoln Center e o BAM, por exemplo. Acho que tudo isto contribui para a bagagem cultural do ser humano e consequentemente reflete na forma de expressão do artista. Uma das grandes oportunidades que tive foi o fato de o prédio em Manhattan onde eu trabalhava ficar em frente ao prédio da The Arts Students League of New York (www.theartstudentsleague.org ) que é a escola de arte mais tradicional da cidade. Eu fiz aulas de modelo vivo com o pintor Ronald Sherr à noite, depois do expediente de trabalho. Mais tarde, a Golden Books foi adquirida pela Random House que hoje é o maior conglomerado de editoras que existe. Eu trabalhei como design gráfico de livros infantis durante 15 anos, até Outubro de 2012, quando saí para dedicar meu tempo exclusivamente à minha arte.

LUIZ VILELA - The boathouse - Óleo sobre tela

José Rosário - Há tanto tempo no mercado norte-americano, como vê a aceitação do artista estrangeiro por aí?
Luiz Vilela:  Eu costumo dizer que há lugar para todo mundo na América. Talvez pelo fato de eu estar aqui há muito tempo e ter entrado no mercado de arte relativamente como um nativo americano qualquer, eu não senti nenhum estranhamento pelo fato de eu ser estrangeiro. Quero dizer, eu sou inspirado pela paisagem americana do lugar onde moro e o meu trabalho retrata esta paisagem e arredores, portanto a reação ao meu trabalho no mercado de arte americano é normal. De vez em quando me perguntam de onde sou por causa do nome e do modo de falar. Eu conheço artistas de vários lugares do mundo que mostram o trabalho deles aqui, em competições internacionais e a reação é natural - eu acho que se o artista desenvolve um trabalho bem feito e sincero as barreiras culturais desaparecem. 

LUIZ VILELA - Fur-portrait of Donald Becker - Óleo sobre tela

José Rosário - Há no Brasil uma espécie de valorização excessiva das artes de vanguarda, por parte das instituições e galerias. Mesmo que demonstre uma luz no fim do túnel de que as coisas venham a melhorar um dia, a arte realista tem passado maus momentos por aqui. Qual é a realidade do mercado norte-americano nesse sentido?
Luiz Vilela: A mesma coisa acontece aqui nos Estados Unidos. E no mundo todo. Mas acredito que isto está começando a mudar. Com raízes no Renascimento, durante mais de quinhentos anos, os mestres artistas transmitiram um sistema de conhecimento para seus alunos. O impacto da nova forma democrática de pensar do Iluminismo em conjunto com uma formação clássica incomparável, acionou o maior período de criatividade que as belas artes já tinha visto. Mais tarde os impressionistas pariram a chamada arte moderna que mudou para tudo o que é chamado de arte hoje em dia. Muitos acreditavam que a pintura realista foi substituída pela fotografia. (De uma certa maneira, foi mesmo, no caso da área de propaganda e marketing, os trabalhos de arte e pintura foram substituídos pela fotografia no final do século XX.) Depois disseram que a própria ARTE havia morrido. A arte tornou-se “arte sobre a arte” e não arte sobre a vida. Atualmente existe uma contínua marginalização da arte realista, portanto, da pintura acadêmica pelo estabelecimento, o que me faz acreditar que a arte realista hoje em dia é a arte de vanguarda atual, quer dizer, o círculo da evolução da arte como a gente a conhecia se fechou e o processo está começando de novo. Hoje existe uma revolução artística -um novo renascimento- que ainda está à margem do mercado. Existe uma procura pela arte clássica dos ateliers franceses do final do século XIX novamente. Dos anos 50 até recentemente, se um alguém se matriculasse numa escola de arte, o que esta pessoa iria aprender? A estética da hora era fazer arte abstrata, expressionista, e os desdobramentos destas correntes. Como é que você “ensina” a fazer arte abstrata? Qual é a estética da arte abstrata e contemporânea? O artista faz o que quiser manejando tintas e pincéis. E fortunas são feitas a partir deste jeito “rápido” e rebelde de se fazer arte. Já para fazer a arte acadêmica/figurativa o artista precisa de treino, pois os artistas autodidatas que são realmente bons no que fazem, eles são raros... Hoje em dia, existe muita gente querendo aprender as técnicas da pintura realista como era ensinada e praticada nos ateliers franceses de pintura acadêmica no final do século XIX, com ênfase em desenho tradicional com modelo vivo, pintura e escultura. O processo de aprendizado começa com os estudantes desenhando e passando à pintura na medida em que sua habilidade progride. Academias e ateliers de arte estão “pipocando” por todo a America e na Europa também. Antes dessa “nova onda” era difícil encontrar escolas de arte de ensino acadêmico, do tipo da The Art Student League, em Manhattan. Como exemplos destes novos estabelecimentos, dentre outros, eu sito principalmente: 
- Studio Incamminati na Filadélfia (fundado em 2002 pelo artista Nelson Shanks) http://www.studioincamminati.org/ 
- Water Street Atelier, mais tarde chamado Grand Central Academy, em Nova York (fundado por Jacob Collins)http://www.grandcentralacademy.org/ 
- Florence Academy of Art em Florença (fundada em 1991 por Michael Graves) http://www.florenceacademyofart.com/index.php 
- Angel Academy of Art em Florença (fundada por Michael John Angel que estudou com Pietro Annigoni)http://www.angelartschool.com/ 
Existem grupos de pintores também como os The Putney Painters influenciados pelo artista Richard Schmid (http://www.villageartsofputney.com/The_Putney_Painters.html ); e pintores como David Leffel, Daniel Greene e Burt Silverman, dentre outros, que desenvolvem um trabalho magnífico de pintura realista e influenciam a nova geração interessada nesta nova corrente. Da turma mais nova eu cito os pintores Jeremy Lipking, Daniel James Keys, Daniel Sprick, Scott Burdick, só para mencionar alguns deles. São muitos.

