terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PEDRO ALEXANDRINO

PEDRO ALEXANDRINO - Metal, cristais e abacaxi
Óleo sobre tela - 73 x 87 - Coleção particular

PEDRO ALEXANDRINO - Maçãs e uvas
Óleo sobre tela - 98 x 131 - Pinacoteca do Estado de São Paulo

PEDRO ALEXANDRINO - Aspargos
Óleo sobre tela - 100 x 137,5 - Pinacoteca do Estado de São Paulo

Uma das figuras mais conhecidas no campo das artes paulistas, no início do século XX, era um sujeito baixinho, miúdo por natureza, que sempre ficava resignado em revelar a idade e que não tinha lá grandes preocupações com a aparência. Pedro Alexandrino, um pintor de naturezas mortas por excelência, foi também um dos melhores artistas brasileiros desse gênero.

PEDRO ALEXANDRINO - Frutas e jarro de cobre
Óleo sobre tela

PEDRO ALEXANDRINO - Frutas e flores
 Óleo sobre tela

PEDRO ALEXANDRINO - Flores e doces
Óleo sobre tela - 87 x 115 - Pinacoteca do Estado de São Paulo

Nasceu em 1856, em São Paulo, e aí morreu em 19 de julho de 1942. Era filho de Francisco Joaquim Borges e Rosa Francisca de Toledo. Começa cedo nas artes, como ajudante do decorador francês Claude-Paul Barandier. E sua primeira atividade foram os ornamentos na Catedral de Campinas. Maior evolução no aprendizado, consegue ao iniciar seus estudos com Almeida Júnior. Por um breve período de interrupção; para cursar na Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro; deixa os aprendizados com seu mestre. Mas volta a trabalhar e estudar com Almeida Júnior, conseqüência da suspensão de sua bolsa de estudos naquela academia fluminense.

PEDRO ALEXANDRINO - Natureza morta
Óleo sobre tela

PEDRO ALEXANDRINO - cozinha na roça
Óleo sobre tela

PEDRO ALEXANDRINO - Peru depenado
Óleo sobre tela

Participou de diversas exposições no Rio de Janeiro e foi premiado em diversas delas. Como reconhecimento ao seu trabalho, acabou ganhando uma pensão para estudar na França, endereço mais que marcado por artistas do mundo inteiro. A cidade-luz abrigava a todos sem distinção, e por lá, Pedro Alexandrino ficou durante 5 anos, nos estudos com René Chrétien e Antoine Vollon. Participou do Salon em diversas oportunidades, e em todas elas com a temática de naturezas mortas.

PEDRO ALEXANDRINO - Natureza morta
Óleo sobre tela - 50 x 65 - Coleção particular

PEDRO ALEXANDRINO - Natureza morta com vaso e frutas
Óleo sobre tela - 117 x 90
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

PEDRO ALEXANDRINO - Natureza morta com sopeira
Óleo sobre tela - 52 x 60 - Acervo Banco Itaú, SP

Instalando-se definitivamente em São Paulo, em 1908, inicia um dos períodos mais férteis de sua carreira. Também leciona desenho e pintura, atividade que faz indo à casa de seus alunos. Alguns discípulos seus viriam a se tornar mais tarde, grandes nomes da arte moderna no Brasil: Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Aldo Bonadei, Lucília Fraga e Renée Lefévre.


PEDRO ALEXANDRINO - Composição com bananas
Óleo sobre tela

Detalhe

PEDRO ALEXANDRINO - A copa
Óleo sobre tela - 213,8 x 178,7
Museu Nacional de Belas Artes

O renomado artista que veio de Paris conquistou fama pelo trabalho peculiar e forte. Tinha uma fatura vigorosa e solta, mas que deixa, ainda assim, suas obras facilmente assimiláveis e entendidas. Teve um sucesso muito grande na pintura de naturezas mortas, mas não se pode dizer o mesmo com as paisagens e os retratos, pelos quais sofreu críticas ferozes e que não deixaram de lhe trazer um certo desgosto.


PEDRO ALEXANDRINO - Faca, maças e metal
Óleo sobre tela

PEDRO ALEXANDRINO - Natureza morta
Óleo sobre tela - 43 x 55

PEDRO ALEXANDRINO - Ostras
Óleo sobre tela


Na sua estada em Paris teve ligeiro contato com o Impressionismo, o que fica evidente numa série de estudos ao ar livre que fez nos jardins do Parque de Luxemburgo. No Brasil, porém, sua paisagem perde o vigor, a ponto de não explorar muito esse tema. Limita a fazer uns raros trabalhos de marinhas e interiores, muito ocasionalmente. Refugia-se em seu canto e continua suas naturezas mortas de sempre, silenciosas, mas que tinham muita energia e constituem sua temática principal até o fim de seus dias.


ENRICO VIO - Retrato de Pedro Alexandrino
Pastel

8 comentários:

  1. Bom dia, José!
    Falando em natureza morta é impossível para mim não lembrar das belíssimas obras do mineiro Florêncio. Ele tinha uma página mas me parece que saiu do ar.
    Você já fez algum post sobre ele? Se não, fica aí a minha sugestão.

    Um abraço.

    ResponderExcluir
  2. Olá Márcio, também sinto falta das novidades do Florêncio. Ele tinha uma página muito boa, que infelizmente não consigo mais acessar também.
    Farei uma matéria com ele para o futuro. Minas tem muitos tesouros por aí, ainda há muito por desvendar.
    Obrigado pela visita e pela dica!

    ResponderExcluir
  3. José que matéria maravilhosa, o Pedro alexandrino é simplesmente demais... parabéns!

    ResponderExcluir
  4. Olá Raimundo, obrigado pela vinda. Bom que tenha gostado da matéria.
    Abraço!

    ResponderExcluir
  5. VALEU ! Que bom que postastes este material sobre Pedro Alexandrino, pois eu não sabia que esse era seu nome, e agora podería pesquisá-lo, se tua matéria não fosse tão boa como sempre é. OBRIGADO !
    Á alguns anos atrás, o museu nacional, precisou fazer reforma em uma de suas salas, e mandou algumas obras de seu acervo para uma mostra itinerante á algumas cidades do país, entre elas, Porto Alegre. Haviam lá, obras de Pedro Américo, Almeida Júnior, e muitos outros imortais que enchiam meus olhos de autodidata de técnica e admiração. Entre essas maravilhas, uma tela muito grande para ser uma natureza morta, me fez voltar á mostra quase todos os dias, para beber de suas pinceladas precisas de grosso empaste e cores inesquecíveis. De uma mesa um tanto inclinada, quase caíam, numa perspectiva perfeita, frutas em uma bandeja que se podia pegar com a mão, enquanto um cepo, ao chão,sustentava um jarro resolvido com precisão em um empasto de tintas quentes.
    Por muitos anos, fiquei intrigado pela força de tal trabalho, pois de todas as maravilhas que estavam lá, essa era a tela que tornava a mostra inesquecível, pra mim, e eu não conhecia seu autor. AMIGO, OBRIGADO POR ME TRAZER "A COPA" NOVAMENTE AOS OLHOS !
    Selistre

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Puxa vida, e eu que achava que não tinha "novidades" para apresentar a você, que já viu tantas outras.
      Legal!

      Excluir
    2. NOVIDADES SEMPRE, E CADA VEZ MAIS, GRANDE GARIMPEIRO DAS ARTES !!! Caro amigo, eu, por ser autodidata,sou atraído por tudo aquilo que tem vida própria, nas artes, e, por certo, a vida nunca me trouxe nada descartável, e bebo de todas as fontes artísticas,por não ter mestre para me mostrar atalhos, mas no teu blog encontrei mais novidades artísticas de alta qualidade do que minha trajetória dos últimos dez anos. E quase todas, brasileiras, e mais importante ainda, quase todos os grandes que me impressionaram são contemporâneos nossos, onde tenho o privilégio de te incluir com mérito, como grande pintor e escritor.
      Continue nos embriagando de bom vinho !!!
      VALEU !
      Selistre

      Excluir
    3. Não sabe a responsabilidade que acabou de me dar. Divirto fazendo o blog e ele tem me ensinado duas coisas muito importantes: disciplina e vontade de aprender sempre.
      Um grande abraço!

      Excluir