LUIZ VILELA - Waiting for you - Óleo sobre tela

José Rosário - Realmente são artistas tidos como referências no cenário realista atual. Quanto à arte brasileira, existe alguma ligação sua com outros artistas brasileiros radicados por aí?
Luiz Vilela: Não conheço pessoalmente nenhum pintor brasileiro radicado nos EUA. Conheço fotógrafos e jornalistas. O Facebook tem facilitado este tipo de “network” ultimamente. Através dele, fico em contato com muitos artistas brasileiros, inclusive Andre Nobrega que vive na Califórnia. Conheci a artista brasileira Juliana Limeira, de Brasília, na conferência de arte da Portrait Society of America (www.portraitsociety.org ). Estas conferências são um ótimo meio para conhecer outros artistas. 

LUIZ VILELA - On the river - Óleo sobre tela

José Rosário - Existe algum grupo ou movimento do qual você participa?
Luiz Vilela: Além ser membro da Portrait Society of America, faço parte do Artsbridge Group na minha região, atualmente com mais de 300 membros artistas - este grupo promove exposições, divulga o trabalho dos artistas e contribui para a troca de informações e contato entre eles. 
Na região onde moro, que fica às margens do rio Delaware, rio este que divide os estados de Nova Jersey e Pensilvânia, existem mais de 1000 artistas praticando todos os estilos e técnicas - escultores, pintores, fotógrafos, artesanato, música, e letras. Além de galerias de arte e antiquários, existe um museu maravilhoso chamado Michener Museum (www.michenermuseum.org ), na cidade Doylestown no estado da Pensilvânia. A região de Bucks County, PA, é conhecida como reduto de artistas por muitos anos e pintores americanos influenciados pelo Impressionismo europeu vieram morar aqui, entre eles, Edward Redfield, Daniel Garber e William Lathrop. Escritores como James A. Michener, Dorothy Parker e Pearl S. Buck moraram na região, assim como os músicos Oscar Hammerstein, II, Stephen Sondheim e Charlie Parker. Quando eu morava em Nova York, amigos me aconselhavam a visitar esta área, o que fiz no final do ano 2000. E fiquei encantado com o que vi, tanto que mais tarde eu me mudei para cá.
No caso da Portrait Society of America  (PSOA) seu propósito é promover e melhorar a compreensão das práticas, técnicas e aplicações da arte tradicional de retratos e obras figurativas, principalmente. As atividades desenvolvidas pela corporação são educativas por natureza. Seus projetos aumentam o conhecimento técnico e estético dos artista praticantes, do amador aspirante, dos estudantes de arte assim como do público em geral. A conferência acontece no final do mês de abril, a cada ano em uma cidade diferente. Em 2013 será em Atlanta e é preciso ser membro da sociedade para poder atender ao evento, mas vem gente do mundo todo.

LUIZ VILELA - The Chef-portrait of Jim Hamilton - Óleo sobre tela

José Rosário - Há alguma galeria específica que o represente por aí?
Luiz Vilela: Eu trabalhei com várias galerias de arte, e recentemente era representado pela desChamps Gallery em Lambertville, mas infelizmente a diretora faleceu e a galeria fechou. No momento eu estou avaliando convites para participar em outras galerias mas ainda não defini com qual deverei trabalhar ainda. 
Atualmente estou vivendo uma fase muito interessante e nova, depois de trabalhar em Manhattan no departamento de arte das editoras, eu resolvi dedicar todo o meu tempo ao meu trabalho de pinturas. Agora passo o dia no atelier procurando divulgar minha arte. Os clientes e pessoas que conhecem meu trabalho entram em contato comigo através do meu website, ou por telefone, agendando visitas e também requisitando comissões.

LUIZ VILELA - Finkles - Óleo sobre tela

José Rosário - Vi que já fez vários cursos e sem dúvida eles sempre acrescentam. Alguns de seus mestres já eram suas referências? Que artistas praticam algo com aquilo que você mais identifica no momento?
Luiz Vilela: Eu acho que o ser humano nunca para de aprender, portanto sempre procuro fazer workshops de pintura, principalmente se eu noto que o artista mentor tem alguma qualidade ou técnica diferente da minha, eu acho que neste caso se aprende mais. Eu frequentei o Studio Incamminati, na Filadélfia, por vários anos. Eles são responsáveis pela maioria das técnicas que aprendi com relação à pintura figurativa. É uma escola muito séria, os professores foram treinados pelo artista Nelson Shanks e seguem seus passos, mas cada um com seu estilo próprio, claro. Há alguns anos, numa das conferências da Portrait Society, eu conheci o pintor David Leffel. Eu já o conhecia dos livros e revistas de arte os quais eu lia e estudava, mas pintar com ele e ouvir seus conselhos e tutelagem está sendo muito importante para aumentar o meu conhecimento e técnica de pintura. Você aprende filosofia de vida também- ele é muito sábio, um mentor natural e provavelmente o artista mais pleno no sentido da palavra que eu tive a oportunidade de conhecer. E também porque ele é um ser humano muito generoso e tem um talento e facilidade enorme para dividir sua sabedoria.

LUIZ VILELA - George Street - Óleo sobre tela

José Rosário - Tem preferência por alguma técnica, em especial?
Luiz Vilela: Óleo. É o veículo com o qual mais gosto de me expressar. Mas gosto muito de desenho e principalmente aquarela - e admiro o trabalho de Mary Whyte, uma aquarelista soberba da Carolina do Sul. (www.marywhyte.com )

José Rosário - A pintura em local (plein air) é uma atividade corriqueira ou ocasional?
Luiz Vilela: Eu gostaria que fosse mais corriqueira do que ocasional. Porque é muito importante pintar “in loco.” É quando o artista mais aprende porque todas as respostas para suas dúvidas estão ali, na sua frente. É só saber ver. E esta é a luta de todo artista: aprender a ver o mundo. Para depois interpretá-lo e dividir suas impressões.

LUIZ VILELA - Portrait of a woman - Óleo sobre tela

José Rosário - Seus trabalhos são divulgados no Brasil por alguma galeria? Há alguma publicação sua que queira compartilhar?
Luiz Vilela: Uma tela minha faz parte da coleção do acervo do Museu de Arte Contemporânea MAC Bahia.
Não tenho representação em nenhuma galeria no Brasil, ainda. Este é um projeto e uma vontade que tenho, para um futuro próximo. Estou trabalhando num projeto de pintura retratando o povo brasileiro, o que deverá ser uma “ponte” para restabelecer meu contato com o país onde cresci, e minhas raízes.
Editei um livro com meus trabalhos de pintura, e pode ser adquirido pelo link abaixo:
http://www.blurb.com/b/2048271-buoyant-brushwork-the-art-of-luiz-vilela


Gostaria de agradecer imensamente ao Luiz Vilela
pela sua atenção e por ceder as imagens para
a publicação dessa matéria.



PARA SABER MAIS: